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terça-feira, 28 de novembro de 2017

Blue Head Horse - Reprocessamento de uma captura problemática.



A Cabeça do Cavalo azul é uma nebulosa de reflexão das mais difíceis de se registrar. Bastante pálida e inacessível a filtros de banda estreita. Como acontece com as galáxias mais pálidas, é necessário deslocar-se para regiões escuras, como fazendas isoladas, para um bom registro. A Nebulosa está localizada próxima à cabeça do Escorpião, sendo visível principalmente durante o inverno. Apesar disso, não é um alvo muito comum entre os astrofotógrafos durante os encontros de Astrofotografia, por dois motivos, primeiro, mal aparece nos single frames, como você pode ver na imagem final do post, o que pode desanimar um pouco os astrofotógrafos. Mas acredito que a principal razão é pela nebulosa ter uma tamanho aparente muito grande, sendo um objeto ideal para fotografia com lentes. A imagem do post foi feita com uma lente de 135mm. Como a maioria dos Astrofotógrafos utiliza telescópios nestes encontros, são poucos os que tem equipamento adequado para o registro, como o Carlos Fairbairn, que já fez ótimos registros da nebulosa.

Eu tinha uma boa captura da Cabeça do Cavalo Azul. 36 frames de 3 minutos feitos com a lente de 135mm e Canon T2i no longínquo ano de 2014. Bem, boa captura entre aspas. Apesar do bom tempo de exposição total, com quase duas horas; dos frames estarem numa boa duração, em ISO 800 e das estrelas estarem redondas, os frames apresentaram problemas bastante difíceis de lidar: escurecimento na parte inferior e uma mancha rosada na parte esquerda inferior. Esse problema esteve em praticamente todas as capturas com DSLR daquele EBA, me fazendo pensar que, a minha Canon T2i havia chegado ao fim precocemente. Mas, após aquele evento, analisei que talvez o intervalo entre os frames, de cerca de 15 segundos para lightframes de 3 minutos, talvez tivesse sido muito curto. Logo, desde aquela época, tenho ajustado intervalos bem mais longos entre os frames de captura. Na opinião de alguns colegas astrofotógrafos, talvez até um pouco demais. Hoje, para frames de 3 minutos, numa câmera sem resfriamento, os intervalos que eu daria para o sensor esfriar seriam provavelmente de um minuto.

Não sei se os intervalos que tenho dado em minha captura estão exagerados. Sinceramente, não sei se havia alguma outra coisa afetando a captura naquela época, mas, desde que aumentei o tempo dos intervalos entre os frames, problemas assim nunca mais apareceram.

Abaixo, vemos um single frame da captura que gerou a imagem da Cabeça do Cavalo Azul. Nela percebemos alguns detalhes suaves da Nebulosa, que depois seriam realçados, com o filtro mínimo, para diminuição das estrelas; aumento da saturação; e "Ajuste Automático de Cores", no Adobe Photoshop. O processamento final bem que poderia ser um pouco mais cuidadoso, evitando-se estourar as estrelas da nebulosa vizinha, Rho Ophiuchi. O problema, devo admitir, é a falta de tempo, mas com o fim da produção de meu livro de fotos "O Viajante Espacial", que deve ser publicado mês que vem, eu devo ficar mais tranquilo, até por que o ano de 2018 está cheio de projetos, que eu devo falar no próximo Post.

Frame única da captura do Post, como aparecia na câmera.



quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Complexo Nebular - Rho Ophiuchi


Imagem registrada com Câmera DSLR Canon T2i modificada e Lente de 135mm F2 durante o Sexto Encontro Brasileiro de Astrofotografia.


A Região de Rho Ophiuchi é uma das mais belas de nossa galáxia. Ali é possível encontrar quase de tudo, aglomerados globulares, estrelas múltiplas, nebulosas escuras, de reflexão e também de emissão. É um dos lugares do céu que mais atraem astrofotógrafos, sejam iniciantes ou experientes.

Localizada bem no "coração" da Constelação de Escorpião, visível principalmente no inverno brasileiro, Rho Ophiuchi tem alguns alvos interessantes para serem registrados com telescópio. O mais destacado é o aglomerado globular M4. Mas é a fotografia com lentes que mostra toda o beleza da região e a forma como as Nebulosas interagem umas com as outras. Um registro com lente de 50mm, como o do fim deste post mostra ainda como a região interage com a própria Via Láctea. As nuvens de poeira fazem uma ponte entre a nossa Galáxia e o Complexo. Seria Rho Ophiuchi uma galáxia menor que está sendo absorvida pela nossa? Eu não sou especialista nesta área e não consegui achar nada na internet sobre isso, então não sei a resposta. Esteja livre para responder nos comentários.

Quando fazemos o primeiro frame da região, o que aparece pode desanimar um pouco o astrofotógrafo iniciante, dando a impressão que não conseguiremos captar todos os detalhes do complexo. É preciso fazer muitos frames e depois mandar ver no processamento, no realce das cores e no contraste, por isso há uma grande variedade na qualidade das imagens que são encontradas na internet, mesmo quando registradas com o mesmo equipamento, pois aqui a mão do astrofotógrafo influi muito no resultado final.

Imagem de um único frame sem qualquer tratamento. O que aparece não é bem o que esperamos quando começamos a registrar. O trabalho de processamento é longo até a região ficar como estamos acostumados a ver em fotos na internet.

Uma câmera modificada não é obrigatória para o registro de Rho Ophiuchi, já que as nebulosas de emissão, que necessitam desta modificação, não são a única coisa interessante para se registrar. Sempre exigido é que a câmera seja boa, no mínimo uma DSLR. O céu também tem que ser bem escuro, sem poluição luminosa. Quanto mais escuro melhor, senão o trabalho para tirar a luz parasita vai deixar suas "cicatrizes" na imagem. Como em qualquer astrofoto de céu profundo, quanto mais tempo de exposição menos ruído e mais você poderá realçar o contraste. Recomendo no mínimo uma hora e meia de exposição total, com frames de 2 a 3 minutos no mínimo (em ISO 800 ou 1600). Com frames de 5 minutos a situação melhora ainda mais, mas preste atenção se não está estourando nada. Não é uma região ideal para fotografia com banda estreita, devido as nebulosas de emissão serem muito pálidas em relação ao resto do complexo. Talvez com maiores aumentos valha a pena explorar a nebulosidade em volta da região de Al Nyiat, que é interessante e bem pouco explorada.

Aqui foi utilizada uma lente de 50mm, com a mesma câmera. É possível ver as nuvens de poeira agarradas pela Via Láctea.

