segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Anote aí: Os planetas vão dar show em 2018


Colagem com duas captações em mesma escala de Marte e Júpiter, mostrando a diferença de tamanho aparente entre os dois na madrugada de 17 de fevereiro de 2018.


O ano de 2018 será um ano especial para a astronomia amadora, principalmente para os astrofotógrafos, como eu. Este ano teremos a maior oposição de Marte desde 2003. Tivemos uma evolução tremenda dos equipamentos de Astrofotografia desde aquela época, principalmente nas câmeras planetárias que hoje estão muito mais rápidas e sensíveis do que modelos de poucos anos atrás. Então, a expectativa e de que teremos imagens incríveis, mesmo de astrofotógrafos com equipamentos menores, como o meu refletor de 200mm.

Se Marte será o maior destaque, os outros planetas também estarão em ótimas condições durante o período de estiagem no Brasil Central. Encontros de Astronomia realizados durante as férias de julho e outros meses de seca serão brindados com os cinco planetas mais brilhantes desfilando no céu logo no início da noite. Por exemplo, no sábado de 21 de julho, assim que anoitecer, teremos Vênus e Mercúrio a oeste, em elevada elongação (distância angular do Sol), Júpiter aparecendo alto bem ao lado da Lua, e a leste teremos Saturno já um pouco alto e Marte surgindo enorme logo após o pôr do Sol. Os mais pacientes ainda poderão ver Netuno após as dez da noite. Já Urano estará visível mais no fim da madrugada, acessível a quem estiver disposto a virar a noite em observações. 

A noite do dia 21 de julho de 2018, um sábado, iniciará com todos os planetas visíveis a olho nu e a Lua marcando presença no céu.


Com tantas atrações no céu, será um dia ótimo para eventos de astronomia em praças, como costumeiramente o realizado pelo CASB, e fazermos nascerem muitos futuros astrônomos amadores ou mesmo futuros cientistas (embora muitos clubes talvez prefiram fazer o evento no dia da oposição, pelo destaque que a chamada atrai). Para os astrofotógrafos, teremos a excelente oportunidade de registrarmos todos os planetas numa única noite. Olha que legal! 

A seguir, somente por uma questão de tempo para elaborar o post, destaco os três planetas mais fotografáveis.

 Júpiter
Atualmente, Júpiter tem sido o primeiro planeta brilhante a aparecer no céus a leste. É melhor visto durante o fim da madrugada, quando fica bem alto, já garantindo aos mais notívagos excelentes observações e registros. A oposição de Júpiter ocorrerá em 9 de maio, no início do período de estiagem em grande parte do Brasil.

Como é um planeta muito grande e sua distância do Sol é muito maior do que a Terra, a verdade é que o tamanho aparente de Júpiter não varia muito durante o ano, o que muda mais é a conveniência de sua observação. Além disso, quando o planeta aparece por mais tempo no céu, temos muito mais chances de acompanhar os frequentes e interessantíssimos eventos que ocorrem em seu sistema, como o surgimento de novas tempestades, variações na Grande Mancha Vermelha, eclipses e trânsitos de suas Luas. Durante a oposição, Júpiter ficará doze horas visível no céu, o que permite um acompanhamento muito melhor do planeta. Nesta época talvez eu até arrisque uns vídeos de Júpiter. Estou me planejando para isso.



Saturno, registrado no dia 13 de fevereiro, no fim da madrugada, ainda muito baixo no céu.

Saturno
Saturno entrara em oposição em 27 de junho, um mês antes de Marte. Mas neste momento o planeta está aparecendo no céu um pouco mais tarde que o planeta vermelho. Numa lenta corrida entre as estrelas, Saturno está se aproximando de Marte e no dia 2 de abril os dois planetas estarão a pouco mais de um grau de distância, com a Lua passando bem próximo aos dois numa conjunção e alinhamento espetacular que ocorrera no dia 07 de abril. Veja as imagens abaixo, retiradas do software Stellarium.

