quinta-feira, 19 de junho de 2014

O Orion UK 200mm F4.5 e minhas frustrações

Já faz quase um mês que adquiri o refletor de 200mm da Orion UK. A verdade é que hoje posso dizer claramente que me arrependi da compra. O produto veio com anéis que precisam de um dovetail fora do padrão, só adquirido fora do Brasil. O focalizador que acompanha o telescópio é um desastre. Focalizadores parece destinados a serem o meu motivo de frustração. O do ED de 102mm precisa que eu ajude empurrando ou puxando para se mover, mas pelo menos ele fica alinhado, o que não acontece com este refletor de 200mm. O focalizador simplesmente fica torto.

Uma coisa que poderia ser legal neste telescópio é ele ter um cooler para os espelhos, mas tudo nesse telescópio parece ter o objetivo de dar mais trabalho ao usuário. Ao invés de vir com um plug para encaixar a fonte, vem com dois jacarés, para encaixar em algum tipo de bateria, exigindo mais trabalho e gastos.

Infelizmente tenho que dizer que não recomendaria a compra do refletor de 200mm da Orion UK, a não ser que você esteja só pensando na óptica, mesmo assim, vamos ser sinceros, tenho visto fotos com Skywatcher de 200mm que não ficam nada a dever a este telescópio, mas que vem com focalizadores de qualidade e anéis sem problemas de compatibilidade. Pra mim a diferença de preço entre os dois é dinheiro jogado fora. Na verdade, se custassem a mesma coisa, hoje eu pegaria um tubo da Skywatcher ou Orion.

Fora os problemas acima ainda estou enfrentando os problemas típicos de se ter um refletor de 200mm. O telescópio estava até indo bem sobre a montagem, eu estava quase conseguindo 4 minutos de exposição sobre a HEQ5, quando começou a temporada dos ventos. Acredito que até ter uma montagem mais robusta ou fechar a varanda, imagens de céu profundo vão ser improváveis com o aparelho.

Na última semana chegou um extensor focal, uma espécie de barlow, que aumenta a distância focal do telescópio em 5 vezes. Com este acessório eu devo iniciar algumas imagens da Lua. Mas vale lembrar que minhas câmeras não são as mais adequadas para este trabalho.

Nebulosa da Águia, com 29 frames de 3 minutos. As estrelas tiveram que ser corrigidas com processamento digital, para ficarem mais redondas. A imagem certamente ficaria melhor se a guiagem estivesse mais firme e o vento não atrapalhasse tanto.

Uma boa notícia é que conversei com o Caleidocosmo e parece que eles farão a troca do focalizador. Vamos torcer para que a próxima peça seja melhor do que a atual.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Primeiras Luzes do Refletor de 200mm

Quinta feira passada chegaram os anéis para suporte do novo telescópio, um refletor de 200mm da Orion UK. Eu gostei muito do que vi quando abri a caixa, os anéis eram brancos e pareciam ter a medida exata do telescópio, conforme especificação. Instalei os anéis no telescópio e apertei os parafusos até o final, mas para minha tristeza, os anéis ficaram com folga.

Felizmente esse não é dos maiores problemas que podem existir. Certamente seria pior se os anéis fossem menores, e a diferença entre os tubos foi bem pequena e acho que vai ser fácil resolver. Temporariamente resolvi enrolando o tubo numa um toalha, mas estou esperando chegar uma fita PVC para preencher a folga.

E com a toalha cobrindo o telescópio, o refletor estreou este fim de semana. Ao colocar o tubo sobre a montagem tive que pela primeira vez usar o segundo contra-peso que vem com a HEQ-5 (A CG-5, para quem não sabe, só vem com um). Mesmo assim, achei que ficou bem firme. Logo vi que o balanceamento de um refletor é mais complexo. Como a câmera de captura está na lateral do tubo e não no fim, como num refletor, o peso dela afeta no balanço do equipamento e encontrar o balanço ideal para este telescópio vai ser um desafio.

Acredito que a guiagem funcionou de forma bastante deficiente principalmente devido ao balanço do setup nào ser o adequado. Infelizmente eu estava conseguindo frames de apenas cerca de 90 segundos de forma aceitável, sendo que com o Refrator ED eu já conseguia até 5 minutos tranquilamente.

Colimar o telescópio, diga-se de passagem, é um troço chato pra caramba. Felizmente eu estava com uma ocular Cheshire. Sem esse acessório acho que eu teria apanhado muito na colimação. Uma coisa que mae chateou é que, olhando pela ocular, eu não conseguia alcançar os parafusos na base do telescópio, para alinhar o espelho primeiro, o que me obrigava a ajustar por tentativa e erro e sempre dar uma volta depois. Felizmente eu acho que não devo demorar para pegar o jeito da coisa.

Os alvos do fim de semana foram do chamado catálogo COM (Catálogo de Objetos Manjados), as conhecidíssimas Nebulosa da Águia e da Lagoa. Normal para uma primeira vez com um telescópio. Eu tive que enfrentar erros de acompanhamento, frames curtos, foco precário devido a ter usado um conector inadequado e não sei se a colimação está boa. Os resultados finais, entretanto não podem ser chamados de feios. É um bom começo. Pena que no domingo, apesar do meu ânimo, o céu nublou muito e segue fechado ainda hoje.

