sexta-feira, 23 de setembro de 2016

A espetacular nebulosa do Camarão - Entendendo um pouco das minhas capturas em Hubble Palette

H-alpha 11x10min
SII e OIII 10x5min Bin 2x2 cada.
Câmera: Atik 314L+
Montagem: Sky-Watcher HEQ5
Telescópio: Orion ED 102mm F7

A nebulosa do Camarão (IC4628) é com certeza um dos objetos que mais fotografei. Fácil de encontrar, numa região com grande densidade de estrelas na Constelação do Escorpião e de visual espetacular, seja com lente, telescópio, DSLR ou filtros de banda estreita, esta nebulosa é sempre um objeto que acaba me atraindo.

No último EBA fiz a imagem acima. Ela é uma composição em Hubble Palette produzida com filtros de banda estreita. Ou seja, as cores não são as verdadeiras do objeto, que, como toda nebulosa de emissão, seria majoritariamente vermelho. A composição Hubble Palette, famosa por ser utilizada em muitas imagens do Telescópio Hubble, usa os filtros de banda estreita de Hidrogênio, Enxofre e Oxigênio para produzir uma imagem com grande contraste e profundidade. Há quem goste e quem não goste deste tipo de imagem. Eu me desenvolvi muito nessa técnica por fotografar primariamente de uma área com grande poluição luminosa. Os filtros de banda estreita são de longe os mais capazes de retirar poluição luminosa de capturas astrofotográficas, embora estejam limitados às nebulosas de emissão, como a Nebulosa da Lagoa, da Águia, da Carina e, é claro, do Camarão. Estes filtros devem ser usados com câmeras monocromáticas. Em câmeras coloridas, apresentam um nível de ruído que pode exigir uma captura muito mais longa.

Os dados da captura aparecem logo abaixo da foto, mas para quem não compreende a forma como eu coloco a informação da captura, seguem algumas explicações:

H-alpha 11x10min = Quer dizer que fiz onze frames de dez minutos usando o filtro H-alpha. No caso, usei um filtro H-alpha da Orion de 7nm. Ele também foi usado como luminance. Ou seja, todos os detalhes que você vê da imagem são da captura em H-alpha. Se você converter a imagem acima para uma imagem monocromática, o resultado final será idêntico a captura em H-alpha.

SII e OIII 10x5min Bin 2x2 cada = aqui estou dizendo que para os outros dois filtros, o de Enxofre (SII) e o de Oxigênio (OIII), ambos de 8nm, da marca Baader, capturei dez frames de 5 minutos com cada filtro. Os frames foram mais curtos porque na captura usei o recurso de Binning em 2x2. Nesta configuração, a câmera transforma cada 4 pixels num único, somando a informação de brilho dos quatro pixels. O resultado é uma imagem mais brilhante, permitindo frames mais curtos. O problema é que o binning diminui a resolução dos frames em quatro vezes. Enquanto os frames da captura em H-Alpha têm resolução HD (1360x1024), os frames dos outros dois filtros tem resolução de 680x512. Mas como estes frames servirão apenas para incluir as cores na imagem final, o resultado será pouco afetado por esta menor resolução.

Cada conjunto de frames capturado num filtro específico é empilhado antes de ser compostos na imagem colorida. No Hubble Palette, o H-alpha é o Luminance e também a cor verde. O enxofre é a cor vermelha e o Oxigênio, a cor azul. Veja abaixo o resultado de cada uma das capturas destes filtros antes da composição na imagem colorida.

Captura na Nebulosa do Camarão com filtro Oxigênio 3 com câmera monocromática Atik 314L+. Integração de 10 frames de 5 minutos em Binning 2x2.
Algo interessante sobre imagens capturadas com o filtro de Oxigênio, é que elas praticamente nos mostram o que conseguiremos ver de uma nebulosa se olharmos através da ocular, num céu muito escuro e com um excelente instrumento. A faixa que o filtro de Oxigênio captura está próximo ao verde, cor que percebemos com mais facilidade.