Na madrugada de 2 de abril de 2018, Saturno e Marte caberão no campo de visão de uma câmera DSLR acoplada a um refrator de 710mm de distância focal, como o meu.

 
Na madrugada de 7 de abril de 2018, Lua, Marte e Saturno caberão no campo de visão de uma DSLR equipada com lente de 200mm.

Marte
Marte ainda está pequeno no céu, com pouco mais de 6 segundos de arco de diâmetro (ou ângulo) aparente. Na imagem do alto do post vemos uma montagem com dois registros que realizei no último fim de semana. As capturas estão na mesma escala. Foram feitas com refletor de 200mm com distância focal de 900mm acrescentado de Extender 5x, o que aumenta a distância focal para quatro metros e meio. A montagem mostra como Marte ainda está pequeno quando comparado com Júpiter.

Marte ainda está a mais de 200 milhões de quilômetros de distância da Terra e surge no céu no fim da madrugada. Neste momento só astrônomos e astrofotógrafos amadores muuuuito dedicados vão se aventurar a registrar ou observar o planeta num tamanho aparente tão pequeno, mas na oposição do dia 27 de julho de 2018 o planeta vermelho estará a cerca de 57 milhões de quilômetros de distância e apresentará um tamanho aparente de mais de 24,2 segundos de arco, surgindo já do início da noite. 

Para efeito de comparação, na oposição de 2016 o diâmetro aparente máximo de Marte foi de 18.4 segundos de arco. Teremos uma oposição comparável com a de 2018 somente em 2035. Se você tem 20 anos de idade, terá 37 na próxima oposição comparável (Eu terei 57!). Um evento como esse, em época de seca e férias, não é algo a se perder.

Para aqueles mais dedicados algo muito interessante sobre Marte é a forma como o planeta caminha entre as estrelas. O planeta segue rumo a oeste até o meio de junho, aparecendo cada vez mais cedo, quando começa a frear e passa a se dirigir para leste até o fim de agosto, quando termina o seu loopping entre as estrelas e volta a caminhar para o oeste. Registrar este movimento pode ser uma atividade interessantíssima para aqueles que possuem equipamentos mais simples.

É isso aí pessoal, preparem seus telescópios. 2018 será um ano incrível para astrônomos e astrofotógrafos amadores apaixonados pelos planetas do Sistema Solar.


domingo, 18 de fevereiro de 2018

O Tripleto de Leão, do Águas Claras

Tripleto do Leão - Registrado com refrator de 102mm e Câmera QHY163m.
Mesmo sob a enorme poluição luminosa de Brasília, eu sigo me aventurando fora das fronteiras da Via Láctea. O alvo agora foi o Conjunto de Galáxias Tripleto do Leão, registrado na madrugada de sexta para sábado, da varanda do meu apartamento, em Águas Claras.

O Tripleto do Leão é formado pelas galáxias M65 (abaixo, à esquerda), M66 (acima, à esquerda) e NGC 3628 (à direita). Estas três grandes galáxias estão a cerca de 35 milhões de anos-luz da Terra. As galáxias estão na direção da constelação que dá nome ao grupo, aparecendo no céu pouco depois do início da noite.

Não gostei tanto do fundo, com algumas manchas de sujeira impactando a imagem, mas os detalhes e as cores dos objetos ficaram muito bons. Eu acho esse conjunto belíssimo e existe enorme possibilidade que eu volte a ele quando estiver num céu escuro, se tiver a oportunidade, é claro.

Para esta fotografia, usei os filtros LRGB da Optolong e também um filtro CLS à frente da roda de filtros. Como é um filtro de 1,25 polegadas, acabei tendo muitos problemas com vinhetagem. Para continuar usando um filtro CLS, vou ter que trocar ele por um modelo de 2 polegadas ou passar a usar a ATIK314L, com um sensor menor. Ainda assim, sinto que posso evoluir muito com este tipo de fotografia da Varanda do Apartamento.

