quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Primeiras imagens com Canon 200mm FD 2.8




Eu estava navegando no Site Astrobin, onde armazeno muitas de minhas astrofotos quando resolvi olhar minha lista de equipamentos utilizados em astrofotografia. Pois eu precisava adicionar uma recém adquirida Canon 200mm F2.8  FD. Não pude deixar de notar que a minha lista de equipamentos neste site consta com doze lentes/telescópios e seis câmeras de captação. Um numero bastante interessante para 3 anos neste hobbie. 
 
Devo deixar claro que eu não tenho 12 lentes/telescópios comigo, muito menos seis câmeras. Atualmente conto com o Telescópio ED de 102mm, esta lente de 200mm e também outra de 50mm F1.8. As outras lentes/telescópios ou foram emprestadas de amigos ou eram minhas e foram vendidas para aquisição de outros equipamentos, como as 135mm da Takumar e da Canon. 
 
A belíssima 135mm F2.0, por sinal, também foi vendida. Não foi fácil me desfazer dela, mas ela nunca se entendeu com a CCD e eu estava sem grana para comprar a desejada lente de 200mm. A falta de grana fica ainda mais claro se vocês notaram que, ao invés de comprar a sonhada 200mm 2.8 EF USM eu acabei foi pegando uma antiga FD. Um notebook estragando também ajudou na decisão pela economia. Mas como meu amigo Marcelo Domingues, do CASB, disse para mim quando eu falei que estava pensando em comprar essa lente FD: foi um verdadeiro tiro no Escuro. A compra foi feita influenciada principalmente pelo astrofotógrafo do site Astro Anarchy que fez muitos elogios à 200mm F2.8 FD. 
 
Até ontem o céu estava tão fechado em Brasília que, apesar de eu ter montado o Setup duas vezes, não tinha conseguido fotografar nem estrela com esta lente. Pelo contrário, a melhor foto que havia conseguido foi a do raio que aparece no fim do post. 
 
A 200mm FD já havia dado indícios de que não se entenderia bem com a Canon T2i, mas eu tinha muitas esperanças de que ela e a CCD Atik 314L tivessem mais afinidades e quando vi que o céu estava completamente aberto ontem, não me importei com a Lua quase cheia perto da constelação de Orion e nem com o fato de eu ter que acordar sete e meia da manhã no dia seguinte. Era hora de brincar com o novo brinquedo. 
 
Foram 15 frames de 10 minutos, totalizando duas horas e meia de exposição para se produzir uma imagem monocromática, feita somente com o filtro H-alpha de 7nm. O foco saiu completamente ruim, devido ao fato de que eu o fiz com muita pressa no intervalo de The Walking Dead, mas pude corrigir muito no processamento. 
 
No fim a lente se mostrou imperfeita em sua imagem final, mas ideal para minhas intenções. Tenho certeza de que em 2013 irei brincar muito com ela. O objetivo agora é conseguir a primeira imagem colorida, vamos torcer para que as nuvens permitem que isto não demore muito.

Raio cai próximo ao Banco Central em Brasília. Bela imagem feita com a Canon T2i e a 200mm FD, mas que mostra como o diálogo da lente FD com a Canon é difícil. Nota, não há adaptador ótico, a lente foi modificada encurtando-se um pouco seu corpo, para conseguir foco com as Canons digitais.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Nebulosa da California - NGC 1499 direto do apartamento

O setup com CCD e lente na varanda. Também é possível ver a azul DBK41 acoplada ao Miniguider 50mm.

Eu andei um tempo longe da astrofotografia. Dificuldades de conseguir uma sessão tranquila e outras atividades acabaram me cansando e fiquei alguns meses sem astrofotografar. Entretanto há algumas semanas, sem nenhuma razão aparente, somente vontade pura, tenho voltado com carga total a atividade, inclusive fazendo algumas alterações interessantes no Setup.