Esta imagem feita com telescópio refletor de 200mm Orion UK VX8 e CCD monocromática Atik 314L+, mostra interessantes formações de Hidrogênio Alpha em torno da estrela Al Niyat


sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Na chuva, sobram (bons) reprocessamentos em Hubble Palette

Essa é provavelmente á pior época que eu pego em Brasília, desde que comecei na astrofotografia. Já faz mais de um mês que o céu não me dá chance para uma imagem nova. E eu já conto cinco montagens de setups que não deram em nada. Faz dois dias o céu até abriu quase que totalmente, mas assim que o setup estava pronto para as primeiras imagens, apareceram umas nuvens pequenas acima de minha cabeça, que logo viraram nuvens enormes e, meia hora depois, com o meu setup já devidamente guardado, estava chovendo.

O que me deixa mais triste ainda é a profusão de objetos fantásticos lá em cima esperando para serem fotografados. E a grande maioria é adequado a fotografia com lentes, o meu estilo preferido. E essas nuvens vão ficando e esses objetos vão passando cada vez mais cedo para o outro lado do prédio e eu vou ficando só na vontade.

Mas essas épocas horríveis de céu fechado acabam tendo umas poucas vantagens. Talvez a maior delas é que eu acabo passando muito mais tempo reprocessando imagens. Reprocessamento não é uma coisa simples, na maioria das vezes a alegria acaba quando eu resolvo comparar a nova imagem com a anterior, e descubro que não melhorou nada, ou pior, a antiga estava melhor.

Felizmente recentemente tive uma boa série de bons reprocessamentos, quase todos são devido a um domínio maior não do Photoshop, mas de um programa gratuito chamado Fitswork. Aprendi alguns macetes simples que tem me ajudado muito. Basicamente são: sempre juntar um Luminance com o RGB depois de juntar os três canais para a imagem colorida e aplicar o filtro Blur no RGB antes da junção. o filtro Blur, inclusive ajuda muito a corrigir os erros de alinhamento que eram comuns em minhas imagens anteriores, já que o blur deixa estrelas coloridas com uma cor uniforme.

Nebulosa Cabeça do Cavalo - Duas horas e meia de H-Alpha com a lente de 200mm se juntaram ao RGB captado com a lente de 125mm, no começo de 2013.

A Nebulosa da Lagoa, captada em H-Alpha com apenas 6 frames de 6 minutos pelo telescópio, recebeu o RGB de uma imagem feita com a Lente de 135mm

Esta imagem da Lagoa com a lente de 135mm, acompanhada da Nebulosa da Trífida, também está muito melhor.

Até a Lagoa captada pela Canon no Quinto EBA recebeu o Hubble Palette. Uma imagem com RGB de CCD e Luminance de DSLR não é lá algo muito comum.
Eu já havia processado essa imagem de NGC6188 duas vezes, mas só agora consegui o resultado que esperava.


domingo, 14 de julho de 2013

Sexto EBA: Alpha Centauri, Hadar e, principalmente, Proxima Centauri


Clique na imagem para ver maior

Chegou a hora de começar a mostrar as fotos que fiz no Sexto EBA. Começo com a primeira foto de Wide Field que fiz. Os alvos foram as estrelas Alpha Centauri e Hadar. Uma das poucas áreas que não estavam cobertas por nuvens naqueles primeiros momentos da noite de sexta-feira em que o EBA começou (os dois primeiro dias tiveram algumas nuvens que depois sumiram, para alegria de todos).

Trata-se de uma imagem simples, composta por 32 frames de apenas 45 segundos de exposição, feitos com a Canon T2i sobre a montagem CG-5GT e com a lente de 135mm. Vale lembrar que a minha CG-5GT, que parecia estar com problemas, trabalhou muito bem no EBA, me deixando mais tranquilo em relação a seu funcionamento. Com o passar dos dias, eu fui aumentando o tempo de exposição, enquanto aperfeiçoava o alinhamento da montagem.

O mais legal da foto acima é que o objeto mais interessante para mim é apenas um pequeno ponto vermelho, que aparece misturado com a infinidade de estrelas. Trata-se de Proxima Centauri, a terceira estrela do sistema de Alpha Centauri, composto por duas estrelas de tamanho próximo ao Sol e uma anã vermelha, Próxima Centauri. Esta estrela é conhecida por ser a mais perto da Terra depois do Sol e é curioso que seja tão difícil de achar. Também acho surpreendente que esteja a enormes 0,2 anos luz de seu sistema central. Plutão, por exemplo, está a apenas 5 horas luz do nosso Sol. A estrela é considerada como parte do sistema de Alpha Centauri por estar presa gravitacionalmente às duas irmãs maiores, orbitando em torno do centro gravitacional das duas.

Abaixo eu fiz um crop da imagem acima. Neste crop vemos a posição de Proxima Centauri. Me surpreende ver como a estrela esta longe de seu sistema central e também por ser pouco tão pouco brilhante para a estrela mais próxima do Sol. Deve ser pouco visível até mesmo de um planeta em seu sistema central, brilhando como uma estrela pálida no céu. Já li histórias de que se desconfiava que o nosso Sol também teria uma estrela vermelha o orbitando, chamada Nêmesis, mas nunca foi encontrada e provavelmente nunca será, pois a sua ação gravitacional já teria sido identificada.

Proxima Centauri. A estrela mais próxima do Sistema Solar é o ponto vermelho ao lado da seta.


sábado, 13 de julho de 2013

Voltando do Sexto EBA

Participantes do Sexto Encontro Brasileiro de Astrofotografia preparam seus setups.
Foto de Severino Fidelis de Moura, participante do Sexto EBA
Estou de volta do Sexto Encontro Brasileiro de Astrofotografia. Foram seis noites sob o céu da Chapada dos Veadeiros. Foi um EBA longo para mim, pois nos outros dois que participei eu havia ficado apenas quatro dias. Foram noites completamento irregulares, onde eu tive a que foi certamente a minha melhor noite até hoje na chápada (a quinta onde não houve nuvens nem umidade), mas também houve momentos em que cheguei a pensar em ir embora (na terceira noite, quando minhas cintas térmicas falharam e eu não conseguia terminar uma exposição antes da lente embaçar por causa da umidade excessiva).

Na soma de tudo, acho que foi um ótimo EBA. Tenho cerca de trinta imagens para processar e publicar nos próximos dias. Acredito que tenho diversão e desafios para o próximo mês. Grande parte dessa produção foi devido a Canon T2i sobre a CG-5 fazendo imagens em Wide Field com a lente de 135mm, mas também fiz imagens com o CCD Atik 314L+ no telescópio sobre uma H-EQ5 que acho que vão ficar bem interessantes. 

