sábado, 16 de setembro de 2017

A Árvore e a Galáxia

A Árvore é a Galáxia.
Frame único de 80 segundos em ISO 3200.
Câmera Canon T2i
Lente EF-S 10-22mm f/3.5-4.5 USM
 .


Eu não faço muito astrofotografia de frame único, de composições da Via Láctea com paisagens. Geralmente isso ocorre por falta de tempo (estou com a câmera numa montagem, preferindo Wide Field com muitos frames) ou por que acho que câmeras com sensor cropado, como a minha Canon T2i (550D) não são as mais adequadas para o serviço, sendo preferível, câmeras com sensor Full Frame, como a Canon 6D, um de meus sonhos de consumo.

Mas a imagem que você veem acima me deixou  mais animado quanto a capacidade de astrofotografia com paisagens de minha Canon T2i, ainda mais neste momento que não tenho uma montagem portátil para levar para eventos e viagens e fazer Wide Field, depois que vendi o Ioptron Skytracker. O desempenho, principalmente num ISO tão levado (3200), me surpreendeu para esta câmera num único frame.

A imagem na verdade foi feita para a composição de um star trail, mas eu cometi um erro, o intervalo entre os frames ficou mais alto do que deveria. Isso aconteceu por que a lente usada, com 10mm de distância focal, tem um campo muito grande e se as estrelas próximas ao Polo Sul andam muito pouco, as da linha do equador andam muito mais rápido. O resultado foi que as estrelas da parte de cima da imagem ficaram picotadas, ficando a imagem de frame único melhor do que o Star Trail.

sábado, 9 de setembro de 2017

Finalmente o eclipse total do Sol

Meu primeiro Eclipse total do Sol - Composição de duas capturas com a lente de 200mm, uma com 1/250 e outra com 1/1600 de exposição, as duas em ISO 100.

Um eclipse solar total é considerado por muitos o evento mais dramático que o céu pode nos proporcionar. Então, para um amante da Astronomia como eu, presenciar um eclipse total já era um sonho antigo, mas ver um evento destes não é fácil. Eles são raros, são visíveis em faixas estreitas e duram muito pouco tempo. Por isso, eu cheguei à beira dos quarenta anos sem ter presenciado o evento.

Na verdade, quem deseja assistir à um eclipse solar total deve aceitar que é preciso viajar. E foi o que fiz. Para acompanhar o eclipse total de 21 de agosto, comprei uma passagem Brasília-Los Angeles e, junto com um amigo, dirigimos até o estado do Wyoming, nos Estados Unidos, para acompanhar o eclipse na pequena cidade de Shoshoni, mais exatamente no Boysen State Park, um pequeno parque, cuja atração principal é uma represa, próximo à cidade.

O local estava bastante cheio. Na verdade, o trânsito para os locais do eclipse estava um loucura. Era legal ver o interesse das pessoas pelo evento celeste. Era um clima que me lembrou quando fui assistir jogos da Copa do Mundo. Mas a torcida aqui não era pela vitória de um time, mas para que as nuvens, que estavam bastante assustadoras nos dias anteriores, dessem um sossego na hora do evento. Felizmente o time da casa venceu de goleada, e o eclipse aconteceu com o céu absolutamente aberto. Não podia ter sido melhor.

Para registrar o eclipse, levei a minha querida lente de 200mm F2.8 da Canon, a câmera DSLR Canon T2i e um tripé, sem qualquer acompanhamento motorizado. Também levei um filtro da Baader improvisado no parasol da lente. Como seria meu primeira eclipse total do Sol e a totalidade não duraria muito mais do que uns dois minutos, eu estava bastante tenso. 

Algo interessante a se saber é que, num eclipse solar total: você deve utilizar filtro específico para o Sol durante o período em que a Lua está se colocando à frente da estrela, mas no momento em que ela cobre o disco solar por completo, o filtro deve ser retirado. Foi aí que cometi o meu maior erro. Eu sabia que o filtro tinha que ser retirado no momento do Eclipse, só não lembrei de que, com a retirada do filtro, o ponto focal da lente muda, tirando a nitidez do registro. Felizmente, eu percebi isso alguns segundos depois, mas perdi algumas fotos que teriam ficado interessantes. Depois fiz algumas fotos com tempos de exposição variáveis. Estourei "um pouco" a coroa, mas fiz bons registros das proeminências solares, aquelas que vemos com filtros H-alpha solares caríssimos, mas que durante o eclipse aparecem até para câmeras DSLRs sem filtros. Esta é a imagem do início do post.

Os dois minutos de totalidade me pareceram ter durado uns quinze segundos, tamanha a tensão que eu estava. Ainda assim, após conseguir algumas imagens com a lente de 200mm, coloquei a lente 10-22mm e tentei uma panorâmica do Eclipse. Esta é a imagem que você veem abaixo:

Eclipse registrado com lente 10-22mm em 13mm. Podemos ver um pouco do parque onde fiquei durante o evento.
Registro "levemente" estourado da Coroa Solar. Ainda assim, é interessante percebermos a presença da estrela Régulo, da Constelação do Leão, próxima ao Sol (às sete horas)

Aguardando a totalidade. Foto feita com Celular.


O equipamento utilizado, com o filtro no parasol da lente.


segunda-feira, 31 de julho de 2017

Voltando do Décimo Encontro Brasileiro de Astrofotografia

IC2944, Nebulosa Running Chicken com Glóbulos de Bok ao centro. Imagem feita com telescópio refrator de 102mm F7, Câmera QHY163m e filtros de banda estreita.

Mais uma vez eu volto de um Encontro Brasileiro de Astrofotografia, o décimo realizado e o sétimo em que participo. Desde o Quarto EBA, eu não faltei a nenhum evento. Infelizmente, este último teve que se o mais curto em que compareci. Ao contrário dos três últimos, em que estive seis noites, neste só pude ficar por três. Não pude tirar as devidas férias porque no próximo mês vou usar os dias que ainda tenho direito este ano para uma viagem de duas semanas nos Estados Unidos, quando pretendo observar e registrar meu primeiro eclipse solar total.

Este último EBA teve outras complicações além da falta de tempo. O frio que vem fazendo no Centro Oeste e a previsão de noites nubladas quase me fez desistir do evento, mas no fim, acho que foi muito bom. Sim, houveram algumas nuvens, mas nada muito pior do que em outros EBA que participei. No fim, foi um evento divertido, muito bem organizado e, como sempre eu volto com algumas imagens interessantes.

Dessa vez, ao contrário do que fiz nos outros eventos, começo publicando a que foi provavelmente a minha melhor captura do Décimo EBA, da Nebulosa Running Chicken. Eu fiquei muito feliz de conseguir esta imagem, por que as condições foram bastante adversas. A Nebulosa fica pouco tempo visível nesta época do ano, pois quando o Sol se põe ela está a pouco mais de três horas de também se por. Como está muito ao sul, também fica bem baixa a noite toda, vulnerável a mais nuvens do que estaria se estivesse mais próxima do equador celeste. E as noites foram nubladas principalmente no início durante esse EBA. Apesar disso tudo, com o setup bem ajustado, na segunda noite do EBA, eu consegui registrar a nebulosa desde o primeiro momento de escuridão e a segui sem problemas até que ela estivesse baixa demais para boas imagens.

