sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Um Bate-papo no Buteco da Astrofoto

Com mais de mil e quinhentos inscritos, o Canal Astrofoto, do excelente astrofotógrafo Rafael Compassi é hoje com certeza o maior veículo de ensino da Astrofotografia no Brasil. O Youtube tem muitos excelentes canais de Astronomia brasileiros, como o Space Today, do Sérgio Sancevero e o Mensageiro Sideral, do Salvador Nogueira, mas o Canal Astrofoto é o primeiro canal que focado na Astrofotografia.

Um dos trabalhos mais interessantes do Canal Astrofoto com certeza é o programa Buteco da Astrofoto, onde toda semana um astrofotógrafo é convidado para bater um papo com grandes astrofotógrafos brasileiros.

Na última quinta-feira (20/09/201), eu tive a honra de ser o convidado do programa e pude falar sobre a minha experiência como astrofotógrafo. Em alguns momentos a conversa fica bastante técnica, mas na maior parte do tempo é um papo bastante divertido, mesmo para quem não conhece muito do assunto.

Vocês podem curtir o vídeo abaixo, não deixem de ir no Youtube, dar um like no vídeo e se inscreverem no canal.


sábado, 18 de agosto de 2018

Galáxia do Superman - NGC 7479




É um pássaro? é um avião? não! É a galáxia do SuperMan (NGC 7479). Local perfeito para um roteirista de Hollywood apontar como a galáxia que abriga o planeta Krypton.

A imagem acima está invertida horizontalmente de propósito, para mostrar a semelhança com o símbolo do Superman. Mas é interessante pensar que a maioria dos telescópios mostra a imagem invertida devido à forma como a luz é desviada por espelhos e lentes, logo será assim que você verá a galáxia em muitos equipamentos. Além disso, se você estivesse na direção oposta da Terra, a galáxia seria vista com essa forma.

É uma imagem simples, feita com o telescópio refrator de 102mm, que não é o mais indicado, e muito pouco tempo de exposição. Publiquei mais por ser um objeto ser interessante. Trata-se de uma galáxia barrada, localizada no céu na Constelação de Pégasus, a mais de cem milhões de anos-luz. Acho que é o objeto mais distante que registrei. Um registro futuro, com o refletor de 200mm, é praticamente obrigatório.

No último dia do EBA deste ano, decidi trocar o Refletor de 200mm pelo Refrator de 102mm devido às dores de cabeça que o refletor estava me dando. O grandão toda hora ficava descolimando. Eu tinha que, no meio da escuridão, tirar a câmera e a roda de filtros do porta ocular para realizar a colimação com a ocular cheshire. E mesmo travando todos os parafusos, o telescópio mudava a colimação durante a noite.

Mas apesar da captura com o refrator ser mil vezes mais pacífica do que com o refletor, inclusive me deixando mais tranquilo com a ventania que estava na última noite, na hora de ver o resultado, bate um arrependimento de não ter usado o Refletor. Para captura de galáxias, ainda mais uma tão distante, o uso de um refletor de pelo menos oito polegadas de abertura é obrigatório.

Telescópio: Refrator de 102mm F7
Câmera: Atik 314L+
Montagem: Sky-watcher HEQ5
Filtros: Optolong 1,25 LRGB
Luminância: 8x5min
RGB: 3x5min segundos cada cor

sábado, 11 de agosto de 2018

Fotografando com o Ioptron Skyguider e a QHY163m sem guiagem

Região de Sadr e Nebulosa Crescente (NGC 6888)
  H-alpha 73x1min
OIII 39x1min
SII 27x1min


Um dos dois setups que usei no Décimo Primeiro Encontro Brasileiro de Astrofotografia foi o Ioptron Skyguider Pro carregando a câmera monocromática QHY163m com a lente de 200mm F2.8. Este é o que eu chamo de um setup portátil, que dá pra carregar com um braço, um levar numa viagem de avião. Eu já usei esse setup antes, em dois encontros astronômicos, mas desta vez, não pude usar a já comprovada eficiente guiagem do Skyguider Pro. Como também estava com o Telescópio Refletor de 200mm sobra a HEQ5, fotografando galáxias, o setup de maior aumento e menos campo não podia ficar sem a ajuda da guiagem.

Nebulosas Running Chicken (IC2944) e Estátua da Liberdade (NGC 3572)
  H-alpha 66x1min
OIII 8x1min
SII 8x1min


Foi então uma boa oportunidade para ver como o Skyguider Pro se comportaria com a lente de 200mm sem o apoio da guiagem. Para quem não leu os posts anteriores, com guiagem eu consegui frames de três minutos com o Skyguider Pro. Sem guiagem eu sabia que não ia conseguir mais do que um minuto por frame e foi exatamente com frames de um minuto que fotografei.

Sem guiagem e perfeitamente alinhado com o polo celeste, o Skyguider consegue tranquilamento frames de um minuto de exposição, mas a diferença é que agora muitos dos frames saem apresentando rastro, com estrelas pra lá de ovaladas. Posso dizer que, para cada frame bom, um fica ruim, enquanto com guiagem todos os frames ficam perfeitos.

Nebulosas do Véu registradas em HalphaRGB
  H-alpha 96x1min (bin 2x2)
RGB - 15x1min cada cor. (bin 1x1)


Uma coisa boa do uso do Skyguider com a lente de 200mm sem guiagem é que, apesar do grande número de frames problemáticos, após cerca de duas foras de captura, é possível continuar fotografando sem precisar ajustar o enquadramento. A perda de área é quase insignificante. Mas deve-se ficar esperto. O deslocamento dos frames somente para uma direção, numa câmera com sensor CMOS, tente a gerar linhas nas áreas mais escuras na imagem.

Apesar das limitações, fiquei muito feliz com o resultado final das imagens. O mérito vem principalmente da câmera QHY163m e sua versatilidade incrível. Primeiro, elevei o ganho da câmera, o que, apesar de aumentar o ruído, aumenta muito a sensibilidade. E o ruído pode ser bastante reduzido quando se captura muitos frames. Também utilizei binning 2x2 nas capturas. O binning 2x2 soma o brilho de cada 4 frames para gerar uma imagem mais brilhante, embora com quatro vezes menos resolução. No fim ainda temos uma resolução ainda muito boa de 4 megapixels e o uso de Drizzle 2x na integração, que aumenta os single frames duas vezes antes de integrá-los, compensa a perda de resolução do binning 2x2.

Nebulosas América do Norte (NGC 7000) e Pelicano
  H-alpha 86x1min
OIII 18x1min
SII 18x1min

Eu acabei usando todos os frames capturados nos registros, embora o aconselhável seja selecionar os melhores. Fiz isso por que acredito que ajuda a reduzir o ruído. Eu talvez refaça algumas das fotos apresentadas aqui em oportunidades futuras de captura, com frames de 3 minutos e talvez sem o uso do binning. Talvez consiga resultados ainda mais interessantes.

O Skyguider Pro com a QHY163m e lente de 200mm F2.8 Canon EF USM II





quinta-feira, 26 de julho de 2018

O EBA das Galáxias - Galáxia do Girassol, de Barnard e NGC 247


M63 - Galáxia do Girassol
Luminancia 39x3min
RGB 6x90s cada (bin 2x2).


