Mostrando postagens com marcador Canon EOS 550d/T2i modificada. Mostrar todas as postagens
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domingo, 26 de fevereiro de 2017

Eclipse solar parcial em Brasília. Eu não passei em branco!

Eclipse parcial do Sol, em 26 de fevereiro de 2017, registrado com câmera Canon T2i e Lente Canon 200mm F2.8 L II USM.

Foi difícil. Parecia que ia ficar só na vontade. Mas nos últimos instantes, quando a lua já ia se retirando da frente do disco solar, percebi a claridade entrando pela janela do meu apartamento e corri para a varanda.

Eu acordei mais ou menos nove e meia da manhã. Estava até considerando a possibilidade de montar o telescópio na varanda do apartamento, mas de cara percebo que está um pouco escuro. Vou até a varanda e um leve chuvisco caia sobre Brasília. O céu estava completamente tampado. Deu até vontade de voltar pra cama, mas como eu tinha dormido razoavelmente cedo na noite anterior (para os meus padrões), já estava sem sono.

Quando já tinha até colocado o almoço pra esquentar, percebo que, do lado de fora do apartamento, estava mais claro. O céu ainda estava muito tampado, mas raios de Sol estavam atingindo o vidro das janelas. Corro para a varanda e tento fotografar o eclipse.

De cara, a primeira dificuldade, o Sol estava exatamente no zênite e o tripé de máquina fotográfica não conseguia apontar exatamente pra cima. Não dava tempo de pegar a montagem do telescópio. Bem, o Sol brilha muito, então daria para fotografar com a câmera na mão mesmo. É o que fiz. Só que a claridade do Sol é tão forte que não dava pra ver o que o LCD da câmera mostrava. Eu tinha que fotografar olhando o visor da câmera.

Foram cerca de vinte tentativas, num espaço de cinco minutos. Algumas imagens ficaram fora de foco, outras escuras ou claras demais, mas na insistência consegui um registro muito bom para uma lente de 200mm, que vocês veem no alto do post.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Nebulosa da Roseta em três visões


Como eu já disse um milhão de vezes, esta época do ano é sempre complicada para astrofotografia, devido às chuvas. Mas às vezes o céu abre, ou pelo menos finge que abre, e mesmo com nuvens ralas sobre meu apartamento, em Brasília, ou na chácara onde meus pais moram, em Uberlândia, consigo fazer algumas imagens interessantes.

Quem me acompanha há mais tempo, sabe que eu adoro combinar imagens de câmeras diferentes, principalmente cores com luminance. Faço isso desde que descobri o Software Fitswork e seus inúmeros recursos. 

Em dezembro fiz uma interessante captura da Nebulosa da Roseta, quando estive na chácara para as festas de fim de ano. Foram 64 frames de 40 segundos de exposição. O tempo limitado por frame foi devido a eu estar usando o Ioptron Skytracker e ter esquecido de levar a buscadora polar. Se tivesse levado, talvez conseguisse pelo menos um minuto por frame, com a lente Canon Ef 200mm F/2.8l Ii Usm, usada na captura. A câmera foi a boa Canon T2i modificada, velha de guerra.


Nebulosa da Roseta, capturada no último dia de 2016, na chácara onde moram meus pais. com lente de 200mm Canon USMII EF 2.8, Canon T2i e montagem Ioptron Skytracker.

Ao voltar pra Brasília, tive a chance de, da varanda de meu apartamento, capturar 28 frames de 5 minutos com o filtro H-alpha, na câmera Atik 314L+. Para isso, usei a mesma lente de 200mm e a montagem HEQ5 da Sky-Watcher, que me permitiram frames mais longos. O resultado desta combinação você vê abaixo. Repare que o campo está limitado pelo sensor da Atik, bem menor do que o da Canon. Nesta imagem, o H-alpha faz o papel de Luminance e a captura da Canon dá somente as cores ao registro.


Nebulosa da Roseta, com adição de H-alpha capturado com a Atik 314L+ e a mesma lente de 200mm.



Mas eu também tinha um registro em Hubble Palette de 2015, feito com a já vendida lente 200mm FD. Esse registro, em alguns aspectos é até superior ao atual, onde eu errei no foco do H-alpha, mas naquela captura eu não fiz flat frames, o que prejudicou o resultado final, principalmente o céu de fundo, que ficou repleto de manchas, me forçando a escurecer demais o fundo. Nesta nova captura, o fundo está muito mais uniforme. Neste caso, a imagem de 2015 serviu não apenas para dar cores, mas também para melhorar a definição do núcleo da Nebulosa, com o recurso de Mosaico do Fitswork.




As chuvas devem continuar em Brasília e deve demorar um pouco para pararem, mas eu nem estou com pressa. Com a represa que alimenta meu bairro secando, prefiro ficam uns tempos sem fotografar do que ficar sem água, ou que pelo menos chova muito no meio de semana e o céu abra sábado à noite, o melhor dia para fotografar, quando não preciso dormir e nem acordar cedo.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Nuvem Estelar M24 e IC1284

M24 e IC 1284: Câmera: Canon T2i modificada Lente: Canon EF F2.8 L USMII @F4 Montagem: Ioptron Skytracker 57x60 segundos ISO 800


Mais uma imagem feita com a lente Canon 200mm F2.8 da Canon. Trata-se M24, também chamado de Nuvem Estelar de Sagitário. Na verdade trata-se de um pedaço da Via Láctea, cujo brilho mais intenso, fez com que Charles Messier a incluísse em seu catálogo de objetos, em 1974. O objeto em si é a nuvem mais clara que vemos do lado esquerdo do objeto. À direita dela vemos uma das formações que acho das mais interessantes na Via Láctea, uma nuvem de poeira que apresenta a forma de um triângulo reto. Algo bastante inusitado.

A pequena nuvem vermelha dentro do triângulo reto é a pálida nebulosa IC1284. Tanto M24 como o triângulo são visíveis a olho nu, em locais bens escuros, e ótimos alvos com binóculos. Já o vermelho de IC1284 é visível somente em fotos. Imagem feita durante o Nono Encontro Brasileiro de Astrofotografia, em julho, em Padre Bernardo.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Altair, Tarazed e a Nebulosa "E"

 
 
Deixo hoje uma composição muito interessante feita durante o Nono encontro de Astrofotografia. A grande estrela azul à direita na imagem é Altair. Trata-se de décima segunda estrela mais brilhante do céu noturno e a mais brilhante da Constelação de Aquila. Destaca-se principalmente no inverno Brasileiro, como uma das primeiras estrelas do Norte Celeste. É uma estrela oito vezes mais brilhante do que o Sol e esta localizada a somente 16 anos luz de distância. Para os padrões astronômicos, é literalmente uma de nossas vizinhas da Via Láctea. Um vizinha das mais novas, po...is tem cerca de um bilhão de anos, quase cinco vezes menos que o Sol.
 
Já Tarazed, a estrela vermelha no centro da imagem, é na verdade uma estrela dupla que, apesar de ser muito mais brilhante do que Altair, está a uma distância quase trinta vezes maior.
As duas nebulosas escuras na parte direita da imagem são os objetos Barnard 142 e Barnard 143. As duas Nebulosas também são chamadas de Nebulosa E. Se você prestar atenção vai ver que elas formam o desenho da letra "E" maiúscula (de trás pra frente).
 