A grande novidade é que agora estou usando auto-guiagem para fotografar com a combinação Lente+CCD, isso da varanda do meu apartamento. Peguei dois dovetais, alguns parafusos, um pouco de durepoxi e montei uma combinação interessante, com lente, CCD, miniguider de 50mm, DBK41 como câmera guia e uma luneta barata como buscadora.

Achei legal que o conjunto, agora mais pesado, me permite usar o contra-peso da H-EQ5 e deixar tudo balanceado, o que dá mais segurança e melhora o acompanhamento (antes eu fotografava sem contra-peso), mas principalmente, o bom balanceamento é fundamental para uma autoguiagem eficiente. Eu até planejava fazer contra-pesos mais leves num torneiro, mas acabou que isso não foi necessário.

O resultado foi que, com uma setup bem leve e distância focal curta, pude fazer frames de 10 minutos mesmo na varanda de meu apartamento, com zero dificuldade, diga-se de passagem, o que me deixou muito feliz.

É claro que nesta época do ano não basta estar com o Setup em dia para boas astrofotos. Na grande maioria das noites o céu esta muito fechado e algumas noites de céu aberto podem ser bastante enganadoras, com um céu embaçado, que, embora permita a astrofotografia, provoca uma queda muito grande na qualidade final da imagem.

O alvo da noite foi a Nebulosa da Califórnia, com 18 frames de 10 minutos, totalizando 3 horas de exposição.


segunda-feira, 15 de julho de 2013

Sexto EBA: Nebulosa Gama Cygni


Saindo do forno mais uma imagem do Sexto Encontro Brasileiro de Astrofotografia feita pelo autor deste blog. Trata-se da Nebulosa Gamma Cygni. A imagem acima foi feita com uma técnica interessante. Capta-se o luminance (imagem em preto e branco com detalhes do objeto) com a Atik 314L+ e o filtro h-alpha de 7nm enquanto o RGB é capturado com a Canon T2i modificada. Ambos com a lente de 135mm F2.0

A Nebulosa Gamma Cygni é uma das mais fáceis de se encontrar no céu, pois está exatamente atrás da estrela Gamma Cygni (daí o seu nome). Gamma Cygni é uma brilhante estrela bem no coração do asterismo da constelação do Cisne com magnitude +2.2 (asterismo são as estrelas cuja composição formam o desenho que dá o nome a uma constelação, já a constelação é uma área demarcada no céu, como um loteamento). A estrela não faz parte da nebulosa. A nebulosa está a mais de 3 mil anos luz de distância enquanto a estrela está a um pouco mais de metade deste caminho.

A nebulosa Gama Cygni é catalogada como IC 1318, é também é chamada de ButterFly Nebula (Nebulosa da Borboleta), nome que divide com a planetária NGC 6302, que por sua vez também é chamada de Bug Nebula.

Na imagem abaixo vemos a captação feita com a Canon T2i e a Lente de 135mm, apesar de menor resolução a imagem tem bem mais campo. É possível vermos a Nebulosa Crescente, NGC 6888 na parte superior esquerda da imagem. A constelação do Cisne, como Sagitário, Escorpião e o Cruzeiro do Sul, está na frente de Via láctea, sendo uma área interessantíssima para observação e fotografia de nebulosas.


domingo, 14 de julho de 2013

Sexto EBA: Alpha Centauri, Hadar e, principalmente, Proxima Centauri


Clique na imagem para ver maior

Chegou a hora de começar a mostrar as fotos que fiz no Sexto EBA. Começo com a primeira foto de Wide Field que fiz. Os alvos foram as estrelas Alpha Centauri e Hadar. Uma das poucas áreas que não estavam cobertas por nuvens naqueles primeiros momentos da noite de sexta-feira em que o EBA começou (os dois primeiro dias tiveram algumas nuvens que depois sumiram, para alegria de todos).

Trata-se de uma imagem simples, composta por 32 frames de apenas 45 segundos de exposição, feitos com a Canon T2i sobre a montagem CG-5GT e com a lente de 135mm. Vale lembrar que a minha CG-5GT, que parecia estar com problemas, trabalhou muito bem no EBA, me deixando mais tranquilo em relação a seu funcionamento. Com o passar dos dias, eu fui aumentando o tempo de exposição, enquanto aperfeiçoava o alinhamento da montagem.