Na parte do CCD posso inclusive dizer que, mais do que produzir, aprendi muito com este EBA. Normalmente diz-se que o EBA não é lugar para se fazer testes, mas todos os que vão ao evento, mesmo os mais experientes (o que ainda não chega a ser o meu caso), acabam aprendendo algo na enorme troca de conhecimentos e experiências entre os participantes.

Esse foi o maior EBA que participei. Haviam cerca de 25 telescópios, desde setups simples até equipamentos bem avançados. Acredito que quase todos os participantes saíram de lá com ótimos resultados e acho que centenas de imagens surgirão do evento. Eu mesmo não vejo a hora de ver o que os outros astrofotógrafos fizerem.

Para começar, deixo aqui uma primeira imagem feita por mim. Da Lua surgindo no começo da noite, sendo iluminada pelo Sol na faixa clara (e estourada) mas também pela Terra, na parte mais escura, fenômeno chamado de Luz Cinérea. Isso  ocorre por que neste momento, da Lua, a Terra aparece quase toda iluminada pelo Sol. É basicamente uma Terra cheia, cuja luz emitida nos permite ver detalhes da parte da superfície lunar que não está iluminados pelo Sol.

Lua em 09 de julho, iluminada pelo Sol e pela Terra.
Fotografada com a Canon T2i e lente de 135mm


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Super Lua de 23 de junho, fotografada com a Lente de 135mm



Neste domingo foi dia de Super Lua. Dia em que a Lua cheia coincide com o momento em que a Lua está mais próxima da Terra. Um belo momento para fotografar nosso satélite natural nascendo no charmoso horizonte de Brasilia.

A foto acima, pra variar, foi feita da varanda do meu apartamento. Nem sequer tripé usei, apenas apoiei a câmera no muro da sacada. Para conseguir mostrar a detalhes da Lua e não apenas um disco branco, devido ao brilho excessivo de nosso satélite, tive que juntar duas fotos, uma mais brilhante, com destaque para a paisagem e outra, com tempo de exposição bem menor, feita para mostrar detalhes da Lua.

É isso aí pessoal, eu tive duas semanas ruins com astrofotografia. A minha CG-5gt deu problema. Não está acompanhando direito os astros, isso a apenas duas semanas do EBA. Mas uma H-EQ5 já está a caminho e o ânimo para o EBA está com forço total. Além disso, semana que vem uma pequena surpresa pode aparecer aqui, se um projeto que tenho para o fim de semana for bem sucedido.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Vigésimo Primeiro ENOC, finalmente um céu escuro

O Cruzeiro do Sul, com a Canon T2i e a lente de 135mm F2.0

Cruzeiro do Sul
Luziânia - Goiás - 11 de maio de 2013
Exposição 21x90 segundos ISO 800
Canon T2i modificada
Canon 135mm F2.0 @2.5
Celestron CG-5GT

Esse fim de semana foi de Encontro Observacional do CAsB, quando o Clube de Astronomia de Brasilia organiza um evento numa fazenda ou pousada distante das luzes de Brasília para desfrutarmos de um céu sem poluição luminosa. Nesta edição o encontro foi numa fazenda, próxima de Luziânia, em Goiás. O Local não tem um céu como o da chapada dos Anões, mas é um deleite para quem está acostumado com o céu urbano de Brasília.

Eu fiz sete fotos. Quatro boas, duas mais ou menos e uma fail. Muito para uma noite apenas, já que não pude ir na sexta, devido ao trabalho. O elevado número de fotos numa única noite é principalmente pelo fato de que o Setup usado foram duas lentes, as Canons F135mm F2.0 e a 50mm F1.8, que foram usadas não com a Atik 314L, mas sim com a Canon T2i modificada, já que a Atik 314L foi distraidamente esquecida em casa.

No fim acho que ter esquecido a Atik foi algo até bom. Num céu escuro, bom mesmo é usar a Canon, que sendo colorida e tendo um grande campo acaba sendo muito mais divertida de usar do que a CCD monocromática. 

Me impressionou, principalmente, em ver como a lente 135mm F2.0 se comportou de maneira totalmente diferente da DSLR em relação à CCD. Na CCD focar é um martírio, e quando você pensa que atingiu o foco perfeito a imagem bagunça e halos surgem nas estrelas, quando os halos somem a imagem fica com um coma enorme, o que era inesperado para um sensor muito menor do que o da T2i. Nesta, mesmo em F2.0 a lente de 135mm quase não apresenta coma. A imagem acima foi feita com o diafragma aberto em F2.5 e não houve crop nem correção do coma. Mostrando que a lente valeu a grana pesada que investi nela.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

NGC 6188, Nebulosas da Lagoa e Trífida num bom sábado de astrofotografia

NGC 6188. A imagem ficou bonita, mas não ficou com a riqueza de cores esperada de uma foto em Hubble Palette.

Ultimamente o céu anda super instável aqui em Brasília. a maioria das noites tem sido nubladas, mas a qualquer momento você pode ser surpreendido por uma noite de céu limpo. A noite da sábado, quando eu estou descansado e não tenho que acordar cedo no dia seguinte, é disparada a melhor noite para astrofotografia. Por isso ter céu limpo justamente na noite de sábado, quando em todas as outras o céu esteve fechado, é para mim a maior sorte que pode acontecer. E foi isso que aconteceu no último fim de semana.

Tendo o céu aberto, a principal questão que passa pela minha cabeça é: Qual objeto fotografar. Isto ficou ainda mais importante agora que tenho uma câmera monocromática. A gente fica doido para tentar um objeto novo, de preferência que não tenha fotografado antes, mas também há várias imagens em que foram captados apenas frames em H-Alpha esperando por frames com os outros filtros para ficarem coloridas. Voltar para o mesmo objeto de semanas anteriores é mais chato, mas pode ser recompensador com uma bela imagem no final.

Bem, como o tempo ajudou no sábado, tentei fazer as duas coisas. Capturei os frames com os filtros de enxofre (SII) e Oxigênio (OIII) da Nebulosa NGC 6188 e aproveitei o resto da noite (antes da corrida de Fórmula 1, o único evento televisivo ao qual eu realmente dou importantância) para pegar alguns frames da Nebulosa da Lagoa e Trífida com o setup Atik 314L+Canon135mmF2.0.

Nebulosa da Lagoa e Trífida, mais uma imagem em que eu junto o Luminance capturado com a Atik com o RGB da Canon T2i, ambos capturados com lentes de 135mm.


Os resultados ficaram bons, não perfeitos, mas bons. Ainda tenho problemas com alinhamento dos frames devido ao coma apresentado pela lente quando mais aberta. No próximo fim de semana quero fazer uns testes com a lente em F4.0 para ver se ela realmente fica plana nessa distância focal com a Atik 314L.