Captura do filtro de Enxofre, também em 10 frames de 5 minutos em Binning 2x2.

Captura do H-alpha em 11 frames de 10 minutos em Binning 1x1. Repare como o H-alpha registra muito mais detalhes, por isso é também o Luminance da imagem do início do post.


Câmera: Atik 314L+ = Quer dizer que para a foto utilizei minha câmera Atik 314L+. Trata-se de uma câmera dedicada a astrofotografia, com sensor monocromático de resolução 1360x1024 com 2/3 polegadas de diagonal. Câmeras monocromáticas são muito apreciadas em astrofotografia, por apresentarem menos ruído e melhor definição de imagem. Além disso, a Atik 314L+ é uma câmera resfriada, o que permite frames mais longos sem que a câmera apresente muitos hotpixels, além de permitir que eu faça os frames imediatamente um após o o outro, sem necessidade de esperar que o sensor esfrie antes de começar os frames seguintes.

Montagem: Sky-Watcher HEQ5 = aqui estou dizendo que estou utilizando uma montagem HEQ5 da Sky-Watcher. Trata-se de uma montagem robusta, capaz de carregar telescópios médios. Esta montagem tem alguns recursos que a tornam ideal para astrofotografia de céu profundo:
  • Ser equatorial: somente um eixo, alinhado com o polo celeste, precisa estar em movimento durante a captura.
  • Ser motorizada: permite fazer registros de longa exposição dos objetos celestes, que movimentam-se rapidamente no telescópio.
  • Possuir entrada para guiagem: Uma porta na montagem permite acoplar um segundo telescópio com câmera, que irá filmar uma estrela, analisando seu movimento, permitindo que o acompanhamento motorizado da montagem faça correções pontuais durante a captura.

Telescópio: Orion ED 102mm F7: O telescópio usado foi um refrator do tipo ED chamado Orion Premium. Este telescópio tem 102mm de abertura (4 polegadas) e quando dizemos que é um telescópio F7, queremos dizer que a distância focal do telescópio é 7 vezes maior do que sua abertura, ou seja, 710mm. Com duas lentes, sendo uma feita com material especial, que corrige a dispersão da Luz, este telescópio é muito melhor do que um Refrator Acromático comum, em que não há uma lente especial para correção da luz; mas é inferior aos apocromáticos com 3 elementos, que custam em média o dobro do preço do Orion Premium.

O equipamento utilizado para a foto acima. Repare na câmera Atik 314L+ (vermelha), conectada à roda de filtros.


sábado, 10 de setembro de 2016

Sh2-86 - Uma pálida nebulosa que lembra o "Monstro do Lago Ness"

Nebulosa SH2-86, em Hubble Palette


Com certeza não é minha melhor imagem, mas esse objeto, localizado perto da estrela Albireo, é bastante pálido. Por isso, é muito pouco registrado, mesmo estando numa altitude muito boa para astrofotógrafos do Hemisfério Sul. Devo ser um dos primeiros a registrá-lo em banda estreita no Brasil, o que já me deixa muito feliz e já é mais do que motivo para publicá-la.

O grande destaque da imagem é o pilar que aparece no centro. A formação lembra claramente o corpo de um Brontossauro. Acho até que a nebulosa merecia esse apelido. Alguns colegas no EBA comentaram que lembrava o famoso monstro do Lago Ness. Lembram daquela foto famosa do monstro?



A imagem foi feita no Nono Encontro Brasileiro de Astrofotografia, em Padre Bernardo, com telescópio refrator ED de 102mm, câmera monocromática e filtros de banda estreita, por isso, como a maioria de minhas imagens de nebulosas feitas com telescópio, as cores não são as verdadeiras do objeto. Foi aplicado a técnica chamada Hubble Palette.