Esta imagem foi capturada com 34 frames de um minuto (bastante curta para os padrões atuais), com Lente de 200mm F2.8 Canon EF USMII em F4, Canon T2i e Montagem Ioptron Skytracker, durante o Nono Encontro Brasileiro de Astrofotografia, em Padre Bernando - Goias.
 
Se estiver vendo num bom monitor, não deixe de ver na resolução máxima: http://www.astrobin.com/full/256095/0/?real&mod

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Nebulosa Eta Carinae - Em Hubble Palette



Acabei de voltar do Nono Encontro Brasileiro de Astrofotografia, que ao contrário do ano passado, teve excelentes noites de céu limpo. Estou bastante feliz com o resultado e tenho muito material para brincar nas próximas semanas.

Deixo aqui uma das primeiras imagens que processei, da Nebulosa Eta Carinae, numa composição de cores falsa, mas belíssima, chamada Hubble Palette.

Considero um de meus melhores registros do encontro, na verdade um dos meus melhores entre todos o que fiz. Esse foi resultado de uma filosofia bastante diferente da do EBA passado. Em vez de tentar usar um telescópio de grande resolução, na busca de resultados superiores, mas que me deu muita dor de cabeça, optei por deixar o refletor de 200mm em casa e colocar sobre a montagem HEQ5 um refrator de 100mm, muito mais leve e agradável de trabalhar.

Outro pensamento que deu muito resultado, foi que, em vez de tentar fazer composições RGB, partindo do princípio de que deveria aproveitar o céu sem poluição luminosa, optei para me concentrar durante o EBA naquilo que sei fazer muito bem, que são composições em Hubble Palette.

Deixo também um registro do cometa Pansstars 2013 X1, que acompanhou todo o evento. Este foi feito com lente de 200mm e DSLR Canon T3i. Reparem como o cometa estava passando próximo a nebulosa NGC 6188.


quarta-feira, 27 de abril de 2016

Fotografando com DSLR sob a poluição luminosa

Quatro anos atrás, mudei para o Águas Claras, bairro (ou cidade satélite, como chamam por aqui) densamente povoado de Brasília, marcado pela presença de centenas de arranha-céus. Parecia que no novo apartamento eu estaria limitado à fotografia de planetas, do Sol e da Lua. Mas a aquisição de filtros de banda estreita e uma CCD monocromática logo mostraram que inúmeros objetos de céu profundo, em especial as Nebulosas de Emissão, estariam a meu alcance. Tanto que acabei vendendo meu telescópio solar com filtro H-alpha, devido à falta de tempo para este tipo de astrofotografia.
 
Mas o que acontece quando trocamos os filtros de banda estreita por um Orion SkyGlow, comprado quase vinte anos atrás, nos primórdios da minha vida de astrônomo amador, e a CCD por uma DSLR modificada para astronomia? Bem, obviamente não podemos esperar os mesmos resultados espetaculares que se conseguiria com este equipamento no céu de uma fazenda em Alto Paraíso, ainda assim, as brincadeiras dos últimos fins de semana, quando o céu abriu em Brasília, mostram que é possível fazer mais do que geralmente se espera.

Eu quis fotografar com DSLR, principalmente devido ao belo triângulo que podemos ver na constelação de Escorpião, com Marte, já bem brilhante, bastante próximo de Saturno e da Estrela Antares. Como meu objetivo era somente pegar estes três objetos mais brilhantes, coloquei a lente de 50mm na DSLR sobre o Ioptron Skytracker, para uma imagem de grande campo. Fiz frames com 60 segundos de exposição e ISO800, com a lente fechada em F4. O resultado você vê abaixo, com Marte destacado no centro da imagem, Saturno à direita e Antares no alto. Nestes light frames, nenhum detalhe mais evidente da Via Láctea aparece na composição.

Os frames individuais dão a impressão de que só as estrelas mais brilhantes aparecerão na imagem final.


Ainda assim, continuei fotografando. Fiz 81 frames da mesma imagem, mais duas dezenas de dark frames e joguei no Deep Sky Stacker. O resultado, pra mim, foi uma grande surpresa. Abaixo vemos a imagem após ser integrada no DSS e receber os ajustes no próprio software, na tela pós-processamento. A imagem foi girada 180 graus, para um enquadramento mais convencional. 


Após integração de 81 frames no Deep Sky Stacker, a região de Rho-Ophiuchi torna-se visível.

Nesta nova imagem, já podemos ver enorme evolução em relação a somente um frame. Percebemos como o empilhamento nos permite ver detalhes da região de Rho-ophiuchi. A foto mostra o poder da técnica de integração e o benefício que os desenvolvedores destes softwares promovem à astrofotografia. Para finalizar, fiz alguns ajustes na imagem no Fitswork e no Adobe PhotoShop. O resultado, você vê na próxima imagem:

Ajustes de cores e contraste tornam a imagem mais viva.

O resultado final, mesmo que muito abaixo do que eu conseguiria num céu escuro, me surpreendeu pelas condições de captura e pelo próprio light frame inicial.

É importante mencionar que eu não fiz flatframes. Tenho usado este recurso mais quando estou fotografando com CCDs, pois manchas no sensor quase não aparecem na DSLR e acho que a vinhetagem e o gradiente tem sido muito bem removida pelos comandos "normalizar nebulosas automaticamente" e "remover gradiente automaticamente", do software Fitswork, na barra de títulos, em "Ajustes - Harmonização". Esses comandos apresentam excelentes resultados, bastando um clique na opção.

Numa outra noite, também aproveitei para fazer a primeira imagem de céu profundo com a lente Canon 200mm F2.8 EF USMII, adquirida recentemente. Originalmente, a ideia era estrear a lente somente nos primeiros encontros do CASB, em fazendas próximas a Brasília, mas eu simplesmente não aguentei esperar. Apontei para a área mais óbvia do céu nesta época do ano, com a Nebulosa da Lagoa (M8) e da Trífida (M20) e fiz 65 frames de 30 segundos em ISO 1600, com esta lente também em F4. Foram pouco mais de meia hora de tempo total de exposição, mas um resultado que me deixou muito feliz e cheio de expectativas para os encontros do CASB, a partir de junho.

Imagem feita com lente de Canon 200mm EF USM 2.8




terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Grande Nuvem de Magalhães - Aprimorando a Técnica de Fotografia em Tripé Fixo

A Grande Nuvem de Magalhães - 90 frames de 8 segundos em ISO 6400. Lente de 50mm - Canon T2i modificada e tripé fixo.

A fotografia em Tripé fixo é uma das técnicas mais interessantes para quem está começando na Astrofotografia. É de longe a forma mais simples, barata e portátil de se fotografar o céu. Para praticá-la basta uma câmera DSLR e um tripé de maquina fotográfica comum. É uma solução para quem tem pouco dinheiro em caixa e sabe que se tentar comprar câmera, telescópio e montagem neste momento, vai ficar endividado ou terá que sacrificar a qualidade dos equipamentos, optando por modelos mais baratos. E isso é Algo que quase sempre acaba em arrependimento.

Com cerca de mil e quinhentos reais numa câmera, quinhentos numa lente de 50mm F1.8 e mais uns quinhentos num tripé fotográfico de qualidade e um céu com pouco poluição luminosa você já está apto a produzir imagens como a que vemos acima, da Grande Nuvem de Magalhães, satélite da Via Láctea, a nossa galáxia.

