sábado, 25 de janeiro de 2014

Qual câmera para astrofotografia você pode comprar com até 500 reais?

Este Blog já tem um post sobre equipamentos para Astrofotografia, mas decidi começar a desmembrar alguns assuntos e ser mais específico. Até mesmo por que alguns equipamentos tiveram mudanças nos últimos anos e, é claro, eu também aprendi mais um pouco depois dos posts anteriores.

Decidi começar falando mais especificamente de câmeras para astrofotografia, principalmente por que tenho considerado este, o grande gargalo para a maioria dos astrofotógrafos brasileiros. Muitos, munidos de ótimos telescópios, não conseguem bons resultados por estarem com câmeras que são incapazes de tirar tudo o que o equipamento óptico é capaz.

Desde que fiz os posts sobre equipamentos para astrofotografia, acho que a mudança mais significativa foi o lançamento das câmeras planetárias da ZWO, que estão literalmente pulverizando a concorrência ao oferecerem modelos mais rápidos e flexíveis do que as Imaging Source e Lumineras, por um preço que chega algumas vezes a ser uma fração do que é cobrado pelos concorrentes. A QHY também tem chegado com câmeras interessantes, principalmente para céu profundo.

Como a informação mais importante para o astrofotógrafo brasileiro quase sempre é "quanto o produto custa", vou tentar separar as câmeras não por tipos, mas por faixa de preço. Então, vamos ver quais são as melhores opções de acordo com o quanto você pode gastar com uma câmera. Vou começar por aquelas que custam até 500 reais:

Qual câmera para astrofotografia você pode comprar com até 500 reais?

No Brasil, achar uma boa câmera para astrofotografia por até 500 e que seja boa, é um desafio. O problema é que 90% dos aspirantes a astrofotografia no Brasil pedem uma indicação nessa faixa de preço. Eu sempre digo para economizarem um pouco mais e adquirirem algo melhor, mas se a impaciência é muito grande, lá vão as opções:


Uma câmera Portátil de qualidade

São as famosas Cybershots e similares. Câmeras compactas normalmente do tamanho de uma caixa de cigarros, que cabem do bolso e que possuem zoom ótico entre 4x e 10x. Você pode achar bons modelos por menos de 500 reais, mesmo novos.

Prefira as que possuem mais configurações manuais, principalmente para tempo de exposição e sensibilidade (ISO). A Canon tem algumas Powershots com comandos manuais que podem render imagens razoáveis, conseguindo tempos de exposição de até 15 segundos e tendo firmwares que podem aumentar ainda mais este tempo.

Vantagens: Fáceis de encontrar, ao telescópio podem aumentar a imagem através do zoom óptico, dispensando o uso de Barlows.
Desvantagens: Sensores pequenos com resolução muito alta gerando grande ruído praticamente em qualquer nível de sensibilidade. Muito difícil de retirar as lentes para foco primário sem prejudicar o funcionamento da câmera. Normalmente usa-se o método afocal, com a lente da câmera apontado para o telescópio. As lentes precisam de adaptadores desajeitados para acoplar ao telescópio (alguns astrofotógrafos preferem até construir seus próprios adaptadores). A imensa maioria tem poucos comandos manuais, por isso pesquise muito antes de comprar.
Recomendada para: fotografia Lunar, solar (com filtros adequados) e fenômenos meteorológicos. conseguem fazer widefiel de céu profundo. (PS: Talvez "Recomendada" não seja o termo correto. O correto seria: "Menos pior")
Onde encontrar: Lojas de departamento, lojas on-line, sites de leilão, etc. 


Imagem da Via Láctea em widefield feita com uma Canon Powershot SX120 sem telescópio. Autor - Usuário marcosastro - Astrobin

A Lua fotografada por uma Sony Cybershot num refletor de 6 polegadas: Autor - Usuário Michael_Xyntaris - Astrobin



Uma câmera superzoom de entrada ou usada.

Câmeras superzoom são aquelas câmeras que estão entre as compactas e as DSLRs. Eles são mais encorpadas que as compactas, podendo ter quase o tamanho de uma DSLR, possuindo lentes bem maiores do que as câmeras compactas, mas usando praticamente os mesmos sensores. Por isso a maior vantagem que tem em relação as compactas está na possibilidade de zoons mais elevados e não numa melhor qualidade de imagem.

Na verdade para fotografia com telescópio, as superzoons são ainda menos adequadas do que as câmeras compactas, por serem muito pesadas e grandes, colocá-las num adaptador é ainda mais difícil e eles podem desalinhar apenas com o próprio peso. As lentes maiores tornam o alinhamento com a ocular ainda mais difícil. Por isso são pouco recomendas para astrofotografia com telescópio. Normalmente o que dá para fazer com uma câmera superzoom é fotografar a Lua, com o zoom no máximo e fazer imagens de céu profundo, com o zoom no mínimo, com uma qualidade próxima a que se consegue com uma câmera compacta com recursos manuais. Essa qualidade é muito inferior ao que se conseguiria com uma DSLR.