H-alpha 15x10min
SII e OIII 10x5min Bin 2x2 cada.
Câmera: Atik 314L+
Montagem: Sky-Watcher HEQ5
Telescópio: Orion ED 102mm F7

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Altair, Tarazed e a Nebulosa "E"

 
 
Deixo hoje uma composição muito interessante feita durante o Nono encontro de Astrofotografia. A grande estrela azul à direita na imagem é Altair. Trata-se de décima segunda estrela mais brilhante do céu noturno e a mais brilhante da Constelação de Aquila. Destaca-se principalmente no inverno Brasileiro, como uma das primeiras estrelas do Norte Celeste. É uma estrela oito vezes mais brilhante do que o Sol e esta localizada a somente 16 anos luz de distância. Para os padrões astronômicos, é literalmente uma de nossas vizinhas da Via Láctea. Um vizinha das mais novas, po...is tem cerca de um bilhão de anos, quase cinco vezes menos que o Sol.
 
Já Tarazed, a estrela vermelha no centro da imagem, é na verdade uma estrela dupla que, apesar de ser muito mais brilhante do que Altair, está a uma distância quase trinta vezes maior.
As duas nebulosas escuras na parte direita da imagem são os objetos Barnard 142 e Barnard 143. As duas Nebulosas também são chamadas de Nebulosa E. Se você prestar atenção vai ver que elas formam o desenho da letra "E" maiúscula (de trás pra frente).
 
Esta imagem foi capturada com 34 frames de um minuto (bastante curta para os padrões atuais), com Lente de 200mm F2.8 Canon EF USMII em F4, Canon T2i e Montagem Ioptron Skytracker, durante o Nono Encontro Brasileiro de Astrofotografia, em Padre Bernando - Goias.
 
Se estiver vendo num bom monitor, não deixe de ver na resolução máxima: http://www.astrobin.com/full/256095/0/?real&mod

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Nebulosa Eta Carinae - Em Hubble Palette



Acabei de voltar do Nono Encontro Brasileiro de Astrofotografia, que ao contrário do ano passado, teve excelentes noites de céu limpo. Estou bastante feliz com o resultado e tenho muito material para brincar nas próximas semanas.

Deixo aqui uma das primeiras imagens que processei, da Nebulosa Eta Carinae, numa composição de cores falsa, mas belíssima, chamada Hubble Palette.

Considero um de meus melhores registros do encontro, na verdade um dos meus melhores entre todos o que fiz. Esse foi resultado de uma filosofia bastante diferente da do EBA passado. Em vez de tentar usar um telescópio de grande resolução, na busca de resultados superiores, mas que me deu muita dor de cabeça, optei por deixar o refletor de 200mm em casa e colocar sobre a montagem HEQ5 um refrator de 100mm, muito mais leve e agradável de trabalhar.

Outro pensamento que deu muito resultado, foi que, em vez de tentar fazer composições RGB, partindo do princípio de que deveria aproveitar o céu sem poluição luminosa, optei para me concentrar durante o EBA naquilo que sei fazer muito bem, que são composições em Hubble Palette.

Deixo também um registro do cometa Pansstars 2013 X1, que acompanhou todo o evento. Este foi feito com lente de 200mm e DSLR Canon T3i. Reparem como o cometa estava passando próximo a nebulosa NGC 6188.


domingo, 19 de junho de 2016

Testando uma ASI174mm-cool


Mas como seria bom se eu pudesse testar uma dessas câmeras, não seria? O legal é que eu testei. Semana passada um amigo me emprestou uma ASI174, a câmera com o segundo maior sensor da nova série da ZWO, menor somente que o da recém-lançada ASI1600. O modelo testado foi uma ASI174mm-cool, ou seja, a versão monocromática e resfriada.

A ASI174 tem um considerável sensor de 1/1.2 polegadas, mas tem pixels grandes, de 5.86um, o que não lhe dá uma resolução das maiores, são 2.3 megapixels. É uma câmera com sensor e resolução um pouco maior do que minha CCD ATIK 314L+, que tem sensor de 1/1.5 polegadas e resolução de 1,3 megapixels. Os pixels da ASI174, entretanto, são um pouco menores. Os da Atik 314 tem 6.45um.