O mais legal da foto acima é que o objeto mais interessante para mim é apenas um pequeno ponto vermelho, que aparece misturado com a infinidade de estrelas. Trata-se de Proxima Centauri, a terceira estrela do sistema de Alpha Centauri, composto por duas estrelas de tamanho próximo ao Sol e uma anã vermelha, Próxima Centauri. Esta estrela é conhecida por ser a mais perto da Terra depois do Sol e é curioso que seja tão difícil de achar. Também acho surpreendente que esteja a enormes 0,2 anos luz de seu sistema central. Plutão, por exemplo, está a apenas 5 horas luz do nosso Sol. A estrela é considerada como parte do sistema de Alpha Centauri por estar presa gravitacionalmente às duas irmãs maiores, orbitando em torno do centro gravitacional das duas.

Abaixo eu fiz um crop da imagem acima. Neste crop vemos a posição de Proxima Centauri. Me surpreende ver como a estrela esta longe de seu sistema central e também por ser pouco tão pouco brilhante para a estrela mais próxima do Sol. Deve ser pouco visível até mesmo de um planeta em seu sistema central, brilhando como uma estrela pálida no céu. Já li histórias de que se desconfiava que o nosso Sol também teria uma estrela vermelha o orbitando, chamada Nêmesis, mas nunca foi encontrada e provavelmente nunca será, pois a sua ação gravitacional já teria sido identificada.

Proxima Centauri. A estrela mais próxima do Sistema Solar é o ponto vermelho ao lado da seta.


sábado, 13 de julho de 2013

Voltando do Sexto EBA

Participantes do Sexto Encontro Brasileiro de Astrofotografia preparam seus setups.
Foto de Severino Fidelis de Moura, participante do Sexto EBA
Estou de volta do Sexto Encontro Brasileiro de Astrofotografia. Foram seis noites sob o céu da Chapada dos Veadeiros. Foi um EBA longo para mim, pois nos outros dois que participei eu havia ficado apenas quatro dias. Foram noites completamento irregulares, onde eu tive a que foi certamente a minha melhor noite até hoje na chápada (a quinta onde não houve nuvens nem umidade), mas também houve momentos em que cheguei a pensar em ir embora (na terceira noite, quando minhas cintas térmicas falharam e eu não conseguia terminar uma exposição antes da lente embaçar por causa da umidade excessiva).

Na soma de tudo, acho que foi um ótimo EBA. Tenho cerca de trinta imagens para processar e publicar nos próximos dias. Acredito que tenho diversão e desafios para o próximo mês. Grande parte dessa produção foi devido a Canon T2i sobre a CG-5 fazendo imagens em Wide Field com a lente de 135mm, mas também fiz imagens com o CCD Atik 314L+ no telescópio sobre uma H-EQ5 que acho que vão ficar bem interessantes. 

Na parte do CCD posso inclusive dizer que, mais do que produzir, aprendi muito com este EBA. Normalmente diz-se que o EBA não é lugar para se fazer testes, mas todos os que vão ao evento, mesmo os mais experientes (o que ainda não chega a ser o meu caso), acabam aprendendo algo na enorme troca de conhecimentos e experiências entre os participantes.

Esse foi o maior EBA que participei. Haviam cerca de 25 telescópios, desde setups simples até equipamentos bem avançados. Acredito que quase todos os participantes saíram de lá com ótimos resultados e acho que centenas de imagens surgirão do evento. Eu mesmo não vejo a hora de ver o que os outros astrofotógrafos fizerem.

Para começar, deixo aqui uma primeira imagem feita por mim. Da Lua surgindo no começo da noite, sendo iluminada pelo Sol na faixa clara (e estourada) mas também pela Terra, na parte mais escura, fenômeno chamado de Luz Cinérea. Isso  ocorre por que neste momento, da Lua, a Terra aparece quase toda iluminada pelo Sol. É basicamente uma Terra cheia, cuja luz emitida nos permite ver detalhes da parte da superfície lunar que não está iluminados pelo Sol.