Vantagens: Fáceis de encontrar, aumentam muito a imagem através do zoom óptico.
Desvantagens: Como as compactas, possuem sensores pequenos com resolução muito alta, gerando grande ruído praticamente em qualquer nível de sensibilidade. Também é muito difícil de retirar as lentes originais sem prejudicar o funcionamento da câmera. Seu uso em adaptadores é ainda mais desajeitado do que nas câmeras compactas, devido ao maior volume e peso.
Recomendada para: fotografia Lunar, solar com filtro adequado e fenômenos meteorológicos. (aqui também o termo "menos pior" caiba melhor do que "recomendada")
Onde encontrar: Lojas de departamento, lojas on-line, sites de leilão, etc.


A esquerda, uma superzoom num adaptador para telescópio, A direita uma câmera compacta.


Uma Webcam de qualidade

- Uma boa webcam custa entre 100 a 300 reais. Existem boas webcams a venda em boas lojas de informática ou no mercado livre. Normalmente é necessário fazer uma modificação, tirando a lente original da câmera para expor o sensor diretamente a luz emitida pela objetiva. Essa adaptação é muito mais fácil do que nas câmeras portáteis, normalmente basta desparafusar a lente e encaixar a câmera de algum modo no telescópio que pode ser bem artesanal. Por serem muito leves, essa adaptação pode ser feita até com fita adesiva de qualidade. Algumas câmeras, como a Phillips SPC900, hoje muito difícil de encontrar, tem adaptadores disponíveis do mercado. As melhores possuem sensor CCD, mas já existem algumas com sensores CMOS que entregam imagens aceitáveis. A Microsoft tem algumas boas Webcams em linha que podem trazer bons resultados.

Vantagens: Mais fáceis de adaptar a telescópios do que as Cybershots. Vídeos são gravados em extensões mais compatíveis do que nas compactas. Sensores são pequenos, mas modelos com menor resolução, como o SPC900, geram mais sensibilidade e menos ruído.
Desvantagens: Necessita pesquisa para saber quais são os modelos de qualidade, a grande maioria das boas webcams são dificeis de achar, estão fora de linha ou mesmo são consideradas raridades.
Recomendada para: Fotografia Lunar, Planetária e Solar (com filtro adequado).
Onde encontrar: Lojas de departamento, lojas on-line, fóruns de astronomia e sites de leilão (Esse muita vezes pode ser a única opção).



WebCan SPC900nc com adaptador para telescópio. Normalmente basta desrosquear a lente e rosquear o adaptador.

Imagem feita com um Mak 127mm e uma Microsoft Lifecam Studio - Autor:  Usuário Ursa Maior - Astrobin


Júpiter capturado por uma SPC900NC da Phillips e um telescópio refrator de 120mm - Autor: Usuário JonM - Astrobin


Uma Câmera de vídeo astrofotográfica de entrada.

Existem câmeras de vídeo feitas por fabricantes de equipamentos astronômicos. Entre os fabricantes mais populares, Celestron, Orion e ZWO são as que possuem equipamentos que podem ser achados por menos de 500 reais. Eles são semelhantes às Webcam de qualidade. Alguns diriam que são a mesma coisa, mas existem algumas diferenças básicas:
- Compatibilidade com os principais programas de astrofotografia planetária e podem vir com softwares próprios para captação e processamento.
- Vem prontas para conectar ao telescópio em foco primário (sem uso de ocular), não precisando comprar ou fazer adaptadores.
- Algumas possuem opções de tempos de exposição maiores, podendo ser aproveitadas como câmeras de autoguiagem em setups para fotos de céu profundo.

Hoje há duas categorias, as que possuem sensores com resolução VGA (ZWO ASI030MC, Celestron Neximage, Orion StarShoot Solar System Color Imaging Camera IV) e as com sensores de 5 megapixels (Celestron Neximage 5 e Orion StarShoot 5 MP Solar System Color Camera). Foram a Orion e a Celestron que lançaram essa tendência de câmeras planetárias com sensor de maior resolução. Apesar do marketing em cima disso, as fotos dessas câmeras não tem se mostrado melhores do que as feitas com sensores de menor resolução.
O modelo da ZWO é muito interessante pela flexibilidade, você pode reduzir o tamanho da imagem e assim aumentar a taxa de frames, o que é muito bom para fotografia de planetas, conseguindo até mesmo incríveis 335FPs na resolução 320x240, quase sempre suficiente para fotografia de planetas.


Vantagens: Prontas para adaptar ao telescópio. Sensores quando não são equivalentes, são melhores do que das melhores Webcams, compatibilidade com os softwares de captura e processamento astrofotográfico mais conhecidos.
Desvantagens: muito difíceis de achar no Brasil. No caso das ZWO, até mesmo no exterior não está fácil.
Recomendada para: Fotografia Lunar, Planetária e Solar.
Onde encontrar: Lojas on-line de produtos astronômicos, fóruns de astronomia e sites de leilão.