Como você viu no post anterior, segundo o site da Sony, o sensor IMX174 da ASI174 tem praticamente o mesmo nível de ruído do sensor da Atik 314L, mas é um pouco menos sensível do que o da CCD. Entretanto, por ser uma CMOS, a ASI174mm permite aumento do ganho, o que, apesar do ruído a mais, pode deixar a câmera da ZWO mais sensível do que a da ATIK, tendo que compensar, é claro, com mais frames.

Para fotografar céu profundo com estas novas câmeras da ZWO, o ideal é usar um software especializado em céu profundo, como o MaximDL ou o Nebulosity. Como não tinha nenhum dos dois, adquiri o Nebulosity 4, que reconhece estas novas câmeras automaticamente (depois da instalação dos drivers, é claro). Eu devo passar a usar este software também com a Atik 314L, embora tenha visto algumas desvantagens em relação ao Artemis, software proprietário da Atik. Mas talvez seja falta de conhecimento meu em relação ao Nebulosity.

Devido à poluição luminosa da região onde moro, uma das mais densamente povoadas de Brasília, resolvi fazer uma captura em banda estreita. O objeto escolhido foi a Nebulosa da Lagoa, uma das nebulosas mais brilhantes desta época do ano. O telescópio usado foi o refrator ED de 102mm, que me acompanha desde o começo da Astrofotografia. Optei por ele e não o Refletor de 200mm por ser mais fácil de usar (Estou decidido a parar de usar o refletor de 200mm sobre a HEQ5 para céu profundo, devido à enorme dor de cabeça que é usar este telescópio grande sobre uma montagem mais frágil para este tipo de fotografia). O ED também tem uma razão focal maior, F7, e achei que seria interessante testar a ASI174 nesta condição de menor absorção de luz.




Frame único de três minutos da nebulosa da Lagoa, com o ganho da ASI174mm-cool em 100 (vai até 400) e o sensor resfriado a -10 graus.

O primeiro light frame da Nebulosa da Lagoa, capturando o H-alpha com 3 minutos de exposição, me impressionou pelos detalhes da nebulosa, mas percebi dois problemas. Primeiro, um forte clareamento da borda inferior direita da imagem. A câmera não tem culpa alguma por esse defeito no lightframe. Ele ocorreu por vazamento de luz na minha roda do filtros manual, que é aberta no dispositivo que permite a troca dos filtros. Apesar de ser feio na foto, este não é um problema de difícil solução. Basta fazer darkframes, que esse vazamento de luz vai aparecer nos darks e portanto será subtraído totalmente da imagem final. É importante, é claro, que sejam feitos sobre as mesmas condições de iluminação. Ou seja, eu não posso acender a luz durante os darks.

Dark frame da ASI174. Vazamento de luz na minha roda de filtros deixou um clarão no canto inferior direito.


Já o outro problema percebido não foi culpa da roda de filtros. São linhas horizontais que percorrem toda a imagem. Eu nunca tinha visto isso e tive que consultar os universitários num grupo de astrofotógrafos no Whatsapp. Lá fiquei sabendo que é algo comum em sensores do tipo CMOS, pela forma como eles carregam as imagens. A melhor solução seria fazer muitos bias, fotos feitas com o telescópio tampado e o mínimo tempo de exposição do sensor. Eu fiz 100.

Bias mostram linhas horizontais, características de muitos sensores CMOS, devido a forma como carregam os frames


Com 20 light frames do filtro H-alpha, e 7 das outras duas cores do Hubble Palette (OIII e SII), integrei a imagem no Deep Sky Stacker, com mais 10 dark frames e os bias. O resultado, após composição no Fitswork, wavelets no Registax e balanço de cores no Adobe PhotoShop, você vê na imagem abaixo. Só uma pequena observação: eu devia parar de usar os Wavelets do Registax, pela forma como eles deixam as estrelas gordas, mas ainda sou seduzido pelo modo como realçam os detalhes, aumentando a nitidez.