Algo que marcou está noite foi saber que enquanto o céu estava totalmente aberto em Águas Glaras, a apenas vinte quilômetros dali, um amigo me informava que em Sobradinho o céu permanecia completamente fechado. Era até difícil acreditar nisso, mas a foto abaixo, tirada não deixa dúvida de que mesmo estando tão perto, o céu não estava nada bom em Sobradinho, mais engraçado ainda foi saber que ficou assim a noite inteira.

Enquanto no Águas Claras tínhamos um céu bastante razoável, do outro lado do Distrito Federal, em Sobradinho, as nuvens não davam chance.


terça-feira, 2 de abril de 2013

A Lua nascendo atrás dos prédios do Guará


Tirar fotos do nascer da Lua é algo bem legal, principalmente quando acompanhado de um cenário bonito, podendo ser ainda mais legal diante de um cenário bonito e também famoso.

Bem, o paredão de prédios que se formou recentemente no Guará 2, em Brasília, fruto da especulação imobiliária insana que ocorre nesta cidade, não é famoso, mas as linhas retas até que fazem um contraponto legal com a Lua ao fundo. Por isso, quando vi que a Lua estava nascendo atrás destes prédios achei que seria uma boa tentar umas imagens.

Fotografar a lua nascendo não é tão fácil como parece. Envolve algumas variáveis. No geral, as imagens devem ser single frames, já que a Lua está movimentando-se em relação ao cenário. A atmosfera tem que estar muito boa, transparente e sem nuvens, se não vai ser difícil conseguir visualizar detalhes da Lua, pois como ela está no horizonte, há muito mais atmosfera entre nos e a Lua do que quando ela está alta no céu.

Há uma contraposição interessante. Quanto mais baixo a Lua estiver, mas distorcida ela estará, mas também signíficará que ela não estará tão brilhante, o que permitira iluminar melhor o cenário sem estourar a Lua. Caso a Lua esteja mais alta, nosso satélite aparecerá muito bem definido, mas brilhara muito e o ideal será utilizar técnicas de HDR para equilibrar a sua luz com a do cenário.

Outra coisa legal que tentei fazer ontem, foi tentar fotografar um avião passando na frente da Lua. Como em relação a meu apartamento ela estava nasce exatamente atrás do aeroporto, imagino que, com um pouco de paciência, eu não demore a conseguir uma foto assim. Ontem foi quase. Um avião até passou na frente da Lua, mas infelizmente da parte escura.

As fotos deste post foram todas feitas com a Canon T2i e a Lente 135mm F2.0. Nem sequer um tripé foi usado, as imagens foram feitas com a câmera sobre o muro da varanda. Eu tenho muita vontade de tentar fotos assim com o telescópio, mas estava gripado demais para pensar em montar o telescópio. Na verdade eu não devia nem estar na varanda durante a noite.

Foi quase!

segunda-feira, 18 de março de 2013

Fim de semana em preto-e-branco, mas com qualidade!

NGC 6188, bela nebulosa próximo ao asterismo da constelação de Escorpião. Reparem na supernova na parte inferior esquerda da foto.

É com muita alegria que digo que este último fim de semana não passou em branco em astrofotografia, passou em preto e branco, com boas fotos em H-Alpha. Na noite de Sábado para Domingo algumas nuvens chegaram a querer incomodar, mas deu pra brincar bastante com a Atik 314L+, a Canon 135mm F2.0 e o filtro H-Alpha 7.5nm.

Primeiro, vamos falar dos problemas: a Atik estava esquisita, não estava estabilizando a temperatura, embora raramente passasse de um grau acima da temperatura programada. Eu até coloquei o vidro de vedação de volta, mas não adiantou. Desconfiei da qualidade da alimentação elétrica do meu apartamento e conectei ela no Powertank (uma bateria feita para telescópios), mas não fez diferença. Também quando eu fazia frames curtos notei um ruído estranho, que desaparecia em frames mais longos. Esses problemas não pareceram afetar a imagem final, mas é bom eu ficar de olho.

Em relação a lente, estou alegre de ver que os halos, que tanto me atormentaram nos primeiros dias, praticamente desapareceram, mas noto que mesmo em F/2.5, ela apresenta coma, algo que, no nível em que pretendo fotografar, não é aceitável, por isso acho que terei que fechar ainda mais a lente. Espero que eu não tenha que passar de algo como F/3.0, se não vai ficar complicado, pois a captação vai ficar muito lenta acima disso. Só pra vocês terem ideia F/3.0 é 125% mais lento que F/2.0 e 44% mais lento do que os F/2.5 que usei nas imagens de hoje.

Bem mais brilhante, não foi preciso mais do que dois minutos para tirar muitos detalhes de Eta Carinae
A boa notícia é que estou conseguindo fazer frames de até 5 cinco minutos com o setup sobre a CG-5GT e acho que ainda posso conseguir mais. Algo em torno de 6 a 10 minutos. Com um tempo de exposição assim, fotografar com a lente em F/3.0 seria totalmente aceitável.

Os Alvos da noite foram duas grandes Nebulosas, cujo tamanho aparente se mostrou no limite do campo de  enquadramento da Atik 314L em 135mm, que não é pequeno. A primeira, fotografada entre as oito e nove da noite de sábado, foi a Nebulosa de Carina (que eu costumo chamar de Eta Carinae, o que não é a mesma coisa, rss). Essa Nebulosa é muito brilhante, por isso eu não precisei de mais do que dois minutos de exposição em cada um dos 27 frames.

Fiz questão de enquadrar a nebulosa Gabriela Mistral na imagem. Trata-se da nebulosa que você vê abaixo, na parte superior direita, repare que parece com o perfil desta senhora, agraciada com o Nobel de Literatura de 1945. A dica da nebulosa foi do Astrofotógrafo Gerson Pinto, que publicou uma foto da mesma nebulosa.

Nebulosa Gabriela Mistral, na verdade um pedaço meio desgarrado da Nebulosa de Carina, cuja forma parece o rosto desta escritora visto de perfil

Mas, apesar de não estar perfeita por causa do coma, não há dúvidas de que a grande imagem do fim de semana é a que aparece no topo deste post, da Nebulosa NGC 6188, na constelação de Ara, primeiro por que eu devo ser um dos primeiros a fotografá-la no Brasil e segundo que, com duas horas de exposição, tirar um foto destas de um apartamento no meio de Brasília e uma alegria enorme, mostrando que, com um bom filtro H-alpha, não há limites para o que posso fotografar, em termos de nebulosas, da varanda do meu apartamento. Vale lembrar que, para conseguir a imagem colorida, será necessário mais 4 horas de exposição, totalizando 6 horas. Eu vou ter que ter muita paciência para terminar esta foto e as outras duas últimas da qual captei o H-Alpha (Carina e aquela com a Pata do Gato e Lagosta).

