domingo, 15 de julho de 2012

IC 4628 - Nebulosa Falso cometa - Um alvo difícil fotografado da varanda do apartamento


Ontem eu voltei a Nebulosa Falso Cometa, nebulosa que havia fotografado durante o Quarto EBA, em julho do ano passado. A diferença é que eu não tinha a disposição o céu escuro da Chápada dos Veadeiros, já que não pude ir para o Enoc do Casb neste fim de semana. Tive que me virar com o céu da varanda do meu apartamento, no Águas Claras, bairro hiperdenso no meio do Distrito Federal.

Falso cometa é uma nebulosa bem pálida e num primeiro momento pode parecer um alvo impossível de uma área com tanta poluição luminosa, como a que vivo. Mas eu agora estou armado com um Filtro CLS, cuja função é justamente reduzir os efeitos da poluição luminosa e estava ansioso para testá-lo. Eu estou a poucos dias do EBA e também queria me entender melhor com a minha montagem e a auto-guiagem, que ultimamente estava muito rebelde. Num evento como o EBA, autoguiagem é fundamental. Ano passado eu fui muito bem sucedido usando como câmera guia uma Celestron Neximage não modificada, capaz de exposições de no máximo 0.2 segundos. Será uma vergonha se eu não conseguir usar a autoguiagem esse ano, quando tenho nas mãos uma DBK41, com 4 vezes mais campo e capacidade de exposições de até 60 minutos (embora dois ou quatro segundos seja o máximo razoável para autoguiagem).

Voltando a falar da foto de ontem, é claro que mesmo com o filtro CLS ela foi prejudicada pela enorme poluição luminosa da minha região e no momento da captação a autoguiagem não estava lá uma maravilha. Apesar disso, consegui poucos, mas bons 25 frames de 60 segundos e arrancar Falso Cometa da poluição luminosa foi uma vitória. Consegui uma foto que considerei até superior a que fiz da mesma nebulosa, um ano atrás, durante o quarto EBA. Naquela foto usei frames bem mais longos, de 3 minutos, mas foram apenas 8, a câmera ainda não era modificada e, principalmente, o foco foi uma tragédia.

Imagem da Nebulosa Falso Cometa feita durante o Quarto EBA, em julho de 2012, repare em como o foco estava ruim.
Para finalizar deixo para vocês uma interessante foto feita com oito imagens. Na coluna da esquerda temos quatro imagens de frame único feitas com o filtro CLS com exposições de 15, 30, e sessenta segundos em ISO 1600 e a última de 60 segundos em ISO 3200. Já na coluna da direita vemos frames do mesmo objeto, com os mesmos tempos de exposição, mas sem o uso do filtro.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Quando é preferível começar com um telescópio e não com um binóculo?

Quase todo mundo que decide entrar neste  universo mágico, encantador e viciante que é a astronômia, tem como segundo pensamento comprar um telescópio. Afinal o telescópio parece ser um instrumento tão básico para um astrônomo quanto um piano parece ser necessário para um pianista.

Mas quando decide consultar astrônomos mais experientes sobre qual telescópio comprar o que um novato mais escuta é: "Você não deve começar com um telescópio e sim com um binóculo". Sim, na maioria das vezes essa é a coisa certa a se fazer: começar com um binóculo, pois este, com um campo muito maior, torna-se uma ferramente muito mais simples para se conhecer o céu. Mas não devemos tomar isto como uma verdade universal. Existem sim, condições em que um telescópio pode ser o instrumento ideal para começar em astronomia e não o binóculo. Se você se enquadra nas condições abaixo, pode sim pensar num telescópio como primeiro instrumento astronômico:
  1.  Quando se mora num lugar com grande poluição luminosa.
  2.  Quando tem muito poucas ou nenhuma oportunidade de se dirigir a uma área sem poluição luminosa.
Em áreas com grande poluição luminosa, você conseguirá, com um bom binóculo, ver algumas estrelas a mais e talvez a nebulosa de órion, mas será só isso: mais pontinhos brancos na lente, e nem são tantos assim. Fazer observações mesmo das nebulosas mais brilhantes, da estrutura da via-láctea ou de galáxias vizinhas, como a Pequena e a Grande Nuvem de magalhães é algo totalmente possível e divertido com um bom binóculo de 50 ou 60mm se você estiver longe da cidade, mas é inviável em uma área com grande poluição luminosa. Por isso, se você não tem como ir para longe das luzes da cidade, a verdade é que fará muito pouca coisa com um binóculo. Até conseguirá ver as Luas de Júpiter, embora com dificuldade, pois o disco do planeta não estará redondo e as Luas só aparecerão quando estiverem longe do planeta. E nem conseguirá dividir os anéis de Saturno do disco daquele planeta.