Meu objetivo não era exatamente a nebulosa Running Chicken, mas as intrigantes nuvens escuras no centro da Nebulosa, chamadas de Aglomerados de Bok. Estas nuvens são áreas de formação estelar que estão muito próximas de formarem as suas estrelas. As da Nebulosa Running Chicken são provavelmente as mais bonitas, seu contraste com a nuvem de emissão da nebulosa permite uma profundidade única aos registros dessa região celeste. Na imagem acima podemos ver os aglomerados de Bok de Running Chicken bem no centro do registro, como pequenas manchas escuras. Clique na imagem para ver em tamanho maior.

terça-feira, 4 de julho de 2017

13 coisas para se saber sobre a Astrofotografia de Banda Estreita e o Hubble Palette.

Nebulosa América do Norte, capturada com filtros de banda estreita e composta na técnica chamada Hubble Palette.


Em 2012, quando me mudei para um apartamento na cidade satélite mais densamente povoada de Brasília, chamada Águas Claras, eu estava decidido a morar num cobertura, para continuar praticando meu hobby favorito, a Astrofotografia. Num primeiro momento, devido à grande poluição luminosa da região, eu acreditava que estaria limitado à fotografia solar, lunar ou planetária, mas foi então que descobri a astrofotografia de banda estreita, com a técnica de processamento chamada Hubble Palette. 

Com filtros de banda estreita e uma câmera astronômica monocromática é possível fotografar de áreas urbanas nebulosas de emissão que seriam difíceis para câmeras DSLRs mesmo nos locais mais escuros. Infelizmente, com estes filtros acabamos registrando não exatamente a cor dos objetos. É aí que entra o Hubble Palette, que com suas cores nos mostra uma visão totalmente nova das nebulosas de emissão, proporcionando um contraste e profundidade únicos. É por isso que as fotos do Hubble usam está técnica, com filtros H-alpha, Oxigênio 3 (OIII) e Enxofre 2 (SII), que tornam-se respectivamente, os canais verde, azul e vermelho.

Então, após cinco anos de experiência com o Hubble Palette, tendo bons e maus momentos com a técnica, escrevo este post, mostrando o que aprendi sobre astrofotografia de banda estreita neste período e o que você precisa saber  se está pensando em astrofotografar com esta técnica:

  1. Astrofotografia de banda estreita é para câmeras monocromáticas: embora seja possível o uso com câmeras coloridas, a única diferença que você verá ao utilizar filtros de banda estreita com câmeras coloridas será nas cores do Hubble Palette e na redução das estrelas, mas nem de longe terá a qualidade de definição das nebulosas que uma câmera monocromática com filtros de banda estreita permite, além de produzir uma quantidade de ruído um pouco além da conta.
  2. Astrofotografia de banda estreita pode ser feita em regiões de grande poluição luminosa: essa é uma das maiores vantagens da astrofotografia de banda estreita. Como os filtros deixam passar somente uma faixa específica de luz, é possível tirar grande parte da poluição luminosa com a utilização destes filtros. É por isso que fotografo tanto de meu apartamento em Brasília com filtros de banda estreita.
  3. Astrofotografia de banda estreita pode ser feita durante a Lua Cheia: como elimina quase todo a poluição luminosa, nem mesmo a lua cheia afugenta o astrofotógrafo armado com uma câmera monocromática e filtros de banda estreita. A nebulosa de emissão registrada só não pode estar próxima demais da Lua. É aconselhável que esteja algo em torno de 30 graus afastado dela. Geralmente, quando a Lua está cheia, eu procuro objetos mais ao norte ou ao sul da esfera celeste.
  4. Astrofotografia de banda estreita é para nebulosas de emissão: Essa é uma das maiores limitações da astrofotografia de banda estreita. Ela não serve para galáxias, aglomerados estelares, nebulosas de reflexão e outros objetos que não sejam as nebulosas vermelhas de hidrogênio. Felizmente, estes objetos estão entre os mais espetaculares do céu e estão em grande número, garantindo anos de diversão para o astrofotógrado dedicado.
  5. O filtro H-alpha pode ser usado para realçar nebulosas de emissão em galáxias: não dá para fazer um Hubble Palette de uma galáxia e nem fazer luminance destes objetos com filtros de banda estreita, mas você pode usar o H-alpha para realçar as nebulosas de galáxias mais próximas, como Andrômeda e Triângulo.
    Galáxia de Andrômeda, registrada com filtros RGB e complementada com filtros H-alpha para realçar as nebulosas de emissão (vermelhas). Imagem Giuliano Pinazzi.
  6.  Telescópios refratores mais simples podem ser usados em astrofotografia de banda estreita: uma é uma das características inusitadas das capturas em banda estreita, elas são bastante tolerantes com telescópios que apresentem grande aberração cromática, já que a faixa de luz que eles capturam é muito restrita, não produzindo desvios significativos. Mas é preciso prestar atenção em duas questões: isso não vale para outras aberrações, como coma e curvatura de campo, e também faz com que seja necessário ajustar o foco a cada troca de filtro, pois cada filtro de banda estreita terá um ponto focal diferente. Dependendo do telescópio (se for muito ruim) a diferença pode ser bem grande.
  7. Astrofotografia de banda estreita é mais fácil do que a Astrofotografia com câmeras monocromáticas em RGB: Ok, isso é uma opinião bastante pessoal. Pode até ser pelo fato de que como fotografo muito em banda estreita eu tenha mais prática nesta técnica do que na fotografia em RGB. Mas vejamos: ao se registrar em Hubble Palette você não precisa se preocupar com fidelidade das cores, afinal, a liberdade é muito maior. As estrelas já aparecem muito pequenas, enquanto em registros com filtros RGB elas podem ficar enormes, principalmente em áreas com muitas estrelas, como na Constelação do Cisne. É até um pouco menos difícil quando o H-alpha é o luminance de uma captura H-alphaRGB, mas ainda assim, este tipo de captura impõe vários desafios, dependendo do objeto registrado, e não funciona com toda nebulosa (Por exemplo, Trífida-M20).
  8.  O H-alpha pode ser usado para fotos RGB: como dito no item anterior, podemos fotografar nebulosas com filtros de banda estreita com suas cores naturais, usando o H-Alpha como luminância ou simplesmente mesclando o filtro com a imagem RGB, para termos nebulosas de emissão com muito mais detalhes e em suas cores naturais.
  9. O H-alpha é sempre a luminancia em imagens de Hubble Palette: A verdade é que nesta técnica os filtros de Oxigênio e Enxofre basicamente têm a função de dar cores. Você pode até mesclar as imagens e criar uma imagem com a luminância a partir das três cores, mas criar a imagem de cor e depois juntar com o H-alpha como luminância gera um resultado muito superior;
  10.  Após a composição das cores do Hubble Palette o resultado é geralmente uma imagem verde: como o H-alpha é o filtro dominante na captura com filtros H-alpha, OIII e SII, não fique surpreso se, na hora de juntar os canais, a imagem ficar muito verde. São necessários alguns passos para dar à imagem aquelas cores amarelas e azuis que estamos acostumados a ver em sites de Astrofotografia. É necessário aplicar os passos indicados neste site
  11. O Hubble Palette funciona melhor em nebulosas de emissão com grande presença de oxigênio: nem toda nebulosa de emissão vai ficar maravilhosa no Hubble Palette, algumas têm bem pouco oxigênio e por isso é difícil conseguir alguma coisa com o filtro OIII, que irá gerar a cor azul. É interessante também lembrar que a emissão do OIII é a mais visível ao olho humano, por isso, as nebulosas de emissão que conseguimos ver bem quando usamos telescópios ou binóculos para observar o céu, são também as melhores para se registrar no Hubble Palette.
    Nebulosa da Lagosta. Nesta nebulosa de emissão há pouca emissão de OIII, o que impede uma imagem com o constraste que vimos no registro do início do post.
  12. Com os filtros do Hubble Palette, se você deixar o H-alpha vermelho irá criar uma imagem muito parecida com a imagem com cores originais: se estiver fotografando num céu com muita poluição luminosa,e não gostar do Hubble Palette, você pode usar os filtros H-alpha, OIII e SII para fazer uma imagem semelhante àquela com cores originais. Não ficará exatamente igual, principalmente estrelas e áreas de reflexão, ainda assim, ficará próximo à imagem com cores originais. Só não deixe de informar na descrição de imagem que, apesar da semelhança, trata-se de uma captura com cores falsas.
  13. O Hasta La Vista Green pode ser usado para tirar o Magenta das estrelas: isso foi algo que descobri recentemente. Quando juntamos os canais de cor da captura de banda estreita com o Hubble Palette é comum que as estrelas fiquem todas com uma cor rosada (magenta). Há uma forma rápida de tirar este magenta e deixar as estrelas com cores diferentes, o que fica muito bom. Basta inverter as cores da imagem final e aplicar o Hasta La Vista Green na imagem, que as estrelas mudam completamente.
É isso aí pessoal. Espero que tenham gostado do post. Talvez tenham surgido dúvidas devido à quantidade de termos técnicos utilizada. Para quem se sentiu meio confuso, lembro que o Astrofotografia Prática já está a venda tanto na versão impressa como digital e é uma excelente leitura para quem quer iniciar na Astrofotografia Amadora.