É isso aí pessoal, até os próximos posts!

domingo, 10 de março de 2013

Nebulosas Pata do Gato e Lagosta, finalmente sem os enormes halos

NGCs 6334 e 6357. O filtro H-alpha realmente ignora a poluição luminosa de Brasília.

Após três semanas de muitas chuvas aqui em Brasília, finalmente o tempo resolveu me dar uma colher de chá, embora nem de longe tenha sido o ideal. Na madrugada de sexta para sábado, depois das duas da manhã, o céu abriu um pouco e eu pude tentar mais uma imagem com a Canon 135mm F2.0, com o objetivo principal de fazer desaparecer os halos nas estrelas, tão marcantes nas últimas fotos e que quase me fizeram desistir dessa lente.

Para diminuir os halos, dois procedimentos foram feitos, primeiro e, provavelmente mais importante, eu mudei a posição do filtro H-Alpha usado para fazer a imagem. Antes este filtro estava quase dois centímetros a frente do sensor. Se pensarmos que o diâmetro da objetiva é a metade da distância focal, fica fácil imaginar que se tivéssemos um telescópio com 1350mm de distância focal e 720 de abertura (imaginem como seria grosso o tubo deste telescópio), teríamos um filtro 20 centímetros a frente do sensor da câmera.

Para resolver a situação tive que colocar o filtro não acoplado a frente do adaptador da Geoptiks, como estava antes, mas o mais perto possível do sensor da Atik 314L+. Eu tirei o vidro que fica a frente do sensor da Atik, que serve para vedar o sensor e manter a temperatura, e troquei pelo próprio filtro que, agora, além de fazer a função de filtro, também faz a vedação do sensor. Diga-se de passagem a vedação ficou muito boa e o sensor ficou estabilizado em 2 graus centígrados sem problemas.

Dessa vez também fechei um pouco o diafragma da Canon 135mm F2.0 Fechei apenas dois pontos que mudaram a relação abertura/distância focal para F2.5. Eu não sou fã de fechar o diafragma. Melhora um pouco a imagem final, mas também aumenta o tempo de exposição. No caso a mudança de F2.0 para F2.5 incorre na necessidade de um tempo 56% maior para se conseguir o mesmo resultado. Isso deixou a Canon F2.0 com a mesma velocidade da Takumar F2.5 que vendi recentemente e ainda deu às estrelas mais brilhantes um aspecto de mamona, devido a luz que vaza pelo diafragma. Apesar destes problemas, a maior relação abertura/distância focal também significa maior profundidade de campo, o que resulta num foco razoavelmente mais fácil do que em F2.0.

Eu queria ter aproveitado o sábado para ter capturado frames com os filtros OIII e SII, mas infelizmente o tempo não colaborou. O céu estava mais para nublado do que embaçado e vou ter que esperar a próxima semana para tentar uma imagem colorida.

Abaixo, deixo uma comparação interessante. Ambas as imagem foram feitas por lentes de 135mm e em F2.5. A primeira com a Canon F2.0 e a segunda com uma Nikkor F2.5. A grande diferença é que enquanto a primeira foi feita com uma CCD Monocromática e um Filtro H-Alpha de 7,5nm a segunda foi feita com uma Canon T2i modificada. Nessa imagem podemos ver como o novo setup é eficiente. E a primeira foto foi feita com condições terríveis de poluição luminosa e nebulosidade no ar (mal estava dando para ver a constelação de escorpião).


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Prawn Nebula - Juntando o H-Alpha da Atik 314L com o RGB da Canon T2i

Clique na imagem para ver em tamanho maior

Depois de mais de mês de céus nublados em Brasília, parece que São Pedro resolveu definitivamente colaborar com os astrônomos e neste final de semana tivemos mais algumas noites de céu limpo. Eu não poderia perder a oportunidade de mais algumas fotos, principalmente por que ainda estou tentando me entender com a lente Canon 135mm F2.0, chegando até mesmo a cogitar a sua venda.

 O grande problema dessa época do ano pra mim é que depois que as últimas nebulosas do chamado braço de Orion somem atrás da parede do meu apartamento, que é apontado para o leste, eu tenho que esperar o surgimento do braço de sagitário, onde estão muitas nebulosas legais para serem fotografadas em Orion. então tive que esperar até às quatro da manhã para tentar uma imagem da Nebulosa IC 4628 (Prawn Nebula) em H-alpha.

algo muito legal é que consegui um alinhamento que me garante 3 minutos de exposição, do meu apartamento. Isso acontece por que conheço muito bem o local e as pastilhas da piscina, onde fica o setup, ajudam a marcar a posição correta.

os halos nas estrelas continuam incomodando, mas já bem menos. Eu ainda quero captar a linha de emissão do enxofre e do oxigênio da nebulosa para produzir uma imagem em Hubble Palette. Enquanto não faço isso, juntei a imagem em H-alpha com uma da mesma nebulosa que fiz em setembro de 2012 com a Canon T2i e outra lente de 135mm. Assim, consegui aproveitar as cores da imagem com a Canon T2i, que fez o papel de RGB, com os detalhes da imagem com a Atik 314L, que fez o papel de Luminance.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Primeiras imagens com a Canon 135mm F2.0

Roseta com a lente de 135mm em cores mapeadas (H-Aplpha, OIII e SII), infelizmente Halos nas estrelas prejudicaram a foto.

Após muitas e muitas semanas de céu nublado e chuvas aqui em Brasília, neste Carnaval o tempo finalmente abriu e pude estrear a Lente Canon 135mm F2.0, pela qual gastei uma fortuna, em astrofotografia. Foi uma estreia complicada. Em muitos aspectos fiquei até com saudades da Takumar de 135mm que já está sendo vendida. A Canon tem o foco muito mais difícil, e como vocês podem ver na imagem acima, se não for feito com exatidão, gerá incômodos halos em volta das estrelas. Apesar dessa dificuldade, devo dizer que fora os halos fiquei muito contente com a qualidade da imagem acima, da Nebulosa da Roseta, que fica próxima a constelação de Orion.

Por falar em Orion, também fiz uma imagem da Nebulosa de Orion (M42), que vocês podem ver abaixo. Repare que os halos aparecem aqui também. Outra falha na imagem é que não consegui não estourar o núcleo na Nebulosa. Eu até fiz frames de cinco segundos (também deveria ter feito de um segundo), mas o Deep Sky Stacker não conseguiu empilhá-los.