No décimo primeiro EBA, eu usei dois setups. De um lado, a minha Câmera mais nova, a CCD monocromática QHY163m, foi conectada a uma lente de 200mm de distância focal F2.8 sobre o Ioptron Skyguider Pro. O segundo setup estava com a minha antiga câmera CCD Atik314L+ conectada ao telescópio refletor de 200mm de Abertura e montagem Sky-Watcher HEQ5. Enquanto o objetivo do setup com a QHY e lente era a captura de grandes campos, principalmente nebulosas, a Atik e o refletor estavam lá para a captura de galáxias.

Devo dizer que, após mais de sete anos dedicados a astrofotografia, a captura de galáxias com um setup de maior porte, é um sopro de renovação nessa atividade. Eu já fotografei a maioria das principais nebulosas de emissão e, as vezes, fico meio sem novos objetivos nessa área, mas quando navego no Stellarium em busca de galáxias, vejo (literalmente) todo um universo de opções para fotografia.

A Atik 314L+ pode ser considerada ultrapassada em relação a câmeras como a QHY163. Além disso, tem somente 1,3 megapixels de resolução contra 16 megapixels da QHY163m. Mas o campo pequeno de seu sensor (2/3 polegadas) é perfeito para pegar galáxias menores. Já no sensor da QHY163m (4/3 polegadas) galáxias mais isoladas ficariam perdidas no meio das estrelas. Devido a pequena Atik tem tudo para seguir muito usada na minha prática astrofotográfica, mesmo com a nova câmera.

Uma grande vantagem que vejo no sensor pequeno da Atik 314L+ é que ele acaba sendo menos sensível a problemas na óptica do telescópio, principalmente nas bordas. Além disso, registros feitos do apartamento apresentam bem menos problemas com a poluição luminosa. Enquanto com a ATIK314L+ tenho feito algumas capturas interessantes em cores naturais, mesmo da varanda do apartamento, a QHY163m tem mostrado dificuldade até mesmo em capturas em banda estreita feitas no mesmo local, principalmente com o filtro de OIII, que tem apresentado uma aberração gigantesca ao permitir entrar mais luz que os filtros H-alpha e SII.

Alguém pode questionar: mas com a QHY163m você não poderia cropar a captura e usar ela como se o sensor fosse menor? Devo dizer que esse é um teste que vou fazer no futuro. Até o momento, tenho achado que, ao examinar os detalhes dos objetos, a Atik 314L+ apresenta um resultado superior, mesmo que a foto final tenha menos resolução final. Entretanto, recentemente tenho percebido que minhas imagens com a QHY163m estão melhorando muito, inclusive com o uso de ganho sendo usado em altos valores. Talvez num novo teste a QHY163m apresente um resultado superior na aquisição de detalhes das galáxias, o que seria muito bem vindo. Para piorar a situação da ATIK 314L+, ela tem apresentado umas esquisitices que estão me preocupando. Devo falar isso em breve. Mas enquanto isso, vou tirando o máximo da pequena câmera, como vocês podem ver nas fotos deste post, todas feitas no Décimo Primeiro EBA.


Galáxia de Barnard
Luminancia 39x3min
RGBI 6x3min cada
NGC 247 -
Luminancia 37x3min
RGBI 6x90s cada (bin 2x2).


Imagens feitas com:
Telescópio Refletor 200mm F4.5 Orion UK VX
Câmera Atik 314L+
Montagem Sky-Watcher HEQ5
Guiagem: Orion Miniguider 50mm ASI ZWO120mc
Filtros Optolong LRGB 1,25 polegadas.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Nebulosa Carina (NGC 3372) em Hubble Palette com lente.


Nebulosa Carina NGC (3373), registrada com lente e filtros de banda estreita, compondo o chamado Hubble Palette, onde o H-alpha é o verde, o Oxigênio III é o Azul e o Enxofre II é o vermelho.
Esta nebulosa está a cerca de 6500~10000 anos luz da Terra, localiza-se no céu noturno na constelação de Carina. Ela é quatro vezes maior e também é mais brilhante do que Orion (M42), entretanto, é menos conhecida por estar no Hemisfério Celeste Sul, onde há menos pessoas para observar e registrar. Pelo mesmo motivo, registros dessa nebulosa costumam ser bastante valorizados.

Aqui a imagem em alta resolução:
https://www.astrobin.com/full/356229/0/?real=&mod=

Imagem feita com:
Lente Canon 200mm F2.8 EF USM II
Câmera QHY163m
ioptron Skyguider Pro sem guiagem.
H-alpha 90x1min
OIII e SII 10x1min cada.
Ganho da câmera: 200
Binning 2x2 (empilhamento com Drizzle)

Eu registrei muitas imagens dessa mesma forma durante o EBA. Acho que algumas ficaram muito legais, mas o processamento é demorado. Até acho que esta imagem do post estaria melhor com um pouco mais de apuro. Mas me falta tempo para um tratamento mais refinado. Esse registro é, em sua maior parte, mérito da câmera QHY163m e seu sensor de 16megapixels, com recursos como ganho e Binning. Estes registros foram feitos sem guiagem, pois o equipamento para este recurso estava no telescópio.

Eu no 11° Encontro Brasileiro de Astrofotografia. O setup utilizado para a foto do alto do post está à esquerda na imagem.

terça-feira, 22 de maio de 2018

Rho Ophiuchi - Uma imagem, muitas conclusões



No último fim de semana foi realizado o 33° Encontro Observacional do CASB, em Padre Bernardo, Goiás. Eu só tive uma noite de fotografia. Apesar de ter chegado na sexta, a madrugada de sábado para domingo teve direito até mesmo a uma chuva que durou horas, eliminando qualquer possibilidade de fotografia no segundo dia. Esse é um tipo de coisa que os encontro de observações ou mesmo de astrofotografia astronômica estão sempre com risco de presenciarem, ainda mais no mês de maio, quando a época das chuvas ainda não exatamente terminou no Brasil Central.

Na sexta-feira, como fui direto do trabalho para o evento, não consegui virar a noite fotografando. Só fiz uma única imagem, que, apesar de tudo, foi feita com cuidado e, como eu estava usando um setup totalmente novo, acabou se tornando uma boa fonte de assunto para este blog, que andava meio parado (eu cheguei até mesmo anunciar que estava encerrando as atividades, mas voltei atrás diante do clamor popular).

O objeto registrado foi o complexo nebular Rho Ophiuchi. O setup de captura foi composto pela lente Canon EF 200mm f/2.8L II USM, montagem Ioptron Skyguider Pro e câmera QHY163m com filtros LRGB da Optolong. Foi a primeira vez que usei esse setup. Ao todo foram 90 frames de um minuto para a Luminância e 12 frames de 1 minuto para cada uma das cores.

A imagem registrada você vê no alto do post, o resultado dela e, principalmente, a experiência de captura e processamento, me fez chegar a várias conclusões sobre o equipamento utilizado que preciso compartilhar com vocês.

A Câmera QHY163m é de uma versatilidade incrível para trabalhar com trackers e lentes.

Eu já tinha tido algumas experiências com a QHY163m que, na verdade, tinham me deixado um pouco decepcionado com esta câmera monocromática resfriada com sensor de 4/3 polegadas. Sempre que tentava elevar o ganho da câmera, o resultado eram frames com muitas áreas mais claras ou escuras, que não eram ajustados nem com o uso de dark frames. Comecei a achar que o ganho dessa câmera era algo inútil, mas percebi que, quando os frames são mais curtos, o ganho mais elevado não deixa marcas na imagem nem quando fazemos a integração sem dark frames, mostrando que a QHY163m é uma câmera fabulosa para se fazer capturas quando o tempo de exposição por frames precisa ser mais curto, de cerca de um minuto. Na captura acima, usei ganho de 200.
O aumento do ganho, é claro, traz mais ruído, mas é compensado por podermos fazer uma quantidade maior de frames no mesmo intervalo de tempo em que faríamos frames longos sem ganho. Só fique atento com áreas muito brilhantes na imagem, pois a elevação do ganho tende a diminuir o range dinâmico da câmera, o que pode fazer áreas mais brilhantes estourarem com facilidade.