Um grande abraço,
Rodrigo





sábado, 17 de junho de 2017

Primeira imagem com a QHY163

Nebulosa da Lagoa, capturada com a QHY163m no refrator de 102mm. Foram 36 frames de 2 minutos com filtro H-alpha e 10 frames de dois minutos para os filtros de Oxigênio 3 e Enxofre 2. Composição em Hubble Palette.

Finalmente chegaram as câmeras QHY163m e QHY5III-224c que adquiri no Tellescopio.com. Ou melhor, na verdade elas chegaram bem antes do que eu esperava. O site dizia que faria as encomendas no dia 31 de maio. E como as câmeras viriam da China, eu esperava, na mais otimista das expectativas, que elas chegassem no meio de julho, antes do Encontro Brasileiro de Astrofotografia. Quando recebi a mensagem, dia 9 de junho, de que as câmeras estavam sendo preparadas para envio, foi uma tremenda surpresa.

As câmeras chegaram na terça e eu já comecei a utilizá-las na quarta-feira. De cara percebi uma desvantagem das QHY em relação aos modelos da ZWO. Enquanto as ZWO já eram encontradas pelos softwares que utilizo, as QHY precisam mais de um sistema chamado de ASCOM para conversarem com softwares astronômicos. Num primeiro momento eu fiquei meio chateado. Sempre achei que trabalhar com ASCOM era coisa para engenheiros e a documentação existente na internet não ajuda muito. Felizmente, descobri que é muito mais simples do que eu pensava. Fuçar um pouco já resolveu o problema. Você precisa apenas, instalar os drivers da câmera, encontrar os drivers no ASCOM, como se estivesse abrindo a câmera num software de captura, e depois disso basta selecionar a "câmera" ASCOM no software de captura. O software até vai perguntar qual câmera eu quero conectar. Isso aconteceu comigo por que tenho duas câmeras QHY conectadas ao mesmo tempo.

Como diz o José Carlos Diniz, as câmeras astronômicas com sensores CMOS são bichos diferentes das câmeras com sensor CCD. A principal diferença que vemos logo de cara são as opções de ajuste de Ganho e Offset. O ajuste de ganho é bastante claro, equivale ao ajuste de ISO das câmeras DSLR que conhecemos. Já o ajuste de OFFset está relacionado com o ajuste do nível da cor preta. Eu entendo mais do ganho. Sei que mais ganho gera mais ruído, mas permite frames mais curtos e uma maior quantidade de frames pode compensar o maior ruído. Mas selecionar os melhores valores para estes ajustes pode afetar o Range Dinâmico da câmera. Pelo que vi, valores maiores são interessantes para objetos muito pálidos e de brilho uniforme, como nebulosas de emissão extensas, mas para nebulosas com muita variedade de brilho, como a Nebulosa da Lagoa, de Orion, ou Galáxias, que têm um núcleo muito mais brilhantes que o resto do corpo, um maior ganho e mais OFFset pode gerar imagens estouradas (o OFFset também afeta o range dinâmico). Desculpem se falei besteira, mais para frente quero entrar mais a fundo neste assunto, que gera dúvidas até entre astrofotógrafos mais experientes. Felizmente, a QHY163 já veio com um preset de ganho e OFFset para céu profundo e podemos utilizar estes parâmetros pré-definidos. Mesmo assim eu aumentei um pouco o ganho para 30, o que provavelmente gerou o estouro do núcleo da Nebulosa da Lagoa na imagem do início do post.

Eu já tinha utilizado uma câmera astronômica resfriada com sensor CMOS, a ASI174. E agora com a QHY163 percebo que nestas câmeras é normal que determinadas regiões apresentem clareamento de áreas do sensor. Esse clareamento é chamado de Amplifier Glow e pode ser totalmente retirado com o uso de Dark Frames. A ATIK314L+ nunca apresentou este tipo de alteração nos frames. Então, se na Atik 314L+ eu podia até dispensar dark frames, em câmeras CMOS eles são obrigatórios.

Depois de tanto tempo com o pequeno sensor 2/3 de polegada da ATIK314L+, ter uma câmera com sensor 4/3 de polegada (o dobro da diagonal e 4 vezes mais área) é algo maravilhoso. É muito mais fácil encontrar e enquadrar os objetos e a perda de campo na troca de filtros não causa arrepios. Mas algo que me preocupa com a QHY163 é em relação à vinhetagem. A câmera tem um sensor praticamente do tamanho do diâmetro de um filtro de 1,25 polegadas. Na imagem que vemos acima eu fiquei na dúvida se houve ou não vinhetagem. As bordas estão um pouco mais escuras do que o resto da imagem. Mas também estão azuis. Os flat frames mostraram vinhetagem bem nos cantos da imagem, mas que pode ser totalmente retirada com a aplicação destes frames de calibração. A verdade é que se o setup apresentar vinhetagem na imagem final, eu vou conviver com isso por um bom tempo, pois filtros de 2 polegadas são muito mais caros do que os de 1,25 polegadas e repor todo meu conjunto de filtros, RGB, IR/UV Cut e banda estreita, além da roda de filtros, pode custar um bom dinheiro.