Nota: no exterior todas custam menos de 500 reais, mas no Brasil alguns modelos podem ser encontrados por um pouco mais do que 500, mas ainda podem ser consideradas como na mesma faixa das anteriores. Até pouco tempo atrás o Armazém do Telescópio vendia a ASI030MC por menos de 500 reais e pode ser que eles voltem, com o modelo atualizado, a ASI 034MC. Você pode adquirir a 034MC direto no site da ZWO. custa 400 reais com o frete, mas pode ser que sejam incluídos impostos na hora de entrar no brasil.

Lojas on-line de produtos astronômicos no Brasil onde você pode achar câmeras para astrofotografia.

Júpiter, fotografado com uma ASI030, num telescópio de 8 polegadas. Autor - Usuário Walter Martins - Astrobin

Júpiter, fotografado por uma Neximage 5, câmera de vídeo astrofotográfica com sensor CMOS de 5Megapixels, num telescópio de 8 polegadas..

Uma boa câmera de Segurança com sensor CCD

Sim, essa pode ser uma ideia interessante. Existem algumas câmeras de segurança disponíveis que podem ser acopladas ao telescópio produzindo principalmente imagens de céu profundo interessantes. Prefira modelos da Sony, Samsung ou outras marcas consagradas, evitando produtos de marcas genéricas que custem abaixo de 100 reais. Uma boa câmera de segurança para astrofotografia vai custar entre 200 e 300 reais no Brasil. Eu não sei muito como é a adaptação, pois dos tipos de câmera acima, foi o único que nunca usei.


Vantagens: melhores para céu profundo. Tem grande sensibilidade. Algumas são até usadas para apresentar vídeos dos objetos de céu profundo mais brilhantes ao vivo.
Desvantagens: pouco material em português disponível na internet. 
Recomendada para: Fotografia de céu profundo (não sei como se sai em fotografia planetária e lunar)
Onde encontrar: Principalmente em Lojas especializadas em equipamentos de segurança, sites de leilão.

Clique AQUI para ir a um site que explica um pouco melhor sobre câmeras de segurança para astrofotografia (em inglês)

Nebulosa de Orion fotografata com uma Samsung SDC-435 e um telescópio de 8 polegadas. Autor - Ben Mclerran - Astrobin

Nebulosa da Lagoa fotografada com uma Samsung SDC-435 e um telescópio de 5 polegadas. - Autor - Steve Wainwright

Uma DSLR bem usada 


Para céu profundo a melhor opção nessa faixa é uma digital single-lens reflex, ou simplesmente DSLR. Com um sensor muito maior do que os modelos anteriores, este tipo de câmera apresenta níveis de ruído muito menores, além da possibilidade de conectar ao telescópio por adaptadores simples e totalmente estáveis. Os modelos mais populares são da fabricante Canon, seguido pela Nikon e depois pelas outras.

O problema maior é que uma DSLR nova custa bem mais do que 500 reais e um modelo nessa faixa de preço não será uma câmera usada, mas normalmente uma câmera muito usada. Algumas podem já vir com defeitos anunciados e irrelevantes para astrofotografia, como por exemplo flash estragado. Outras podem ter problemas que você só vai descobrir depois e mais sérios. Por isso a compra é bastante arriscada, podendo ser muito recompensadora ou totalmente frustrante.


Vantagens: De longe a melhor opção para céu profundo possível nessa faixa de preço. Comandos manuais de exposição e sensibilidade, fáceis de acoplar ao telescópio.
Desvantagens: por serem mais caras, uma DSLR por 500 reais não é fácil de encontrar e quando você consegue é uma bem velhinha e a compra pode ser uma loteria. Mas há boas oportunidades disponíveis, podendo ser adquiridas em sites de leilão. No Ebay há muitos exemplares na faixa de 100 a 200 dólares.
Recomendada para: Fotografia de céu profundo e Lunar
Onde encontrar: Sites de Leilão e fóruns de astronomia.


Nota: para darem o máximo de si em imagens de Nebulosas de emissão (as vermelhas), as DSLRs precisam ser modificadas, com a troca do filtro a frente do sensor, que bloqueia grande parte da faixa das nebulosas de emissão. Está modificação é difícil, sendo recomendado que seja feita por um especialista e precisa de filtros que devem ser comprados no exterior. Apesar disso, mesmo sem a modificação, para céu profundo as DSLRs apresentam resultados bem acima dos modelos anteriores.


Nebulosas da Lagoa e Trífida fotografada por uma Nikon D40 numa lente de 55-300mm. Esta DSLR pode ser encontrada por menos de 500 reais em sites de leilão. Autor - Maurizio Ventura - Astrobin


Conclusão:
Comprar uma câmera para astrofotografia abaixo de 500 reais não é nada fácil. O meu conselho seria economizar mais um pouco e tentar juntar pelo menos mil reais, para adquirir uma DSLR usada ou uma ZWO ASI120, que tem apresentados resultados bem superiores a ASI030 e permitem fotografia de céu profundo (boas nas DSLRs, aceitáveis na ASI 120). Mas na falta de grana ou paciência, a ZWO ASI 034MC, atualização da 030MC, é uma boa compra. Se você achar uma Philips SCP900 também vale, apesar de eu preferir a ZWO. 