Foram 142 frames de um minuto, sendo 97 de Luminância e 15 para cada cor.
Telecópio: Refrator ED 102mm F7
Câmera: QHY163m
Montagem: Skywatche HEQ5.

Abaixo, vemos cada galáxia em detalhes:

Galáxia Espiral M65

Galáxia Espiral M66

NGC 3628 é conhecida como Galáxia do Hambúrguer

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Fotografando Galáxias da Varanda do Apartamento

Galáxias M96 e M95, capturadas com a câmera QHY163m, Telescópio Refrator 102mm e filtros LRGB Optolong



Fotografar galáxias da varanda do meu apartamento nunca foi algo que considerei como uma boa investida. Afinal, diferente de nebulosas de emissão, não há filtros que isolem bem a luz destes objetos da poluição luminosa de Brasília.

Mas nesta época do ano praticamente não há nebulosas de emissão visíveis da varanda do meu apartamento, apontada para o Leste e Norte. Sendo que neste momento as Nebulosas de emissão do início da noite estão todas a Oeste e as do meio da noite estão a Sul.

Mas sedento para sentar na varanda e viajar pelo céu, mesmo sabendo dos problemas com a poluição luminosa, resolvi arriscar, nem que fosse para brincar e registrar somente o borrão de algumas galáxias da varanda do meu apartamento. As escolhidas foram as galáxias M95 e M96, que caberiam juntas num único registro. Estas duas galáxias fazem parte do chamado Grupo M96 ou Grupo de Galáxias Leão I, que é um dos grupos do Super aglomerado de Virgem, do qual faz parte o Grupo Local, da Via Láctea.

A Galáxia principal do grupo M96 obviamente é aquela que dá nome ao Grupo. M96 aparece à esquerda na imagem. Ela é uma galáxia espiral a 38 milhões de anos-luz da Terra e tem magnitude aparente de 9,3. A vizinha, M95, está numa distância praticamente igual, mostrando como está ligada gravitacionalmente a M96, mas é um pouco mais pálida, com magnitude aparente 9,7.

A primeira limitação que enfrento ao registrar com filtros RGB da varanda do apartamento é no tempo de exposição por frame. Se eu tentar frames muito longos, o céu de fundo logo irá estourar a imagem. Os light frames da captura acima tem apenas um minuto de duração. Para tentar compensar frames mais curtos a solução é fazer muitos frames. A captação teve 141 frames somente de luminância, 15 frames com filtro vermelho, 20 frames com filtro verde e 14 com filtros azul.

O resultado final, embora humilde comparado com o que seria possível de uma área com céu escuro, até que me surpreendeu positivamente e me animou a seguir fazendo este tipo de registro e aperfeiçoar a técnica de captura.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Aplorando a Nebulosa Roseta

Nebulosa da Roseta, registrada na noite de sexta para sábado do último fim de semana, com telescópio refrator de 102mm F7 e Câmera QHY163mono.
A Nebulosa Roseta é uma nebulosa de emissão que surge nos céus brasileiros durante o verão, aparecendo logo depois da Constelação de Órion, na Constelação do Unicórnio. Esta nebulosa é bastante brilhante em fotografias, mas pouco visível ao telescópio, sendo muito mais fácil visualizar o aglomerado estelar aberto NGC 2244, que energiza a nebulosa a partir de seu centro, visível até mesmo com binóculos.

A grande nuvem de hidrogênio é mais formalmente reconhecida pelo sua catalogação do Caldwell, com o número 49, mas é mais informalmente reconhecida pela sua associação com o aglomerado estelar NGC 2244. Na verdade, vários objetos NGC compõem o que chamamos de Grande Complexo Nebular Roseta, formado pelos objetos NGC 2237, NGC 2238, NGC 2238 e NGC 2246.