Se você está na cidade e não tem condições de ir para uma área rural, um pequeno refrator de 70 ou 80mm, ou um refletor de 114mm pode lhe dar muito mais alegria e diversão do que um binóculo. Na cidade, os objetos que são menos afetados pela poluição luminosa são muito melhor vistos com um telescópio do que com um binóculo. Com um refrator de 70mm de abertura e 700mm de distância focal é possível vislumbrar os aneis de Saturno e ver como o ângulo do planeta se altera em relação a Terra, é possível também ver as duas faixas principais de Júpiter e até a grande mancha vermelha. Acompanhar a movimentação das Luas de Júpiter torna-se algo divertido. Também é possível acompanhar as fases de Vênus e Mercurio e explorar a Lua torna-se um deleite que pode lhe ocupar por anos se você quiser saber o nome de todas as crateras e formações que visualizar. Também é possível visualizar alguns poucos, detalhes de Marte, como a calota polar. E a grande nebulosa de Órion será uma visão muito melhor do que no binóculo. Você também poderá separar várias estrelas duplas indivisíveis ao binóculo, como Alpha Centauri e Alpha Crux. Além disso tudo, muitos aglomerados abertos mais brilhantes, como caixinha de Joias, M7, M6 e M44 serão objetos muito mais interessantes do que seriam num binóculo.


Na cidade é muito difícil ver objetos de céu profundo, mas objetos brilhantes do Sistema Solar não são afetados

O telescópio tem outras vantagens em relação a um binóculo: normalmente vem com um prisma de 90 graus que permite muito mais conforto na visualização com tripé. Um binóculo normalmente não vem com tripé, e mesmo com um, observar objetos que estão no zenite pode ser algo bastante desconfortável. Um telescópio também lhe permite trocar de oculares e ver objetos maiores ou menores com um aumento mais adequado ao objeto sendo observado.

Por isso tudo, se você está na situação apontada acima, possui pouco dinheiro, mas está doido para comprar um telescópio como primeiro instrumento astronômico e não um binóculo, não se envergonhe em começar pelo telescópio. Você não está fazendo a coisa errada. Na verdade os dois são instrumentos essenciais para astronomia. Quase todo astrônomo amador  que se dedica a observações possui os dois. Normalmente usa o binóculo para reconhecer o céu e o telescópio para a observações propriamente dita. Na verdade seja por qual deles você optar, irá sentir a falta do outro.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Um Mamute no Sol - Achei uma outra foto

Uma das fotos mais clássicas e mais comentadas deste astrofotógrafo que aqui escreve foi a famosa: Um manute no Sol, que fotografei em 27 de agosto de 2011, ainda com o Coronado sem modificações, com apenas 40mm de abertura e com a Celestron Neximage. Eu sempre me perguntei se aquela proeminência reamente pareceu um mamute ou se era apenas devido a pouca qualidade do meu setup da época.

Hoje, navegando pela internet, tive a felicidade de encontrar um registro, feito com um setup muito superior ao que eu tinha naquele dia, em que a proeminência está identica ao que foi registrado por mim, com muito mais qualidade e resolução, é claro. Ela foi fotografada quase às sete horas do horário universal. Eu devo ter fotografado o Mamute quase neste mesmo horário. O fotógrafo foi Jim Ferreira, da Califórnia - EUA, que fez a imagem com um telescópio de 100mm de abertura e um filtro Day Star Ion H-Alpha em 0,8 angstrons. Não consegui identificar a câmera.