A Guiagem do Ioptron Skyguider Pro funciona muito bem

Os frames da captura acima foram de apenas um minuto. Não parece nenhuma novidade. Eu já tinha conseguido um minuto por frame com lente de 200mm até com o Ioptron Skytracker, tracker sem guiagem que eu tive antes de comprar o Skyguider Pro. Mas não se deixe enganar, eu coloquei um miniguider de 50mm com câmera QHYIII-224c no lugar do contrapeso e o resultado é que, com o polo alinhado e a guiagem ativada, praticamente não havia deslocamento de um frame para outro. Tanto que eu capturei por mais de duas horas sem precisar tocar na montagem para fazer ajuste de enquadramento, algo que eu sempre tinha que fazer em capturas mais longas com o Skytracker. No fim da captura, resolvi fazer um frame de 3 minutos só pra analisar a precisão da guiagem e as estrelas estavam perfeitas. Mais ainda, não houve um único frame com erro de guiagem. Eu pude aproveitar tudo o que capturei, enquanto com o antigo Skytracker a perda chegava perto dos 40%. Realmente o recurso de guiagem faz uma diferença gigantesca nesta montagem, mesmo ela sendo tão pequena.

Eu estava bastante cético com a guiagem do Ioptron Skyguider Pro, por ele só ter motorização no eixo de ascensão reta, não permitindo qualquer correção na declinação. Mas, se a montagem estiver bem alinhada no polo e com boa correção da ascensão reta, a falta de correção de declinação não faz muita falta.

O ponto fraco do Ioptron Skyguider Pro em relação a Sky-Watcher Star Adventurer

Neste Enoc, pude comprovar como o Skyguider Pro é uma evolução tremenda em relação ao Skytracker (Eu sei! A semelhança dos nomes das montagens não ajuda no texto). Mas e em relação ao seu principal concorrente, O Sky-Wacher Star Adventurer? Bem, preciso dizer que o Skyguider tem um ponto fraco. Ambas as montagens não tem motorização no eixo de declinação, mas só o Star Adventurer tem um ajuste fino manual para este eixo, algo que, no fim, faz uma diferença enorme quando você está fazendo ajustes de enquadramento usando lentes de maior distância focal. Um colega que estava ao meu lado percebeu a dificuldade que foi conseguir colocar M4 e Antares onde eu queria na imagem acima.

Devo ser sincero e dizer que hoje, o Skyguider é um ótimo equipamento, muito superior ao Ioptron  Skytracker. mas colocado de frente com o Star Adventurer, este ajuste fino no eixo de declinação me faria optar pelo equipamento de Sky-Watcher.

Os filtros Optolong tem o melhor custo benefício possível

Lá no Enoc alguém comentou comigo que a Astronomik, fabricante de filtros caros, está processando a Optolong por quebra de patente. Faz sentido. Esses filtros Optolong são realmente assombrosos. Elas custam muito barato e oferecem qualidade de filtros de primeira linha. Ao integrar os canais de cor, eu já vi Rho Ophiuchi em cores perfeitas e lindas, só aumentei a saturação, pois esse é um objeto que sempre recebe muito tratamento. Os filtros são totalmente parafocais e de uma fidelidade de cores incrível na hora de integrar os canais. Estão anos luz dos filtros genéricos que adquiri de uma loja portuguesa alguns anos atrás e estragaram muitas capturas.

Por fim, posso dizer que a minha noite de sexta para sábado no Enoc foi das mais agradáveis que já tive. Abaixo, deixo imagens do setup utilizado. Com um setup tão leve e capaz de fazer imagens tão boas e sem muita complicação, se continuar assim, daqui a pouco não vou querer levar o telescópio e a HEQ5 para o EBA. 

Setup utilizado na imagem acima e principais componentes.

No meu setup há algo que ainda não vi alguém utilizando: Porta Filtros de Gaveta. Eles permitem a QHY163m conseguir foco com a lente e trocar os filtros da captura sem precisar retirar a câmera. É um pouco mais complicado do que uma roda de filtros, mas também mais leve. Clique aqui para ver onde comprar o adaptador no Aliexpress






segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Anote aí: Os planetas vão dar show em 2018


Colagem com duas captações em mesma escala de Marte e Júpiter, mostrando a diferença de tamanho aparente entre os dois na madrugada de 17 de fevereiro de 2018.


O ano de 2018 será um ano especial para a astronomia amadora, principalmente para os astrofotógrafos, como eu. Este ano teremos a maior oposição de Marte desde 2003. Tivemos uma evolução tremenda dos equipamentos de Astrofotografia desde aquela época, principalmente nas câmeras planetárias que hoje estão muito mais rápidas e sensíveis do que modelos de poucos anos atrás. Então, a expectativa e de que teremos imagens incríveis, mesmo de astrofotógrafos com equipamentos menores, como o meu refletor de 200mm.

Se Marte será o maior destaque, os outros planetas também estarão em ótimas condições durante o período de estiagem no Brasil Central. Encontros de Astronomia realizados durante as férias de julho e outros meses de seca serão brindados com os cinco planetas mais brilhantes desfilando no céu logo no início da noite. Por exemplo, no sábado de 21 de julho, assim que anoitecer, teremos Vênus e Mercúrio a oeste, em elevada elongação (distância angular do Sol), Júpiter aparecendo alto bem ao lado da Lua, e a leste teremos Saturno já um pouco alto e Marte surgindo enorme logo após o pôr do Sol. Os mais pacientes ainda poderão ver Netuno após as dez da noite. Já Urano estará visível mais no fim da madrugada, acessível a quem estiver disposto a virar a noite em observações. 

A noite do dia 21 de julho de 2018, um sábado, iniciará com todos os planetas visíveis a olho nu e a Lua marcando presença no céu.


Com tantas atrações no céu, será um dia ótimo para eventos de astronomia em praças, como costumeiramente o realizado pelo CASB, e fazermos nascerem muitos futuros astrônomos amadores ou mesmo futuros cientistas (embora muitos clubes talvez prefiram fazer o evento no dia da oposição, pelo destaque que a chamada atrai). Para os astrofotógrafos, teremos a excelente oportunidade de registrarmos todos os planetas numa única noite. Olha que legal! 

A seguir, somente por uma questão de tempo para elaborar o post, destaco os três planetas mais fotografáveis.

 Júpiter
Atualmente, Júpiter tem sido o primeiro planeta brilhante a aparecer no céus a leste. É melhor visto durante o fim da madrugada, quando fica bem alto, já garantindo aos mais notívagos excelentes observações e registros. A oposição de Júpiter ocorrerá em 9 de maio, no início do período de estiagem em grande parte do Brasil.

Como é um planeta muito grande e sua distância do Sol é muito maior do que a Terra, a verdade é que o tamanho aparente de Júpiter não varia muito durante o ano, o que muda mais é a conveniência de sua observação. Além disso, quando o planeta aparece por mais tempo no céu, temos muito mais chances de acompanhar os frequentes e interessantíssimos eventos que ocorrem em seu sistema, como o surgimento de novas tempestades, variações na Grande Mancha Vermelha, eclipses e trânsitos de suas Luas. Durante a oposição, Júpiter ficará doze horas visível no céu, o que permite um acompanhamento muito melhor do planeta. Nesta época talvez eu até arrisque uns vídeos de Júpiter. Estou me planejando para isso.