A Nebulosa Roseta está a cerca de cinco mil anos-luz da Terra e possui cerca de 130 anos-luz de diâmetro. Para efeito de comparação, isso é aproximadamente o dobro do comprimento da Nebulosa da Lagoa, que está numa distância parecida, embora em posição oposta. Seu diâmetro aparente (o tamanho que vemos da Terra) é cerca de duas vezes o diâmetro aparente da Lua.

A Nebulosa Roseta esta localizada entre os chamados braço de Orion (onde está a Terra) e de Perseus, da Via Láctea. O Braço de Perseus é considerado o braço principal da Via Láctea. Ele sai do núcleo galáctico do outro lado da Via Láctea e passa atrás da Terra deste lado da Via Láctea. Estudos apontam que o Braço de Orion, onde Nebulosa de Orion e a própria Terra estão localizado, na verdade seria uma ramificação do braço de Perseus, mas isso ainda não está confirmado.


A cinco mil anos da Terra, a Nebulosa Roseta está entre os braços Galácticos de Orion e Perseus. O Sol está do lado interno do Braço de Orion, virado para o Braço de Sagitário (imagem:http://www.atlasoftheuniverse.com/).


Eu já visitei a Nebulosa da Roseta algumas vezes, nas mais variadas formas, com os mais variados tipos de equipamentos. É um objeto ótimo para se registrar tanto em Hubble Palette como em cores Naturais. A imagem do alto do post foi feita com a câmera QHY163 monocromática que comprei no primeiro semestre de 2017, mas acredito que só agora, em 2018, vou começar a aproveitar a câmera para valer. Para esta imagem, foram registrados 51 frames de 3 minutos com filtro H-alpha e mais 6 frames de três minutos para cada um dos outros dois filtros, Oxigênio III e Enxofre II.

Em todos os frames eu utilizei binning 2x2. Binning é quando você agrupa pixels da câmera para simular pixels maiores e assim conseguir mais sensibilidade. Isso incorre na diminuição da resolução. Mas para mim é a maior vantagem de se ter uma câmera com grande resolução e uma sensor maior. Com o Binning 2x2, eu faço os pixels da QHY163m ficarem grandes como o da Atik 314L+, minha outra câmera, mas ainda consigo quatro megapixels, uma resolução quatro vezes maior do que conseguiria com a Atik 314L+. Um bining 2x2 quer dizer que a cada 2 pixels horizontais e dois verticais, teremos um único pixel, mas duas vezes maior. Se o binning for 3x3, seriam 3 pixels verticais e 3 horizontais. Mas assim a resolução diminuiria em 9 vezes, o que tiraria muito da resolução da QHY163m, que na verdade, só permite binning de no máximo 2x2.

Este crop da imagem acima destaca os glóbulos de Bok da Nebulosa Roseta próximos a nuvens de poeira.

Esta "montanha" de hidrogênio é outra área de destaque da Nebulosa Roseta. Ela lembra montanhas que já vimos nas nebulosas América do Norte e Pelicano, entre outras.

 Como toda nebulosa de emissão, a Nebulosa Roseta em cores naturais é vermelha, apresentando traços em azul principalmente em seu interior. Sua forma, quando vista em cores naturais, reforça o apelido da nebulosa, que realmente lembra um grande botão de rosa flutuando por trás das estrelas. A Nebulosa está se espalhando do centro para fora, criando ondas de choque com as regiões em volta, que comprimem as nuvens de gás e geram formações como a da imagem logo acima. A Nebulosa Roseta tem um aspecto que lembra um pouco as nebulosas planetárias, mas sua extensão é muito maior do que o tamanho típico de uma planetária, sendo uma nebulosa com natureza semelhante a nebulosas como a da Lagoa (M8), por exemplo.

Nebulosa Roseta registrada em cores naturais. Composição de registro em H-alpha feito com câmera monocromática Atik 314L+ e cores capturadas com câmera DSLR Canon T2i, ambas com a lente Canon 200mm EF 2.8 USM II.