Repare como os dark frames fizeram desaparecer completamente o clareamento do canto inferior direito e os bias ajudaram a quase eliminar as linhas horizontais, que ainda podem ser vistos quando se examina a imagem com mais atenção.

O resultado final foi considerado bastante satisfatório. Acredito que ficou um pouco abaixo do que a Atik 314L+ é capaz. Eu fiz uma imagem com a CCD com o mesmo telescópio dois anos atrás que claramente apresenta detalhes superiores. Conta a favor da imagem da CCD que os frames foram mais longos, com 5 minutos, mas a guiagem estava bem pior e as cores não foram do telescópio e sim de uma imagem com lente de 135mm. Clique aqui para ver a imagem.

É importante dizer que a ASI174 está deixando de ser fabricada. Ela está sendo substituída pela ASI1600, que tem um sensor maior, menos ruído e parece ter menos problemas com as linhas horizontais. Talvez eu consiga testar uma ASI1600 no EBA, que acontece em duas semanas.

A minha impressão sobre estas novas câmeras astronômicas com sensor CMOS é a seguinte: para quem tem um bom CCD, como um com o sensor KAF8300, a troca por estas câmeras não irá acrescentar nada, mas para quem gostaria de dar um passo à frente em relação às DSLRs, é uma excelente opção. Eu não tenho intenção de trocar minha Atik 314L+ por uma dessas câmeras. Mas se minha Atik, por algum motivo, estragar, é muito provável que eu adquira uma ASI1600, pelo baixo custo.


Eu também usei a câmera com o telescópio refletor de 200mm, mas neste caso limitei-me a imagens lunares e planetárias. Deixo abaixo algumas imagens feitas da Lua e uma de Marte com a ASI174mm.

Região em volta da cratera Platão, o que mais gostei desta foto foi a parte da borda, no alto da imagem.



Cratera Copernicus e as consequências de seu impacto, em volta.
No alto da imagem, com uma bela montanha no centro, a Cratera Pitágoras.
Marte, já começando a se afastar da Terra.

A ASI174mm, fotografando a Lua e Marte no Refletor de 200mm, com o Extensor 5x e roda de filtros manual.

terça-feira, 7 de junho de 2016

As novas câmeras da ZWO - Parte 2 - O destaque da ASI1600

Realmente as novas câmeras da ZWO têm causado furor no mercado de equipamentos para astrofotografia. O meu post anterior sobre as câmeras gerou bastante discussão, algumas críticas (na minha opinião justas) e principalmente, encheu a cabeça deste astrofotógrafo de novas perguntas. Então fiz várias pesquisas, a ponto de eu poder dizer: mudei minha opinião sobre qual câmera iria adquirir para céu profundo, embora não com total certeza ainda. Hoje, os modelos ASI174mm-c e ASI1600mm-c (monocromáticos e com resfriamento) me parecem mais interessantes.

No post anterior, foquei mais na questão da área do sensor, tamanho dos pixels, e, principalmente, profundidade de bits, para mim o maior ponto negativo das novas câmeras. Mas não falei de nível de sensibilidade e ruído, certamente o maior ponto positivo destes novos equipamentos.

Quanto a questão dos bits, muitos astrofotógrafos avançados me disseram que isso não fará tanta diferença assim. Isso ocorre porque estas câmeras conseguem compensar a menor profundidade de cor com os seguintes recursos:
- Maior Range Dinâmico. Mesmo tendo menos camadas de cor, a diferença entre a mais brilhante e a menos brilhante é maior.
- Maior sensibilidade: Estas novas câmeras certamente chamam a atenção por estas características: a sensibilidade. Segundo tenho visto, elas conseguem imagens de grande brilho com poucos segundos de exposição, graças a terem um ganho eficiente. É claro que estas imagens podem possuir mais ruído, mas com muitos frames, é possível se conseguir excelentes imagens.
- Integração de frames: ao se integrar muitas imagens, e salvá-las em 16bits, você eleva a profundidade de cor da câmera.