A imagem acima não teve uma captura perfeita porque eu estava com pressa de ter uma experiência completa com a nova câmera. Não quis perder tempo com alinhamento e a guiagem, feita com a também nova QHY5-III 224c não aguentaria mais do que dois minutos por frame sem deixar rastros. Mas o relaxo mesmo foi no foco. O software que eu utilizei foi o EZcap, desenvolvido pela própria QHY e ele tem a função de assistente de foco, mas nem me dei ao trabalho de usar.

Apesar de tudo, fico muito feliz com essa primeira imagem e tenho certeza de que, com mais apuro, imagens fantásticas estão por vir.

Abaixo, algumas imagens interessantes que mostram as características do setup utilizado:

Flat frame feito com a QHY163 com roda de filtros de 1,25 polegadas mostra leve vinhetagem nas bordas da captura, provocado pelos filtros praticamente do tamanho do sensor.

Dark frame (com aumento de brilho) mostra áreas mais claras na imagem, efeito chamado de Amplifier Glow. A câmera estava com sensor em temperatura de cerca de zero grau

Light frame H-alpha (com brilho aumentado) mostra como áreas mais claras aparecem, mas serão eliminadas com a aplicação dos darks.

Canal H-alpha com integração de 36 light frames, 10 darks e 30 flats.
Setup utilizado na captura. Vemos a QHY163 no telescópio principal, com roda de filtros de 1,25 polegadas, o aplanador de campo da Orion à frente da roda de filtros. Também vemos a QHY5III-224 com lente Nikon de 135mm F2.8 como telescópio de guiagem. A montagem é a HEQ5 da SkyWatcher.




domingo, 4 de junho de 2017

O Problema do Mercado de Equipamentos Usados em Astronomia

Desde a crise econômica e alta do dólar, uma das coisas que mais se tem falado dentro da Astronomia Amadora e mais ainda na Astrofotografia amadora, mais dependente de equipamentos, é a elevação exponencial dos preços dos equipamentos de Astronomia para o público brasileiro. Ah, não tem como não lembrar que eu paguei apenas 2900 reais na minha Sky-Watcher HEQ5, montagem computadorizada capaz de carregar o meu refletor de 200mm em sessões até de capturas de céu profundo. Enquanto isso, dias atrás tinha um cara no Mercado Livre vendendo uma EQ1 por mais do que isso. Uma montagem que não consegue carregar nem um pequeno refrator de forma aceitável para fotografia de céu profundo. E pior, a montagem nem sequer tinha motorização. Após muitas reclamações ele baixou um pouco o preço. Mesmo assim ficou acima de dois mil reais. No mínimo o dobro do que a montagem normalmente custa, mesmo nesta época de dólar alto.

Estes dias vi um post no Facebook reclamando sobre os preços abusivos que estão cobrando por equipamentos astronômicos. Achei interessante um comentário dizendo que "muitos astrofotógrafos se fazem de santos, mas também cobram preços abusivos por seus equipamentos". Bem, vou dizer a minha opinião sobre isso.

Se um astrofotógrafo tem uma câmera, que ele acha que é muito boa e sabe que ela vale muito e que tem gente disposta a pagar por isso. Não existe absolutamente nada de errado dele cobrar um alto valor pelo equipamento. Se ele comprou barato no exterior, foi por que também gastou com passagens, hotel e outras coisas para adquirir o produto. Se quando ele comprou a câmera o dólar estava baixo, agora está alto. Ele pode estar vendendo o produto porque está querendo fazer um upgrade e vai ter que pagar o preço atual do dólar por este novo equipamento. Não tem como ele entrar numa máquina do tempo e comprar o produto novo pelo dólar de 2014. Ele também pode não estar a fim de vender o produto tão cedo. Muitas pessoas fazem isso com imóveis, por exemplo. Quando você compra uma casa de um casal recém divorciado, pode ser que consiga um excelente preço. Mas se está de olho na casa de um morador que não está com pressa nenhuma de sair de sua residência, pode ter que pagar caro pelo imóvel.

O verdadeiro problema está no fato de que, na verdade, a maioria dos astrofotógrafos vende seus produtos usados por preços bastante em conta, só que parece que existem pessoas nos grupos de vendas de equipamentos que estão se especializando em adquirirem rapidamente produtos ofertados por valores baixos, para pouco depois revenderem por valores muito mais elevados. Elas acabam comprando o produto antes de quem realmente vai utilizar o equipamento, impedindo de comprar por um bom preço e o obrigando a pagar um valor muito maior do que o inicialmente ofertado. Para mim, é quase como um sequestro do equipamento, mas quem faz isso é mais conhecido como atravessador, neste caso, um atravessador oportunista.

No mercado de usados é possível diferenciar um atravessador de um astrônomo ou astrofotógrafo legítimo. Geralmente o atravessador tem pouco conhecimento do produto que está ofertando. Ele vai dizer algo como: "comprei e só usei duas vezes, por isso não sei muito sobre o produto". Pode até mesmo dizer que comprou, mas teve um problema financeira e nem usou, apenas tirou da caixa. Por isso, não sabe muito. Pelos anúncios deles nestes grupos você vai chegar a conclusão de que estes caras estão com um sério problema de indecisão, adquirindo vários produtos e só usando umas duas vezes. Ou mesmo, quando ele assume ser um atravessador, o que não é incomum, você pode achar que equipamentos de astronomia não servem pra muita coisa, pela quantidade de pessoas que compram equipamentos caros e usam somente duas ou três vezes antes de passar o produto para os atravessadores.

Não existem soluções fáceis contra este problema. O ideal seria o boicote contra estes vendedores enquanto eles estiverem pedindo preço que sejam abusivos. Por abusivo, entenda-se não somente o preço final, mas se você notar que estão aparecendo produtos a venda em fóruns de Astronomia e logo depois eles reaparecem a preços muito mais altos, recomendo evitar estes vendedores. Eles não são astrônomos vendendo produtos que usaram, são só gente que se aproveitou de uma pessoa pouco ambiciosa para lucrar em cima do vendedor e do comprador.

Atravessadores também costumam ter uma gama de produtos que pode estar acima do considerado normal para um astrônomo amador. Mas também não tenha preconceito achando que só por que o cara é um atravessador, merece ir para o inferno. Estes grupos também têm (poucos) bons atravessadores. Que podem praticar preços justos. Antes de comprar seu produto, pesquise o preço do equipamentos no exterior. Não compre nada que esteja mais em reais do que o preço em dólares multiplicado por dez. Por exemplo, se algo custa 100 dólares nos Estados Unidos, um preço acima de 1000 reais no Brasil tem grandes chances de estar abusivo.

O mais recomendado é, se você precisa de algo importante e espera adquirir no mercado de usados: acompanhe os fóruns e sites de vendas com muita frequência e quando aparecer um produto por um preço justo, que esteja sendo vendido por alguém que claramente prática astronomia, não espere muito para adquirir, ou peça para o vendedor reservar o produto por uns dois ou três dias, enquanto você pesquisa para saber se vai fazer a melhor compra. 