Registro feito somente com DSLR Canon T2i, lente de 200mm F2.8 e Ioptron Skytracker. Um setup bastante portátil que levei para chácara no Natal de 2016.




terça-feira, 23 de janeiro de 2018

O Viajante Espacial - Já disponível gratuitamente para Download



Finalmente o meu livro de astrofotos ficou pronto. Após nove meses de trabalho, deste a publicação do Astrofotografia Prática, o Viajante Espacial - Registros de Minhas Viagens pelo Universo - está finalmente disponível para download. O arquivo digital será disponibilizado gratuitamente, para livre distribuição. Este arquivo tem o mesmo conteúdo da versão impressa.

Muitas pessoas me perguntaram porque disponibilizar o livro gratuitamente em sua versão digital. Bem, as razões foram muitas, mas espero principalmente que o livro atinja o máximo possível de pessoas, principalmente jovens. O texto é recomendado principalmente para quem está começando na Astronomia Amadora. Não busca fazer um atlas do céu, mas tem o objetivo de despertar a curiosidade no leitor e apresentar as maravilhas da Astrofotografia e da Astronomia.

O Viajante Espacial pode ser baixado integralmente no link abaixo.


Para quem quiser ter a bela versão impressa em sua biblioteca, ela pode ser adquirida no Clube de Autores, no link abaixo:


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Montando o Ioptron Skyguider pela primeira vez.

Conforme prometido no post anterior, logo após a abertura da caixa do Ioptron Skyguider, eu faria um vídeo instalando a pequena montagem no tripé que aparecia no vídeo. Eu na verdade publiquei o vídeo na mesma noite, mas um erro de edição fez com que eu tivesse que refazê-lo e por isso só consegui finalizar o upload hoje de madrugada.

Segue o vídeo então, espero que gostem.


domingo, 17 de dezembro de 2017

Vídeo - Abrindo a caixa do Ioptron Skyguider

Essa semana chegou a minha nova montagem portátil, o tracker Ioptron SkyGuiderTM Pro, adquirido no Tellescopio.com. Decidi fazer algo diferente ao receber esta montagem, filmar a abertura da caixa. Isso é uma prática comum em vídeos estrangeiros e chama-se "Unboxing". O vídeo tem pouco mais de quinze minutos de duração, uma edição pobre e o apresentador é feio. Mas acho que pode ser interessante para quem estiver interessado em adquirir equipamentos parecidos.




Neste post mostro somente a abertura do Skyguider, já que eu não tinha muita noção de como montá-lo. No vídeo seguinte, irei falar um pouco da montagem do equipamento.

http://andolfato.blogspot.com.br/2017/12/montando-o-ioptron-skyguider-pela.html

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Meus planos astrofotográficos para 2018

Chegamos ao fim de 2017. O ano que está para acabar foi um dos mais atípicos que já tive desde o começo da Astrofotografia. Certamente, o maior acontecimento deste ano foi a publicação do meu guia de astrofotografia, o Astrofotografia Prática. Após três anos de trabalho, muitos desafios, entre eles um gigantesco processo de revisão, finalmente o tão prometido livro foi publicado, com excelente recepção por parte dos astrofotógrafos. As duas versões, a impressa e a digital, tornaram-se os dois livros de fotografia mais vendidos do site Clube de Autores e a versão impressa está disponibilizada na Livraria Cultura, sem contar os grandes elogios que o livro recebeu.

Aguardando o Eclipse total do Sol em 21 de agosto, nos Estados Unidos.

Só um acontecimento do tamanho da publicação do Astrofotografia Prática para que o primeiro Eclipse Solar Total que presenciei, com uma viagem para os Estados Unidos, não se tornasse o maior acontecimento do ano. Ver um eclipse solar total é algo que todos em algum momento de sua vida devem tentar fazer.  É certamente um dos maiores e mais belos acontecimento que os céus podem nos proporcionar.