De Orion eu só consegui capturar o H-Alpha


Se eu conseguir resolver o problema dos halos, imagino que vou conseguir fotos bem legais no futuro com esta lente, as Nebulosas América do Norte e Pelicano deverão ficar lindas com esta técnica. O maior problema do foco é que o programa que vem com a Atik 314L não mostra uma imagem com muita qualidade e a verdade é que às vezes não sei muito bem o quo está acontecendo. O jeito foi passar a noite de hoje treinando até encontrar o ponto certo e espero que nas próximas fotos, esta falha diminua.

As duas imagens foram feitas com frames de 90 segundos, em dias diferentes. Em relação a nebulosa da Roseta, algo que me deixou triste é que antes de dormir resolvi testar quanto tempo o alinhamento aguentava e descobri que se tivesse feito frames com três minutos de exposição as estrelas ficariam redondas. Foi uma lição aprendida, sempre verifique até onde seu alinhamento está mantendo as estrelas redondas antes de fotografar, não faça como alguns que resolvem fazer isso depois que a noite acabou, rssss.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Noite de Raios e Nebulosas em Brasília

Clique na imagem para ver maior

Ontem foi uma noite rara, em que pela primeira vez eu pude fotografar raios no mesmo momento em que fotografava nebulosas, algo que eu nunca imaginei que aconteceria. O céu estava limpo sobre o meu apartamento, mas a uns vinte quilómetros dali, na direção de Sobradinho, uma tempestade de raios castigava o lugar.

Foi aí que aconteceu o improvável. Enquanto a CCD trabalhava sobre a montagem CG-5GT, com a lente Takumar 135mm, deixei a Canon T2i sobre o muro da varanda fotografando a tempestade, no horizonte. Quando percebi que os raios estavam cessando resolvi dar uma olhada nas imagens e descobri algumas boas fotos, como a que vocês veem no final deste post.

Quanto a CCD, a Atik 314L+, ela estava apontada para a Nebulosa do Cone, tirando vários frames em H-Alpha, OIII e SII. Infelizmente, quando ela captava o nono frame com o filtro de enxofre (SII), o céu nublou completamente. Pra vocês terem idéia, eu tinha feito 30 frames em H-alpha e 20 em OIII. Apesar disso acho que o resultado final da imagem ficou bem interessante, mesmo com problemas de alinhamento e foco.

Deixo aqui também uma foto que acho que vocês vão achar bem legal. Sou eu com o "telescópio" e câmera usados para fazer a imagem acima, uma lente Pentax Takumar 135mm e a Atik 314L+. Reparem como o conjunto é extremamente compacto e também leve. Muitos astrofotógrafos ao verem a imagem acima devem pensar que ela foi feita com um grande telescópio e ficariam impressionados ao verem que ela saiu do minúsculo conjunto que carrego na foto abaixo.

Eu com meu telescópio, câmera e buscadora.
Deixo claro de que não trata-se de um conjunto barato. A câmera custou 1550 dólares. A lente foi 500 reais somente por que é uma lente usada antiga comprada no mercado livre, se fosse nova seria várias vezes mais cara. E os filtros usados para produzir a imagem somaram cerca de 500 dólares, o que também não é nada barato. Mas devo mencionar que de forma alguma foi mais caro do que um equipamento maior com a mesma capacidade, já que o minúsculo aqui é o telescópio, que foi trocado por uma lente. É claro que um telescópio daria mais aumento e mostraria mais detalhes, mas o campo seria uma fração do que aparece na imagem acima. 

Notem também que um laser pointer está como buscadora. Esta solução, diga-se de passagem, mostrou-se maravilhosa para conseguir colocar os objetos no campo da câmera. Antes de usar este recurso, eu levei mais de uma hora para conseguir achar a Nebulosa da Roseta em outro dia. Também reparem que o laser pointer está preso ao dovetail por fita durex. Quem me conhece já está acostumado a saber que toda a minha engenharia se limita ao uso de fita, superBonder ou durepox, rsss.


Enquanto eu me ocupava com a CCD, a Canon estava largada no alpendre fotografando essa bela tempestade.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Nebulosa Cabeça do Cavalo - Finalmente o Hubble Palette


Acabou o meu período fotográfico na Chácara. Infelizmente as nuvens só me permitiram uma única noite boa, com uma única imagem, a da Nebulosa Cabeça do Cavalo feita com filtros de banda estreita. Essa única foto, apenas a segunda que fiz com a Atik 314L+ salvou a temporada. E olha que eu errei feio o foco no filtro OIII.

E como não tinha muito o que fazer, pude aproveitar este tempo para aprender algumas coisas e chegar ao melhor processamento que a captação me permitiria. Deixo aqui a imagem definitiva da Nebulosa Cabeça do Cavalo, em Hubble Palette. Essa é a terceira versão oficial da imagem. A primeira eu havia colocado aqui. Era uma imagem em banda estreita, mas não poderia ser considerada em Hubble Palette, pois o H-Alpha estava em vermelho e o normal, ou correto, em Hubble Palette, é deixar o H-Alpha em verde. Esta imagem também havia tido seus canais RGB empilhados pelo simples Fitswork. Agora estou empilhando com o PhotoShop, programa muito mais.

O mais complicado em se produzir uma imagem em Hubble Palette foi tirar o excesso do H-Alpha, que domina muito a imagem, que num primeiro momento fica toda verde. Os procedimentos para tirar esse excesso de verde compõem quase todo o pós processamento de uma imagem com essa paleta.

Gostei muito dessa nova imagem, pois ela mostra claramente as diferenças de composição entre as Nebulosas. A Nebulosa Cabeça do Cavalo, pelas imagem feitas em preto e branco, mostrou não ter praticamente nenhum oxigênio, o que aqui está bem mais visível.



domingo, 6 de janeiro de 2013

Primeira imagem colorida com a Atik 314L+


Depois de três dias com céu totalmente nublado na chácara, o tempo inesperadamente melhorou e finalmente puder ter uma noite produtiva aqui. Resolvi fotografar a nebulosa Cabeça do Cavalo. Sim, é uma nebulosa muito manjada, mas eu queria me dedicar somente ao aperfeiçoamento da técnica fotográfica.

Eu queria produzir minha primeira imagem colorida com a Atik 314L+, para isso usei os filtros de cores mapeadas, H-Alpha, OIII e SII. Escolhi esses filtros em vez dos RGB por que haviam várias luzes acessas na chácara no momento da captação. A piscina, por exemplo, estava sendo usada, com todas as luzes em volta acessas.