Nebulosa da Águia, capturada na noite de sábado, com 40 frames de 2 minutos e mais 40 de 1 minuto




Nebulosa da Lagoa, capturada na sexta-feira,  com frames de 3 minutos. Essa foi oficialmente a primeira imagem com o refletor. O acompanhamento estava péssimo e foi corrigido no processamento.

O refletor sobre a HEQ-5. Não! A toalha não é por causa do frio, mas pela folga nos anéis.


terça-feira, 20 de maio de 2014

Chegou o Refletor de 200mm


Chegou o meu novo telescópio, o refletor de 200mm da Orion UK comprado no Caleidocosmo! A entrega foi rápida, pois eu comprei o tele na terça-feira passada, e, devido ao horário, a coleta pela transportadora só pôde ser feita na quarta. Mesmo assim, sexta à tarde o telescópio já estava aqui.
 
A embalagem que chegou foi grande, mas de cara me surpreendeu positivamente por ser leve, o que é muito bom, já que uma das minhas maiores preocupações com este novo tubo óptico é o peso. O tubo óptico pesou apenas 6,2 quilos sem a buscadora, então imagino que os sete quilos da especificação são com a buscadora que acompanha o OTA. Com a câmera e o meu portátil sistema de guiagem, ficou apenas 7.6 quilos, 56% da capacidade máxima da HEQ-5, o que é bem aceitável para astrofotografia.

O Orion UK 200mm foi pesado com os acessório, totalizando 7,6 quilos.
Eu vou tentar falar da forma mais imparcial possível sobre os dois problemas que vi. O primeiro foi com os anéis que envolvem o telescópio. O Pedro, do Caleidocosmo já havia comentado que não tinha os dovetails dele, mas eu disse que estava tranquilo, pois tinha um dovetail sobrando. O problema é que os anéis que vieram com o telescópio são totalmente incompatíveis com o dovetail que tenho, que são o que se encontra no mercado brasileiro, padrão Vixen. Os aneis do Orion UK tem dois furos cada, bastante rasos, e que me parecem encaixarem sobre pressão lateral.
 
Eu pensei em adquirir um dovetail desses, mas não encontrei no Brasil e mesmo em sites estrangeiros estava difícil entender qual seria o dovetail certo. Optei por adquirir novos anéis no Armazém do Telescópio, que estavam a venda exatamente na espessura do tubo do refletor.
 
Fica então um aviso para quem quer vender telescópios no Brasil. Tomem cuidado com a compatibilidade do equipamento que estão vendendo, muito principalmente quando não for um telescópio completo, sem a montagem, como no caso deste tubo óptico. É muito frustante receber um produto em casa e descobrir que ele não é compatível com a sua montagem ou dovetail, precisando de outras peças. O problema torna-se mais grave quando lembramos que estamos no Brasil, onde a compra de acessórios é mais demorada e complexa, muitas vezes obrigando os astrônomos amadores a recorrem a sites estrangeiros, pagando caro em impostos e esperando semanas com o produto na caixa enquanto aguarda a chegada dos acessórios necessários. Nada contra o Caleidocosmo, mas no lugar deles eu teria consciência da dor de cabeça e mesmo frustração que esses anéis causariam no comprador e tentaria dar um jeito antes de passar para a frente. Felizmente neste caso encontrei os acessórios num site brasileiro.
 
Já o segundo problema foi mais sério em minha opinião. Quando fui girar o focalizador, me assustei com o tanto que ele estava desalinhando cada vez que eu movia a peça, então resolvi apertar os parafusos de pressão, que ficam embaixo dele. No caso do focalizador do Orion UK há dois parafusos. O problema é que mal girei as peças e elas caíram para dentro do focalizador, então eu tive que abrir a peça e descobri que os parafusos eram pequenos demais, ou falta alguma coisa dentro que deveria firmá-los. A solução foi encontrar outros parafusos aqui em casa e colocar no lugar dos que vieram. Pô! ter que desmontar o focalizador logo de cara e fazer uma gambiarra é algo que não está nos planos de alguém que compra um aparelho deste nível.

O focalizador com o parafuso que encontrei na minha bagunça.
A boa notícia é que conversei com o Avaní, um importante astrofotógrafo Lunar e Planetário Brasileiro e ele me disse que, pela óptica, eu fiz uma excelente compra. O Avaní também me explicou sobre um tal de teste Zygo, que acompanha o telescópio. Ele é feito por uma empresa especializada em testes e a Orion Uk envia para mostrar como a óptica é boa. Infelizmente é raro achar esse tipo de testes para outros telescópios, muitas vezes por que as empresas simplesmente não querem mostrá-lo.
 
É interessante dizer que o teste em questão foi para o exemplar que recebi, o Avaní comparou os resultados com o do modelo dele e ficou impressionado com o resultado. Os do meu refletor foram até superiores ao do modelo de 10 polegadas que ele comprou. Vale lembrar que, devido a menor razão focal do meu modelo em relação ao telescópio do Avaní, que é F6.3 contra F4.5 do meu refletor, uma maior qualidade óptica é mesmo mais necessária.
 