O Eclipse foi um evento inesquecível, mas foi eclipsado (ha ha!) pela publicação do livro.


Na astrofotografia em si, o ano foi um pouco pobre, marcado principalmente por fotos planetárias, principalmente belos registros de Júpiter. Por não ter férias disponíveis para o período, o Encontro Brasileiro de Astrofotografia foi o que minha participação foi mais curta até hoje. Nem a presença da nova câmera QHY163m foi capaz de evitar que fosse um dos meus EBAs menos produtivos. A falta de uma montagem portátil, com a venda do excelente Ioptron SkyTracker também foi um fator a se considerar. AQHY163m funcionou muito bem no EBA, mas o sensor maior não dialogou com a imensa poluição luminosa do apartamento em que moro.

A outra câmera QHY que comprei, a QHYIII-224c foi ainda menos aproveitada do que a QHY163m. Até agora, essa câmera planetária colorida foi muito mais utilizada como câmera de guiagem do que em fotografias. Eu sempre me perguntei se a QHY290mono não teria sido uma compra melhor (e teria), mas eu estava afim de ter um pouco de experiência com câmeras planetárias coloridas. Júpiter está chegando no começo do ano e só os resultados com este planeta mostrarão se esta compra realmente valeu a pena, nem que tenha sido pela curiosidade.

Mas 2018 está chegando. Uma nova estiagem virá, Júpiter e Saturno estarão disponível para fotografia, uma espetacular oposição de Marte ocorrerá em Julho, época sem nuvens, e os projetos para céu profundo são muitos.

O ano de 2018 deve começar com a publicação de um novo livro. Isso mesmo! Mas não será um guia de Astrofotografia. Será o meu primeiro livro de fotos. Algo que muita gente me pedia, principalmente meus amigos e seguidores que são mais interessados em Astronomia do que propriamente em Astrofotografia, e mesmo quem não é da área da Astronomia, mas que gostaria de ter um livro com essas fotos me perguntava por este livro. Eles me diziam: :"Eu não quero um livro sobre como fazer fotos, eu quero um livro com as suas fotos". Por isso, logo após o Astrofotografia Prática, eu iniciei a confecção do Viajante Espacial. A ideia era publicar o livro antes do Natal, mas decidi adiar a publicação por dois motivos: um melhor processo de revisão e também não correr o risco de ver pessoas comprando o livro como presente de Natal e não receberem o exemplar a tempo, o que deixaria muitas pessoas tristes. Decidi deixar a publicação para janeiro. Assim, não haverá preocupação de que o livro seja entregue numa data específica.

Com a publicação do Viajante Espacial, eu poderei ter um ano astrofotográfico muito mais intenso do que o anterior. Uma de minhas maiores apostas é que voltarei a ter uma montagem ultraportátil para Astrofotografia com lentes, principalmente a de 200mm. O já vendido Ioptron Skytracker será substituído pelo SkyGuider, também da Ioptron. Esse tracker tem duas vantagens relevantes em relação ao Skytracker. Possui pacote com contrapeso e também entrada para autoguiagem. Eu estava entre este Skyguider e a minimontagem SmartEQ, também da Ioptron.

A SmartEQ tem uma grande vantagem em relação ao Skyguider. Possui motorização no eixo de declinação, o que permite que a montagem também tenha GoTo e possa ser controlada por computador. Mas tem uma desvantagem considerável. É maior e mais pesada do que o Skyguider, sendo menos portátil. É uma montagem um pouco mais complicada para ser transportada numa mochila ou numa viagem de avião. Além disso, vi alguns comentários negativos em relação ao acabamento da SmartEQ, que muitas vezes necessita que o astrofotógrafo faça modificação no equipamento para funcionar perfeitamente.