A imagem acima foi produzida ano passado, numa rápida viagem a uma chácara, em Uberlândia. Com o uso de tripé fixo, temos enormes limitações de tempo de exposição por frame, antes que as estrelas produzam rastros, por isso os lightframes usados para a imagem acima tinham apenas 8 segundos de exposição cada. A Grande Nuvem de Magalhães ainda nos ajuda por estar mais próximo do polo. caso estivesse próximo do Zoodiaco, não teríamos mais do que cinco segundos de exposição por frame sem que as estrelas produzissem rastros.

Para compensar o baixo tempo de exposição por frame, temos que apelar para outros recursos: O principal é aumentar o ISO. Os frames desta imagem foram produzidos com ISO 6400, bastante elevado, admito. Para compensar o ruído que um ISO tão elevado produz, temos que fazer muitos e muitos frames. Quanto mais light frames você integrar, melhor o resultado final de sua imagem. Mas vale a pena. Uma frame de 8 segundos em ISO 6400 tem a claridade de uma frame de um minuto em ISO 800.

Outra opção foi abrir mais o diafragma da lente, o problema é que a degradação e as aberrações causadas por uma lente muito aberta não podem ser resolvidas com a aquisição de mais frames. A lente de 50mm, é extremamente ruim para astrofotografia em sua abertura máxima (F1.8), enquanto que em F4.0 a imagem fica quase perfeita. Quando eu tenho a disposição um bom acompanhamento, que me permita frames de até 4 minutos, eu fotografo com o diafragma em F4.0, mas sem acompanhamento eu abro a lente até o limite de uma imagem aceitável. Geralmente deixo a lente de 50mm aberta entre F3.2 e F2.8. Nessa configuração, durante o processamento é necessário um filtro de correção de distorção de lente, diminuindo o coma da imagem. Este processo gera uma pequena perda de campo, mas vale a pena. Uma lente em F2.8 é cerca de duas vezes mais rápida do que uma lente em F4.0.

O resultado é que um frame de 8 segundos em ISO 6400 com a lente em F2.8 equivale a frames de 2 minutos em ISO 800 e com a lente em F4. Sim, com muito mais ruído é claro, mas se nesses dois minutos você faz 16 frames em ISO 6400 e os integra, o resultado é uma imagem com quase, ou até mesmo menos ruído do que um frame único em ISO 800.



Detalhe da imagem do início do post.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Complexo Nebular - Rho Ophiuchi


Imagem registrada com Câmera DSLR Canon T2i modificada e Lente de 135mm F2 durante o Sexto Encontro Brasileiro de Astrofotografia.


A Região de Rho Ophiuchi é uma das mais belas de nossa galáxia. Ali é possível encontrar quase de tudo, aglomerados globulares, estrelas múltiplas, nebulosas escuras, de reflexão e também de emissão. É um dos lugares do céu que mais atraem astrofotógrafos, sejam iniciantes ou experientes.

Localizada bem no "coração" da Constelação de Escorpião, visível principalmente no inverno brasileiro, Rho Ophiuchi tem alguns alvos interessantes para serem registrados com telescópio. O mais destacado é o aglomerado globular M4. Mas é a fotografia com lentes que mostra toda o beleza da região e a forma como as Nebulosas interagem umas com as outras. Um registro com lente de 50mm, como o do fim deste post mostra ainda como a região interage com a própria Via Láctea. As nuvens de poeira fazem uma ponte entre a nossa Galáxia e o Complexo. Seria Rho Ophiuchi uma galáxia menor que está sendo absorvida pela nossa? Eu não sou especialista nesta área e não consegui achar nada na internet sobre isso, então não sei a resposta. Esteja livre para responder nos comentários.

Quando fazemos o primeiro frame da região, o que aparece pode desanimar um pouco o astrofotógrafo iniciante, dando a impressão que não conseguiremos captar todos os detalhes do complexo. É preciso fazer muitos frames e depois mandar ver no processamento, no realce das cores e no contraste, por isso há uma grande variedade na qualidade das imagens que são encontradas na internet, mesmo quando registradas com o mesmo equipamento, pois aqui a mão do astrofotógrafo influi muito no resultado final.

Imagem de um único frame sem qualquer tratamento. O que aparece não é bem o que esperamos quando começamos a registrar. O trabalho de processamento é longo até a região ficar como estamos acostumados a ver em fotos na internet.

Uma câmera modificada não é obrigatória para o registro de Rho Ophiuchi, já que as nebulosas de emissão, que necessitam desta modificação, não são a única coisa interessante para se registrar. Sempre exigido é que a câmera seja boa, no mínimo uma DSLR. O céu também tem que ser bem escuro, sem poluição luminosa. Quanto mais escuro melhor, senão o trabalho para tirar a luz parasita vai deixar suas "cicatrizes" na imagem. Como em qualquer astrofoto de céu profundo, quanto mais tempo de exposição menos ruído e mais você poderá realçar o contraste. Recomendo no mínimo uma hora e meia de exposição total, com frames de 2 a 3 minutos no mínimo (em ISO 800 ou 1600). Com frames de 5 minutos a situação melhora ainda mais, mas preste atenção se não está estourando nada. Não é uma região ideal para fotografia com banda estreita, devido as nebulosas de emissão serem muito pálidas em relação ao resto do complexo. Talvez com maiores aumentos valha a pena explorar a nebulosidade em volta da região de Al Nyiat, que é interessante e bem pouco explorada.

Aqui foi utilizada uma lente de 50mm, com a mesma câmera. É possível ver as nuvens de poeira agarradas pela Via Láctea.

Esta imagem feita com telescópio refletor de 200mm Orion UK VX8 e CCD monocromática Atik 314L+, mostra interessantes formações de Hidrogênio Alpha em torno da estrela Al Niyat


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

O Cometa Lovejoy


O Cometa C/2014 Q2 Lovejoy está indo embora. É uma pena, mas eu tenho que dizer: desde que comecei na Astrofotografia, no começo de 2011, este foi disparado o cometa mais marcante. Eu o vi brilhar como um farol com binóculos e também observei o seu pontual núcleo com telescópios refletores grandes, uma experiência de que não vou esquecer tão cedo. Se você perdeu a oportunidade, eu lamento, mas não fique triste, o C/2014 Q1 Pan-STARRS vem aí e promete brilhar no meio do ano tanto quanto o Lovejoy brilhou agora. Vamos torcer para as previsões estarem certas.

O mais importante, para este Blog, é que dessa vez, finalmente consegui fazer um trabalho razoável de captura de um cometa. Não foi nada perfeito. Quando o céu esteve limpo, eu estive sem o equipamento adequado ou em áreas com grande poluição luminosa. Quando eu estive com o equipamento certo, numa área sem poluição luminosa, o céu nublou.

É assim mesmo. Minhas fotos ideiais nunca saem tão facilmente, são frutos de várias tentativas, tentando entender os objetos, suas particularidades e lutando contra má sorte e falta de atenção até conseguir chegar no resultado que eu almejo.

Mas felizmente consegui algumas imagens do Lovejoy 2014 que valem publicar aqui:

Esta imagem feita com telescópio refrator de 102mm, com 50 frames de 20 segundos em ISO 3200 foi feita de uma fazenda, no dia 16 de janeiro de 2015, com o céu, infelizmente, repleto de nuvens. 