O mamute fotografado por Jim Ferreira, com o telescópio de 100mm e um filtro Daystar de 0,8A

A mesma proeminência registrada por mim. Imagem feita com o Coronado PST e a Neximage, da varanda de meu antigo apartamento.
A imagem do Jim Ferreira prova que a proeminência realmente parecia um mamute e a imagem em minha foto não foi provocada somente pela limitada qualidade ótima do meu equipamento. Tenho que dizer que achei muito legal encontrar este outro registro.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Grande Erupção solar em 30 de Junho de 2012 - Reprocessamento


Aqui vai um post rápido. Eu reprocessei a minha imagem da grande erupção solar que fotografei sábado passado. Foi porque o Vitor, do Cosmofórum havia comentado que a imagem não parecia estar com o foco perfeito. Eu confesso que não havia percebido isso, mas com um processamento um pouco mais apurado acho que consegui melhorar a imagem. Espero que tenham gostado do resultado.

Para não parecer que apenas pintei a imagem de azul, deixo abaixo uma comparação entre a nova imagem e a imagem anterior:


Não estranhem a cor azul. Na verdade quase todas as boas imagens solares são feitas com câmeras monocromáticas e normalmente o astrofotografo escolhe a cor que produz a imagem que mais lhe satisfaz. Muitos usam cores amarelas ou vermelhas porque lembram o Sol como vemos, outros preferem cores frias (acho até que isso tá na moda). O Rogério Marcon, um dos melhores astrofotógrafos solares do mundo prefere o violeta, e outros, uma minoria, mantém a cor original.

Um registro da força da DMK 21AU02.AS - Como acontece o milagre da multiplicação dos pixeis?


A DMK21AU02.AS, câmera monocromática da Imaging Source com resolução de 640x480 é realmente uma câmera impressionante. Por quê? Porque acho incrível que a câmera consiga uma imagem como a vista acima com uma resolução de apenas 640x480. Cliquem na imagem acima e reparem que ela tem resolução próxima a 1280x960 e preste atenção na nitidez dos detalhes. Como é possível isso acontecer?

Bem, há vários motivos para que tal milagre seja possível, o primeiro é que está câmera é monocromática, que como dito num post recente, é três vezes mais sensível do que uma câmera colorida, segundo é que está imagem não foi resultado de uma foto, e sim de um vídeo de 2000 quadros em que os 1500 melhores foram empilhados no Registax 5.1. Terceiro por que na hora de empilhar os vídeos, em marquei uma opção chamada Drizzling. Essa opção permite que eu multiplique a resolução da imagem final, aumentando em duas vezes a largura e a altura, criando uma imagem com 4 vezes mais resolução, transformando os frames de 0,3 Mega pixels em um frame final com mais de um megapixel. Esse resultado nem sempre dá bons frutos com qualquer câmera, mas numa DMK21 produz resultados impressionantes.

terça-feira, 3 de julho de 2012

O Sol e a Lua com a DBK 41AU02.AS e redutor focal GSO 0.5x

O Sol em H-Alpha com a Imaging Source Colorida (DBK41) e o redutor focal da GSO, numa imagem que considerei excelente para uma câmera colorida fotografando em banda estreita.

Recentemente comprei um redutor focal do Armazém do Telescópio. (Clique aqui para ver o produto). Confesso que esse é o tipo de compra que às vezes faço porque tou meio sem nada pra fazer. Nada como aquela emoção de estar esperando um produto pela internet para dar uma animada naquela semana vazia. É o tipo de compra que eu sei que posso me decepcionar, mas cujos riscos fazem parte da eventura.

Um redutor focal para telescópio é uma lente colocada entre a objetiva e o sensor da câmera, com a função de diminuir o aumento da imagem. A ideia é aumentar o campo de visão para nebulosas e galáxias que não caibam no campo de visão original gerado pelo sensor num determinado telescópio. Também ajuda muito em fotos lunares e solares quando se deseja pegar o disco todo destes astros e eles não cabem na imagem. Uma solução ao redutor é o uso de mosaicos (juntar várias imagens), mas quem já tentou fazer um mosaico do Sol sabe o quanto é difícil conseguir uniformidade no brilho da imagem. O principal objetivo da compra desse redutor era justamente conseguir campos maiores do Sol.

O maior problema ao se adquirir um redutor focal é que na maioria das vezes não sabemos como ele irá alterar o foco de nosso equipamento, podendo fazer o foco recuar muito, ou, o que é pior, avançar até entrar no tubo do telescópio, o que costuma exigir uma solução bem mais trabalhosa.