Para quem não tem um observatório, ter uma montagem ultra portátil é sempre algo a se considerar. Já deixei de participar em muitos eventos de Astrofotografia simplesmente porque não estava disposto ao trabalho de arrumação e transporte de um telescópio e uma montagem EQ5 depois de uma semana puxada no trabalho. Com uma montagem menor, é sempre mais fácil eu largar a preguiça e me animar para uma viagem de uma ou duas noites para Astrofotografia, principalmente para lugares mais distantes.

O Ioptron Skyguider é basicamente o Skywatcher Adventurer da Ioptron.

Mas o ano de 2018 não será feito só de Skyguider e fotografia com lentes. Também adquiri recentemente um corretor de coma da Baader, para o refletor de 200mm, que apresentava coma mesmo quando utilizado com a Atik314L+ e seu pequeno sensor de 2/3 polegadas. Com este corretor, poderei usar o refletor até com a QHY163m. A atik314L+, diga-se de passagem, não será vendida. Esta câmera é bem menos sensível à poluição luminosa de Brasília do que a QHY163m e capaz de produzir uma imagem de objetos menores superior. Por isso, não vejo razão para me desfazer da Atik314L+

Mas 2018 não trará somente equipamentos novos. Também trará diferenças na minha forma de tratar a Astrofotografia. Nos últimos meses, eu tenho consumido muito mais material sobre Astronomia do que vinha consumindo nos anos anteriores. Por isso, o futuro deste blog é ser mais astronômico e não somente tão astrofotográfico, usando minha fotos mais como base dos posts, mas sempre falando de qualquer aspecto astrofotógráfico que seja relevante.

É isso aí pessoal. Já estou há seis anos dedicado à astrofotografia e posso dizer que me sinto tão empolgado como no início. Nesses anos eu vi colegas começando e saindo da astrofotografia. Muitos enfrentaram obstáculos em suas vidas, outros iniciaram novos projetos, principalmente os mais novos. Mas o tema é enorme. Há ainda milhares de objetos esperando serem visitados por mim, galáxias, nebulosas, algumas que já devia ter visitado faz tempo, e espero que 2018 seja um ano bastante intenso na astrofotografia e, principalmente, neste blog.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Blue Head Horse - Reprocessamento de uma captura problemática.



A Cabeça do Cavalo azul é uma nebulosa de reflexão das mais difíceis de se registrar. Bastante pálida e inacessível a filtros de banda estreita. Como acontece com as galáxias mais pálidas, é necessário deslocar-se para regiões escuras, como fazendas isoladas, para um bom registro. A Nebulosa está localizada próxima à cabeça do Escorpião, sendo visível principalmente durante o inverno. Apesar disso, não é um alvo muito comum entre os astrofotógrafos durante os encontros de Astrofotografia, por dois motivos, primeiro, mal aparece nos single frames, como você pode ver na imagem final do post, o que pode desanimar um pouco os astrofotógrafos. Mas acredito que a principal razão é pela nebulosa ter uma tamanho aparente muito grande, sendo um objeto ideal para fotografia com lentes. A imagem do post foi feita com uma lente de 135mm. Como a maioria dos Astrofotógrafos utiliza telescópios nestes encontros, são poucos os que tem equipamento adequado para o registro, como o Carlos Fairbairn, que já fez ótimos registros da nebulosa.

Eu tinha uma boa captura da Cabeça do Cavalo Azul. 36 frames de 3 minutos feitos com a lente de 135mm e Canon T2i no longínquo ano de 2014. Bem, boa captura entre aspas. Apesar do bom tempo de exposição total, com quase duas horas; dos frames estarem numa boa duração, em ISO 800 e das estrelas estarem redondas, os frames apresentaram problemas bastante difíceis de lidar: escurecimento na parte inferior e uma mancha rosada na parte esquerda inferior. Esse problema esteve em praticamente todas as capturas com DSLR daquele EBA, me fazendo pensar que, a minha Canon T2i havia chegado ao fim precocemente. Mas, após aquele evento, analisei que talvez o intervalo entre os frames, de cerca de 15 segundos para lightframes de 3 minutos, talvez tivesse sido muito curto. Logo, desde aquela época, tenho ajustado intervalos bem mais longos entre os frames de captura. Na opinião de alguns colegas astrofotógrafos, talvez até um pouco demais. Hoje, para frames de 3 minutos, numa câmera sem resfriamento, os intervalos que eu daria para o sensor esfriar seriam provavelmente de um minuto.