Agora é esperar os anéis chegarem e o céu melhor um pouco para os primeiros testes. Espero não ter mais surpresas negativas e sim boas imagens.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Vem aí meu primeiro refletor!!!

O VX8 de 8 polegadas da Orion UK. Com razão focal F4.5 é duas e vezes e meia mais rápido que o atual ED de 102mm e será minha primeira experiência com refletores.

Acabei de comprar meu primeiro telescópio refletor, um Orion VX8 de 200mm de abertura, será meu primeiro refletor, algo totalmente novo pra mim. O Telescópio foi comprado no site Caleidocosmo.com.br, um dos quatro bons sites para material astrofotográfico no Brasil.
 
A escolha pelo VX8 foi devido a sua razão focal. Com apenas 900mm de distância focal o refletor tem uma razão focal F4.5, sendo 150% mais rápido do que o meu ED de 102mm e praticamente tão rápido quanto as lentes que uso para astrofotografar quando estão em sua melhor qualidade (há uma perda devido ao espelho secundário, mas é pequena em termos de área).
 
O contra-ponto foi o peso do equipamento. Com 7 quilos, é bem mais pesado que o meu ED, mas felizmente eu tenho um Setup pronto para recebê-lo da forma ideial, já que a Atik tem meros 400 gramas e o setup de guiagem composto por um miniguider de 50mm e a DBK pesa pouco mais de um quilo. Eu terei um total de cerca de nove quilos sobre o telescópio. Se os 7 quilos da especificação do tubo incluirem a buscadora de 50mm, será ainda menos, pois ela será substituida pelo miniguider durante as captações.
 
Eu vou usar o Setup com a HEQ5, já que não tenho condições de comprar outra montagem no momento, mas em 2015 vou adquirir uma EQ6. Até lá, vou brincando.
 
Também devo investir mais em astrofotografia planetária, já que o meu ED sempre foi meio limitado devido a pouca abertura. Mais para frente, quando estiver mais tranquilo vou analizar a compra de uma ZWO ou QHY para fotografia planetária.
 
O VX8 é fabricado pela Orion UK. Não se trata de uma filial da Orion Americana, mas uma empresa independente. Este tubo é pelo menos duas vezes mais caro do que um equivalente da Orion Americana, mas tem reputação de enorme qualidade óptica e é feito na Inglaterra, a mão. Então tenho muitas razões para ficar otimista.
 
O novo telescópio deve chegar na semana que vem, e as primeiras imagens com ele devem aparecer logo. Vale dizer que custou 3100 reais, com o frete, via depósito bancário. Considerando que ele está 841 Euros na Telescope Express, com o Euro custando hoje mais de 3 reais, ficou um preço excelente.
 

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Nebulosa do Camarão - Uma viagem na Astrofotografia.

Eu estou em minha nave espacial, viajando pela galáxia, em busca de um belo lugar para conhecer. Alguém me fala sobre uma bela nebulosa, chamada Falso Cometa. Até me mostra uma foto dela. Eu acho a imagem linda, e decido mudar a rota de minha nave e partir até lá.


Eu vejo a nebulosa pela primeira vez, ainda de longe. O foco está ruim, as cores são mal vistas. Tudo o que vejo são três grandes nebulosidades rosas atrás de um mar de estrelas embaçadas.

Eu continuo me aproximando. Agora sei que na verdade a parte rosa tratava-se da Nebulosa do Camarão e que Falso Cometa era o conjunto da qual ela faz parte, que incluía também os aglomerados em volta. Agora mais perto, eu consigo ver o bem o desenho do camarão, com os dois olhinhos escuros na extremidade da nebulosa.






Mas eu quero entender melhor para onde estou indo, e me afasto para observar o entorno do lugar. Vejo como a nebulosa faz parte do conjunto chamado de Falso cometa, com vários aglomerados ao lado, fazendo um desenho como se fosse a calda de um cometa, com a Nebulosa do Camarão fazendo o papel de núcleo. Para quem vê de muito longe deve mesmo parecer um cometa.




Para retomar a viagem, mudo para uma nave mais rápida. Só que o começo da viagem é turbulento. Eu vejo a nebulosa de longe, sem cores. Faltam detalhes, as estrelas estão embaçadas. Eu espero que as coisas melhorem.


Sim, as coisas melhoram e eu volto a enxergar bem a nebulosa. Detalhes antes invisíveis aparecem em volta da nebulosidade principal. Com uma janela especial em minha nave, que me permite ver as cores de forma diferente. Eu começo a ver algumas tonalidades interessantes, embora ainda fracas.


Eu já estou há dois anos viajando, e finalmente agora começo a ver bem a nebulosa, os detalhes em volta são muito bons, as cores estão evidentes. Sinto que está muito próximo. Decido ativar a velocidade de dobra de minha nave, para chegar realmente perto.

Eu estou quase chegando, desligo a velocidade de dobra e vejo a nebulosa da janela especial de minha nave. Estou praticamente ao lado dela. Vejo detalhes que nunca imaginei que poderia ver, mas ainda não está perfeita como eu sonhava, talvez dê para chegar um pouco mais perto.