O redutor focal do Armazém do Telescópio estava bem barato, por isso eu sabia que a chance de não conseguir bons resultados era grande. Posso dizer que o instrumento teve seus altos e baixos desde a sua chegada. Os maiores baixos foram com céu profundo. Ele não deu foco com a Canon T2i em meu refrator ED de 102mmF7. Ficou parecendo que eu precisava de mais meio metro de tubo para conseguir o foco. Bem, pelo menos o foco estava pra fora e eu não precisaria cortar o tubo se quisesse usar.

Uma coisa engraçada: no site do Armazém do Telescópio há uma resposta a um usuário que não conseguiu foco com sua câmera. O site sugere como solução utilizar uma barlow para colocar o foco no lugar novamente. Eu fiz isso mas considerei uma idiotisse. A imagem ficou do mesmo tamanho do que se estivesse sem nenhum dos dois. Não ganhei o aumento da Barlow nem a diminuição do redutor, mas ganhei a aberração cromática dos dois.

Também não gostei do redutor para fotos de céu profundo com as câmeras da Imaging Source, com ambas as câmeras as estrelas nas bordas ficavam parecendo cruzes ao invés de pontos. Isso foi nos frames, me pergunto se o DSS conseguiria corrigir essa falha no empilhamento. Confesso que não usei o redutor para observação de céu profundo. Fico devendo isso, sempre me concentro mais em astrofotografia.

Na verdade para observação só usei o redutor com o Coronado PST atachado ao ED de 102mm e foi com ele atachado a uma ocular de 10mm que consegui vizualizar minha melhor imagem do Sol até hoje e isso foi muito bom. A imagem vista com esse conjunto curiosamente foi mil vezes superior ao que consegui com uma ocular de 20mm, mas isso provavelmente é devido as peculiaridades que essa modificação provoca, muitas oculares tem comportamentos completamente bizarros com a configuração Coronado PST + ED 102mm.

Mas nem tudo é tristeza na fotografia. No último sábado fiz duas fotos com o redutor focal que considerei bem legais. Fotografei o Sol com a colorida DBK41, que tem um campo bem maior que a monocromática DMK21. E gostei muito da imagem. O legal de se fazer uma foto do Sol sem o uso de mosaico e que conseguimos deixar o Sol com o aspecto esférico, tridimensional, e não como um disco bidimensional, que comumente vemos em mosaicos.

Na segunda foto, fotografei a Lua quase cheia também com a colorida DBK41 + redutor focal. Ao contrário do Sol, a Lua coube com sobras no campo de visão. Essa diferença deve ter sido causada porque para fotos solares eu tive que improvisar a adaptação da câmera, tirando o adaptador da Imaging Source e deixando o redutor mais próximo do sensor do que o normal, o que aumentou o disco solar. Apesar disso, como a atividade solar concentra-se normalmente próxima a região do equador, acho que posso continuar fotografando o Sol com essa configuração sem me preocupar em pegar os pólos.




Para a Lua eu também gostei muito do resultado final pós-processamento. Mas não posso deixar de dizer que o redutor provocou uma forte aberração cromática nas bordas. A imagem abaixo, um crop da foto em tamanho original, antes do tratamento, deixa isso bem claro. Nessas horas me pergunto se esse redutor não é mais voltado para observação do que para fotografia. Vou fazer algumas observações no próximo final de semana para dizer o que achei dele no céu noturno. Apesar de tudo, essas duas fotos acima mostram que, com o processamento certo, é possível se conseguir boas fotos com o redutor da GSO.

Crop da Lua fotografa com o redutor Focal da GSO mostra a aberração cromática provocada pelo redutor.

Redutor focal 0,5x da GSO usado nas fotos deste post.

sábado, 30 de junho de 2012

O Sol Hoje - 30 de Junho de 2012 - E um pouco sobre câmeras coloridas e monocromáticas para Astronomia

O Sol com a monocromática DMK21AU02.AS de resolução 640x480
A mesma área com a DBK41AU02.AS, com resolução de 1280x960.

 Hoje foi dia de fotografar o Sol. Peguei a DMK21 e a DBK41, o PST modificado e fui para a varanda ficar um bom tempo fotografando a nossa estrela. Confesso que teve um momento em que estressei. É incrível que mesmo com o céu com pouquíssimas nuvens elas insistem em ficar na frente do Sol. São Pedro gosta mesmo de tirar uma comigo.