Saturno, registrado no dia 13 de fevereiro, no fim da madrugada, ainda muito baixo no céu.

Saturno
Saturno entrara em oposição em 27 de junho, um mês antes de Marte. Mas neste momento o planeta está aparecendo no céu um pouco mais tarde que o planeta vermelho. Numa lenta corrida entre as estrelas, Saturno está se aproximando de Marte e no dia 2 de abril os dois planetas estarão a pouco mais de um grau de distância, com a Lua passando bem próximo aos dois numa conjunção e alinhamento espetacular que ocorrera no dia 07 de abril. Veja as imagens abaixo, retiradas do software Stellarium.

Na madrugada de 2 de abril de 2018, Saturno e Marte caberão no campo de visão de uma câmera DSLR acoplada a um refrator de 710mm de distância focal, como o meu.

 
Na madrugada de 7 de abril de 2018, Lua, Marte e Saturno caberão no campo de visão de uma DSLR equipada com lente de 200mm.

Marte
Marte ainda está pequeno no céu, com pouco mais de 6 segundos de arco de diâmetro (ou ângulo) aparente. Na imagem do alto do post vemos uma montagem com dois registros que realizei no último fim de semana. As capturas estão na mesma escala. Foram feitas com refletor de 200mm com distância focal de 900mm acrescentado de Extender 5x, o que aumenta a distância focal para quatro metros e meio. A montagem mostra como Marte ainda está pequeno quando comparado com Júpiter.

Marte ainda está a mais de 200 milhões de quilômetros de distância da Terra e surge no céu no fim da madrugada. Neste momento só astrônomos e astrofotógrafos amadores muuuuito dedicados vão se aventurar a registrar ou observar o planeta num tamanho aparente tão pequeno, mas na oposição do dia 27 de julho de 2018 o planeta vermelho estará a cerca de 57 milhões de quilômetros de distância e apresentará um tamanho aparente de mais de 24,2 segundos de arco, surgindo já do início da noite. 

Para efeito de comparação, na oposição de 2016 o diâmetro aparente máximo de Marte foi de 18.4 segundos de arco. Teremos uma oposição comparável com a de 2018 somente em 2035. Se você tem 20 anos de idade, terá 37 na próxima oposição comparável (Eu terei 57!). Um evento como esse, em época de seca e férias, não é algo a se perder.

Para aqueles mais dedicados algo muito interessante sobre Marte é a forma como o planeta caminha entre as estrelas. O planeta segue rumo a oeste até o meio de junho, aparecendo cada vez mais cedo, quando começa a frear e passa a se dirigir para leste até o fim de agosto, quando termina o seu loopping entre as estrelas e volta a caminhar para o oeste. Registrar este movimento pode ser uma atividade interessantíssima para aqueles que possuem equipamentos mais simples.

É isso aí pessoal, preparem seus telescópios. 2018 será um ano incrível para astrônomos e astrofotógrafos amadores apaixonados pelos planetas do Sistema Solar.


domingo, 18 de fevereiro de 2018

O Tripleto de Leão, do Águas Claras

Tripleto do Leão - Registrado com refrator de 102mm e Câmera QHY163m.
Mesmo sob a enorme poluição luminosa de Brasília, eu sigo me aventurando fora das fronteiras da Via Láctea. O alvo agora foi o Conjunto de Galáxias Tripleto do Leão, registrado na madrugada de sexta para sábado, da varanda do meu apartamento, em Águas Claras.

O Tripleto do Leão é formado pelas galáxias M65 (abaixo, à esquerda), M66 (acima, à esquerda) e NGC 3628 (à direita). Estas três grandes galáxias estão a cerca de 35 milhões de anos-luz da Terra. As galáxias estão na direção da constelação que dá nome ao grupo, aparecendo no céu pouco depois do início da noite.

Não gostei tanto do fundo, com algumas manchas de sujeira impactando a imagem, mas os detalhes e as cores dos objetos ficaram muito bons. Eu acho esse conjunto belíssimo e existe enorme possibilidade que eu volte a ele quando estiver num céu escuro, se tiver a oportunidade, é claro.

Para esta fotografia, usei os filtros LRGB da Optolong e também um filtro CLS à frente da roda de filtros. Como é um filtro de 1,25 polegadas, acabei tendo muitos problemas com vinhetagem. Para continuar usando um filtro CLS, vou ter que trocar ele por um modelo de 2 polegadas ou passar a usar a ATIK314L, com um sensor menor. Ainda assim, sinto que posso evoluir muito com este tipo de fotografia da Varanda do Apartamento.

Foram 142 frames de um minuto, sendo 97 de Luminância e 15 para cada cor.
Telecópio: Refrator ED 102mm F7
Câmera: QHY163m
Montagem: Skywatche HEQ5.

Abaixo, vemos cada galáxia em detalhes:

Galáxia Espiral M65

Galáxia Espiral M66

NGC 3628 é conhecida como Galáxia do Hambúrguer

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Fotografando Galáxias da Varanda do Apartamento

Galáxias M96 e M95, capturadas com a câmera QHY163m, Telescópio Refrator 102mm e filtros LRGB Optolong



Fotografar galáxias da varanda do meu apartamento nunca foi algo que considerei como uma boa investida. Afinal, diferente de nebulosas de emissão, não há filtros que isolem bem a luz destes objetos da poluição luminosa de Brasília.

Mas nesta época do ano praticamente não há nebulosas de emissão visíveis da varanda do meu apartamento, apontada para o Leste e Norte. Sendo que neste momento as Nebulosas de emissão do início da noite estão todas a Oeste e as do meio da noite estão a Sul.

Mas sedento para sentar na varanda e viajar pelo céu, mesmo sabendo dos problemas com a poluição luminosa, resolvi arriscar, nem que fosse para brincar e registrar somente o borrão de algumas galáxias da varanda do meu apartamento. As escolhidas foram as galáxias M95 e M96, que caberiam juntas num único registro. Estas duas galáxias fazem parte do chamado Grupo M96 ou Grupo de Galáxias Leão I, que é um dos grupos do Super aglomerado de Virgem, do qual faz parte o Grupo Local, da Via Láctea.

A Galáxia principal do grupo M96 obviamente é aquela que dá nome ao Grupo. M96 aparece à esquerda na imagem. Ela é uma galáxia espiral a 38 milhões de anos-luz da Terra e tem magnitude aparente de 9,3. A vizinha, M95, está numa distância praticamente igual, mostrando como está ligada gravitacionalmente a M96, mas é um pouco mais pálida, com magnitude aparente 9,7.

A primeira limitação que enfrento ao registrar com filtros RGB da varanda do apartamento é no tempo de exposição por frame. Se eu tentar frames muito longos, o céu de fundo logo irá estourar a imagem. Os light frames da captura acima tem apenas um minuto de duração. Para tentar compensar frames mais curtos a solução é fazer muitos frames. A captação teve 141 frames somente de luminância, 15 frames com filtro vermelho, 20 frames com filtro verde e 14 com filtros azul.