O Registro acima, também com telescópio de 102mm, foi feito a partir da varanda do meu apartamento. É possível ver o enorme contraste entre o brilho do cometa e o da calda, bem mais pálida, quase não aparecendo na imagem. A captura foi feita com 55 frames de 1 minuto em ISO 800. Um céu mais aberto permitiu uma captura mais calma.



 
O vídeo acima foi feito a partir dos frames usados para compor a imagem anterior

Esta imagem foi realizada do apartamento de um amigo, bem no centro do Àguas Claras, Brasília.


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Imagens com Tripé Fixo - Cometa C/2014 Q2 Lovejoy e Grande Nuvem de Magalhães

A técnica de astrofotografia de céu profundo em tripé fixo é uma das que acho mais interessantes em Astrofotografia, embora não pratique com tanta frequência. É de longe a forma mais barata e portátil de se fotografar o céu profundo. Para isto basta uma câmera DSLR, um tripé razoável que pode até ser dispensado com criatividade (eu às vezes simplesmente uso livros ou tijolos para posicionar a câmera) e, isso é muito importante, um céu bem escuro, longe da poluição luminosa e sem sinal da Lua em fases brilhantes.

Nas festas de ano novo eu visitei a chácara de meus pais. Sem espaço no carro, levei apenas a câmera, algumas lentes e o tripé fotográfico que me acompanha faz alguns anos, comprado por cerca de 300 reais na feira dos importados, em Brasília. Com alguns dias apresentando céu limpo, matei a vontade de astrofotografar com essa técnica.

A maior limitação quando se fotografa em tripé fixo é o tempo de exposição. Como não há acompanhamento, suas fotos não podem passar de poucos segundos, caso contrário, as estrelas começarão a apresentar rastros. É chato ter essa limitação de tempo, mas ela não impossibilita a fotografia. O milagre acontece através do empilhamento dos frames, no Deep Sky Stacker, ou outro programa de empilhamento. Com muitos frames, o ruído causado por ISOs elevados praticamente desaparece, por isso, para tripé fixo não é necessário ter vergonha de colocar o ISO na casa dos 6400, afinal, em astrofotografia eu aprendi que informação ruim é melhor do que informação nenhuma. Eu aconselho algo em torno de 50 frames para uma imagem com bem pouco ruído.

Ter uma lente rápida também ajuda na captação em tripé fixo. Como uma lente de abertura F2 é quatro vezes mais rápida do que uma F4, fotografar com lentes de boa abertura lhe permite grande vantagem em relação às lentes mais lentas. Boas lentes para tripé fixo, são, por exemplo, a 50mm F1.8, a 135mm F2.0 e a 200mm F2.8, entre outras. De todas elas, a 50mm F1.8 se destaca pelo excelente custo benefício, podendo ser encontrada por valores entre 400 e 500 reais no mercado livre ou feiras do Paraguai.

A 50mm F1.8 foi justamente a lente usada nas imagens abaixo, ainda mais por que vendi a minha 135mm F2.0 faz algum tempo e não estou com dinheiro para comprar a sonhada 200mm F2.8. Com um grande campo devido ao pouco aumento da lente, eu procurei alvos grandes para registrar. A Grande Nuvem de Magalhães, bastante alta no céu nesta época do ano era um objeto adequado, já o cometa C/2014 Q2 Lovejoy, centro das atenções dos astrônomos amadores neste começo de ano, embora pequeno para a lente, era um alvo inevitável.

A imagem da GNM foi feita com 100 frames de 8 segundos, enquanto o Lovejoy foi captado com 50 frames de 5 segundos. Os frames da GNM são maiores, porque o objeto está mais próximo do Pólo Celeste e ali as estrelas correm mais devagar, já o cometa estava bem perto do equador celeste e ali as estrelas correm rápido. Se eu tentasse frames mais longos as estrelas apresentariam rastros.

Abaixo, as duas imagens:

Cometa C/2014 Q2 Lovejoy - fotografado com lente de 50mm em tripé fixo. 50 frames de 5 segundos em ISO 6400, com a lente aberta no máximo (F1.8)

Grande Nuvem de Magalhães, com 100 frames de 8 segundos, com a lente de 50mm em F2.8

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Nebulosa de Véu no EBA - Um pouco sobre a lente de 200mm FD - Parte 1

Nebulosas do Véu do Oeste e do Leste fotografada com Lente de 200mm F2.8 FD, Canon T2i modificada para astronomia e Montagem Celestron CG-5, sem o uso de guiagem


Acho que nem todo mundo aqui sabe, mas eu tenho uma lente de 200mm F2.8 da Canon. Sim é a lente dos sonhos de todo astrofotógrafo. Só que tem um porém, ela não é a moderníssima Canon EF 200mm f/2.8L II USM vendida hoje por quase 800 dólares no exterior e encontrada no Brasil por algo em torno de três mil reais no Mercado Livre ou na feira do Paraguai mais próxima de você. Trata-se de uma lente da época da fotografia com filme. Eu não sei exatamente quantos anos essa lente tem, mas uma coisa posso dizer, ela deve ser mais velha do que a maioria das pessoas que lê este blog.

Então  quer dizer que posso usar qualquer lente antiga da Canon na minha câmera digital, economizando milhares de reais e conseguindo resultados como as das lentes mais caras?

Bem, não é por aí.

Pra quem não sabe, FD é como a Canon chamava o encaixe das suas câmeras até o ano de 1987, quando foi introduzido o encaixe do tipo EF, que trouxe a eletrônica às lentes, embora ainda com o uso de filmes. O problema é que, em relação as modernas câmeras digitais o foco das lentes FD foi parar mais para dentro do sensor e DSLRs da Canon que usam lentes FD não conseguem foco no infinito, o que as inutilizou para astrofotografia.

É claro que os fotógrafos que possuem lentes FD caras não vão deixar isso barato, e trataram de adaptar as lentes às câmeras  digitais. Os chineses não perderam tempo e criaram adaptadores que além de mudar o encaixe das lentes FD para EF, incluíam um pequena *peça óptica adicional com a função de colocar o foco mais para dentro da câmera e atingir o sensor. Seria muito legal se não fosse um detalhe, uma única peça óptica, com somente a função de mudar o foco, certamente cria aberrações na óptica se não tiver outras peças para fazer as devidas correções. Pior ainda (muito pior mesmo!) é que essa peça óptica não é feita pela própria Canon, mas uma companhia chinesa desconhecida. O resultado é que esses adaptadores prejudicam demais a qualidade final das lentes, sendo totalmente desaconselhados por astrofotógrafo.

Mas um belo dia um fotógrafo muito pão duro teve que enterrar um parente e, para economizar uns trocados, comprou o menor caixão possível. Só que o falecido, de um metro e noventa de altura, não estava cabendo no caixão. Foi aí que o fotógrafo teve uma "grande ideia" e disse ao coveiro que serrasse as canelas do cunhado e tirasse uns vinte centímetros de pernas do infeliz. Depois era só cobrir com a calça que ninguém perceberia, já que ele ia ser enterrado deitado mesmo. Durante o  velócio, um ou outro parente soltou algo do tipo "Eu jurava que ele era mais alto", mas no final o plano foi um sucesso.

Logo depois do enterro, o fotógrafo lembrou de sua lentes FD caras que estavam acumulando mofo no armário, pois eram longas demais para o foco no infinito chegar ao sensor. Ele pensou: por que eu não faço o mesmo com minhas lentes!