Posso dizer que o resultado mostra que querer comparar a DMK21 com a DBK41 para fotos solares é uma luta inglória. Em banda estreita o desempenho da câmera monocromática (DMK) é muito superior ao da colorida. É claro, se eu não tivesse a DMK, a DBK seria até uma câmera legal para tirar fotos do Sol em H-Alpha, mas com uma câmera monocromática nas mãos isso fica meio sem sentido. A não ser que se queira fazer um post em seu blog para comparar as duas.

Devo lembrar a quem não está entendendo, que a diferença entre uma câmera monocromática e uma colorida é que a câmera colorida utiliza cada 3 pixels do seu sensor para dizer a um pixel qual cor ele devera ter. Na verdade todos os sensores da câmera colorida são capazes, como na monocromática, de dizer apenas o nível de luz que está recebendo. Mas a câmera colorida designa um terço de seus sensores para dizer o nível de luz verde recebida, um terço para a luz azul e o restante para a luz vermelha e depois faz uma interpolação entre os pixels, gerando uma imagem 3 vezes menos sensível do que se cada pixel tivesse apenas a função de dizer qual o nível de luz naquele ponto, como ocorre nas câmeras monocromáticas.

Sim, câmeras monocromáticas serão sempre superiores a câmeras coloridas. Mas então porque quase toda câmera astrofotográfica além de modelo monocromático também possuí o modelo colorido? A resposta é porque câmeras monocromáticas são mais complicadas de se usar. Você é obrigado a gerar três imagens monocromáticas para conseguir uma imagem colorida. Em cada uma dessas imagens monocromáticas você terá que colocar um filtro entre o objeto e o sensor da câmera. Para isso também precisará de uma roda de filtros. Esse equipamentos adicionais não costumam ser baratos e acrescentam ainda mais peso ao seu setup. Não será só na captação que o trabalho será triplicado, mas também no processamento. Em resumo, Astrofotógrafos adquirem câmeras coloridas simplesmente por praticidade, quando não possuem tempo nem ânimo para o trabalho que é tirar fotos monocromáticas e depois juntá-las.

Pelo que tenho percebido, a diferença de qualidade entre uma câmera colorida e uma monocromática varia de acordo com o seu alvo. Para a Lua e objetos de seu profundo fotografados em suas cores reais a diferença existe, mas é menor. Para planetas essa diferença aumenta consideravalmente, embora hajam excelentes fotos planetárias feitas com câmeras da Imaging Source Coloridas por astrofotógrafos muito bons. Já para imagens de objetos de céu profundo captadas com filtros de banda estreita (conhecidos como corres mapeadas, estilo Hubble) e para o Sol em H-Alpha essa diferença é grave. Há muito poucas boas fotos do Sol em H-Alpha feitas com câmeras coloridas.

Há quem diga que eu não devo falar mal da DBK41, porque eu devo por essa câmera a venda daqui alguns meses. Mas eu não sou de ficar baseando meus comentários por meus interesses. A DBK41 tem pontos fortes e suas vantagens, eu gostei muito dela para DSO's e ela é uma câmera de autoguiagem superior a DMK21. Mas não devo me abster de dizer aqui seus defeitos. A imagem feita pela DBK41 ficou até legal, mas fica claro que a DMK21, mesmo com quatro vezes menos resolução, consegue mostrar muito mais detalhes. Imagina se a Bright Star tivesse me mandado a DMK41? A imagem com a câmera colorida foi feita com o auxilio de uma Barlow de 2x, para que os campos se equivalessem.

Termino este post com uma imagem de uma erupção espetacular que surgiu no Sol hoje, que eu não poderia deixar de captar com a DMK21AU02.AS

Um grande abraço a todos!


domingo, 24 de junho de 2012

Finalmente um céu realmente limpo e consigo boas fotos com a DBK41AU02.AS

Finalmente eu tive um céu realmente bom aqui do meu apartamento. Ao contrário do que tem acontecido nas últimas três semanas, entre as sete da noite e a meia noite, hoje o céu ficou limpo aqui em Brasília, e pude pela primeira vez fotografar com calma duas nebulosas da constelação de Sagitário, Lagoa e Cisne. E tenho que dizer, o resultado me deixou absolutamente feliz.

Deve-se lembrar sempre que essas fotos foram tiradas de uma área com grande poluição luminosa. Eu estou no meio de uma metrópole com quatro milhões de habitantes e o bairro em que moro é uma das áreas mais densas de Brasília. Daqui a três semans vou para Alto Paraíso, para participar do EBA (Encontro Brasileiro de Astrofotografia) e tenho certeza que lá vou conseguir fotos muito melhores do que as que consegui hoje.