Não sei se os intervalos que tenho dado em minha captura estão exagerados. Sinceramente, não sei se havia alguma outra coisa afetando a captura naquela época, mas, desde que aumentei o tempo dos intervalos entre os frames, problemas assim nunca mais apareceram.

Abaixo, vemos um single frame da captura que gerou a imagem da Cabeça do Cavalo Azul. Nela percebemos alguns detalhes suaves da Nebulosa, que depois seriam realçados, com o filtro mínimo, para diminuição das estrelas; aumento da saturação; e "Ajuste Automático de Cores", no Adobe Photoshop. O processamento final bem que poderia ser um pouco mais cuidadoso, evitando-se estourar as estrelas da nebulosa vizinha, Rho Ophiuchi. O problema, devo admitir, é a falta de tempo, mas com o fim da produção de meu livro de fotos "O Viajante Espacial", que deve ser publicado mês que vem, eu devo ficar mais tranquilo, até por que o ano de 2018 está cheio de projetos, que eu devo falar no próximo Post.

Frame única da captura do Post, como aparecia na câmera.



sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Os Girinos Cósmicos



Essa época do ano costuma ser uma das piores para fotografar, por isso, quando tempos uma noite aberta, ainda mais sem Lua, costuma ser uma oportunidade de ouro para capturarmos nebulosas que há muito tempo queremos registrar e as nuvens sempre atrapalham. Mas também pode ser uma época interessante para descobrirmos novos objetos no céu, ou mesmo, como no caso da imagem deste post, descobrir que é possível registrar nebulosas que imaginávamos estarem além do nosso alcance.

Na noite do feriado de 12 de outubro, eu percebi que poderia apontar meu telescópio, mesmo da varanda do meu apartamento, para algumas nebulosas interessantes no norte. O alvo que me parecia mais interessante era a nebulosa Flaming Star, catalogada como IC405.
Eu já tinha apontando o telescópio para Flaming Star quando notei que bem ao lado daquela nebulosa estava um dos objetos que eu acho mais interessantes no céu e que eu acreditava não ser possível fotografar do Brasil, muito menos de meu apartamento. 

Trata-se da Nebulosa do Girinos, catalogada como IC410. Acho que o nome não é muito popular no Brasil. Parece meio sem glamour, eu acredito, mas em inglês ela é conhecida como Tadpole Nebula, cuja tradução é girino. Acho que outra opção que teríamos é chama-lás de Nebulosa dos Espermatozóides. O problema é que daí não demorariam a encurtar o nome da nebulosa, que logo viraria Nebulosa do Esperma. Talvez seja melhor deixar como dos Girinos mesmo.

Apesar do céu estar bem aberto nos dias do registro, as condições estavam longe de serem as ideais. Devido à seca pela qual Brasília está passando, havia muita poeira e fumaça na atmosfera e isso acaba espalhando ainda mais a intensa poluição luminosa que enfrento da varanda de meu apartamento. Mais uma vez o sensor maior da QHY163m conversou com dificuldades com a poluição luminosa da varanda do meu apartamento e eu vejo que esta câmera é mais adequada para ser usada durante os encontros em fazendas, enquanto a Atik314L+  parece melhor para o apartamento.

De qualquer forma, capturar IC410 foi uma grande alegria. Mesmo com os defeitos da imagem, eu não lembro de outro astrofotógrafo brasileiro ter feito esta captura, o que é um grande orgulho.