Neximage 5 ou Orion StarShoot 5 MP Solar System Color Camera) só se você não achar as anteriores, mas vale lembrar que elas são mais caras e têm apresentados resultados mais fracos até mesmo que seus modelos antigos, a Neximage  e a Orion StarShoot Solar System Color Imaging Camera IV. Estas tem qualidade de imagem próximas a uma SPC900 da Philips.

Se decidir por câmera compacta, pode ser que consiga bons resultados conectando ela a um telescópio. A superzoom é difícil de conectar ao telescópio e com 500 reais você vai ficar limitado a modelos inferiores ou usados. Eu evitaria está opção. Uma câmera de segurança não dará os mesmos resultados que uma DSLR, mas pode ser uma opção muito interessante para quem tem pouca grana e muita curiosidade.


Nota: A qualidade das astrofotos apresentadas neste post não representa com exatidão o que se pode conseguir com as câmeras relacionadas. Além da câmera há muitas outras variáveis que influem numa astrofotografia, como a qualidade da montagem, do instrumento óptico, as condições da captura e também a habilidade do astrofotõgrafo.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Nebulosa Cabeça do Macaco, a primeira astrofoto de 2014



Finalmente o céu abriu de forma aceitável aqui em Brasília. Infelizmente eu perdi os primeiros dias de céu limpo devido às comemorações de ano novo e as duas noites que peguei começaram bastante nubladas, mas depois melhoraram. Eu não podia perder a oportunidade.

O primeiro alvo de 2014 acabou sendo a Nebulosa Cabeça do Macaco, ou NGC 2174. Trata-se de uma Nebulosa de emissão localizada na constelação de Orion, bem na ponta, ao norte da constelação. A nebulosa está associada ao aglomerado aberto NGC 2175 e sua distância da Terra é estimada em 6,4 mil anos luz.

Cabeça do Macaco provavelmente não é dos melhores alvos para se fotografar com o setup usado, Atik 314L+Lente 200mm, mas na hora que estava preparando o setup haviam nuvens no céu. Por ser fácil de localizar, perto de uma estrela visível a olho nu, e por ser razoavelmente brilhante, era o alvo que dava pra pegar.

O resultado me agradou. Só não atingiu a perfeição por que a guiagem, feita com o céu nublado, apresentou algum rastro na captação em H-alpha. no segundo dia, quando captei as outras duas bandas de cor, oxigênio e enxofre, a guiagem estava melhor.

Notem que também fotografei com o diafragma um pouco fechado. Não adianta! A 200mm FD, tal como a 135mm F2.0 EF que eu tinha, precisa estar um pouco fechada para melhores resultados. Mas o diafragma manual traz algumas vantagens, a maior delas é poder deixar a lente totalmente aberta enquanto estou enquadrando para fechar o necessário na hora da captação. Com uma lente EF isso não seria possível. Pelo resultado da imagem, pela facilidade de uso e pelo preço, já que custou menos da metade de uma 200mm F2.8 EF nova, estou muito satisfeito com essa lente. O modelo mais novo, com diafragma automático me obrigaria a ter que colocar a lente na Canon T2i cada vez que eu quisesse variar o Diafragma. E enquadrar nebulosas muito pálidas com o diafragma em F4 iria exigir tempos de exposição maiores para este trabalho, deixando as coisas menos divertidas.

Também ajudou muito na imagem acima eu ter conseguido usar o recurso de Live view na CCD. Deixa eu explicar, live view é a possibilidade de ver ao vivo o que o sensor da câmera está mostrando. Esse recurso existe nas DSLRs mais modernas e é muito útil para se conseguir um bom foco. Você aponta para uma estrela mais brilhante e ajusta o foco até ela atingir o menor tamanho possível. Como as CCDs astronômicas não tem live view, nelas você tem que ir fotografando até conseguir a imagem que mais lhe satisfaz. Como você tem que tirar uma foto, analisar, tirar outra e assim por diante, o foco é um processo demorado e chato, principalmente quando você passa o foco do ponto e tem que ficar indo e vindo. Com o live view é possível conseguir o foco perfeito em poucos segundos.

CCDs monocromáticas teoricamente não possuem live view, mas no programa Artemis, que vem com a Atik 314L+ eu consegui simular isso muito bem. Veja como fiz:

  1. Encontre uma estrela bem brilhante.
  2. Reduza a área de captura para algo como 100x100pixels. Isso vai deixar o download muito mais rápido do que se você estive fotografando com toda a área da imagem.
  3. Mova a área de captura para sobre a estrela mais brilhante.
  4. Ajuste o sequencer para tirar fotos com 1 décimo de segundo de exposição.
  5. Programe o sequencer para tirar algo em torno de 6 mil fotos, ou quantas você vai achar necessário. Eu normalmente gasto bem menos que isso. O programa vai tirar uma foto por décimo de segundo. Então em um minuto, serão só 600 imagens muito pequenas. Com live view eu gasto bem menos que isso para conseguir o foco, deixo 6 mil só para não ter pressa nenhuma.
  6. - Clique em "Run" no sequencer. Como as imagens são muito pequenas, elas aparecerão em terpo real na tela do computador. É só ajustar o foco.