O que mais gostei das fotos foram as cores, que ficaram com um aspecto bem natural, diferente do que muitas vezes acontece com a DSLR, principalmente em fotos aqui do apartamento.

A imagem da Nebulosa da Lagoa foi feita com 70 frames de 65 segundos. Não foi usado auto-guiagem, hoje o PHD Guiding tava com uma birra esquisita. O programa ficava o tempo todo dizendo que não conseguia calibrar a guiagem por que a estrela não se movia o suficiente na hora da calibragem. Eu nunca vi isso antes e ainda estou tentando entender o que esta acontecendo. Eu coloquei todos os frames no DSS e mandei empilhar os 80 por cento melhores no modo Kappa-Sigma Aparando.


Para a nebulosa do Cisne, eu usei um tempo de exposição menor, de apenas 30 segundos, com um pouco mais de ganho, e captei mais frames, 120. Mas nesta, preferi selecionar manualmente os melhores 75 frames antes de empilhar. Por isso foram empilhados todos os 75 no Deep Sky Stacker. Em ambas as fotos foram usados 40 dark frames.

Semana que vem teremos Lua cheia e deve me dedicar um pouco mais a Astrofotografia solar e lunar, tanto com a DMK21 como com a DBK41.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

M20 - Nebulosa Trífida com a DBK 41AU02.AS da varanda do apartamento


Apesar de ter sido mandada por engano e de ter causado uma grande decepção num primeiro momento, a DBK41AU02.AS tem dominado completamente o tempo astrofotográfico deste autor. Não é nenhuma surpresa, pois a pequena câmera é de uma versatilidade incrível e tem várias vantagens em relacão a minha DSLR que devem ser consideradas:
  •  O sensor é muito mais fácil de limpar.
  •  a câmera é muito mais leve, forçando menos o sistema.
  •  Alimentação vem do computador. Não tenho que me preocupar se a bateria está acabando e nem de recarregar as mesmas sempre antes de uma sessão de astrofotografia.
  • Gera arquivos menores que permitem um processamento muito mais rápido e ocupam menos espaço do disco rígido.
Curiosamente onde estou tendo muitas dificuldades nos últimos dias é na autoguiagem, que é feita com a DMK21, mas acredito que o problema esteja no péssimo seeing dos últimos dias. Da varanda do meu apartamento noto que mesmo as luzes do Guará, o bairro vizinho, estão piscando. Acredito que o fato de luzes tão próximas estarem apresentando oscilação seja devido a grande turbulência atmosférica. Em dias melhores somente as luzes de Sobradinho, 20 quilômetros distante, piscam, indicando um seeing mais propício ao uso da auto-guiagem. Espero que em Alto Paraíso, durante o EBA, as coisas sejam mais tranquilas.

Ontem eu tentei minha primeira nebulosa com a DBK41. Foi a Nebulosa Trífida, ou M20. As coisas não foram fáceis. O céu estava embaçado e a Nebulosa já estava muito próxima à parede do meu prédio quando comecei a fotografar. Eu também perdi muito tempo tentando ajustar a autoguiagem, o que terminou como tempo perdido.

Acabei tirando imagens com frames de apenas 25 segundos. O que eu via na tela não me empolgava muito, mesmo assim eu fui tirando fotos. Fiz umas 50 imagens, mas depois selecionei apenas a metade delas, pois a minha montagem está apresentando um nível meio preocupante de erros. 

Mas tenho que dizer que o resultado final me surpreendeu. Para pouco mais de 8 minutos de exposição total, com o céu embaçado, até que foi uma foto bem legal. Com certeza vou tentar fotografar M20 novamente no EBA com essa câmera e ver quais resultados posso conseguir num céu escuro e principalmente, se conseguir fazer a autoguiagem funcionar corretamente. Nos poucos frames com ganho no mínimo que consegui em testes, me surpreendeu o baixo nível de ruído, bem diferente de frames curtos com ganho elevado, como os usados nessa imagem de M20. Vale também lembrar que, como a câmera não possui resfriamento, tal como acontece com as DSLRs, dark frames são fundamentais. Mas se o sensor for limpo com cuidado antes de usar, Flat frames podem ser dispensados.