Mas é impressionante como esses filtros de banda estreita cortam a luz e essa foi mais uma coisa boa que vi no uso deles. Antigamente era comum eu esperar todo mundo dormir e apagarem as luzes da varanda para começar a fotografar. Então era frequente eu só começar a captar imagens a sério por volta da meia noite. Mas ontem, assim que o telescópio estava razoavelmente alinhado, pude começar a captar light frames.

A imagem que vocês veem acima está cheia de erros. Eu não tenho o photoshop aqui, por isso não pude usar as cores seletivas para criar uma imagem com cara de Hubble Palette. Eu também preferi deixar o H-Alpha como canal vermelho e em Hubble Palette o H-Alpha costuma ser o verde. Para juntar os canais usei o Fitswork, mas estou estudando para ver se consigo usar o Gimp para essas funções. Mas o maior erro que cometi, para variar, foi não ter me atentado ao foco na hora de captar com o filtro OIII.

No fim, para uma primeira imagem colorida com a CCD, até que está muito bom. Eu sofri com o alinhamento. Sonhava em frames de 3 minutos pelo menos, mas só consegui um minuto e meio. Eu não devo voltar para a nebulosa Cabeça de Cavalo por um tempo (não para captação). Se o tempo melhorar, acho que vou tentar a Roseta, Cone ou mesmo Eta Carinae se o céu se manter bom após a meia noite.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Nebulosa Cabeça de Cavalo da varanda do apartamento: A Atik 314L+ mostra a sua força



Sim, era para eu estar de férias, mas bastou eu empacotar minhas coisas no domingo à noite que o céu resolveu abrir completamente aqui em Brasília. Eu andava meio inconformado com isso, mas ontem, mesmo chegando em casa depois das onze da noite por causa de um curso, resolvi parar de me lamentar, desempacotar tudo e tentar umas fotos. Dessa vez não foi com a Canon T2i, mas com a Atik 314L+, que um amigo meu trouxe dos Estados Unidos e pela qual eu tenho enorme expectativa para 2013. Eu também usei um filtro h-alpha de 7.5nm, o que teoricamente, aliado a uma CCD monocromática, daria ótimos resultados.

E realmente o setup não decepcionou, pelo contrário, superou todas as minhas expectativas. Bastaram apenas 60 segundos de exposição com a lente de 135mm para que eu conseguisse uma imagem bem definida da nebulosa cabeça do cavalo. Fiz 42 frames e empilhei tudo no DSS. Não fiz nem darks nem flats frames. Já escutei que a Atik 314L+ é tão boa que muitas vezes isso não é preciso. E como disse no post anterior, uma lente de relação abertura distância focal F2.5 absorve luz 8 vezes mais rápido do que meu telescópio F7.1. Essa imagem, com um filtro de banda estreita, com frames de apenas um minuto de duração, comprova isso. 

Para juntar a Atik 314L a uma lente de câmeras Canon, estou usando um adaptador da Geoptik. Ele custou 120 Euros e mais 40 de frete. Para minha infelicidade, foi entregue pela UPS, que arranca até as nossas calças de tanta taxa que cobra na hora de entregar a encomenda. Apesar disso, estou muito satisfeito com esse adaptador, pois ele cumpre muito bem a função, conecta o setup ao tripé e, o melhor de tudo, permite rosquear um filtro astronómico na lente, que pode ser trocado sem se retirar a câmera, somente a lente sai. Acho que valeu muito a pena o investimento.

Também tenho que dizer que adorei utilizar a Atik 314L+. O programa de captura Artemis, que vem com o CD da 314L é simples e muito intuitivo. Configurei o programa para manter a câmera na temperatura de 5 graus e ela manteve-se nessa temperatura a noite toda, o que é fabuloso.

Antes de dormir, também fiz algumas imagens da Nebulosa da Rosetta. Esta foi um pouco mais difícil por que o céu começou a nublar, e isso sempre provoca uma queda de qualidade nas imagens, mesmo assim a imagem ficou interessante e merece ser publicada.


Eu sentia que estava devendo uma imagem realmente boa, mesmo daqui do meu apartamento. E fechar o ano com essa imagem da Nebulosa Cabeça do Cavalo mostra aos leitores deste blog que 2013 promete. Mas para frente vou começar a usar os filtros coloridos e os outros de banda estreita e tenho certeza que muita coisa legal vai aparecer por aqui.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Testando a lente Takumar de 135mm e Férias!


Mais uma noite que vou para fora brigar com as nuvens. Fiz 42 frames da Espada e do Cinturão de Orion (muitos com nuvens), mas a maior perda foi não ter conseguido fazer os flat frames como eu gostaria, pois o céu fechou pra valer depois. Também não pude fazer imagens com exposição menor, para não estourar o núcleo da nebulosa de Orion. Mas o objetivo mesmo era testar uma lente antiga comprada no mercado livre. 

Como vocês sabem, eu devolvi a lente 135mm da Nikkor ao Sandro Rosa. Eu gostei muito da experiência de fotografar o céu com uma lente assim usando a Canon T2i sobre a EQ1. Esse é um setup leve e portátil, excelente para viagem, ou dias de preguiça (principalmente quando o céu não está muito confiável).

Adquirir uma lente antiga é uma boa opção para astrofotografia. Elas custam de cinco a dez vezes menos do que uma lente nova. É claro que elas não tem foco automático e nem estabilizador de imagens, mas isso são duas coisas que você definitivamente não vai usar em astrofotografia e que consegue viver sem se ainda quiser usar a lente para fotos normais.

Uma qualidade que me agradou muito na Takumar foi que, mesmo com o diafragma aberto no máximo (F2.5), as estrelas das bordas ficaram redondinhas. Eu senti uma leve aberração cromática na imagem. mas apesar disso, acho que vou brincar muito com esta lente.

A imagem acima foi feita no Águas Claras, não vou nem reclamar da poluição luminosa, o que tem atrapalhado mesmo são as nuvens. Muitos dos frames utilizados nesta imagem continham pedaços de nuvens, mas o pior mesmo foi eu não poder fazer os flat frames do jeito que queria (tirando completamente o foco da lente a apontando para uma área próxima sem estrelas brilhantes, o que é muito eficiente) por isso a vinhetagem na imagem foi enorme. Repare que no meio a imagem acima está um pouco avermelhado, pois eu não consegui tirar toda a vinhetagem sem agredir a nebulosa, algo que não queria de forma alguma.


Eu também estava doido para usar a Atik 314L+ e até me arrependendo de não ter feito o teste da Takumar 135mm direto com ela, pois quando quis ligar a câmera o céu estava completamente tomado por nuvens. Mesmo assim, resolvi ligar a Atik, sobre um tripé de máquina fotográfica e fiz uma imagem da Torre de TV Digital de Brasília, que é bem visível do meu apartamento, embora distante.