O resultado final, embora humilde comparado com o que seria possível de uma área com céu escuro, até que me surpreendeu positivamente e me animou a seguir fazendo este tipo de registro e aperfeiçoar a técnica de captura.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Aplorando a Nebulosa Roseta

Nebulosa da Roseta, registrada na noite de sexta para sábado do último fim de semana, com telescópio refrator de 102mm F7 e Câmera QHY163mono.
A Nebulosa Roseta é uma nebulosa de emissão que surge nos céus brasileiros durante o verão, aparecendo logo depois da Constelação de Órion, na Constelação do Unicórnio. Esta nebulosa é bastante brilhante em fotografias, mas pouco visível ao telescópio, sendo muito mais fácil visualizar o aglomerado estelar aberto NGC 2244, que energiza a nebulosa a partir de seu centro, visível até mesmo com binóculos.

A grande nuvem de hidrogênio é mais formalmente reconhecida pelo sua catalogação do Caldwell, com o número 49, mas é mais informalmente reconhecida pela sua associação com o aglomerado estelar NGC 2244. Na verdade, vários objetos NGC compõem o que chamamos de Grande Complexo Nebular Roseta, formado pelos objetos NGC 2237, NGC 2238, NGC 2238 e NGC 2246.

A Nebulosa Roseta está a cerca de cinco mil anos-luz da Terra e possui cerca de 130 anos-luz de diâmetro. Para efeito de comparação, isso é aproximadamente o dobro do comprimento da Nebulosa da Lagoa, que está numa distância parecida, embora em posição oposta. Seu diâmetro aparente (o tamanho que vemos da Terra) é cerca de duas vezes o diâmetro aparente da Lua.

A Nebulosa Roseta esta localizada entre os chamados braço de Orion (onde está a Terra) e de Perseus, da Via Láctea. O Braço de Perseus é considerado o braço principal da Via Láctea. Ele sai do núcleo galáctico do outro lado da Via Láctea e passa atrás da Terra deste lado da Via Láctea. Estudos apontam que o Braço de Orion, onde Nebulosa de Orion e a própria Terra estão localizado, na verdade seria uma ramificação do braço de Perseus, mas isso ainda não está confirmado.


A cinco mil anos da Terra, a Nebulosa Roseta está entre os braços Galácticos de Orion e Perseus. O Sol está do lado interno do Braço de Orion, virado para o Braço de Sagitário (imagem:http://www.atlasoftheuniverse.com/).


Eu já visitei a Nebulosa da Roseta algumas vezes, nas mais variadas formas, com os mais variados tipos de equipamentos. É um objeto ótimo para se registrar tanto em Hubble Palette como em cores Naturais. A imagem do alto do post foi feita com a câmera QHY163 monocromática que comprei no primeiro semestre de 2017, mas acredito que só agora, em 2018, vou começar a aproveitar a câmera para valer. Para esta imagem, foram registrados 51 frames de 3 minutos com filtro H-alpha e mais 6 frames de três minutos para cada um dos outros dois filtros, Oxigênio III e Enxofre II.

Em todos os frames eu utilizei binning 2x2. Binning é quando você agrupa pixels da câmera para simular pixels maiores e assim conseguir mais sensibilidade. Isso incorre na diminuição da resolução. Mas para mim é a maior vantagem de se ter uma câmera com grande resolução e uma sensor maior. Com o Binning 2x2, eu faço os pixels da QHY163m ficarem grandes como o da Atik 314L+, minha outra câmera, mas ainda consigo quatro megapixels, uma resolução quatro vezes maior do que conseguiria com a Atik 314L+. Um bining 2x2 quer dizer que a cada 2 pixels horizontais e dois verticais, teremos um único pixel, mas duas vezes maior. Se o binning for 3x3, seriam 3 pixels verticais e 3 horizontais. Mas assim a resolução diminuiria em 9 vezes, o que tiraria muito da resolução da QHY163m, que na verdade, só permite binning de no máximo 2x2.

Este crop da imagem acima destaca os glóbulos de Bok da Nebulosa Roseta próximos a nuvens de poeira.

Esta "montanha" de hidrogênio é outra área de destaque da Nebulosa Roseta. Ela lembra montanhas que já vimos nas nebulosas América do Norte e Pelicano, entre outras.

 Como toda nebulosa de emissão, a Nebulosa Roseta em cores naturais é vermelha, apresentando traços em azul principalmente em seu interior. Sua forma, quando vista em cores naturais, reforça o apelido da nebulosa, que realmente lembra um grande botão de rosa flutuando por trás das estrelas. A Nebulosa está se espalhando do centro para fora, criando ondas de choque com as regiões em volta, que comprimem as nuvens de gás e geram formações como a da imagem logo acima. A Nebulosa Roseta tem um aspecto que lembra um pouco as nebulosas planetárias, mas sua extensão é muito maior do que o tamanho típico de uma planetária, sendo uma nebulosa com natureza semelhante a nebulosas como a da Lagoa (M8), por exemplo.

Nebulosa Roseta registrada em cores naturais. Composição de registro em H-alpha feito com câmera monocromática Atik 314L+ e cores capturadas com câmera DSLR Canon T2i, ambas com a lente Canon 200mm EF 2.8 USM II.

Registro feito somente com DSLR Canon T2i, lente de 200mm F2.8 e Ioptron Skytracker. Um setup bastante portátil que levei para chácara no Natal de 2016.




terça-feira, 23 de janeiro de 2018

O Viajante Espacial - Já disponível gratuitamente para Download



Finalmente o meu livro de astrofotos ficou pronto. Após nove meses de trabalho, deste a publicação do Astrofotografia Prática, o Viajante Espacial - Registros de Minhas Viagens pelo Universo - está finalmente disponível para download. O arquivo digital será disponibilizado gratuitamente, para livre distribuição. Este arquivo tem o mesmo conteúdo da versão impressa.

Muitas pessoas me perguntaram porque disponibilizar o livro gratuitamente em sua versão digital. Bem, as razões foram muitas, mas espero principalmente que o livro atinja o máximo possível de pessoas, principalmente jovens. O texto é recomendado principalmente para quem está começando na Astronomia Amadora. Não busca fazer um atlas do céu, mas tem o objetivo de despertar a curiosidade no leitor e apresentar as maravilhas da Astrofotografia e da Astronomia.

O Viajante Espacial pode ser baixado integralmente no link abaixo.


Para quem quiser ter a bela versão impressa em sua biblioteca, ela pode ser adquirida no Clube de Autores, no link abaixo:


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Montando o Ioptron Skyguider pela primeira vez.

Conforme prometido no post anterior, logo após a abertura da caixa do Ioptron Skyguider, eu faria um vídeo instalando a pequena montagem no tripé que aparecia no vídeo. Eu na verdade publiquei o vídeo na mesma noite, mas um erro de edição fez com que eu tivesse que refazê-lo e por isso só consegui finalizar o upload hoje de madrugada.

Segue o vídeo então, espero que gostem.


domingo, 17 de dezembro de 2017

Vídeo - Abrindo a caixa do Ioptron Skyguider

Essa semana chegou a minha nova montagem portátil, o tracker Ioptron SkyGuiderTM Pro, adquirido no Tellescopio.com. Decidi fazer algo diferente ao receber esta montagem, filmar a abertura da caixa. Isso é uma prática comum em vídeos estrangeiros e chama-se "Unboxing". O vídeo tem pouco mais de quinze minutos de duração, uma edição pobre e o apresentador é feio. Mas acho que pode ser interessante para quem estiver interessado em adquirir equipamentos parecidos.