Mesmo produtos que pareçam baratos à primeira vista podem enganar o consumidor leigo. Esses dias, tinha um atravessador vendendo uma Imaging Source DBK41 usada, por dois mil reais, alegando que a câmera custava quase 500 dólares lá fora. Pode parecer uma boa oferta, mas a verdade é que, apesar de ainda custar caro, a DBK41 é uma câmera ultrapassada e ninguém com conhecimento compraria essa câmera por esse preço. Uma QHY5 ou uma ASI120 fariam imagens muitíssimo superiores, possuem entrada ST4, para autoguiagem e podem ser encontradas novas por cerca de mil reais, ou até menos quando usadas.

O mais correto é sempre procurar alguém com conhecimento antes de adquirir qualquer equipamento. Em grupos respeitados de redes sociais, como o "Equipamentos Astronômicos" é possível encontrar muitos astronômos amadores experientes dispostos a ajudar os iniciantes; Muitos vezes vemos até amadores experientes questionando sobre produtos nestes grupos. Informação nunca é demais.

No próximo post, eu fiz um levantamento de informações dadas por colegas no Facebook e Whatsapp sobre importação direta de equipamentos e vou compilar elas aqui pra vocês.


quarta-feira, 24 de maio de 2017

A História da Astrofotografia no Astronomia ao Vivo

Pra quem não conhece, o ASTRONOMIA AO VIVO é um canal gerenciado pela super simpática Cris Ribeiro que geralmente faz uma transmissão nas noites de domingo, com convidados relacionados à Astronomia. Por este programa já passaram alguns dos maiores astrônomos amadores e profissionais do Brasil, além de personalidades como o astronauta Marcos Pontes. Como a Cris gosta muito de Astrofotografia amadora, volta e meia temos grandes astrofotógrafos entre os principais convidados,  falando sobre as questões mais importantes e interessantes da Astrofotografia amadora.

No último domingo, o convidado da noite foi o Conrado Serodio, um dos maiores astrofotógrafos planetários e lunares brasileiros. O Conrado fez um belo resumo da história da Astrofotografia, focando nos primórdios desta atividade, passando pela popularização da Astrofotografia entre os amadores e divagando sobre o futuro da atividade.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Em Breve: Novas câmeras para Astrofotografia planetária e de céu profundo.

Quem me acompanha com mais frequência sabe que atualmente não dá pra comprar um novo equipamento todo dia (embora eu quisesse), principalmente quando estamos falando dos equipamentos principais para Astrofotografia: câmera, tubo óptico e montagem. Mas pelo menos uma vez por ano eu faço questão de comprar um exemplar destes equipamentos, para dar uma renovada no ímpeto astrofotográfico. Afinal, quando você compra um equipamento novo, principalmente câmera ou tubo óptico, de repente se vê com disposição para registrar todos os objetos que fotografou mais uma vez, afinal, sabe que agora poderá conseguir resultados completamente diferentes.

Atualmente eu tenho dois telescópios principais, um refrator ED de 102mm de abertura e um refletor newtoniano de 200mm, além de três lentes muito boas para astrofotografia, a "quase um telescópio" Canon 200mm F2.8 EF L USM II, a boa e barata 50mm F1.8 e uma última de 10-22mm, voltada para paisagens e campos enormes. Apesar do Refrator já estar meio velhinho e o focalizador de ambos os telescópios estarem precisando serem trocados, a óptica dos dois tubos está perfeita, então definitivamente tubo óptico não é algo para ser trocado. Bem, na verdade eu até gostaria de um refletor de 300mm de abertura, para quem sabe fazer imagens planetárias de tirar o fôlego, mas esta mudança iria exigir uma montagem maior do que a minha HEQ5 atual. E uma boa EQ6 está difícil de encontrar no Brasil por menos de 10 mil reais.

Mas, com a época das secas chegando em Brasília (talvez até seca demais desta vez) e os céus começando a ficar estrelados durante a noite, a vontade de gastar foi ficando mais intensa. E neste momento surge uma promoção do site Tellescópio.com.br com câmeras da QHY e da ZWO com 25 por cento de desconto. A compra é feita por encomenda e os produtos devem chegar em cerca de dois meses. Mas eu não resisti. E adquiri dois exemplares logo de uma vez. Uma QHY5-III 224C, para fotos planetárias, e uma Câmera QHY163M Mono - Cooled. São basicamente uma excelente câmera planetária e uma ótima câmera para céu profundo.

A pequena QHY5-III 224C será usada para captura de planetas e como guiagem da 163M.

A QHY5-III224C tem o mesmo sensor da consagrada ASI224MC. Ela me trará uma experiência diferente da câmera atual, me permitindo fazer imagens planetárias sem o uso de roda de filtros. Optei pela 224C e não uma com sensor monocromático porque gosto do balanço de cores que as câmeras coloridas conseguem com planetas. Esta câmera também tem muito mais sensibilidade do que a minha atual Expanse 120 e, combinando com a saída USB 3.0, deverá conseguir uma taxa de frames absurdamente alta. 

Já a QHY163M trará uma avanço incrível para a Astrofotografia de céu profundo. Ela tem 16 megapixels, contra 1,3 da minha atual Atik 314L+. Essa diferença de megapixels não reflete de forma justa a real diferença entre as câmeras, por que o sensor CCD da Atik, apesar de pequeno, tem pixels grandes e sensíveis, ainda assim, a versatilidade e os recursos do sensor da QHY163 deverão melhorar em pelo menos duas vezes a qualidade de minhas fotografias de céu profundo.

A QHY163M tem sensor de 16 megapixels do tamanho 4/3 (pouco menor do que o de uma DSLR de entrada) e resfriamento.


A brincadeira toda ficou em cerca de 5500 reais. Dói no bolso e, até as câmeras chegarem, certamente vou ficar bastante ansioso, torcendo para que tudo dê certo. Mas eu confio no site Tellescopio.com.br. Eles têm até um banner aqui no blog, mas não é por que eles me pagam por isso. O banner foi colocado sem qualquer custo porque considero que lojas de equipamentos astronômicos são fundamentais para a Astrofotografia Brasileira e precisam do apoio de aficionados como eu.

A promoção vai até o dia 30 de maio. Pelo que entendi do site, o esquema é o seguinte. Durante um mês as câmeras ficam em promoção, mas o Tellescopio só faz a encomenda ao fim da promoção, para poder fazer um pedido de um lote maior, conseguindo preço melhores. Você pode acessar o site clicando no link abaixo:




quinta-feira, 11 de maio de 2017

Júpiter, Saturno e a surpresa com a Barlow 2,25x

Júpiter, com a grande Mancha Vermelha em destaque, primeiro registro feito com a Baader 2,25 no lugar do Extender 5x da Explore Scientific

Nos últimos dois meses eu tenho me dedicado  astrofotografia planetária. O registro dos planetas, embora eles sejam tão poucos, pode rapidamente ficar tão viciante quando à astrofotografia de céu profundo. Isso acontece por que, apesar de serem num número reduzido, os planetas apresentam um comportamento muito dinâmico, mudando muito de um dia para o outro, em alguns casos até mesmo poucos minutos podem fazer uma grande diferença. Isso faz com que você fique com vontade de registrá-los todos os dias.