Dica: Configure para salvar as imagens num diretório separado, para facilitar na hora de excluí-las

Esse roteiro acima não foi um guia de uso do programa, mas do raciocínio usado. Por isso pode ser usado para outros programas de captura que tenham as mesmas opções.

E isso aí pessoal, que 2014 nos traga muitas belas imagens!

Abraços
Rodrigo Andolfato

domingo, 22 de dezembro de 2013

Nebulosa da Roseta em Hubble Palette - Tirando tudo o que dá!

Nebulosa da Roseta, captada com 27 frames de 10 minutos e RGB inserido de uma foto feita com a lente de 135mm.

Eu não me lembro quando foi a última vez que tivemos um céu bom para astrofotografia aqui em Brasília. Deve ter sido faz quase dois meses. É realmente uma lástima visto a quantidade de objetos incríveis que estão lá em cima atrás das nuvens.

Nesse período houve uma única captação, da Nebulosa da Roseta, também conhecida como Caldwell 49, já que NGC 2244 na verdade é o aglomerado aberto localizado no centro da Nebulosa. Formado por estrelas jovens que são fruto dos gases agora ionizados por elas.

A imagem acima não está ruim. Na verdade considero uma de minhas melhores e estou muito feliz com a Lente de 200mm FD. O campo conseguido com a lente no sensor da Atik 314L realmente se parece muito com uma câmera full frame num apo de uns 700mm de distância focal, mas muito mais leve e barato, embora sem a mesma resolução.

Mas essa foto teria ficado muito melhor se eu tivesse conseguido o tempo de exposição que queria. A ideia era algo em torno de umas doze horas ou mais. Mas depois de duas noites de captação em H-Alpha, uma com as estrelas deixando rastros e outra com o foco ruim, passou-se quase um mês sem um céu ao menos aceitável. E vale lembrar que os dois dias de captação que consegui também foram repletos de nuvens, aproveitando-se alguns buracos esporádicos no céu.

A ideia era captar mais umas quatro horas de H-alpha e umas duas de Oxigênio e Enxofre para conseguir uma foto realmente legal desta nebulosa. Mas tanto demorou-se para o céu abrir que comecei a brincar com uma foto colorida da Nebulosa da Roseta da época da lente de 135mm, pior, uma foto totalmente defeituosa em que as estrelas estava com halos gigantescos por causa de uma configuração ruim dos filtros, que estava muito a frente do que deviam. A ideia era usar está foto com a lente de 135mm como fonte de cor para a imagem captada com a lente de 200mm em H-alpha.

Tirar os halos não foi fácil, mas de filtro blur em filtro blur, seguido de ajustes, eles foram enfraquecendo até chegarem a uma configuração aceitável. Assim chegou a umaponto, de impaciência com o céu e de bom processamento, que decidi publicar a imagem com as cores da imagem de 135mm e as acidentadas quatro horas e meia de exposição que tinha.em H-Alpha. Isso me dá liberdade para tentar outros objetos no dia que o céu der uma trégua e irei deixar uma nova captação de Roseta com a lente para os próximos anos.

A imagem usada para colorizar a imagem acima. Repare nos enormes Halos em volta das estrelas mais brilhantes. Tirá-los para usar as cores na imagem com a lente de 200mm foi um desafio.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Na chuva, sobram (bons) reprocessamentos em Hubble Palette

Essa é provavelmente á pior época que eu pego em Brasília, desde que comecei na astrofotografia. Já faz mais de um mês que o céu não me dá chance para uma imagem nova. E eu já conto cinco montagens de setups que não deram em nada. Faz dois dias o céu até abriu quase que totalmente, mas assim que o setup estava pronto para as primeiras imagens, apareceram umas nuvens pequenas acima de minha cabeça, que logo viraram nuvens enormes e, meia hora depois, com o meu setup já devidamente guardado, estava chovendo.

O que me deixa mais triste ainda é a profusão de objetos fantásticos lá em cima esperando para serem fotografados. E a grande maioria é adequado a fotografia com lentes, o meu estilo preferido. E essas nuvens vão ficando e esses objetos vão passando cada vez mais cedo para o outro lado do prédio e eu vou ficando só na vontade.

Mas essas épocas horríveis de céu fechado acabam tendo umas poucas vantagens. Talvez a maior delas é que eu acabo passando muito mais tempo reprocessando imagens. Reprocessamento não é uma coisa simples, na maioria das vezes a alegria acaba quando eu resolvo comparar a nova imagem com a anterior, e descubro que não melhorou nada, ou pior, a antiga estava melhor.