 Eu finalmente cheguei! Agora da nave vejo a nebulosa do Camarão, catalogada na Terra como IC 4628. Ela é como eu sempre sonhei, com grandes montanhas douradas e nuvens azuladas sobre elas. É realmente um lugar lindo. Antes de ir embora eu faço um registro. Valeu a pena chegar até aqui.

Fim.




O post acima teve um estilo totalmente diferente do que vocês estão acostumados neste blog. Ele foi feito após eu fazer está última foto que aparece nele, na quarta-feira desta semana. Na minha opinião é meu melhor registro até hoje.

A finalidade disto tudo foi mostrar de forma lúdica o sentimento que eu tenho com a astrofotografia, o sentimento de estar viajando pelo espaço da varanda de meu apartamento, da chácara ou da pousada onde participo do EBA.  As registros foram apresentadas na ordem cronológica em que foram feitos.

A Nebulosa do Camarão foi o objeto que mais fotografei desde que comecei na astrofotografia, foram oito registros, começando com uma câmera não modificada, quando eu ainda era um novato em astrofotografia e mal sabia focar corretamente, passando por uma boa foto já com a câmera modificada embora a montagem mal alinhada. A mudança da DSLR para o CCD foi dramática, envolveu um grande aprendizado e também muitos erros. Mas com cuidado a Nebulosa foi se revelando, até a imagem feita nesta última quarta, que me fez chegar realmente perto da Nebulosa do Camarão.

Ps: As naves espaciais são as câmeras e não o telescópio. É interessante notar que tanto a primeira imagem como a última foram feitas exatamente com o mesmo telescópio, um ED de 102mm. Isso mostra como a troca da câmera e os filtros de banda estreita, aliada a mais experiência fez toda a diferença, muito mais do que um telescópio maior ou mais caro faria.
A janela especial são  os filtros de banda estreita.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Voltando a fotografar na varanda - Muita produtividade no feriado.

As chuvas estão começando a diminuir e estou finalmente podendo fazer as primeiras capturas da varanda. Ainda estou sofrendo com alinhamento e quase sempre as sessões são interrompidas por nuvens que voltam a fechar o céu no meio da madrugada, mas estou voltando a me divertir.

Mesmo com guiagem, o alinhamento tem me permitido exposições de 6 a 8 minutos com a lente de 200mm FD, enquanto o telescópio mal consegue chegar aos 3 minutos. Sem guiagem os tempos de exposição máximos são respectivamente 2 minutos com a lente e 1 minuto com o telescópio. A HEQ5 tem se mostrado meio birrenta, mais do que a CG-5 da Celestron Tem hora que me da saudades da montagem da Celestron.

Bem, como a lente de 200mm tem sido mais generosa com os tempos de exposição e é mais rápida, inclusive podendo ter a sua abertura regulada pelo diafragma manual, ela tem sido a minha preferida. Mas eu sei que uma hora vou me cansar dela. O telescópio aproxima muito mais, mostra detalhes incríveis com a Atik 314L, que é uma câmera muito sensível. Eu preciso de apenas 5 minutos de exposição para começar a fotografar mais com ele.
 
Veja abaixo algumas capturas feitas neste enorme feriado de quatro dias que tivemos no último fim de semana.


O Luminance dessa imagem das nebulosas da Lagoa e NGC 6559 foi captada com apenas cinco frames de 6 minutos feitos com a lente de 200mm FD e incorporado a um RGB antigo, feito com a lente de 135mm.

Mais um luminace capturada com a lente de 200mm e incrementado com RGB da lente de 135mm, aqui da Nebulosa NGC 6188. Foram 20 frames de 8 minutos num dia em que o alinhamento estava muito bom.



O Luminance desta imagem da Nebulosa do Camarão testava sendo feito com frames de 3 minutos, com o telescópio, mas o mau alinhamento me fez desistir de continuar. Posteriormente eu processei os frames, arrumei um pouco as estrelas e considerei o resultado, mesmo que imperfeito, aceitável.
 
Nebulosa da Lagosta, Luminance captado com a Lente de 200mm e a Atik. O RGB é de uma imagem feita com a Canon T2i e lente de 135mm, na chácara dos meus pais, ano retrasado.

Até o momento, como vocês podem perceber, eu tenho me limitado a capturar Luminances em H-Alpha, me aproveitando de grande gama de imagens que já tenho e que podem fornecer o RGB. Prevejo que mais pra frente, principalmente quando a seca começar, devo me esforçar para captar outros RGB, principalmente com os outros filtros de banda estreita.
 
A conclusão que chego com as imagens acima e que o acompanhamento tem sido o meu grande gargalo na astrofotografia. Sem falsa modéstia, tenho dominado bem grande parte das questões em astrofotografia: enquadramento, processamento, foco. Essas coisas estão indo bem. O que tem me impedido de conseguir as fotos que eu sonho fazer com certeza é a incapacidade de conseguir tempos maiores de exposição, principalmente com o telescópio. O grande problema tem sido o alinhamento, já que não tenho visão para o Sul e não posso usar o telescópio polar da montagem para achar o pólo celestial Sul.
 