E foi assim que a minha lente 200mm FD foi adaptada. Ele foi cortada antes de receber o adaptador EF, para diminuir seu comprimento e poder caber no caixão, quer dizer, conseguir atingir foco no infinito com as câmeras digitais. Não fui eu que fiz ou mandei fazer isso com minha lente de 200mm FD, comprei ela no Mercado Livre já modificada. É raro achar lentes FD adaptadas dessa forma, por isso tenha muito cuidado antes de comprar uma lente antiga que você não conhece, principalmente se for da Canon.

Desde a aquisição desta lente de 200mm FD, ela tem sido uma parceira indispensável nas imagens feitas em banda estreita com a CCD. Ela tem uma vantagem muito grande em relação a 200mm EF USM (além de ter custado menos da metade de uma lente nova), a abertura do diafragma pode ser ajustada manualmente, me permitindo ajustar a abertura enquanto fotográfo com a CCD. Inclusive deixando ela mais aberta quando estou localizando e enquadrando o objeto, podendo diminuir o tempo deste processo e fechando um pouco o diafragma quando eu começo a fotografar pra valer, o que melhora a qualidade da imagem. Se ela fosse do tipo EF, eu precisaria colocar a lente na câmera Canon T2i toda vez que quisesse mudar a abertura do diafragma e fazer um processo chato e perigoso de tirar a lente da câmera enquanto uma foto em longa exposição está sendo feita.

A lente FD claramente tem uma óptica inferior a 200mm EF. Ela não tem coma e nem aberração esférica, mas tem aberração cromática de sobra. O resultado disso são estrelas com halos azuis e violetas enormes quando uso a lente com a Câmera colorida, mas como com a CCD geralmente fotografo em banda estreita, essas aberrações desaparecem, já que com filtros de banda estreita, a faixa de luz capturada é muito restrita, não deixando passar a luz que geraria os halos.

O resultado disso é que as fotos que tenho feito com essa lente na CCD tem me dado orgulho, já as que faço com a DSLR podem até me deixar feliz, mas exigem dias de processamento, muitas tentativas e muitos erros até, quem sabe, ficarem boas.

A foto acima, da Nebulosa do Véu inteira, foi particulamente desafiadora, já que é uma região repleta de estrelas, tornando o problema dos halos ainda mais agravante. Apesar deste problema, me impressiona a capacidade da lente de capturar com nitidez os detalhes da nebulosa, a imagem abaixo mostra bem isso.


Crop da imagem anterior com processamento diferente.

 
O resultado do EBA é que a lente de 200mm FD tem um problema sério de aberração cromática, mesmo assim, acho que talvez seja um pouco cedo para me desfazer da lente. Ela tem seus pontos positivos e não sei se a 200mm EF irá mesmo superá-la na fotografia com a CCD. Eu já fiz uns testes e sei que se fechar mais o diafragma da 200mm FD, poderei conseguir estrelas bem mais pontuais. O preço que pagarei por isso é que precisarei de tempos maiores de exposição. A imagem acima foi feita sobre uma montagem sem guiagem, limitando o tempo de exposição a frames de 2 minutos, sendo que o ideal teriam sido frames de pelo menos 5 minutos, ou aumentar o ISO e fazer mais frames, coisas que eu não fiz. Por isso eu ainda espero conseguir bons resultados com esta lente.
 
*por peça óptica adicional entenda-se lente, mas a minha professora de redação dizia que eu não devia ficar repetindo muito as palavras num mesmo parágrafo.

domingo, 10 de agosto de 2014

Sétimo EBA - Andrômeda com a Lente de 200mm FD

A Galáxia de Andrômeda, registrada com 40 frames de 2 minutos.


A Galáxia de Andrômeda, ou M31 é a rainha das galáxias no céu. Nenhuma outra galáxia aparece de forma tão espetacular como ela. Possui um comprimento aparente duas vezes maior do que o diâmetro aparente da Lua, é visível a olho nu da periferia de uma uma cidade média e é uma bela visão até para telescópios pequenos ou mesmo binóculos.

Com tanto brilho e tamanho, conseguir uma boa imagem de andrômeda era para ser algo fácil, mas quem já tentou obter uma grande imagem de M31 sabe que não é bem assim. Num céu com poluição luminosa um bom registro é quase impossível e mesmo num céu escuro, a imagem que aparece depois do empilhamento nada lembra algumas imagens espetaculares que vemos principalmente de alguns astrofotógrafos do norte. Sim, por que além de tudo, aqui no Sul ainda temos o problema de M31 estar baixa no horizonte, aumentando ainda mais o desafio.

A quarta noite do Sétimo encontro de Astronomia foi marcada pela chuva que a antecedeu, durante a tarde, e por um início com o céu totalmente nublado e até ameaçando algo pior. E como a noite anterior tinha sido de produtividade zero pra mim, por causa das nuvens, o resultado disso foi que, às onze horas da noite, eu estava dormindo. Felizmente um colega, que precisava de um acessório emprestado, bateu na porta do meu quarto avisando que o céu havia limpado completamente (e é claro, perguntando pelo acessório).

Uma hora depois, com o setup totalmente montado, era hora de testar pela primeira vez a lente de 200mm FD F2.8 da Canon com a DSLR. Esta lente eu comprei ano passado, no mercado livre. Lentes antigas do tipo FD, fabricadas pela Canon, normalmente não se adaptam às DLSRs modernas, pois o sensor das câmeras digitais da Canon está um pouco mais afastado da lente do que os filmes nas câmeras analógicas. Isso faz com que o foco no infinito esteja mais para dentro do que a lente pode alcançar. Assim o único jeito de se conseguir usar lentes FD para astrofotografia numa câmera digital da Canon é usando um adaptador óptico ou cortando a lente para diminuir seu comprimento.

A Nebulosa da Califórnia recebeu 30 frames de 2 minutos


Um adaptador óptico é um adaptador que permite conectar a lente tipo FD numa câmera com baioneta EF, das lentes modernas, mas que incluí uma lente para puxar o foco um pouco para fora. Existem basicamente dois tipos destes adaptadores. Genéricos, que podem ser encontrados no mercado livre por pouco mais de uma centenas de reais e os da própria Canon, que dizem ser caríssimos. Só os segundos prestam e dizem que são tão caros que só vale a pena se você era dono de uma Teleobjetiva de milhares de dólares para valer a pena o uso. Os adaptadores ópticos genéricos não são recomendados por ninguém, embora eu nunca tenha usado um. afinal, se ninguém recomenda, eu não quis gastar dinheiro com isso.

Mas a lente FD de 200mm F2.8 que encontrei no mercado livre era especial. Além da troca no encaixe de FD para EF, ela teve o tamanho de seu tubo encurtado para que a lente atingisse o foco no infinito numa DSLR, por isso a imagem chega ao sensor sem nenhuma distorção provocada por outra lente.

É claro que, mesmo com a adaptação, de forma alguma significava que essa lente FD seria tão boa quanto a atual Canon EF 200mm f/2.8L II USM que é hoje um dos sonhos de consumo para quase todo astrofotógrafo. A FD tem 7 elementos, contra 9 da EF. além disso as lentes são separadas por décadas de evolução tecnológica. a escolha pela FD foi pela custo (1200 reais contra 2800 da EF) e pelo diafragma ainda ser manual, o que facilitaria demais o uso deste lente com a CCD Atik 314L, já que o adaptador óptico que uso com a Atik não controla o diafragma das lentes atuais da Canon, sendo necessário para fechar o diafragma de uma lente EF, colocar ela na DSLR e retirar a lente com a máquina disparando uma imagem em longa exposição. Algo que a câmera pode não aceitar muito bem.