Neste post mostro somente a abertura do Skyguider, já que eu não tinha muita noção de como montá-lo. No vídeo seguinte, irei falar um pouco da montagem do equipamento.

http://andolfato.blogspot.com.br/2017/12/montando-o-ioptron-skyguider-pela.html

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Meus planos astrofotográficos para 2018

Chegamos ao fim de 2017. O ano que está para acabar foi um dos mais atípicos que já tive desde o começo da Astrofotografia. Certamente, o maior acontecimento deste ano foi a publicação do meu guia de astrofotografia, o Astrofotografia Prática. Após três anos de trabalho, muitos desafios, entre eles um gigantesco processo de revisão, finalmente o tão prometido livro foi publicado, com excelente recepção por parte dos astrofotógrafos. As duas versões, a impressa e a digital, tornaram-se os dois livros de fotografia mais vendidos do site Clube de Autores e a versão impressa está disponibilizada na Livraria Cultura, sem contar os grandes elogios que o livro recebeu.

Aguardando o Eclipse total do Sol em 21 de agosto, nos Estados Unidos.

Só um acontecimento do tamanho da publicação do Astrofotografia Prática para que o primeiro Eclipse Solar Total que presenciei, com uma viagem para os Estados Unidos, não se tornasse o maior acontecimento do ano. Ver um eclipse solar total é algo que todos em algum momento de sua vida devem tentar fazer.  É certamente um dos maiores e mais belos acontecimento que os céus podem nos proporcionar.

O Eclipse foi um evento inesquecível, mas foi eclipsado (ha ha!) pela publicação do livro.


Na astrofotografia em si, o ano foi um pouco pobre, marcado principalmente por fotos planetárias, principalmente belos registros de Júpiter. Por não ter férias disponíveis para o período, o Encontro Brasileiro de Astrofotografia foi o que minha participação foi mais curta até hoje. Nem a presença da nova câmera QHY163m foi capaz de evitar que fosse um dos meus EBAs menos produtivos. A falta de uma montagem portátil, com a venda do excelente Ioptron SkyTracker também foi um fator a se considerar. AQHY163m funcionou muito bem no EBA, mas o sensor maior não dialogou com a imensa poluição luminosa do apartamento em que moro.

A outra câmera QHY que comprei, a QHYIII-224c foi ainda menos aproveitada do que a QHY163m. Até agora, essa câmera planetária colorida foi muito mais utilizada como câmera de guiagem do que em fotografias. Eu sempre me perguntei se a QHY290mono não teria sido uma compra melhor (e teria), mas eu estava afim de ter um pouco de experiência com câmeras planetárias coloridas. Júpiter está chegando no começo do ano e só os resultados com este planeta mostrarão se esta compra realmente valeu a pena, nem que tenha sido pela curiosidade.

Mas 2018 está chegando. Uma nova estiagem virá, Júpiter e Saturno estarão disponível para fotografia, uma espetacular oposição de Marte ocorrerá em Julho, época sem nuvens, e os projetos para céu profundo são muitos.

O ano de 2018 deve começar com a publicação de um novo livro. Isso mesmo! Mas não será um guia de Astrofotografia. Será o meu primeiro livro de fotos. Algo que muita gente me pedia, principalmente meus amigos e seguidores que são mais interessados em Astronomia do que propriamente em Astrofotografia, e mesmo quem não é da área da Astronomia, mas que gostaria de ter um livro com essas fotos me perguntava por este livro. Eles me diziam: :"Eu não quero um livro sobre como fazer fotos, eu quero um livro com as suas fotos". Por isso, logo após o Astrofotografia Prática, eu iniciei a confecção do Viajante Espacial. A ideia era publicar o livro antes do Natal, mas decidi adiar a publicação por dois motivos: um melhor processo de revisão e também não correr o risco de ver pessoas comprando o livro como presente de Natal e não receberem o exemplar a tempo, o que deixaria muitas pessoas tristes. Decidi deixar a publicação para janeiro. Assim, não haverá preocupação de que o livro seja entregue numa data específica.

Com a publicação do Viajante Espacial, eu poderei ter um ano astrofotográfico muito mais intenso do que o anterior. Uma de minhas maiores apostas é que voltarei a ter uma montagem ultraportátil para Astrofotografia com lentes, principalmente a de 200mm. O já vendido Ioptron Skytracker será substituído pelo SkyGuider, também da Ioptron. Esse tracker tem duas vantagens relevantes em relação ao Skytracker. Possui pacote com contrapeso e também entrada para autoguiagem. Eu estava entre este Skyguider e a minimontagem SmartEQ, também da Ioptron.

A SmartEQ tem uma grande vantagem em relação ao Skyguider. Possui motorização no eixo de declinação, o que permite que a montagem também tenha GoTo e possa ser controlada por computador. Mas tem uma desvantagem considerável. É maior e mais pesada do que o Skyguider, sendo menos portátil. É uma montagem um pouco mais complicada para ser transportada numa mochila ou numa viagem de avião. Além disso, vi alguns comentários negativos em relação ao acabamento da SmartEQ, que muitas vezes necessita que o astrofotógrafo faça modificação no equipamento para funcionar perfeitamente.

Para quem não tem um observatório, ter uma montagem ultra portátil é sempre algo a se considerar. Já deixei de participar em muitos eventos de Astrofotografia simplesmente porque não estava disposto ao trabalho de arrumação e transporte de um telescópio e uma montagem EQ5 depois de uma semana puxada no trabalho. Com uma montagem menor, é sempre mais fácil eu largar a preguiça e me animar para uma viagem de uma ou duas noites para Astrofotografia, principalmente para lugares mais distantes.

O Ioptron Skyguider é basicamente o Skywatcher Adventurer da Ioptron.

Mas o ano de 2018 não será feito só de Skyguider e fotografia com lentes. Também adquiri recentemente um corretor de coma da Baader, para o refletor de 200mm, que apresentava coma mesmo quando utilizado com a Atik314L+ e seu pequeno sensor de 2/3 polegadas. Com este corretor, poderei usar o refletor até com a QHY163m. A atik314L+, diga-se de passagem, não será vendida. Esta câmera é bem menos sensível à poluição luminosa de Brasília do que a QHY163m e capaz de produzir uma imagem de objetos menores superior. Por isso, não vejo razão para me desfazer da Atik314L+

Mas 2018 não trará somente equipamentos novos. Também trará diferenças na minha forma de tratar a Astrofotografia. Nos últimos meses, eu tenho consumido muito mais material sobre Astronomia do que vinha consumindo nos anos anteriores. Por isso, o futuro deste blog é ser mais astronômico e não somente tão astrofotográfico, usando minha fotos mais como base dos posts, mas sempre falando de qualquer aspecto astrofotógráfico que seja relevante.

É isso aí pessoal. Já estou há seis anos dedicado à astrofotografia e posso dizer que me sinto tão empolgado como no início. Nesses anos eu vi colegas começando e saindo da astrofotografia. Muitos enfrentaram obstáculos em suas vidas, outros iniciaram novos projetos, principalmente os mais novos. Mas o tema é enorme. Há ainda milhares de objetos esperando serem visitados por mim, galáxias, nebulosas, algumas que já devia ter visitado faz tempo, e espero que 2018 seja um ano bastante intenso na astrofotografia e, principalmente, neste blog.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Blue Head Horse - Reprocessamento de uma captura problemática.