Como tive que guardar a montagem para a reforma do apartamento, perdi o melhor posicionamento para ela e pode levar algum tempo até recuperar, mas bom mesmo será quando eu tiver um teto móvel na varanda e poderei deixar o telescópio mais tempo no mesmo lugar, mas agora estou completamente sem grana e isto deve levar um tempo.


terça-feira, 15 de abril de 2014

Eclipse da Lua de 15 de abril de 2014


A Lua atrás do monumento do Memorial JK. Algumas pessoas podem me perguntar por que não coloquei a Lua na mão do JK. Eu fiz uma foto assim, mas esta, com a Lua parecendo um capacete na cabeça do JK me pareceu muito mais interessante. Faz o nosso ex-presidente parecer um astronauta apontando para o céu. O ponto brilhante à esquerda é a estrela Spica. Para esta foto foi usada a lente de 200mm 2.8  FD.

 
Ontem foi dia, ou melhor, noite de eclipse total da Lua. É um evento raro e merecia ser acompanhado de algo também raro: eu sair de meu apartamento no meio da madrugada, em pleno meio de semana para tentar fazer algumas fotos.
 
O que eu queria mesmo, se pudesse, era ficar na varanda, com o telescópio ao lado. Mas como a vista para o oeste é bloqueada pelo meu próprio prédio, o negócio foi acordar no meio da madrugada e, munido da Canon T2i e um tripé simples, procurar um bom local para os registros.
 
O pessoal do Clube de Astronomia de Brasília até se reuniu, no eixo monumental, num encontro bastante movimentado e até com presença da imprensa. Mas apenas com câmera e uma humilde lente de 200mm e outra de 50mm. Se eu quisesse uma foto realmente interessante, frente a tantas feitas com telescópios, eu tinha que ir atrás de alguns locais legais.
 
Felizmente bem perto do local onde o CASB se reuniu está o Memorial Juscelino Kubitschek. O cenário é meio clichê, por isso eu tentei uma foto mais criativa, com a Lua na cabeça do ex-presidente, como o capacete de um astronauta.
 
Depois fui para a praça dos três poderes. eu queria um registro com o Congresso Nacional, mas o ângulo não ajudou e a imagem feita com o monumento Dois Cândangos ficou muito mais interessante.




Nesta foto, tendo como cenário a Praça dos Três Poderes, fotografei o monumento Dois Candangos com a Lua perto. O astro, além de em pleno Eclipse Total, estava em conjunção com a estrela Spica, à esquerda, e o planeta Marte, abaixo. Aqui foi usado a lente de 50mm.

domingo, 13 de abril de 2014

Preparando para a Estiagem, a Nova Varanda e a Lua com a Atik 314L+



Eu não gosto de dizer que as coisas no blog estão paradas. Mas não dá pra notar que foram poucas postagens nos últimos meses.

Duas coisas impediram a minha produção astrofotográfica nos últimos dois meses: uma reforma no meu apartamento e chuvas absolutamente incessantes aqui em Brasília. Felizmente estamos chegando no meio de abril e a esperança de que as chuvas diminuam passa a aumentar.

Eu não acho ruim ficar este período parado antes da estiagem. Assim evito um pouco o que aconteceu ano passado. Quando finalmente chegou a estiagem eu já estava um pouco cansado e não aproveitei a época sem nuvens como deveria.

Também aproveitei estes dois meses para me dedicar ao livro de astrofotografia. Depois de muito tempo parado, comecei a definitivamente engrenar esta obra. É claro que maior dedicação também tem me mostrado o tamanho do desafio. Colocar tudo de um jeito organizado não é nada fácil. A ideia é tentar terminar tudo até dezembro deste ano, revisar até março de 2015 e procurar alguém interessado em publicá-lo. Apesar das dificuldes não me preocupo tanto se não der certo a publicação. É um assunto tão legal que o trabalho de escrever tem sido uma diversão.

Quanto a varanda, é muito bom não ter mais aquela piscina que havia antes, que tornava tudo tão difícil. Ontem fiz os primeiros testes e gostei muito, a varanda está solida, a sensação de espaço estava ótima e foi possível trabalhar nela mesmo depois de um dia de chuva, pois o caimento feito no piso fez a varanda secar muito rapidamente, só tive que tomar cuidado com algumas gotas que caiam na beirada dela, vindo da calha.

Eu fiz uma foto da lua e estava indo fazer uma interessante de céu profundo. Infelizmente ainda estamos em abril e o céu, que estava tão limpo no começo da noite, fechou completamente depois de uns poucos frames.

Estou torcendo demais pelos quatro dias de feriado na próxima semana, se o céu deixar, com certeza teremos algumas fotos bem legais aqui semana que vem.

sábado, 22 de março de 2014

Hyperstar: um acessório interessante para astrofotógrafos com telescópios Cassegrain

Telescópios do tipo Schmidt-Cassegrain são celebrados pela sua qualidade óptica, mas infelizmente, para céu profundo não são tão populares. Devido a sua grande distância focal, as capturas são muito mais lentas do que em telescópios refletores, refratores apocromáticos ou lentes fotográficas.

Alguns astrofotógrafos, inclusive bastante avançados, utilizam redutores focais, que diminuem bastante a distância focal dos Cassegrains, aproximando da distância focal de um refletor ou refrator apocromático (algo entre F6 e F8). Se reduzir além disso, a qualidade óptica começa a ser prejudicada. Mas existe um acessório que consegue reduzir a distância focal dos Telescópios Cassegrain para até incríveis F2.0, tornando-os tão luminosos quanto as melhores (a caríssimas) lentes teleobjetivas de grande porte. Chama-se Hyperstar.