Felizmente recentemente tive uma boa série de bons reprocessamentos, quase todos são devido a um domínio maior não do Photoshop, mas de um programa gratuito chamado Fitswork. Aprendi alguns macetes simples que tem me ajudado muito. Basicamente são: sempre juntar um Luminance com o RGB depois de juntar os três canais para a imagem colorida e aplicar o filtro Blur no RGB antes da junção. o filtro Blur, inclusive ajuda muito a corrigir os erros de alinhamento que eram comuns em minhas imagens anteriores, já que o blur deixa estrelas coloridas com uma cor uniforme.

Nebulosa Cabeça do Cavalo - Duas horas e meia de H-Alpha com a lente de 200mm se juntaram ao RGB captado com a lente de 125mm, no começo de 2013.

A Nebulosa da Lagoa, captada em H-Alpha com apenas 6 frames de 6 minutos pelo telescópio, recebeu o RGB de uma imagem feita com a Lente de 135mm

Esta imagem da Lagoa com a lente de 135mm, acompanhada da Nebulosa da Trífida, também está muito melhor.

Até a Lagoa captada pela Canon no Quinto EBA recebeu o Hubble Palette. Uma imagem com RGB de CCD e Luminance de DSLR não é lá algo muito comum.
Eu já havia processado essa imagem de NGC6188 duas vezes, mas só agora consegui o resultado que esperava.


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Primeiras imagens com Canon 200mm FD 2.8




Eu estava navegando no Site Astrobin, onde armazeno muitas de minhas astrofotos quando resolvi olhar minha lista de equipamentos utilizados em astrofotografia. Pois eu precisava adicionar uma recém adquirida Canon 200mm F2.8  FD. Não pude deixar de notar que a minha lista de equipamentos neste site consta com doze lentes/telescópios e seis câmeras de captação. Um numero bastante interessante para 3 anos neste hobbie. 
 
Devo deixar claro que eu não tenho 12 lentes/telescópios comigo, muito menos seis câmeras. Atualmente conto com o Telescópio ED de 102mm, esta lente de 200mm e também outra de 50mm F1.8. As outras lentes/telescópios ou foram emprestadas de amigos ou eram minhas e foram vendidas para aquisição de outros equipamentos, como as 135mm da Takumar e da Canon. 
 
A belíssima 135mm F2.0, por sinal, também foi vendida. Não foi fácil me desfazer dela, mas ela nunca se entendeu com a CCD e eu estava sem grana para comprar a desejada lente de 200mm. A falta de grana fica ainda mais claro se vocês notaram que, ao invés de comprar a sonhada 200mm 2.8 EF USM eu acabei foi pegando uma antiga FD. Um notebook estragando também ajudou na decisão pela economia. Mas como meu amigo Marcelo Domingues, do CASB, disse para mim quando eu falei que estava pensando em comprar essa lente FD: foi um verdadeiro tiro no Escuro. A compra foi feita influenciada principalmente pelo astrofotógrafo do site Astro Anarchy que fez muitos elogios à 200mm F2.8 FD. 
 
Até ontem o céu estava tão fechado em Brasília que, apesar de eu ter montado o Setup duas vezes, não tinha conseguido fotografar nem estrela com esta lente. Pelo contrário, a melhor foto que havia conseguido foi a do raio que aparece no fim do post. 
 
A 200mm FD já havia dado indícios de que não se entenderia bem com a Canon T2i, mas eu tinha muitas esperanças de que ela e a CCD Atik 314L tivessem mais afinidades e quando vi que o céu estava completamente aberto ontem, não me importei com a Lua quase cheia perto da constelação de Orion e nem com o fato de eu ter que acordar sete e meia da manhã no dia seguinte. Era hora de brincar com o novo brinquedo. 
 
Foram 15 frames de 10 minutos, totalizando duas horas e meia de exposição para se produzir uma imagem monocromática, feita somente com o filtro H-alpha de 7nm. O foco saiu completamente ruim, devido ao fato de que eu o fiz com muita pressa no intervalo de The Walking Dead, mas pude corrigir muito no processamento. 
 
No fim a lente se mostrou imperfeita em sua imagem final, mas ideal para minhas intenções. Tenho certeza de que em 2013 irei brincar muito com ela. O objetivo agora é conseguir a primeira imagem colorida, vamos torcer para que as nuvens permitem que isto não demore muito.

Raio cai próximo ao Banco Central em Brasília. Bela imagem feita com a Canon T2i e a 200mm FD, mas que mostra como o diálogo da lente FD com a Canon é difícil. Nota, não há adaptador ótico, a lente foi modificada encurtando-se um pouco seu corpo, para conseguir foco com as Canons digitais.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Nebulosa da California - NGC 1499 direto do apartamento

O setup com CCD e lente na varanda. Também é possível ver a azul DBK41 acoplada ao Miniguider 50mm.

Eu andei um tempo longe da astrofotografia. Dificuldades de conseguir uma sessão tranquila e outras atividades acabaram me cansando e fiquei alguns meses sem astrofotografar. Entretanto há algumas semanas, sem nenhuma razão aparente, somente vontade pura, tenho voltado com carga total a atividade, inclusive fazendo algumas alterações interessantes no Setup.