Abaixo resolvi deixar uma comparação entre duas imagens. Na superior vemos um único frame captado pela DBK41 da Nebulosa Trífida, com exposição de 25 segundos e ganho elevado. A imagem não é nenhum pouco empolgante, com muito ruído e inúmeros hotpixeis. Têm-se a impresão de que muito poucos resultados irão aparecer. Mas o Deep Sky Stacker é um programa fabuloso e após o empilhamento de 25 imagens surgem detalhes inimagináveis a partir de um único frame. Lembrando que o IC capture, o programa de captura da Imaging Source permite salvar em JPG ou BMP. É claro que eu sempre escolho BMP.

Comparação entre frame único captado pela DBK41AU02.AS e resultado final após empilhamento de 25 desses frames e ajustes no PhotoShop.

terça-feira, 19 de junho de 2012

As primeiras imagens com a Imaging Source DBK41AU02.AS

Como eu disse no post imediatamente anterior. Após oito meses de espera pela câmera monocromática DMK41, a Bright Star me mandou por engano a colorida DBK41. Devido ao trabalho enorme que seria para devolver essa câmera a Portugal, incluindo aí o risco de extravio pelos correios e o imposto que eu teria que pagar, decidi ficar com a DBK41 e brincar com ela até me cansar.

Admito que estou curioso para ver do que a pequena câmera colorida é capaz. Acho que ela deve realmente ser mais fraca para fotografia solar em relação a sua irmã preto e branco, mas tenho esperança de que seja uma câmera bem razoável para planetas, e boa para fotografias lunares e de céu profundo.



Primeiro vou começar com a primeira imagem solar, que vocês veem acima. É uma foto até bem legal, que me surprendeu. O céu estava muito nublado e, apesar de ter deixado o telescópio cerca de duas horas na varanda, tive pouco mais de dez minutos de Sol. Essa foto foi do único filme que fiz com a Barlow 2x Shorty da Orion, que, como sempre, trouxe bons resultados. Eu também tentei algo com um redutor focal da GSO, que mostraria o disco solar inteiro, mas o foco está um pouco para dentro e vou ter que fazer uma nova peça se quiser usar esse redutor.

Como a DBK41 é colorida, procurei deixar as cores bem próximas do que a câmera captou. Lembrando que em câmeras monocromáticas as cores são sempre conseguidas artificialmente, com o PhotoShop. É claro que eu dei um realce nas cores das manchas usando a ferramenta Cores Seletivas, mas considerei o resultado excelente.

De noite foi hora de tentar algumas imagens de céu profundo. Infelizmente o céu daqui de Brasília continua muito instável, com núvens aparecendo o tempo todo e viajando em grande velocidade. Além disso, quando finalmente o céu estava abrindo, a constelação de Sagitário, que possui as melhores nebulosas para serem fotografadas de locais com alta poluição luminosa, já estava sumindo atrás do meu prédio.

Comecei então tentando exposições curtas do aglomerado M22, que foi facilmente encontrado, como sempre. Fiz umas quarenta imagens com exposições de cerca de 20 segundos cada. Empilhei tudo no DSS e confesso que não gostei muito do resultado. Depois resolvi verificar os frames e vi que muitos estavam com erros de acompanhamento. É um erro muito sutil, mas tirar esses frames do empilhamento sempre ajuda a melhorar o resultado final, que vocês podem ver abaixo, conseguido a partir das melhores 24 imagens captadas, totalizando 8 minutos de exposição:


 Depois de M22 resolvi ir para M11, ou aglomerado de Pato Selvagem, que estava um pouco mais baixo no céu. Dessa vez eu tentei usar a autoguiagem, e fui bem ambicioso, com frames de 3 minutos. Mas estava difícil. Haviam nuvens muito rápidas para todo lado. Eu não consegui um único frame sem que uma nuvem entrasse na frente do telescópio e fizesse a DMK21 (minha outra câmera da Imaging Source, no telescópio guia) perder a estrela de guiagem. Depois de várias tentarivas frustradas resolvi baixar o tempo de exposiçào para um minuto. Com 12 frames de 60 segundos, mais 12 de 20, totalizado 14 minutos e 40 segundos de exposição, posso dizer que o resultado final me agradou muito pelas condições enfrentadas. Estou ansioso para ver a DBK41 no EBA.