A Cabeça do Cavalo azul é uma nebulosa de reflexão das mais difíceis de se registrar. Bastante pálida e inacessível a filtros de banda estreita. Como acontece com as galáxias mais pálidas, é necessário deslocar-se para regiões escuras, como fazendas isoladas, para um bom registro. A Nebulosa está localizada próxima à cabeça do Escorpião, sendo visível principalmente durante o inverno. Apesar disso, não é um alvo muito comum entre os astrofotógrafos durante os encontros de Astrofotografia, por dois motivos, primeiro, mal aparece nos single frames, como você pode ver na imagem final do post, o que pode desanimar um pouco os astrofotógrafos. Mas acredito que a principal razão é pela nebulosa ter uma tamanho aparente muito grande, sendo um objeto ideal para fotografia com lentes. A imagem do post foi feita com uma lente de 135mm. Como a maioria dos Astrofotógrafos utiliza telescópios nestes encontros, são poucos os que tem equipamento adequado para o registro, como o Carlos Fairbairn, que já fez ótimos registros da nebulosa.

Eu tinha uma boa captura da Cabeça do Cavalo Azul. 36 frames de 3 minutos feitos com a lente de 135mm e Canon T2i no longínquo ano de 2014. Bem, boa captura entre aspas. Apesar do bom tempo de exposição total, com quase duas horas; dos frames estarem numa boa duração, em ISO 800 e das estrelas estarem redondas, os frames apresentaram problemas bastante difíceis de lidar: escurecimento na parte inferior e uma mancha rosada na parte esquerda inferior. Esse problema esteve em praticamente todas as capturas com DSLR daquele EBA, me fazendo pensar que, a minha Canon T2i havia chegado ao fim precocemente. Mas, após aquele evento, analisei que talvez o intervalo entre os frames, de cerca de 15 segundos para lightframes de 3 minutos, talvez tivesse sido muito curto. Logo, desde aquela época, tenho ajustado intervalos bem mais longos entre os frames de captura. Na opinião de alguns colegas astrofotógrafos, talvez até um pouco demais. Hoje, para frames de 3 minutos, numa câmera sem resfriamento, os intervalos que eu daria para o sensor esfriar seriam provavelmente de um minuto.

Não sei se os intervalos que tenho dado em minha captura estão exagerados. Sinceramente, não sei se havia alguma outra coisa afetando a captura naquela época, mas, desde que aumentei o tempo dos intervalos entre os frames, problemas assim nunca mais apareceram.

Abaixo, vemos um single frame da captura que gerou a imagem da Cabeça do Cavalo Azul. Nela percebemos alguns detalhes suaves da Nebulosa, que depois seriam realçados, com o filtro mínimo, para diminuição das estrelas; aumento da saturação; e "Ajuste Automático de Cores", no Adobe Photoshop. O processamento final bem que poderia ser um pouco mais cuidadoso, evitando-se estourar as estrelas da nebulosa vizinha, Rho Ophiuchi. O problema, devo admitir, é a falta de tempo, mas com o fim da produção de meu livro de fotos "O Viajante Espacial", que deve ser publicado mês que vem, eu devo ficar mais tranquilo, até por que o ano de 2018 está cheio de projetos, que eu devo falar no próximo Post.

Frame única da captura do Post, como aparecia na câmera.



sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Os Girinos Cósmicos



Essa época do ano costuma ser uma das piores para fotografar, por isso, quando tempos uma noite aberta, ainda mais sem Lua, costuma ser uma oportunidade de ouro para capturarmos nebulosas que há muito tempo queremos registrar e as nuvens sempre atrapalham. Mas também pode ser uma época interessante para descobrirmos novos objetos no céu, ou mesmo, como no caso da imagem deste post, descobrir que é possível registrar nebulosas que imaginávamos estarem além do nosso alcance.

Na noite do feriado de 12 de outubro, eu percebi que poderia apontar meu telescópio, mesmo da varanda do meu apartamento, para algumas nebulosas interessantes no norte. O alvo que me parecia mais interessante era a nebulosa Flaming Star, catalogada como IC405.
Eu já tinha apontando o telescópio para Flaming Star quando notei que bem ao lado daquela nebulosa estava um dos objetos que eu acho mais interessantes no céu e que eu acreditava não ser possível fotografar do Brasil, muito menos de meu apartamento. 

Trata-se da Nebulosa do Girinos, catalogada como IC410. Acho que o nome não é muito popular no Brasil. Parece meio sem glamour, eu acredito, mas em inglês ela é conhecida como Tadpole Nebula, cuja tradução é girino. Acho que outra opção que teríamos é chama-lás de Nebulosa dos Espermatozóides. O problema é que daí não demorariam a encurtar o nome da nebulosa, que logo viraria Nebulosa do Esperma. Talvez seja melhor deixar como dos Girinos mesmo.

Apesar do céu estar bem aberto nos dias do registro, as condições estavam longe de serem as ideais. Devido à seca pela qual Brasília está passando, havia muita poeira e fumaça na atmosfera e isso acaba espalhando ainda mais a intensa poluição luminosa que enfrento da varanda de meu apartamento. Mais uma vez o sensor maior da QHY163m conversou com dificuldades com a poluição luminosa da varanda do meu apartamento e eu vejo que esta câmera é mais adequada para ser usada durante os encontros em fazendas, enquanto a Atik314L+  parece melhor para o apartamento.

De qualquer forma, capturar IC410 foi uma grande alegria. Mesmo com os defeitos da imagem, eu não lembro de outro astrofotógrafo brasileiro ter feito esta captura, o que é um grande orgulho.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Comparando a QHY163m com a Atik314L+ - Foi a nova câmera um Upgrade relevante?

Ômega Centauri com QHY163m - Tempo total de exposição: 36 minutos - 8 frames de 90 segundos em Bin 2x2 para cada cor.





Ômega Centauri com Atik314L+ - Tempo total de exposição: 2 horas e 40  minutos - 20 frames de 5 minutos de luminância e 4 frames de 5 minutos em Bin 1x1 para cada cor.

Já fazem alguns meses que estou com a minha nova câmera astronômica monocromática QHY163m, que, com seus 16 megapixels de resolução, veio "substituir" a Atik 314L+, com somente 1,3 megapixels, mas que tantas alegrias me deu nos últimos anos. Adquirida no início de maio e recebida no inicio de junho, não usei a QHY163m tanto quanto eu gostaria, mas já posso ter uma boa ideia do desempenho dela em relação à Atik 314L+.

Primeiro, devo dizer algo sobre a Atik 314L+. Se, em termos de resolução, seus 1,3 megapixels deixavam ela atrás das câmeras com sensores maiores, trabalhar com a QHY163m provou que eu estava completamente certo quanto aos motivos que me fizeram adquirir a Atik 314L+ a época. Sim, trabalhar com uma câmera com sensor pequeno como o 2/3 polegadas da Atik 314L+ traz alguns problemas. É mais difícil apontar e enquadrar o objeto, deve-se tomar cuidado principalmente quando se troca de filtros, ainda mais em capturas feitas em mais de uma sessão, para se perder o mínimo de campo possível. Qualquer movimento do telescópio, na hora da troca de filtro, pode incorrer em perda de uma proporção considerável de campo na Atik 314L+. Com a QHY163m é mais fácil achar os objetos e o seu grande sensor de 4/3 polegadas aceita melhor alguma perda de campo.

Mas com um sensor menor, a Atik 314L+ se adaptou imediatamente a todo o meu econômico setup astronômico, sejam os tubos ópticos ou acessórios de 1,25 polegadas. Não houve necessidade de adquirir filtros maiores (e bem mais caros) nem aplanadores ou corretores de coma. Telescópios imperfeitos como os que possuo costumam realçar suas deficiências nas bordas da imagem. No centro, as aberrações são quase imperceptíveis. Poder usar a Atik 314L+ por muitos anos sem ter gastos adicionais foi uma tremenda vantagem.