Canon FD de 200mm. Muito leve e com diafragma manual é perfeita para astrofotografia com CCD em banda estreita, mas para DSLR é necessário fechar um pouco mais o diafragma, exigindo mais tempo de exposição.


Com a Atik 314L e filtros de banda estreita esta lente FD de 200mm sempre se mostrou uma escolha perfeita, não deixando nada a desejar na fotografia em banda estreita. Mas vale lembrar que, para fotografia em banda estreita, não é exigido muito da óptica de uma lente. Já que o filtro deixa passar só uma pequena faixa do espectro. Por isso, mesmo que a lente apresente aberrações cromáticas, causada pela dispersão da luz, ela não vai afetar o resultado final. Já o coma e a aberração esférica podem ser um problema grave, obrigando o astrofotógrafo a fechar o diafragma até que eles desapareçam. Na CCD a lente de 200mm FD fotografa bem com o diafragma fechado em F4, muito bem em F5 e maravilhosamente em F6. Com a DSLR, percebi que é necessário somar 1 para cada um dos valores anteriores.
As imagens que fiz com a FD na DSLR tiveram uma grande complicação durante o EBA. Como este setup foi colocado numa montagem sem autoguiagem, eu não consegui tempos de exposição acima de dois minutos, o que me obrigou a abrir o diafragma mais do que seria o ideal (F4), e mesmo assim não acredito que captei o tempo de exposição necessário para algumas imagens.

O maior problema foram as estrelas, que ficaram com halos violetas em torno delas. Se eu pudesse ter fechado mais o diafragma, eles desapareceriam, mas daí muito pouco dos objetos apareceria.
Os resultados com a lente de 200mm FD ficaram aquém do esperado, tando que após esta noite eu não voltei a utilizá-la com a DSLR, mas acredito que numa montagem com a autoguiagem funcionando, com tempo de exposição de cinco minutos e o diafragma mais fechado, esta lente pode produzir imagens muito interessantes. Por isso não pretendo me desfazer dela até o próximo EBA, ainda mais com os excelentes resultados que ela produziu com a CCD em banda estreita, a melhor imagem que fiz no EBA, que ainda não foi publicada, foi com esse setup.

No oitavo EBA eu devo colocar a 200mm FD na DSLR, mas dessa vez com autoguiagem ao lado, para imagens realmente boas.


quinta-feira, 31 de julho de 2014

Sétimo EBA: A cauda do Escorpião, para ver grande


Região da "Cauda" da Constelação do Escorpião
Alto Paraíso - Goiás - 24 de Julho de 2014
25x300 segundos ISO 800 (Canon T2i Modificada)
Lente: Canon Ef 50mm F/1.8 II
Montagem: CG-5 GT
Empilhamento Deep Sky Stacker 3.3.3 Beta 45
Pós-Processamento - Photo Shop CS4

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Eu sempre digo que a lente de EF 50mm F1.8 II da Canon é com certeza o melhor custo benefício desta marca. Custando cerca de 400 reais numa feira do Paraguai ou no Mercado Livre, essa lente consegue fazer com que DSLRs de entrada produzam imagens que nada deixam a dever às DSLRs profissionais. qualquer outra lente que traga imagens comparáveis a 50mm F1.8 custará algumas vezes, ou mesmo dezenas de vezes o seu preço. Acho até que as câmeras DSLRs vendidas com lente deveriam vir com esta lente e não as tradicionais 18-55mm que as acompanham.

Para astrofotografia, a lente de 50mm F1.8 é uma pequena maravilha. Numa boa montagem com acompanhamento sua distância focal permite longos tempos de exposição, mesmo sem o uso de auto- guiagem, e com tanta nitidez que se você cortar um pedaço da imagem, pode até fazer alguém acreditar que aquele pedaço foi feito com um bom telescópio.

A 50mm F1.8 só tem dois defeitos. Primeiro, o campo demasiadamente grande é mais indicado para alguns pontos específicos do céu, e um uso regular da lente poderá fazer você em pouco tempo ficar sem saber o que registrar com ela. O segundo ponto a se considerar é que você de forma alguma deve pensar que poderá fazer suas imagens astrofotográficas com a lente em sua maior abertura: F1.8. O resultado será catastrófico, com estrelas gigantescas na borda, correndo para longe do centro.  A lente deve ser fechada em pelo menos F3.2 para resultados realmente bons. Na imagem acima eu fechei em F4 e mesmo nesta abertura é possível perceber que as estrelas da borda não estão redondas.

Mas nada do que foi escrito até aqui me faz pensar que não valha a pena levar uma 50mm F1.8 para um local como a pousada onde foi realizado o Sétimo Encontro Brasileiro de Astrofotografia, e o resultado da imagem acima é prova disso. Foi um enquadramento que eu nunca tinha feito e que me deixou muito feliz. O resultado, em termos de nitidez e cores está muito próximo do ideal para o tempo de exposição.

Um crop da imagem anterior, mostrando as Nebulosas Pata do Gato e da Lagosta. Essa imagem pode fazer um novato acreditar que ela foi feita com um telescópio e não com uma lente que cabe na palma da mão.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Primeira imagem do EBA - NGC 6604


NGC 6604
Alto Paraíso - Goiás - 27 e 28  de Julho de 2014
Luminance: 12x600 segundos Bin 1x1 (H-Alpha 7nm - Atik 314L)
RGB: 12x300 segundos ISO 800 (Canon T2i Modificada)
Telescópio: ED 102mm F7
Montagem: HEQ5
Guiagem - Orion Miniguider 50mm e Câmera DBK41AU02.AS
Empilhamento Deep Sky Stacker 3.3.3 Beta 51
Junção das duas imagens (H-Alpha + Light): Fitswork
Pós-Processamento - Photo Shop CS4


Saiu a minha primeira imagem feita no Sétimo Encontro Brasileiro de Astrofotografia. Trata-se de NGC 6604, um aglomerado aberto cercado por nebulosidade na Constelação da Serpente. Bem! Sobre o aglomerado de estrelas, em nem sabia que ele estava lá antes de ler sobre NGC 6604 na Wikipédia. Já que o que me interessava mesmo é a pálida mas bela nebulosa que cerca as estrelas.
 
Essa foto não está perfeita, o foco com a Atik 314L não foi o melhor possível. Em alguns momentos deste EBA, talvez devido aos céus muito complicados, parecia que era impossível se conseguir um bom foco com telescópios. O tempo de exposição do luminance, embora bem acentuado para os meus padrões, com frames de 10 minutos, talvez pudesse ser um pouco maior. Eu espero voltar a esta nebulosa ano que vem, da varanda do meu apartamento, com um longo tempo de exposição e com o refletor de 200mm F4.5, duas vezes mais rápido que o Refrator ED de 102mm F7 utilizado nessa imagem.
 