A noticia é boa, embora testes mostrem que câmeras com menos bits apresentam desempenho ligeiramente inferior em áreas muito claras ou muito escuras da região fotografada. Acho que pode ser interessante, com estas câmeras, fazer imagens com tempos de exposição por frames diferentes.

A grande vantagem de se conseguir frames mais curtos, é que você deixa a imagem menos tempo submetidas a turbulência atmosférica, conseguindo registros com uma definição impressionante quando comparadas com imagens produzidas com frames mais longos, quando o seeing não está bom.

Outra grande vantagem de frames menores é que você não precisa se preocupar tanto com alinhamento. Pra mim, que fotografo do décimo terceiro andar, isso pode ser um enorme alívio.
A grande novidade das novas câmeras  ZWO é que elas são todas com sensores CMOS. Até pouco tempo considerados inferiores às CCDs, mas que claramente estão tomando conta do mercado, tendo em vista que este tipo de sensor vem recebendo investimentos massivos da indústria de câmeras de celulares, câmeras de segurança e fotografia profissional, enquanto o CCD parece estar tendo poucos investimentos em seu desenvolvimento.

Encontrar informações suficientes para um comparativo com estas câmeras não foi muito fácil. Em alguns casos não encontrei muita coisa. As coisas ficam mais fáceis quando o sensor pertence a Sony, que possui documentação bastante detalhada sobre seus produtos. Mas quando o sensor é da Panasonic, como no caso da ASI1600, ou em nem sei quem fabrica, como no caso do sensor da ASI120, é mais difícil encontrar informações sobre o sensor.

As informações da tabela abaixo mostram como o sensor da ASI224 é mais sensível em relação aos concorrentes. Este sensor chega a ter quatro vezes a sensibilidade de uma ASI178. A ASI224 também é duas vezes mais sensível do que a 290. Isso gera um dilema, o modelo 224 parece ser melhor, mas por algum motivo, não apresenta modelo monocromático. Bem, em astrofotografia planetária a diferença entre câmeras coloridas está cada vez menor, e fotografar com câmeras coloridas é muito mais fácil, embora eu ainda ache que há uma diferença considerável em astrofotografia Lunar e, principalmente, solar.
Câmera
Read Noise (e-rms) a 30db
SNR1s Value
SNR1s is a new index proposed by Sony for picture quality at low illumination, and is limited to CMOS image sensors for security applications.
ASI224
0.75e
0,13lx
ASI290
1.0e
0,23lx
ASI174
3.8e
0,37lx
ASI178
1.4e
0,46lx
ASI185
1.4e
0,20lx
ASI1600
1.2e
-
ASI120mm
-
-
Atik 314L+
3.7e
0,24lx
Atik 383+
7e
-
ICX618
7e @20db
-

Eu queria ter encontrado mais informações comparando a ASI1600 com a Atik383L+, que possui o sensor Kaf8300. Do pouco que encontrei, me impressionei com o nível de ruído do sensor ASI1600 em relação ao KAF, podemos dizer que, como os modelos 224 e 290, esta câmera praticamente não apresenta ruído.

Eu queria poder me aprofundar mais nesta matéria, mas infelizmente, não sou engenheiro. Sou muito mais fotógrafo do que cientista e a análise mais apurada destas câmeras exige um aprendizado que quero muito me aprofundar, mas no momento ando meio sem tempo. O processo de revisão do meu livro tem sido intenso e no momento preciso estar mais focado nisso. Afinal, são quase dois anos escrevendo esta obra. Com o fim dos trabalhos, eu devo ter mais tempo para um estudo aprofundado de sensores CMOS e CCDs.