A ideia era somente verificar se a câmera estava funcionando bem, afinal ela veio na mala de um amigo dos EUA. Felizmente pude comprovar que está tudo em perfeito estado e fiz a primeira imagem da Atik 314L+, que não foi do céu, mas da Torre de TV digital de Brasília.

A primeira imagem feita com a Atik 314L+

A Atik sobre um tripé de câmera fotográfica com a lente Takumar 135mm F2.5
Eu tenho grande expectativas com o uso da Atik 314L+ mais essa lente de 135mm. Vale lembrar que uma lente F2.5 absorve luz 8 vezes mais rápido do que o meu telescópio F7.1 ((7.1*7.1=50.41)/(2.5*2.5=6.25)=8.06). É claro que com menos aumento, mas maior campo. Como eu consigo sem tanto esforço 1 minuto de exposição com a lente 135mm sobre a EQ1, isso ia significar a mesma coisa que 8 minutos de exposição com o telescópio F7.1, o que tornaria possível fotos muito interessantes com esta CCD sobre a EQ-1.

É isso aí pessoa, considero o Blog agora como em Férias. Pretendo voltar destas férias a partir do meio de janeiro, se tudo der certo com algumas imagens bem interessantes. Torçam para que as nuvens de janeiro me dêem uma chance (PS: Se eu fotografar a ocultação de Júpiter em 25/12, haverá um post extra).

Um grande abraço a todos e boas festas!

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Coroa Austral, com a lente de 135mm

Wide Field Coroa Austral
Uberlãndia - MG - 10 de Setembro de 2012
Exposição 30x60 segundos ISO 800
Canon T2i modificada - Lente 135mm F2.5 - EQ-1 Motorizada
Empilhamento Deep Sky Stacker 3.3.3 Beta 45 (+10 darks)
Pós-Processamento - Photo Shop CS4

O Tempo aqui em Brasília nas últimas semanas não tem dado chance para a prática da astrofotografia. no último feriado, dia 12, eu estava cheio de vontade de brincar com uma DMK41AU02.AS que um amigo me emprestou, mas as chuvas não deram chance.

Então, eu andava meio que sem nada para publicar no blog, mas eis que descubro que deixei passar completamente uma interessante imagem que fiz na chácara durante o feriado de 7 de sembro. Da região conhecida como Coroa Austral, que se destaca pelas nebulosas escuras presentes. eu já tinha feito duas imagens dessa região.

Ainda tenho o que melhorar, mas essa é a minha melhor imagem dessa região, cuja área ocupada é totalmente adequada a lente de 135mm. Nebulosas escuras, principalmente quando não estão a frente de uma área massiva de estrelas, são melhor fotografas com CCDs monocromáticas, mas com um bom céu dá pra fazer alguma coisa com uma DSLR.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Rho Ophiuchi, Pata do Gato e Lagosta em fotos com a lente de 135mm

Wide Field Rho Ophiuchi
Uberlãndia - MG - 10 de Setembro de 2012
Exposição 30x60 segundos ISO 800
Canon T2i modificada - Lente 135mm F2.5 - EQ-1 Motorizada
Empilhamento Deep Sky Stacker 3.3.3 Beta 45 (+10 darks)
Pós-Processamento - Photo Shop CS4

Deixo hoje mais duas fotos muito interessantes feitas na chácara durante o feriado de sete de setembro.

A primeira é da nebulosa Rho Ophiuchi. Essa não é uma boa foto para mim. O maior problema foi a poluição luminosa no momento da captação. Rho Ophiuchi só se encontra numa boa altura no céu até lá pelas dez na noite e no horário em que a captação foi feita, as luzes da varanda da chácara estavam todas acesas. Meus pais deixam as luzes da varanda ligadas por que se eles apagarem a varanda, os insetos vão querer entrar dentro da casa, atraídos pelas luzes dos cómodos internos. Com a varanda acesa os insetos ficam por lá. As luzes da varanda só são apagadas depois que todos vão dormir e apagam as luzes de dentro da casa. Normalmente esse é o melhor horário para astrofotografar.

Mas eu estava doido para fotografar Rho Ophiuchi, pois estava com uma lente de 135mm emprestada pelo Sandro Rosa, presidente do CASB. Essa lente é ideal para fotografar esta nebulosa. Então fiz a imagem com as luzes da chácara acesas mesmo.

Apesar da foto não ter ficado tão boa, recebi muitos comentários e elogios por ela. Mas esse é o caso em que é o modelo que é muito bonito. Rho Ophiuchi é certamente o objeto mais bonito para se fotografar com uma lente de 135mm. Vale lembrar que fotografar esse objeto com um telescópio não é recomendável. Na verdade existem inúmeros objetos que ficam muito melhor em lentes entre 100 e 200mm do que em telescópios, como as nebulosas America do Norte, Califórnia, Pelicano, Saco de Carvão, Cachimbo, as Núvens de Magalhães, entre outros.

Eu gostei demais da lente de 135mm do Sandro Rosa, mas acho que vou optar para comprar uma de 200mm para mim, que é praticamente um pequeno telescópio. Daí vou ficar com três distâncias focais para minhas fotos de céu profundo. 710mmF7 do telescópio. 200mmF2.8 e 50mmF1.8 das lentes. Repare como a relação abertura/distância focal das lentes é menor do que a do telescópio. Isso quer dizer que as lentes exigem um tempo de exposição muito menor.

Sobre a Eq-1, devo dizer que como setup de viagem, fiquei extremamente satisfeito com ela. Tenho muita vontade de viajar para o Chile apenas para fazer astrofotos e acho fantástico saber que agora tenho um setup excelente que posso levar no avião sem fazer malabarismos. Mas devo dizer que não se compara com a CG-5, que é muito mais estável e precisa. O que mais me incomodou na EQ-1 e que ela é muito curta, por isso, quando você coloca o motor, o contra-peso e o motor se batem quando você desce a câmera. Hoje, eu recomendaria a Eq-2, que é mais comprida e ligeiramente mais robusta.

Também fotografei as Nebulosas Pata do Gato e Lagosta. É legal ver as duas nebulosas na mesma fot, que mostra como estão próximas no céu. Mas repare que as duas também caberiam muito bem numa lente de 200mm, tal como Trífida e lagoa.


Wide Field Pata do Gato e Lagosta
Uberlãndia - MG - 10 de Setembro de 2012

Exposição 30x45 segundos ISO 800
Canon T2i modificada - Lente 135mm F2.5 - EQ-1 Motorizada
Empilhamento Deep Sky Stacker 3.3.3 Beta 45 (+10 darks)
Pós-Processamento - Photo Shop CS4