O mais legal desta foto, em minha opinião, é que trata-se de um objeto muito pouco fotografado. Se você for no Astrobin, ou mesmo no Google, encontrará muitas poucas imagens desta nebulosa e a minha ainda se destaca for ser colorida. Cores que captei com a Canon T2i, uma noite após captar o luminance com a Atik 314L e um filtro H-alpha.
 
É impossível não notar a parte mais brilhante da Nebulosa, uma região bastante ativa. Houve quem dissesse que sua forma lembrava o Marinheiro Popeye, fumando um cachimbo. Eu já acho que parece o desenho na bola Wilson, em o Naufrago.


domingo, 14 de julho de 2013

Sexto EBA: Alpha Centauri, Hadar e, principalmente, Proxima Centauri


Clique na imagem para ver maior

Chegou a hora de começar a mostrar as fotos que fiz no Sexto EBA. Começo com a primeira foto de Wide Field que fiz. Os alvos foram as estrelas Alpha Centauri e Hadar. Uma das poucas áreas que não estavam cobertas por nuvens naqueles primeiros momentos da noite de sexta-feira em que o EBA começou (os dois primeiro dias tiveram algumas nuvens que depois sumiram, para alegria de todos).

Trata-se de uma imagem simples, composta por 32 frames de apenas 45 segundos de exposição, feitos com a Canon T2i sobre a montagem CG-5GT e com a lente de 135mm. Vale lembrar que a minha CG-5GT, que parecia estar com problemas, trabalhou muito bem no EBA, me deixando mais tranquilo em relação a seu funcionamento. Com o passar dos dias, eu fui aumentando o tempo de exposição, enquanto aperfeiçoava o alinhamento da montagem.

O mais legal da foto acima é que o objeto mais interessante para mim é apenas um pequeno ponto vermelho, que aparece misturado com a infinidade de estrelas. Trata-se de Proxima Centauri, a terceira estrela do sistema de Alpha Centauri, composto por duas estrelas de tamanho próximo ao Sol e uma anã vermelha, Próxima Centauri. Esta estrela é conhecida por ser a mais perto da Terra depois do Sol e é curioso que seja tão difícil de achar. Também acho surpreendente que esteja a enormes 0,2 anos luz de seu sistema central. Plutão, por exemplo, está a apenas 5 horas luz do nosso Sol. A estrela é considerada como parte do sistema de Alpha Centauri por estar presa gravitacionalmente às duas irmãs maiores, orbitando em torno do centro gravitacional das duas.

Abaixo eu fiz um crop da imagem acima. Neste crop vemos a posição de Proxima Centauri. Me surpreende ver como a estrela esta longe de seu sistema central e também por ser pouco tão pouco brilhante para a estrela mais próxima do Sol. Deve ser pouco visível até mesmo de um planeta em seu sistema central, brilhando como uma estrela pálida no céu. Já li histórias de que se desconfiava que o nosso Sol também teria uma estrela vermelha o orbitando, chamada Nêmesis, mas nunca foi encontrada e provavelmente nunca será, pois a sua ação gravitacional já teria sido identificada.

Proxima Centauri. A estrela mais próxima do Sistema Solar é o ponto vermelho ao lado da seta.


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Super Lua de 23 de junho, fotografada com a Lente de 135mm



Neste domingo foi dia de Super Lua. Dia em que a Lua cheia coincide com o momento em que a Lua está mais próxima da Terra. Um belo momento para fotografar nosso satélite natural nascendo no charmoso horizonte de Brasilia.

A foto acima, pra variar, foi feita da varanda do meu apartamento. Nem sequer tripé usei, apenas apoiei a câmera no muro da sacada. Para conseguir mostrar a detalhes da Lua e não apenas um disco branco, devido ao brilho excessivo de nosso satélite, tive que juntar duas fotos, uma mais brilhante, com destaque para a paisagem e outra, com tempo de exposição bem menor, feita para mostrar detalhes da Lua.

É isso aí pessoal, eu tive duas semanas ruins com astrofotografia. A minha CG-5gt deu problema. Não está acompanhando direito os astros, isso a apenas duas semanas do EBA. Mas uma H-EQ5 já está a caminho e o ânimo para o EBA está com forço total. Além disso, semana que vem uma pequena surpresa pode aparecer aqui, se um projeto que tenho para o fim de semana for bem sucedido.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Rho Ophiuchi com a lente de 50mm. Quando o bom também é barato


Vejam a imagem acima. algumas pessoas tem dito que ela é a minha melhor  imagem. Não sei se é verdade, mas tenho que dizer que gostei muito dela. Trata-se do complexo nebular de Rho Ophiuchi, uma das regiões mais bonitas do céu.

A imagem foi feita durante o último Enoc, com a técnica simples de colocar câmera e lente sobre a montagem porcamente alinhada, tentar alguns lightframes e fazer darkframes. A câmera foi a Canon T2i modificada, mas é a lente que tenho que destacar. O "telescópio" usado para a foto acima foi uma lente Canon EF 50mm F1.8, que custa 120 dólares do exterior e no Mercado Livre pode ser encontrada nova por valores entre 300 e 400 reais. Uma pechincha em se tratando de lentes. Na verdade acho que é a lente mais barata da Canon.

Apesar de ser muito barata, a lente EF 50mm F1.8 sempre foi uma grata surpresa em praticamente todas as situações em que a utilizei. Seja filmando em locais escuros com a GH2, seja fotografando minha família ou mesmo paisagens, a qualidade desta lente sempre me impressionou. Enquanto a lente 18-55mm que vem com o kit da Canon trabalha em 50mm com uma distância focal de F5.6, a fixa EF 50mm F1.8 consegue ser até nove vezes mais rápida nesta mesma distância focal. Ou seja, o que a lente do kit faz em um décimo de segundo, a F1.8 precisa de apenas um centésimo. Isso pode significar a diferença entre precisar ou não de um tripé para fotos normais.

Mas não é só isso. Com uma abertura de F1.8 mesmo uma foto feita sob a luz do Sol fica muito melhor, pois fica com mais profundidade, pois com ela conseguimos aquele belo efeito em que vemos as pessoas em foco e o fundo completamente desfocado, dando muito mais destaque para o alvo da foto enquanto com a lente 18-55 a imagem fica chapada.

Mas é claro que em Astrofotografia não basta a lente ser clara, ela também precisa ser uniforme, garantindo o foco em toda a sua extensão e não produzindo coma na imagem final. Sim, a 50mm F1.8 não produz uma imagem plana com o diafragma totalmente aberto, mas na boa distância focal de 3.2 a imagem fica perfeita. A 18-55mm do kit também não fica perfeita em F5.6 precisando fechar ainda mais a lente.

Com uma distância focal de apenas 50mm, o alinhamento não precisa estar em sua plenitude, por isso pude fazer tempos de exposição de 90 segundos para a imagem acima sem que as estrelas apresentassem arrasto.

Eu acredito que é esta lente de 50mm que deveria acompanhar as DSLRs de entrada e não a 18-55mm, que sou obrigado a dizer, é de qualidade sofrível quando comparada com esta 50mm. Na verdade todas as lentes Zoom baratas da Canon, como a 70-300mm ou a 55-200mm são sofriveis. Mas acho que a 50mm não acompanha as câmeras por que as pessoas (eu me refiro ao público leigo) estão acostumadas demais com a ideia de que boas câmeras são as que tem mais zoom e não aceitariam bem uma lente sem  nenhum zoom, mas a verdade é que me parece que muitas pessoas só veem o quanto as suas DSLRs podem ser superiores a uma câmera compacta ou mesmo uma superzoom quando adquirem esta lente. Talvez por isso a 50mm F1.8 seja tão barata, o seu preço é a melhor forma de atrair os proprietários de DSLR para o mundo das lente de grande abertura.