O telescópio que utilizo é o Orion UK VX8. Um refletor de 8 polegadas de abertura. Isto é provavelmente o mínimo que eu recomendaria para se fazer Astrofotografia planetária de forma mais séria. Se eu tivesse condições, adoraria ter um telescópio de pelo menos 12 polegadas (300mm).
Meu refletor tem 900mm de distância focal, o que lhe dá uma razão focal de 4,5. É basicamente um telescópio curto e como a Astrofotografia planetária é geralmente feita com razões focais acima de F20, eu logo adquiri um Extender de 5x da Explore Scientific para usar com este refletor.

A combinação Orion UK VX8 mais Extender 5x sempre se mostrou uma combinação interessante, com alguns problemas. O principal é que eu quase nunca consigo capturar com o filtro de luminância com este Extender. Sempre que tento capturar a luminância o resultado é uma imagem sem detalhes. Geralmente tenho que usar o vermelho como luminância, o que tem o inconveniente de fazer a Grande Mancha Vermelha desaparecer.

O Extender (Extensor) 5x da Explore Scientific e a Barlow 2,25x da Baader.


Meio desapontado com o Extender, no dia oito de abril, resolvi trocar por uma Barlow de 2,25 que comprei para usar no refletor não com planetas, mas com capturas de céu profundo, algo que ainda estou devendo. Coloquei a Barlow e de cara me impressionei com o contraste que a imagem de Júpiter mostrava com o filtro de luminância, mesmo que o planeta estivesse menor. Resolvi fazer algumas capturas. A primeira coisa que notei foi, devido à menor razão focal, uma maior absorção de luz. Com a Barlow eu podia capturar muito mais frames por segundo do que com o Extender 5x. Uma média de quatro vezes mais, e como o planeta ficava pequeno na tela, isso não consumiu muito espaço em disco e permitia uma taxa de frames veloz através da entrada USB da câmera Expanse. Cheguei a mais de 110 frames por segundo. Na hora de integrar os frames, para compensar o menor tamanho do planeta, usei Drizzle de 3x.

O resultado final com a Barlow 2,25x me surpreendeu, estando melhor do que a grande média de capturas que fiz com o Extender 5x, com a vantagem de que pude sempre usar o filtro de luminância. É interessante, pois estou usando uma razão focal de aproximadamente F10, bem mais baixo do que o recomendado para este tipo de registro. Mas acredito que fotografar com este setup seja muito semelhante a fotografar com mais aumento se a minha câmera tivesse pixels maiores, que fossem mais sensíveis. O uso de Drizzle em câmeras com pixels grandes costuma ser muito eficiente. E com capturas de mais de 20 mil frames, acabo conseguindo resultados surpreendentes com essa Barlow. 

Alguns astrofotógrafos não concordam comigo, mas eu começo a me perguntar seriamente se fotografar em F10 não seria melhor do que registros com a razão focal acima de F20, utilizando menores ampliações para se conseguir mais sensibilidade, com mais frames por segundos e compensando o menor aumento com o recurso de Drizzle.

Registro feito mais recentemente. Nesta imagem gostei muito dos detalhes das regiões mais próximas aos polos.


Outra vantagem que percebi com o uso da Barlow, foi uma menor diferença entre o brilho dos planetas e de seus satélites naturais. Essa diferença foi tão grande que até mesmo numa captura de Saturno as luas deste planeta apareceram. E olha que geralmente fotos de Saturno e suas Luas só são possíveis com capturas separadas do planeta e das Luas, montadas depois no Photoshop, quando chegam a se usar frames de até um segundo de exposição para capturar as Luas.



Mesmo sem o uso de técnicas de capturas com tempos de exposição elevado para as luas de Saturno, elas apareceram nesta captura com a Barlow 2,25.

Bem, se fotografar em distâncias focais menores e vantajoso a distâncias maiores é algo que ainda não tenho, mas o que posso dizer é que a Barlow que estou usando, a Baader Hyperion Zoom Barlow 2,25x realmente foi uma aquisição surpreendente e que está me impressionando com os resultados e certamente virou o meu instrumento principal de Astrofotografia planetária.

Abraços a todos!

terça-feira, 25 de abril de 2017

Finalmente a venda: Astrofotografia Prática - O Guia da Fotografia do Universo.


Foram quase três anos de trabalho. Muitas e muitas noites em que deixei de astrofotografar, ver filmes ou mesmo ficar com minha família por causa desse projeto. Mas finalmente a jornada está chegando ao fim. Já está a venda a versão impressa do Astrofotografia Prática - O Guia da Fotografia do Universo, o primeiro guia sobre Astrofotografia feito por um brasileiro, o primeiro em língua portuguesa na era digital.

São 220 páginas em formato A4, com cerca de 160 ilustração coloridas. O livro pode ser adquirido em 3 acabamentos diferentes, brochura, capa dura ou espiral, sendo o último mais recomendado para quem pretende realmente grudar no livro e levar para todo lugar. Eu, é claro, devo imprimir uma versão em capa dura para mim.

Você pode adquirir a versão impressa do Astrofotografia Prática nos links abaixo:
O Ebook levará mais umas duas semanas para ficar pronto, pois terá uma diagramação diferente, em formato A5 e com somente uma coluna. Neste formato, o livro terá 460 páginas. Uma prova de como o conteúdo é extenso. Será uma diagramação otimizada para a leitura em tablets e até mesmo em celulares. 

Agradeço a todos que me apoiaram neste projeto!

terça-feira, 4 de abril de 2017

Abril de 2017: mês decisivo para a publicação do livro

Exemplar impresso do livro Astrofotografia Prática, que estou revisando.

Entramos finalmente no mês de abril, que conforme o banner aqui do lado é a data de publicação do esperado livro de Astrofotografia que passei os últimos três anos desenvolvendo. Acredito que até o fim deste mês eu finalmente publicarei a obra. Eu até tinha uns dois ou três posts que queria desenvolver melhor para este blog este mês, mas o desafio de uma última revisão, para entregar o melhor livro possível, tem consumido todo o meu tempo disponível.

Bem! Vamos falar um pouco sobre o livro e tirar as últimas dúvidas. Ele será publicado pela plataforma AGbook/Clube de Autores. Pra quem não conhece, trata-se de uma plataforma de autopublicação. Nestes sites, pode-se encontrar de tudo, de livros de ciência esmerados a obras picaretas de esoterismo. Mas devo dizer que já adquiri uma cópia teste do livro com eles e a qualidade da impressão é muito boa.

Durante o tempo em que estive escrevendo o Astrofotografia Prática, certamente o maior problema que enfrentei foi o custo de impressão. Por se tratar de uma obra de nicho, de tiragem pequena, sempre existiu o fantasma de que o livro poderia ficar caro demais para imprimir. Certamente seria bem mais barato se fosse impresso numa grande tiragem, com o apoio de uma grande editora, mas como no momento eu estou meio que publicando por conta, a melhor solução de longe é o sistema da AGbook/Clube de Autores. Nestes sites, cada vez que alguém compra um livro, ele é impresso e enviado para o comprador.  Quanto maior o livro, mas cara é a impressão. Ser colorido também encarece a produção. Na verdade, é de longe o fator que mais encarece a impressão, mas não consigo imaginar meu livro em preto e branco. Como falaria de balanço de cores, saturação, composições e Hubble Palette em preto e branco?
Para tornar a obra mais barata, fiz o layout com o texto em duas colunas, o que reduziu o volume do livro de quase 300 para 230 páginas, sem qualquer redução do conteúdo ou do conforto da leitura e até dando um aspecto mais bonito à diagramação. Vale lembrar que é um livro grande, impresso em A4. Se estivesse impresso em A5, com uma coluna e fonte 12, teria umas quinhentas páginas. Para quem não quer pagar mais caro e nem carregar peso, será publicado um E-book. O Ebook é legal, mas tenho que dizer: a versão impressa ficou tão bonita que acho que vale a pena, sem contar que a leitura foi planejada para ser feita num livro impresso. Não sei como a leitura vai ficar num Ebook. 