Certamente o modelo que mais tem chamado a atenção dos astrofotógrafos de céu profundo é a ASI1600, por ter um sensor do tamanho do celebrado KAF8300, usado em CCDs como a Atik 383L. O modelo mono e resfriado da ASI1600 está custando R$6100,00 no Tellescopio.com, enquanto nos Estados Unidos, uma Atik 383L custa cera de 2000 dólares, o que daria algo entre sete a oito mil reais. Só uma observação triste. Até estes dias a ASI1600mm-c estava R$4700,00, em promoção. Infelizmente, parece que acabou. Sorte de quem comprou por este preço.

Muitas fotos interessantes feitas com a ASI1600 tem aparecido na internet. Abaixo, alguns exemplos:

Nebulosa do Cisne, registrada com câmera ASI1600mm e refletor Ritchey–Chrétien de 10 polegadas pelo usuário Big E Astro, no Astrobin. Os detalhes da nebulosa impressionam, embora o núcleo esteja um pouco estourado. Acredito que um maior número de bits permitiria melhor definição desta área.

Imagem da Nebulosa Crescente, feita pelo mesmo astrotógrafo da imagem anterior. Aqui o resultado ficou de tirar o fôlego.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Este fim de semana temos oposição de Marte!

Marte: na imagem da esquerda vemos o registro do Telescópio Espacial Hubble. À direita o humilde registro que fiz do meu apartamento, que curiosamente estava praticamente na mesma posição em termos de rotação do planeta, mesmo feito quatro dias antes.


Está chegando um dos eventos mais esperados do ano: a oposição do planeta Marte, que vai estar na menor distância da Terra nos últimos dez anos. A oposição de Marte é um evento que ocorre a cada aproximadamente 2 anos, mas elas não são sempre iguais, muito pelo contrário, a cada evento a distância mínima pode variar muito. A proximidade atinge um pico a cada 13 anos, diminuindo e depois aumentando novamente gradativamente. O evento deste mês precede o próximo pico, em 2018.

Neste fim de semana, milhares de telescópios de astrônomos amadores do mundo inteiro estarão apontados para Marte, muitos, como eu, munidos de câmeras fotográficas. Diga-se de passagem, a área de câmeras planetárias é uma das que mais evoluiu nos últimos anos e tenho certeza de que teremos imagens de tirar o fôlego nas próximas semanas, principalmente de astrofotógrafos como Damian Peach, Christopher Go e aqui do Avani, Conrado, Fábio Plocos, entre outros.

Com meu refletor de 200mm e câmera Expanse monocromática, tenho feito algumas capturas humildes comparados com a galera acima, mas fiquei surpreso com uma foto feita pelo Hubble recentemente. Não porque ache que há semelhança na qualidade delas. O Hubble está anos luz do que posso fazer com meu equipamento. Algo justo, tendo em vista que custou cerca um milhão de vezes mais caro do que o meu setup. Mas o legal é ver que a face do planeta, no registro do Hubble, estava muito parecida com a da imagem que fiz, quatro dias antes. O planeta está tão parecido das duas imagens que se eu não tivesse publicado a minha quatro dias antes, corria o risco de saírem dizendo por aí que o meu registro era falso, que apenas peguei a imagem do Hubble, tirei ela de foco com filtro blur, rotacionei, mexi nas cores e coloquei meu nome.

É uma comparação interessante para mostrar o que conseguimos capturar com um equipamento razoavelmente acessível (cerca de dez mil reais) em comparação com o melhor telescópio do mundo, que custou 2,5 bilhões de dólares. Eu acho divertidíssimo procurar na minha imagem detalhes que aparecem no registro do Hubble. Embora sempre seja apaixonante ver uma imagem como a do fim do post.



A imagem originalmente postada no dia 8 de maio. Apenas girei para ficar na mesma orientação da do Hubble e mostrar como estão parecidas. Também corrigi as bordas..

A imagem do Hubble, num tamanho mais justo com a real capacidade do telescópio espacial.

A imagem do Telescópio Espacial Hubble do dia 12 de maio. Clicando nela, fica ainda maior.