A grande novidade é que agora estou usando auto-guiagem para fotografar com a combinação Lente+CCD, isso da varanda do meu apartamento. Peguei dois dovetais, alguns parafusos, um pouco de durepoxi e montei uma combinação interessante, com lente, CCD, miniguider de 50mm, DBK41 como câmera guia e uma luneta barata como buscadora.

Achei legal que o conjunto, agora mais pesado, me permite usar o contra-peso da H-EQ5 e deixar tudo balanceado, o que dá mais segurança e melhora o acompanhamento (antes eu fotografava sem contra-peso), mas principalmente, o bom balanceamento é fundamental para uma autoguiagem eficiente. Eu até planejava fazer contra-pesos mais leves num torneiro, mas acabou que isso não foi necessário.

O resultado foi que, com uma setup bem leve e distância focal curta, pude fazer frames de 10 minutos mesmo na varanda de meu apartamento, com zero dificuldade, diga-se de passagem, o que me deixou muito feliz.

É claro que nesta época do ano não basta estar com o Setup em dia para boas astrofotos. Na grande maioria das noites o céu esta muito fechado e algumas noites de céu aberto podem ser bastante enganadoras, com um céu embaçado, que, embora permita a astrofotografia, provoca uma queda muito grande na qualidade final da imagem.

O alvo da noite foi a Nebulosa da Califórnia, com 18 frames de 10 minutos, totalizando 3 horas de exposição.


segunda-feira, 15 de julho de 2013

Sexto EBA: Nebulosa Gama Cygni


Saindo do forno mais uma imagem do Sexto Encontro Brasileiro de Astrofotografia feita pelo autor deste blog. Trata-se da Nebulosa Gamma Cygni. A imagem acima foi feita com uma técnica interessante. Capta-se o luminance (imagem em preto e branco com detalhes do objeto) com a Atik 314L+ e o filtro h-alpha de 7nm enquanto o RGB é capturado com a Canon T2i modificada. Ambos com a lente de 135mm F2.0

A Nebulosa Gamma Cygni é uma das mais fáceis de se encontrar no céu, pois está exatamente atrás da estrela Gamma Cygni (daí o seu nome). Gamma Cygni é uma brilhante estrela bem no coração do asterismo da constelação do Cisne com magnitude +2.2 (asterismo são as estrelas cuja composição formam o desenho que dá o nome a uma constelação, já a constelação é uma área demarcada no céu, como um loteamento). A estrela não faz parte da nebulosa. A nebulosa está a mais de 3 mil anos luz de distância enquanto a estrela está a um pouco mais de metade deste caminho.

A nebulosa Gama Cygni é catalogada como IC 1318, é também é chamada de ButterFly Nebula (Nebulosa da Borboleta), nome que divide com a planetária NGC 6302, que por sua vez também é chamada de Bug Nebula.

Na imagem abaixo vemos a captação feita com a Canon T2i e a Lente de 135mm, apesar de menor resolução a imagem tem bem mais campo. É possível vermos a Nebulosa Crescente, NGC 6888 na parte superior esquerda da imagem. A constelação do Cisne, como Sagitário, Escorpião e o Cruzeiro do Sul, está na frente de Via láctea, sendo uma área interessantíssima para observação e fotografia de nebulosas.


domingo, 14 de julho de 2013

Sexto EBA: Alpha Centauri, Hadar e, principalmente, Proxima Centauri


Clique na imagem para ver maior

Chegou a hora de começar a mostrar as fotos que fiz no Sexto EBA. Começo com a primeira foto de Wide Field que fiz. Os alvos foram as estrelas Alpha Centauri e Hadar. Uma das poucas áreas que não estavam cobertas por nuvens naqueles primeiros momentos da noite de sexta-feira em que o EBA começou (os dois primeiro dias tiveram algumas nuvens que depois sumiram, para alegria de todos).

Trata-se de uma imagem simples, composta por 32 frames de apenas 45 segundos de exposição, feitos com a Canon T2i sobre a montagem CG-5GT e com a lente de 135mm. Vale lembrar que a minha CG-5GT, que parecia estar com problemas, trabalhou muito bem no EBA, me deixando mais tranquilo em relação a seu funcionamento. Com o passar dos dias, eu fui aumentando o tempo de exposição, enquanto aperfeiçoava o alinhamento da montagem.

O mais legal da foto acima é que o objeto mais interessante para mim é apenas um pequeno ponto vermelho, que aparece misturado com a infinidade de estrelas. Trata-se de Proxima Centauri, a terceira estrela do sistema de Alpha Centauri, composto por duas estrelas de tamanho próximo ao Sol e uma anã vermelha, Próxima Centauri. Esta estrela é conhecida por ser a mais perto da Terra depois do Sol e é curioso que seja tão difícil de achar. Também acho surpreendente que esteja a enormes 0,2 anos luz de seu sistema central. Plutão, por exemplo, está a apenas 5 horas luz do nosso Sol. A estrela é considerada como parte do sistema de Alpha Centauri por estar presa gravitacionalmente às duas irmãs maiores, orbitando em torno do centro gravitacional das duas.