O livro Astrofotografia prática custará 150 reais na versão impressa e pouco menos de 40 na versão Ebook, que ainda não decidi se será epub ou PDF. 176 Imagens ilustram a obra, que engloba os três grandes campos da Astrofotografia, aquisição de equipamentos, captura (ou captação) e processamento de imagens. Há um extenso glossário no final, com todos os termos técnicos mais relevantes e será disponibilizado um link onde os leitores poderão trabalhar com os arquivos utilizados nos tutoriais e fazer o download dos softwares e plug-ins gratuitos mencionados. O prefácio foi escrito pela lenda da astrofotografia brasileira, José Carlos Diniz. E as primeiras vinte páginas serão disponibilizadas para leitura nos sites de publicação, para quem quiser examinar a escrita antes de adquirir a obra.

Algo que me deixou um pouco triste é que muitas pessoas estão me pedindo um cópia autografada, mas o problema é que, como o livro será impresso e enviado sem passar por mim, não teremos esta possibilidade no momento da venda, mas eu me comprometo a assinar qualquer exemplar, com dedicatória, de qualquer um que puder se encontrar comigo.

É isso aí pessoal. Eu estou numa baita ansiedade aqui e não vejo a hora de ver esse livro publicado. Será que vão gostar? Vão criticar muito? Encontrar erros? Nem gosto quando as pessoas me lembram como foi longo o tempo em que estive escrevendo a obra, mas apesar de todas as dificuldades, do pouco tempo disponível e da dimensão do projeto, sempre segui em frente. E parece que finalmente estou chegando lá.

Obrigado a todos que estiveram me apoiando neste período.

quarta-feira, 15 de março de 2017

A Libração Lunar: A face de nosso satélite não é tão parada como parece.

A Cratera Humboldt, registrada em dois momentos diferentes, mostrando como a Libração Lunar causa mudanças nos aspectos das formações Lunares vistas da Terra. Imagem feita com telescópio refletor de 200mm F4.5, extensor focal 5x e câmera Expanse Monocromática.



Talvez uma das coisas que mais chateie quem quer observar ou fotografar a Lua é o fato de que ela está sempre com a mesma face virada para a Terra. Ao contrário dos planetas, que apresentam rotação visível, principalmente Júpiter e Marte, a Lua está sempre com o mesmo lado virado para nós. Isso faz com que o outro lado permaneça oculto para observadores da Terra. As primeiras imagens do lado da Lua oposto à Terra, chamado de Lado Oculto da Lua, só foram feitas quando a sonda soviética Luna 3 sobrevoou nosso satélite natural, em 1959.

Então, como está presa a Terra, com a mesma face sempre voltada para nós, as formações lunares nunca se alteram? Não é bem assim. Na verdade a Lua não chega a estar totalmente presa à Terra. A Face virada para nós não é totalmente estática. Nosso satélite faz um bamboleio, que nos permite ver um pouco do que está na face oculta. Os efeitos deste movimento são percebidos principalmente em objetos próximos à borda do círculo lunar, chamado de limbo. Crateras mudam de forma, montanhas aparecem e desaparecem, proporcionando um espetáculo para astrônomos e astrofotógrafos mais atentos.

Curiosamente, os efeitos causados pela libração lunar são mais visíveis durante a Lua Cheia, período que a maioria não considera propício para fotografia lunar, já que não temos o contraste causado pela diferença entre o lado iluminado pelo Sol e o lado escuro da Lua. Mas na Lua cheia, se observarmos as bordas da Lua, vamos encontrar as crateras próximas ao limbo apresentando grande contraste, tornando-se um período propício para registros como o que vemos no alto deste post.

Esta gif, retirada da Wikipedia mostra como a Libração altera a posição da face iluminada da Lua em relação a Terra durante o período de um mês.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Eclipse solar parcial em Brasília. Eu não passei em branco!

Eclipse parcial do Sol, em 26 de fevereiro de 2017, registrado com câmera Canon T2i e Lente Canon 200mm F2.8 L II USM.

Foi difícil. Parecia que ia ficar só na vontade. Mas nos últimos instantes, quando a lua já ia se retirando da frente do disco solar, percebi a claridade entrando pela janela do meu apartamento e corri para a varanda.

Eu acordei mais ou menos nove e meia da manhã. Estava até considerando a possibilidade de montar o telescópio na varanda do apartamento, mas de cara percebo que está um pouco escuro. Vou até a varanda e um leve chuvisco caia sobre Brasília. O céu estava completamente tampado. Deu até vontade de voltar pra cama, mas como eu tinha dormido razoavelmente cedo na noite anterior (para os meus padrões), já estava sem sono.

Quando já tinha até colocado o almoço pra esquentar, percebo que, do lado de fora do apartamento, estava mais claro. O céu ainda estava muito tampado, mas raios de Sol estavam atingindo o vidro das janelas. Corro para a varanda e tento fotografar o eclipse.

De cara, a primeira dificuldade, o Sol estava exatamente no zênite e o tripé de máquina fotográfica não conseguia apontar exatamente pra cima. Não dava tempo de pegar a montagem do telescópio. Bem, o Sol brilha muito, então daria para fotografar com a câmera na mão mesmo. É o que fiz. Só que a claridade do Sol é tão forte que não dava pra ver o que o LCD da câmera mostrava. Eu tinha que fotografar olhando o visor da câmera.

Foram cerca de vinte tentativas, num espaço de cinco minutos. Algumas imagens ficaram fora de foco, outras escuras ou claras demais, mas na insistência consegui um registro muito bom para uma lente de 200mm, que vocês veem no alto do post.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Nebulosa da Roseta em três visões


Como eu já disse um milhão de vezes, esta época do ano é sempre complicada para astrofotografia, devido às chuvas. Mas às vezes o céu abre, ou pelo menos finge que abre, e mesmo com nuvens ralas sobre meu apartamento, em Brasília, ou na chácara onde meus pais moram, em Uberlândia, consigo fazer algumas imagens interessantes.

Quem me acompanha há mais tempo, sabe que eu adoro combinar imagens de câmeras diferentes, principalmente cores com luminance. Faço isso desde que descobri o Software Fitswork e seus inúmeros recursos. 

Em dezembro fiz uma interessante captura da Nebulosa da Roseta, quando estive na chácara para as festas de fim de ano. Foram 64 frames de 40 segundos de exposição. O tempo limitado por frame foi devido a eu estar usando o Ioptron Skytracker e ter esquecido de levar a buscadora polar. Se tivesse levado, talvez conseguisse pelo menos um minuto por frame, com a lente Canon Ef 200mm F/2.8l Ii Usm, usada na captura. A câmera foi a boa Canon T2i modificada, velha de guerra.