Abaixo segue outra imagem com a mesma lente, dessa vez destacando o centro da Via Láctea.



segunda-feira, 13 de maio de 2013

Vigésimo Primeiro ENOC, finalmente um céu escuro

O Cruzeiro do Sul, com a Canon T2i e a lente de 135mm F2.0

Cruzeiro do Sul
Luziânia - Goiás - 11 de maio de 2013
Exposição 21x90 segundos ISO 800
Canon T2i modificada
Canon 135mm F2.0 @2.5
Celestron CG-5GT

Esse fim de semana foi de Encontro Observacional do CAsB, quando o Clube de Astronomia de Brasilia organiza um evento numa fazenda ou pousada distante das luzes de Brasília para desfrutarmos de um céu sem poluição luminosa. Nesta edição o encontro foi numa fazenda, próxima de Luziânia, em Goiás. O Local não tem um céu como o da chapada dos Anões, mas é um deleite para quem está acostumado com o céu urbano de Brasília.

Eu fiz sete fotos. Quatro boas, duas mais ou menos e uma fail. Muito para uma noite apenas, já que não pude ir na sexta, devido ao trabalho. O elevado número de fotos numa única noite é principalmente pelo fato de que o Setup usado foram duas lentes, as Canons F135mm F2.0 e a 50mm F1.8, que foram usadas não com a Atik 314L, mas sim com a Canon T2i modificada, já que a Atik 314L foi distraidamente esquecida em casa.

No fim acho que ter esquecido a Atik foi algo até bom. Num céu escuro, bom mesmo é usar a Canon, que sendo colorida e tendo um grande campo acaba sendo muito mais divertida de usar do que a CCD monocromática. 

Me impressionou, principalmente, em ver como a lente 135mm F2.0 se comportou de maneira totalmente diferente da DSLR em relação à CCD. Na CCD focar é um martírio, e quando você pensa que atingiu o foco perfeito a imagem bagunça e halos surgem nas estrelas, quando os halos somem a imagem fica com um coma enorme, o que era inesperado para um sensor muito menor do que o da T2i. Nesta, mesmo em F2.0 a lente de 135mm quase não apresenta coma. A imagem acima foi feita com o diafragma aberto em F2.5 e não houve crop nem correção do coma. Mostrando que a lente valeu a grana pesada que investi nela.

terça-feira, 2 de abril de 2013

A Lua nascendo atrás dos prédios do Guará


Tirar fotos do nascer da Lua é algo bem legal, principalmente quando acompanhado de um cenário bonito, podendo ser ainda mais legal diante de um cenário bonito e também famoso.

Bem, o paredão de prédios que se formou recentemente no Guará 2, em Brasília, fruto da especulação imobiliária insana que ocorre nesta cidade, não é famoso, mas as linhas retas até que fazem um contraponto legal com a Lua ao fundo. Por isso, quando vi que a Lua estava nascendo atrás destes prédios achei que seria uma boa tentar umas imagens.

Fotografar a lua nascendo não é tão fácil como parece. Envolve algumas variáveis. No geral, as imagens devem ser single frames, já que a Lua está movimentando-se em relação ao cenário. A atmosfera tem que estar muito boa, transparente e sem nuvens, se não vai ser difícil conseguir visualizar detalhes da Lua, pois como ela está no horizonte, há muito mais atmosfera entre nos e a Lua do que quando ela está alta no céu.

Há uma contraposição interessante. Quanto mais baixo a Lua estiver, mas distorcida ela estará, mas também signíficará que ela não estará tão brilhante, o que permitira iluminar melhor o cenário sem estourar a Lua. Caso a Lua esteja mais alta, nosso satélite aparecerá muito bem definido, mas brilhara muito e o ideal será utilizar técnicas de HDR para equilibrar a sua luz com a do cenário.

Outra coisa legal que tentei fazer ontem, foi tentar fotografar um avião passando na frente da Lua. Como em relação a meu apartamento ela estava nasce exatamente atrás do aeroporto, imagino que, com um pouco de paciência, eu não demore a conseguir uma foto assim. Ontem foi quase. Um avião até passou na frente da Lua, mas infelizmente da parte escura.

As fotos deste post foram todas feitas com a Canon T2i e a Lente 135mm F2.0. Nem sequer um tripé foi usado, as imagens foram feitas com a câmera sobre o muro da varanda. Eu tenho muita vontade de tentar fotos assim com o telescópio, mas estava gripado demais para pensar em montar o telescópio. Na verdade eu não devia nem estar na varanda durante a noite.

Foi quase!

sábado, 17 de novembro de 2012

Plêiades com a lente de 50mm, da varanda do apartamento

 M45 - Aglomerado Aberto Plêiades
Águas Claras- DF - 15 de novembro de 2012
Exposição 36x30 segundos ISO 800
Canon T2i modificada - Lente 50mm F1.8 (em F3.5) - EQ-1 motorizada
Empilhamento Deep Sky Stacker 3.3.3 Beta 45 +20 darks,
Pós-Processamento - Photo Shop CS4


Finalmente o céu abriu um pouco aqui no Águas Claras, depois de quase três semanas de nuvens (a última foto que tirei foi dia 27 de outubro). Foi uma pena que era uma noite em que eu tinha que acordar às seis e meia da manhã no dia seguinte, e não pude aproveitar muito. além disso, as nuvens não deram uma trégua completa, aparecendo de tempos em tempos para dificultar as coisas para mim.

E como eu sabia que não teria muito tempo, não arrisquei levar a CG-5 com o ED de 102mm para a varanda. Nessas horas a leveza e praticidade de EQ-1 acabam falando mais alto, ainda mais com o risco de uma chuva inesperada a qualquer momento. Como a lente de 135mm já foi devolvida ao dono e eu não tinha estreado a lente de 50mm F1.8 para astrofotografia ainda, achei que estava na hora de testá-la. Pluguei a lente na Canon T2i, coloquei o conjunto na EQ-1 e fui para a varanda.

O Alvo da noite foram as Plêiades, um dos aglomerados abertos mais próximos do Sistema Solar (as Híades são o aglomerado mais próximo). É um objeto de tamanho aparente pequeno para uma lente com apenas 50mm de distância focal. Eu até poderia ter colocado as Híades na foto, mas se fizesse isso, tanto as Plêiades como as Híades ficariam no canto da imagem.
Por falar em canto da imagem, é incrivél como as estrelas ficaram distorcidas nos cantos das fotos quando a lente estava com o diafragma aberto em F1.8. A imagem só ficou completamente uniforme com o diafragma em F4.5. apesar disso optei por uma abertura intermediária, F3.5, pois queria captar mais luz e sabia que acabaria cropando a imagem final.

O Resultado final foi bom, mas foi prejudicado pela ausência de Flat Frames. Eu até estava querendo fazer alguns, mas o céu ficou muito nublado e não havia uma área uniforme para a captação somente da vinhetagem. Lembrando sempre que não dá para comparar as imagens feitas da varanda do apartamento com aquelas feitas na chápada ou na chácara, longe da poluição luminosa de Brasília.