Mas não é só pelo equipamento que uma câmera com sensor maior traz dificuldades. A óptica do telescópio pode ser corrigida com acessórios e os filtros de 1,25 polegadas estão dando uma vinhetagem muito leve na QHY163m, facilmente corrigida por flatframes. Entretanto, uma câmera com sensor maior também sofre mais com poluição luminosa. A vinhetagem e o gradiente que recebo em meu apartamento, numa área densa em Brasília, era praticamente irrelevante com a Atik 314L+ quando com filtros de banda estreita. Com a QHY163m, eu estou tendo um pouco mais de dificuldades na hora de processar as imagens de capturas feitas em meu apartamento, mesmo capturadas com filtros de banda estreita.

Lidar com arquivos maiores também foi uma adaptação difícil pra mim. Como esperado, os arquivos de 16 megapixels da QHY163m levam mais tempo para carregar do que os de 1,3 megapixels da Atik314L+. Sim, a QHY tem entrada USB3.0, show de bola, mas os arquivos são quase 16 vezes maiores. E a porta USB3.0 do meu notebook não consegue compensar isso. Essa maior demora no carregamento dos arquivos não faz muita diferença quando já estamos registrando os lightframes, que podem durar vários minutos. Esperar dez segundos de download entre um lightframe e outro não é um grande sacrifício. Mas quando estamos fazendo os ajustes de foco, enquadramento, entre outras coisas, essa maior demora começa a desgastar a paciência. Até por que, nos softwares que utilizei, a QHY163m só faz Binning 2x2, fazendo uma imagem com ainda quatro megapixels de tamanho mesmo para uma prévia, enquanto a Atik 314L+ faz até Binning 8x8. Na hora dos ajustes de imagem eu sinto muitas saudades dos arquivos pequenos da Atik 314L+, que carregavam em um segundo.

Mas vale dizer, estes inconvenientes citados são todos devidos a uma característica superior da QHY163m. Agora os problemas verdadeiros: provavelmente por ser uma câmera com sensor CMOS, a QHY163 apresenta um tipo de defeito em imagens integradas que eu nunca vi na Atik314L+, mas já tinha percebido algumas vezes na Canon T2i e em imagens de outros astrofotógrafos que utilizaram câmeras com sensor CMOS. O resultado da integração apresenta linhas de ruídos inclinadas, como você pode perceber na imagem abaixo, crop de uma captura de NGC 6188 também feita no 10°EBA. Eu não sei o que causa isso. Não aparece em todas as imagens e é pouco perceptível. Ainda não fiz um estudo sobre este problema e se alguém quiser colaborar, sinta-se a vontade. Não é algo que destrói a imagem, mas exige um certo cuidado durante o processamento.

Repare nas linhas inclinadas para a esquerda neste crop de um lightframe da QHY163m

Mas o que tem incomodado mesmo na QHY163m é o tal do Amplifier Glow. Uma mania de sensores do tipo CMOS (a Atik usa um sensor CCD) de deixarem partes da imagem mais claras do que outras. Num primeiro momento, pode até ser confundido com vinhetagem ou gradiente na imagem, que geralmente é causada por luzes parasitas na óptica e deve ser tirado com Flat Frames. Mas é algo que está no sensor da câmera e não na óptica. Por isso, tem de ser tirado com Dark Frames. Sendo assim, pelo que tenho visto, enquanto é possível astrofotografar com uma câmera CCD como a Atik 314L+ sem dark frames, com uma CMOS, Dark Frames são obrigatórios.

Amplifier Glow (região mais clara a direita) em single frame da Nebulosa do Camarão.
O grande problema que estou tendo com o Amplifier Glow é que, com o ganho da QHY163m em zero, o Amplifier Glow sai facilmente com os dark frames, mas quando elevo o ganho para 30 (o ajuste vai até 60), o resultado da integração, mesmo com dark frames, é prejudicado. Tanto que os registros que fiz com esse nível de ganho não ficaram, digamos, publicáveis. Isso acaba tirando uma das vantagens que eu esperava desta câmera em relação à Atik 314L+, que era fazer frames curtos com ganho elevado, integrar muitos deles e conseguir imagens que só conseguiria com frames muito longos com a Atik 314L+.

Após tantos comentários negativos, pode até parecer que a conclusão foi que a QHY163m não foi um bom upgrade em relação a Atik 314L+. Mas não é o que acontece. Os problemas causados pelo sensor maior são todos decorrentes de estar usando um equipamento superior, que exige uma óptica melhor e um céu em melhores condições. É o preço que se paga por ter um equipamento de maior capacidade. Com seus 16 megapixels de resolução, a QHY163 produz imagens muito mais nítidas, com estrelas menores e maior campo do que a Atik 314L+. Quanto a seus defeitos reais. Eles são contornáveis. Darks e Flat frames podem tirar quase todos os defeitos dos lightframes. E recursos simples do Fitswork removem quase todos os problemas ópticos restantes. Sim, não estou conseguindo usar ganhos maiores, mas mesmo no menor ganho a câmera apresenta excelente sensibilidade. Além disso, ganho é algo meio relativo em astrofotografia de céu profundo, já que no fim teremos que ajustar os níveis da imagem integrada, geralmente bem escura.

Para mim, a maior prova do avanço da QHY163m em relação a Atik 314L+ está no fato de que estou finalmente produzindo meu primeiro livro de fotos e basicamente todas as imagens que eu fiz com a QHY163m substituíram registros feitos com a Atik 31L+, por apresentarem fotos mais bonitas e ficarem melhores no formato A4 que o livro vai ter. E olha que em muitos casos foram registros com a QHY163 que tinham uma fração do tempo de exposição da Atik 314L+, como o do Aglomerado Globular NGC 5139, no alto deste post. Isso mostra que o upgrade valeu muito a pena.

Mas a QHY163m não vai me fazer vender a Atik314L+. Se a foto da QHY163m fica mais nítida e bonita que a da Atik314L, quando olhamos os objetos mais de perto e analisamos os detalhes capturados pelas duas câmeras, a Atik314L+ me parece ser capaz de uma imagem mais definida. Para galáxias de menor campo, que caibam com sobras no sensor desta câmera, acho que a Atik 314L+ permanecerá imbatível.

Onde a QHY163 me parece surpreender mais é nas imagens em RGB. Imagens em cores naturais nunca foram o ponto forte da Atik 314L+ e eu já estou começando a ficar um pouco saturado de imagens em Hubble Palette. Então, no próximo EBA devo tentar explorar ao máximo a capacidade da QHY163m e focar em objetos diferentes das nebulosas de emissão, como galáxias, campos estelares, nebulosas escuras ou de reflexão. O resultados de amigos que estão utilizando esta câmera para fotos RGB têm mostrado isso.

Este é um post baseado em opiniões pessoais, de quem está constantemente aprendendo. Por isso, não se assuste se, no futuro, algumas opiniões mudarem. Pode acontecer de, por exemplo, que eu consiga resolver a questão de usar ganhos elevados com a QHY163m, o que seria muito interessante.


Nebulosa da Lagosta registrada no EBA de 2017, com a QHY163m em refrator de 102mm

Nebulosa da Lagosta, registrada com a Atik314L+, com o mesmo telescópio refrator.