Abaixo eu fiz um crop da imagem acima. Neste crop vemos a posição de Proxima Centauri. Me surpreende ver como a estrela esta longe de seu sistema central e também por ser pouco tão pouco brilhante para a estrela mais próxima do Sol. Deve ser pouco visível até mesmo de um planeta em seu sistema central, brilhando como uma estrela pálida no céu. Já li histórias de que se desconfiava que o nosso Sol também teria uma estrela vermelha o orbitando, chamada Nêmesis, mas nunca foi encontrada e provavelmente nunca será, pois a sua ação gravitacional já teria sido identificada.

Proxima Centauri. A estrela mais próxima do Sistema Solar é o ponto vermelho ao lado da seta.


sábado, 13 de julho de 2013

Voltando do Sexto EBA

Participantes do Sexto Encontro Brasileiro de Astrofotografia preparam seus setups.
Foto de Severino Fidelis de Moura, participante do Sexto EBA
Estou de volta do Sexto Encontro Brasileiro de Astrofotografia. Foram seis noites sob o céu da Chapada dos Veadeiros. Foi um EBA longo para mim, pois nos outros dois que participei eu havia ficado apenas quatro dias. Foram noites completamento irregulares, onde eu tive a que foi certamente a minha melhor noite até hoje na chápada (a quinta onde não houve nuvens nem umidade), mas também houve momentos em que cheguei a pensar em ir embora (na terceira noite, quando minhas cintas térmicas falharam e eu não conseguia terminar uma exposição antes da lente embaçar por causa da umidade excessiva).

Na soma de tudo, acho que foi um ótimo EBA. Tenho cerca de trinta imagens para processar e publicar nos próximos dias. Acredito que tenho diversão e desafios para o próximo mês. Grande parte dessa produção foi devido a Canon T2i sobre a CG-5 fazendo imagens em Wide Field com a lente de 135mm, mas também fiz imagens com o CCD Atik 314L+ no telescópio sobre uma H-EQ5 que acho que vão ficar bem interessantes. 

Na parte do CCD posso inclusive dizer que, mais do que produzir, aprendi muito com este EBA. Normalmente diz-se que o EBA não é lugar para se fazer testes, mas todos os que vão ao evento, mesmo os mais experientes (o que ainda não chega a ser o meu caso), acabam aprendendo algo na enorme troca de conhecimentos e experiências entre os participantes.

Esse foi o maior EBA que participei. Haviam cerca de 25 telescópios, desde setups simples até equipamentos bem avançados. Acredito que quase todos os participantes saíram de lá com ótimos resultados e acho que centenas de imagens surgirão do evento. Eu mesmo não vejo a hora de ver o que os outros astrofotógrafos fizerem.

Para começar, deixo aqui uma primeira imagem feita por mim. Da Lua surgindo no começo da noite, sendo iluminada pelo Sol na faixa clara (e estourada) mas também pela Terra, na parte mais escura, fenômeno chamado de Luz Cinérea. Isso  ocorre por que neste momento, da Lua, a Terra aparece quase toda iluminada pelo Sol. É basicamente uma Terra cheia, cuja luz emitida nos permite ver detalhes da parte da superfície lunar que não está iluminados pelo Sol.

Lua em 09 de julho, iluminada pelo Sol e pela Terra.
Fotografada com a Canon T2i e lente de 135mm


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Qual foto da Lua você prefere? Com ou Sem tratamento.

Vou levantar uma questão interessante aqui no Blog. Recentemente eu postei duas fotos da chamada Super Lua de 23 de junho, evento em que a lua está mais próxima da Terra durante a Lua cheia. As duas fotos foram muito bem recebidas pelas pessoas. Juntas totalizaram cerca de 2 mil partilhas no Facebook. Um recorde para este astrofotógrafo.

A diferença entre as duas fotos é que a primeira, foi publicada quase sem processamento, mostrando o disco da Lua quase todo branco. A segunda recebeu um tratamento mais apurado. Foi alinhada, teve as cores ajustadas, mas, acima de tudo, recebeu o complemento de uma outra foto da Lua, tirada alguns minutos depois, com um tempo de exposição muito menor. Neste segundo "frame" o cenário em volta estava todo escurecido e por isso os detalhes do disco apareceram claramente. 

Juntar imagens com tempo de exposição diferentes é uma técnica muito celebrada em fotografia, chamada HDR. ela é usada frequentemente por que os sensores das câmeras parecem ser muito mais sensíveis do que nossos olhos. Por isso, quando fotografamos uma pessoa contra a Luz, corremos o risco da foto mostrar apenas o contorno da pessoa, sem nenhum detalhe. Já em astrofotografia este tipo de artifício pode ser considerado uma alteração na imagem.

Por isso tudo estou publicando abaixo as duas imagens feitas durante a última Super Lua e, na enquete acima, peço para vocês votarem de qual imagem gostaram mais. Também acharia legal se comentarem os motivos no campo de comentários deste post.

Um grande abraço a todos.

                                                  A imagem da Lua SEM tratamento



                                                  A imagem da Lua COM tratamento