Trata-se de um adaptador feito para ser conectado não no porta-ocular de um telescópio Crassegrain, mas no lugar do espelho secundário, que fica preso a lente corretora deste tipo de telescópio. Neste adaptador você conecta a câmera, diminuindo muito significativamente a distância entre o sensor e a objetiva. Com um Hyperstar, um Celestron C8, por exemplo, passa a ter sua distância focal alterada de F10 para  F2, tornando-se 25 vezes mais rápido (conforme o site da fabricante).



Telescópio Cassegrain com Hyperstar no lugar do espelho secundário. Repare que a câmera, bem estreita, é um modelo já construído para ser utilizada com o acessório.

É um acessório fantástico para quem quer velocidade e principalmente, não quer usar a sempre manhosa Auto Guiagem. Imagine poder conseguir com frames de 30 segundos, o que você precisaria com frames de vários minutos de exposição. Você consegue 100 frames num tempo em que conseguiria 5. Mais frames significam menos ruídos e detalhes muito mais evidentes.

Mas vale lembrar duas coisas muito importantes, a primeira é que a redução da distância focal também reduz o aumento. Um C8 passará a ter sua distância focal reduzida de 2 metros para meros 40 centímetros, distância focal de uma teleobjetiva ou de um pequeno refrator apocromático, tornando-se um telescópio mais adequado para grandes nebulosas do que para galáxias distantes e nebulosas planetárias (para isso, um redutor focal seria mais adequado, embora com ele o telescópio não fique tão rápido).

Além disso, como a câmera vai ficar na frente do telescópio e não atrás, você deve evitar usar câmeras muito grandes, pois estas bloqueariam a entrada de luz, prejudicando a velocidade do telescópio. Pensando nisso, muitos fabricantes de câmeras astrofotográficas têm construído modelos bastante finos, como a QHYL e a Atik, feitos especialmente para serem usados com Hyperstar.

Também está longe de ser um acessório barato, o mais barato, para um Cassegrain de 6 polegadas, custa 600 dólares com o adaptador para câmera, quem quer colocá-lo num telescópio de 14 polegadas, terá que desembolsar 1400 dólares, e ainda terá que comprar o kit de conversão para telescópios mais antigos, que não é simples, mas segundo o site da empresa, acessível ao consumidor normal com um manual bem detalhado.


Essa impressionante imagem da nebulosa IC1396 foi captada pelo usuário Bradisback do Astrobin, com um Cassegrain de 11 polegadas equipado com um Hyperstar. Foram 40 grames de apenas 3 minutos. Algo impensável sem o uso do acessório.

Sem filtros de banda estreita, a fotografia de nebulosas mais brilhantes pode ser feita com frames curtíssimos. Essa imagem da Nebulosa da Lagoa foi feita com 30 frames de 30 segundos, totalizando menos de 15 minutos de exposição. Aqui, o Hyperstar equipava um Schmidt-Cassegrain de 14 polegadas. Autor: Usuário TC-Fenua, Astrobin.

 Onde Encontrar:
E em outras lojas de equipamento astronômico, além de fóruns de astronomia e sites de leilões estrangeiros

quarta-feira, 5 de março de 2014

Qual câmera para astrofotografia você pode comprar por até 1500 reais?

No post anterior eu falei sobre câmeras até 500 reais. Agora quero falar sobre a faixa de câmeras imediatamente acima, onde os modelos estão em valores que vão de 800 a 1500 reais. Para quem tem condições financeiras e vontade para gastar um pouco mais de mil reais numa câmera para astrofotografia, o mundo costuma ser bem mais feliz do que para quem só pode ou quer gastar 500 reais neste equipamento. 

Falando de forma mais séria, a experiência com astrofotografia pode começar de forma muito mais gratificante quando você tem 1500 reais na mão. Para fotos planetárias você não vai precisar mais recorrer a uma Webcam e sim usar uma câmera feita para o trabalho e, acreditem, uma câmera de primeira linha que você dificilmente trocará por outra mais cara no futuro. Para fotografia de céu profundo você não precisará recorrer a uma DSLR fabricada 20 anos atrás. Pode comprar um modelo de entrada novo ou uma um pouco melhor seminova. Só não vai poder comprar na Fnac e sim no Mercado livre ou na Feira do Paraguai mais próxima. Se estiver disposto a comprar uma DSLR mais antiga, tem chance até de conseguir uma modificada para astrofotografia, de algum astrofotógrafo que decidiu fazer um upgrade, desistiu da astrofotografia ou simplesmente morreu de velhice.

Uma câmera de vídeo planetária de ponta

Primeiramente uma explicação: Porque quando me refiro a câmera planetárias, normalmente as trato como câmeras de vídeo e não fotográficas? A resposta é simples, as boas imagens planetárias são feitas com empilhamento de centenas ou mesmo milhares de fotos, então a forma mais rápida de se conseguir muitos frames é filmar o planeta e não fotografá-lo.