Nebulosa da Roseta, capturada no último dia de 2016, na chácara onde moram meus pais. com lente de 200mm Canon USMII EF 2.8, Canon T2i e montagem Ioptron Skytracker.

Ao voltar pra Brasília, tive a chance de, da varanda de meu apartamento, capturar 28 frames de 5 minutos com o filtro H-alpha, na câmera Atik 314L+. Para isso, usei a mesma lente de 200mm e a montagem HEQ5 da Sky-Watcher, que me permitiram frames mais longos. O resultado desta combinação você vê abaixo. Repare que o campo está limitado pelo sensor da Atik, bem menor do que o da Canon. Nesta imagem, o H-alpha faz o papel de Luminance e a captura da Canon dá somente as cores ao registro.


Nebulosa da Roseta, com adição de H-alpha capturado com a Atik 314L+ e a mesma lente de 200mm.



Mas eu também tinha um registro em Hubble Palette de 2015, feito com a já vendida lente 200mm FD. Esse registro, em alguns aspectos é até superior ao atual, onde eu errei no foco do H-alpha, mas naquela captura eu não fiz flat frames, o que prejudicou o resultado final, principalmente o céu de fundo, que ficou repleto de manchas, me forçando a escurecer demais o fundo. Nesta nova captura, o fundo está muito mais uniforme. Neste caso, a imagem de 2015 serviu não apenas para dar cores, mas também para melhorar a definição do núcleo da Nebulosa, com o recurso de Mosaico do Fitswork.




As chuvas devem continuar em Brasília e deve demorar um pouco para pararem, mas eu nem estou com pressa. Com a represa que alimenta meu bairro secando, prefiro ficam uns tempos sem fotografar do que ficar sem água, ou que pelo menos chova muito no meio de semana e o céu abra sábado à noite, o melhor dia para fotografar, quando não preciso dormir e nem acordar cedo.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Grandes Expectativas para 2017

2017 está começando. Como sempre, nesta época do ano, as chuvas dominam a paisagem. Eu também não ando tão ativo como gostaria. Perto dos quarenta anos de idade, com uma filha para dar atenção, um complexo livro para terminar, e o emprego que me sustenta exigindo cada vez mais, muitas vezes não encontro tempo ou energia que gostaria para astrofotografar. Apesar disso, este ano é de grandes expectativas para mim no ramo da astrofotografia. São muitos os projetos que tenho em mente.

Veja abaixo, o que espero para o ano de 2017.

1 - Finalmente publicar o livro de Astrofotografia: para alguns pode até parecer que este projeto esfriou, mas a boa notícia é que isso nunca aconteceu. O que realmente acontece é que o processo de revisão foi muito mais denso e difícil do que eu esperava. Após finalizar a primeira versão do livro, encontrei uma série de problemas de coerência, erros de digitação e trechos que não ficaram bem escritos. Além disso, muitas vezes, quando se corrige um erro, aparecem outros, principalmente de digitação. O livro foi revisado três vezes, mas agora finalmente estou com uma cópia impressa, corrigindo erros bastante pontuais e vejo que todo o trabalho está começando a valer a pena. Percebo que ler o texto que escrevi é uma tarefa agradável, o que me deixa feliz. Tenho praticamente certeza de que, este ano, finalmente publicarei o livro.

2 - Ver o eclipse solar total nos Estados Unidos: depois do livro, este é o projeto que mais me empolga. Finalmente vou ter a oportunidade de ver um eclipse solar total, ver o céu ficar escuro no meio do dia, ver a coroa solar. Isso será em agosto e estarei acompanhando o pessoal do CASB no dia do evento. Acredito que vai ser uma experiência incrível, mas também tensa. Eu não tenho nenhuma experiência em fotografar eclipses solares e terei pouco mais de dois minutos para fazer imagens. Por isso preciso estudar e me preparar muito até lá.

Chamado de "The Great American Eclipse", o eclipse solar de agosto de 2017 vai cruzar o território dos Estados Unidos da Costa Oeste à Leste.


3 - Fazer muitas fotos planetária: A fotografia planetária tornou-se muito mais interessante para mim depois que adquiri um refletor de 8 polegadas e uma câmera Expanse Mono. Dizem por aí que estas câmeras  Expanse têm apresentado problemas, simplesmente parando de funcionar. Bem, enquanto a minha estiver funcionando, quero tirar o máximo dela e se ela parar, com certeza vou adquirir outra. Fotografia planetária, principalmente de Júpiter, é apaixonante demais para parar.

Filtro Baader UV-IR Cut. Ano passado, usei um similar, emprestado por um amigo, que rendeu ótimas imagens.


Recentemente, um amigo trouxe para mim um filtro IR-UV Cut da Baader comprado em um site na Inglaterra. Vale dizer, custou 230 reais lá, que não é considerado um país barato, enquanto o mesmo filtro está sendo vendido por 850 reais no Mercado Livre, aqui no Brasil. Esse é o custo de viver em nosso país.

Com este filtro IR-UV, espero fazer imagens bastante interessantes de Júpiter, mesmo com um telescópio razoavelmente pequeno para este tipo de fotografia, onde os grandes papas usam telescópios de 12 a 16 polegadas.

4 - Tirar o máximo da minha lente de 200mm: A minha maior (e melhor) aquisição astrofotográfica ano passado foi a lente de 200mm F2.8 da Canon, considerada por muitos como uma joia da astrofotografia. Mas sinto que não tirei todo o potencial desta lente. Acredito que o maior problema é que a estou usando com o Ioptron Skytracker, que, se quebra o galho quando comparado a uma EQ1 ou EQ2, está longe de se comparar à HEQ5 com Go-To. Nos próximos encontros do CASB, pretendo usar a lente na HEQ5 e conseguir tempos de exposição maiores, tirando o máximo que esta lente pode me dar.

Imagem das Nebulosas Barnard 33 e M42, feita na chácara, com a lente de 200mm. Foram 133 frames de apenas 40 segundos de exposição, no Ioptron Skytracker. Imagino se fosse frames de 5 minutos. Veja a imagem em tamanho grande.


5 - Adquirir um novo Notebook: um outro objetivo nos Estados Unidos é adquirir um notebook melhor. Ano passado, resolvi me desfazer do Desktop que possuía. O aparelho, que tinha 4 anos, começou a apresentar alguns problemas, ocupava espaço demais e exigia manutenção constante. Decidi que já estava na hora de abandonar este tipo de equipamento. Infelizmente, isto causou impacto na minha produção astrofotográfica. Perdi poder de processamento e acho que a falta já está impactando muitas imagens. Com muita demora para aplicar filtros e outros comandos, além de constante travamentos, tenho diminuído o trabalho no processamento das imagens, o que me deixa triste. Numa viagem ao exterior, a compra de um bom notebook pode fazer compensar todo o investimento da viagem.

É isso aí pessoal, espero trazer boas imagens e notícias para vocês em 2017. O EBA vai ser mais curto, já que, ao contrário dos anos anteriores, eu não vou estar de férias no evento, mas a varanda do apartamento deve seguir firme e forte. Quanto ao livro, eu não sei muito o que fazer com ele depois de finalizado. Estou aberto a sugestões. Já recebi algumas, mas toda informação é válida.

Um grande abraço a todos e que 2017 nos traga bons céus.