O problema é que para planetas, principalmente quando o conjunto Câmera+Telescópio for capaz de pegar muitos detalhes, está filmagem não pode demorar muito, senão a rotação do planeta pode começar a borrar a imagem. Sendo assim, quanto mais rápida for a câmera, mais frames você conseguirá para empilhar antes da rotação do planeta afetar sua imagem. Para Júpiter, por exemplo, está necessidade é crítica devido à intensa atividade atmosférica do planeta.

Por isso, as câmeras capazes de fazer mais frames por segundo são as preferidas. Alguns astrofotógrafos conseguem bons resultados a 10 frames por segundo, às vezes até menos, mas isso não quer de forma alguma dizer que elas não ficariam melhores com mais frames, muito pelo contrário.

Até alguns pouquíssimos anos atrás (1 ou 2), quem quisesse uma câmera planetária de ponta tinha que adquirir uma Imaging Source. O modelo mais popular era a DMK21, com resolução de 640x480, capaz de gravar 60 frames por segundo e que custa cerca de 450 dólares no exterior. Para astrofotógrafos mais avançados, a Skynix 2.0, da Luminera, cujo modelo mais barato custava mais de mil dólares, era a escolha.
A ASI120 da ZWO

Mas no ano passado  surgiu uma nova opção: as câmeras ASI da ZWO, que chegaram ao Brasil através do Site Armazém do Telescópio. O pioneirismo do Armazém é merecedor de elogios, quando  o site passou a vender as câmeras, praticamente ninguém tinha ouvido falar delas e no começo as ASI foram vistas com muita desconfiança. Hoje são as câmeras preferidas dos astrofotógrafos planetários brasileiros, com destaque para as ASI120mm e sua equivalente colorida, a ASI120mc, que custam cerca de mil reais no Armazém e 300 dólares no exterior.

Na época do lançamento no Armazém do Telescópio, pesquisas no Google mostravam muitas poucas imagens feitas com as ASI120. Quase todas vinham acompanhadas com textos escritos em línguas orientais totalmente incompreensíveis para quem, como eu, mal consegue falar inglês. Mas a qualidade dessas imagens, aliadas a preços muito mais em conta do que as concorrentes, mais a versatilidade da câmera, que permitia filmar em resoluções variadas, enquanto as concorrentes só filmavam na resolução nativa, o que permitia as ASI120 atingirem velocidades incríveis (até 215 frames por segundo na resolução 320x240), logo fez com que as ZWO se tornassem populares.

Hoje, é fácil ver até mesmo astrofotográfos avançados, possuidores de câmeras da Luminera adquirindo as câmeras da ZWO. Inpressiona ainda mais ver alguns usuários conseguindo imagens planetárias com os modelos coloridos que não deixam nada a dever às feitas com câmeras monocromáticas.

Mas não foi somente a ZWO que chegou no Brasil. Através do site Tellescopio.com, a QHY também deu as caras com modeles muito interessantes. O modelo planetário da marca é a QHY5. A câmera tem basicamente o mesmo sensor da ASI120, o MT9M034 CMOS de resolução 1280x960pixeis e também filma mais rápido na resolução menor.

Vale lembrar que resolução menor pode parecer algo negativo, mas é irrelevante quando o planeta ocupa somente um espaço pequeno no campo de captura do sensor. A diminuição da resolução faz com que a câmera filme apenas naquele pedaço onde está o planeta e preserva a qualidade da área de captura.

A QHY5 é vendida por cerca de 1000 reais no Tellescopio.com.br. Esta câmera tem se popularizado menos do que o modelo da ZWO, mas parece ter qualidade e preços bastante equivalentes. O fato da ZWO ser vendida pelo Armazém de Telescópio, há anos o site mais popular em equipamentos de astronomia, tem pesado muito a favor das ASI.

Júpiter, fotografada pela ASI120mc do Flávio Fortunato. Esta imagem impressiona por ter sido feita com uma câmera colorida, além disso, foi captada por um telescópio de 10 polegadas em montagem dobsoniana, sem acompanhamento.

Saturno, com a QHY5 num telescópio de 12 polegadas, captura por Avani Soares.


Uma DSLR de entrada nova


Com até 1500 reais é possível também entrar no mundo da fotografia de céu profundo com uma DSLR razoável. Com esta grana você consegue comprar uma Canon T3 no Mercado Livre. Para quem está interessado em céu profundo, é uma compra que vale muito a pena, talvez a mais indicada. Com um sensor muito maior do que câmeras compactas ou superzoons, a Canon T3 consegue imagens com muito menos ruído e com tempos de exposição maiores. Possui um adaptador simples e fácil de encontrar que permite conectá-la a praticamente qualquer telescópio, mas também fotografa muito bem quando usada junto com boas lentes, além de poder ser usada numa montagem mais leve e ser mais portátil nessa condição. A fotografia com lentes é muito indicadas para nebulosas de campo aparente maior, como Ámérica do Norte, Rho-ophiuchi, entre outras.

Mas por que uma DSLR da Canon e não de outras marcas? Principalmente a Nikon. A resposta é que a Canon é muito mais popular entre os astrofotógrafos do que as outras marcas. Isto resulta em mais acessórios e programas compatíveis, e também mais informação sobre técnicas e modificações. Além disso, a Canon é a única entre as fabricantes que deixa explícito saber que a astrofotografia é um mercado para seus produtos, ao fabricar modelos feitos especialmente para o uso em astrofotografia, como a 60Da. Fora isso, quanto a sensibilidade e qualidade de imagem, não é possível dizer que a Canon é superior a seus concorrentes, principalmente à Nikon.

Nesta imagem, com um telescópio de 10 polegadas e uma NEQ-6, o astrofotógrafo Eduardo Bueno  tirou o máximo de sua Canon 1000D, modelo anterior à T3.


Uma DSLR um pouco mais avançada, usada.

Sim é possível comprar até uma T3i nessa faixa de preço,se for usada. Uma das diferenças da T3i em relação a T3 é o sensor de 18 megapixels, mas imagens feitas com DSLRs com sensores de APC de 12 megapixels não tem deixado nada a dever às feitas com sensores de 18 megapixels. Então acho que o sensor não é tão determinante na escolha, me fazendo preferir uma T3 nova do que uma T3i usada. Já para quem vai fotografar sem computador, o LCD móvel é de grande ajuda para o registro de objetos próximos ao zênite.

M16 fotografada com a Canon T2i (equivalente a T2i), antes da modificação, com um refrator de 4 polegadas.


UMA DSLR modificada usada de um astrofotógrafo

Já foi falado neste blog sobre a importância de se modificar sua DSLR, retirando o filtro original à frente do sensor, que bloqueia grande parte da luz vermelha emitida por nebulosas de emissão, por outro que deixe toda a luz das nebulosas passarem. Essa modificação tem sido a grande dificuldade dos novos astrofotógrafos Brasileiros. Poucos são os que julgam ter condições de realizar esta modificação (eu inclusive) sendo necessário a ajuda de um profissional em equipamentos fotográficos para a realização da alteração. Além de ser difícil achar um profissional capacitado, mais difícil ainda é encontrar o filtro, que tem de ser importado e exige pesquisa para a compra do modelo correto.

Uma boa alternativa é a compra de uma DSLR já modificada. Encontrar uma DSLR modificada por menos de 1500 reais não é algo fácil, mas às vezes acontece. Astrofotógrafos estão sempre fazendo upgrades e querendo equipamentos melhores, alguns acabam saindo da atividade por motivos particulares, outros estão simplesmente precisando de dinheiro. Então se você ficar experto, vai acabar encontrando uma.

Os melhores lugares para se encontrar uma DSLR modificada usada são em fóruns de astronomia ou astrofotografia. Há bons grupos do Facebook, como o Mercado de Astronomia, ou o Brechó de Astronomia onde há chance de uma aparecer por lá. Você também pode procurar em fóruns no exterior, como o CloudyNights ou Astromart. Mas não espere encontrar modelos mais recentes por até 1500 reais. Vai ter que ser uma DSLR antiga, provavelmente sem o útil live view e você ainda vai ter que dar um jeito de escapar dos impostos se não quiser pagar mais do que isso por sua DSLR.

Em resumo, ter uma DSLR modificada sem pagar muito não é fácil, mas é possível. Tem que pesquisar muito e aproveitar as oportunidades, mas pela qualidade das imagens que consegue, principalmente das nebulosas vermelhas, pode valer muito a pena.

Nebulosa da Lagoa, fotografada pelo Astrofotógrafo Sandro Rosa com uma Canon 450D modificada. 

Uma CCD de baixa resolução usada

Orion Starshoot G3 Deep Space

Sim, é possível comprar uma CCD refrigerada voltada para astrofotografia por menos de 1500 reais, bem pouco menos, diga-se de passagem. Esses dias havia uma a venda no mercado livre por 1450 reais e se você estiver no exterior, pode até conseguir comprar uma nova com esse montante. Uma Orion Starshoot G3 Deep Space custa 500 dólares em seu modelo monocromático e somente 400 na versão colorida. Outro modelo acessível nesta faixa de preço, é a Atik Titan, mas somente se comprada usada.

A característica mais marcante de uma CCD para céu profundo acessível por menos de 1500 reais será sua baixa resolução. O sensor típico de uma câmera encontrável nesta faixa de preço é o ICX419ALL da Sony, com uma resolução de 752 por 582 pixels. Num telescópio, este sensor produzirá um campo suficiente para a fotografia de galáxias e nebulosas planetárias. A boa notícia é que, apesar do sensor ser muito pequeno, a sua qualidade não deve nada aos sensores de câmeras mais caras, sendo possível conseguir imagens realmente muito boas com essas câmeras, se você não espera publicar um poster de seu resultado. Mas fuja dos modelos coloridos, a qualidade da imagem é muito próxima ao que se consegue com uma DSLR, com muito menos resolução.

Os lugares onde você pode encontrar uma câmera dessas por menos de 1500 reais são os mesmos onde talvez você encontre uma DSLR modificada: fóruns de astronomia e sites de leilões.

M27, fotografada com uma Orion G3 num refletor de 8 polegadas. Autor: Barry E.

Lembre-se, a qualidade das imagens mostradas neste post não representa a total capacidade das câmeras. Elas variam pelo equipamento usado, experiência e habilidade do astrofotógrafo, bem como na qualidade do céu no local e momento da captura.