Lua em 09 de julho, iluminada pelo Sol e pela Terra.
Fotografada com a Canon T2i e lente de 135mm


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Qual foto da Lua você prefere? Com ou Sem tratamento.

Vou levantar uma questão interessante aqui no Blog. Recentemente eu postei duas fotos da chamada Super Lua de 23 de junho, evento em que a lua está mais próxima da Terra durante a Lua cheia. As duas fotos foram muito bem recebidas pelas pessoas. Juntas totalizaram cerca de 2 mil partilhas no Facebook. Um recorde para este astrofotógrafo.

A diferença entre as duas fotos é que a primeira, foi publicada quase sem processamento, mostrando o disco da Lua quase todo branco. A segunda recebeu um tratamento mais apurado. Foi alinhada, teve as cores ajustadas, mas, acima de tudo, recebeu o complemento de uma outra foto da Lua, tirada alguns minutos depois, com um tempo de exposição muito menor. Neste segundo "frame" o cenário em volta estava todo escurecido e por isso os detalhes do disco apareceram claramente. 

Juntar imagens com tempo de exposição diferentes é uma técnica muito celebrada em fotografia, chamada HDR. ela é usada frequentemente por que os sensores das câmeras parecem ser muito mais sensíveis do que nossos olhos. Por isso, quando fotografamos uma pessoa contra a Luz, corremos o risco da foto mostrar apenas o contorno da pessoa, sem nenhum detalhe. Já em astrofotografia este tipo de artifício pode ser considerado uma alteração na imagem.

Por isso tudo estou publicando abaixo as duas imagens feitas durante a última Super Lua e, na enquete acima, peço para vocês votarem de qual imagem gostaram mais. Também acharia legal se comentarem os motivos no campo de comentários deste post.

Um grande abraço a todos.

                                                  A imagem da Lua SEM tratamento



                                                  A imagem da Lua COM tratamento


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Super Lua de 23 de junho, fotografada com a Lente de 135mm



Neste domingo foi dia de Super Lua. Dia em que a Lua cheia coincide com o momento em que a Lua está mais próxima da Terra. Um belo momento para fotografar nosso satélite natural nascendo no charmoso horizonte de Brasilia.

A foto acima, pra variar, foi feita da varanda do meu apartamento. Nem sequer tripé usei, apenas apoiei a câmera no muro da sacada. Para conseguir mostrar a detalhes da Lua e não apenas um disco branco, devido ao brilho excessivo de nosso satélite, tive que juntar duas fotos, uma mais brilhante, com destaque para a paisagem e outra, com tempo de exposição bem menor, feita para mostrar detalhes da Lua.

É isso aí pessoal, eu tive duas semanas ruins com astrofotografia. A minha CG-5gt deu problema. Não está acompanhando direito os astros, isso a apenas duas semanas do EBA. Mas uma H-EQ5 já está a caminho e o ânimo para o EBA está com forço total. Além disso, semana que vem uma pequena surpresa pode aparecer aqui, se um projeto que tenho para o fim de semana for bem sucedido.

sábado, 8 de junho de 2013

Nebulosa da Lagoa com a Atik 314L - Finalmente o CCD no telescópio!

A primeira da Atik no telescópio. O resultado me deixou muito feliz.

Demorou um tempão, mas finalmente fotografei um objeto de céu profundo com a CCD monocromática Atik 314L usando o ED de 102mm. Na verdade deste o dia 30 de outubro de 2012, sete meses atrás, eu não tirava uma foto utilizando telescópio (Estou desconsiderando as imagens feitas com o Fabrício, onde eu somente ajudei).

Fotografar com telescópio é muito mais difícil do que se fotografar com lentes. Principalmente num CCD com sensor pequeno como o meu. O campo é muito menor, a distância focal maior torna o alinhamento muito mais difícil, sendo praticamente obrigatório o uso de auto-guiagem, até por que em meu ED a captação de luz, em F7, é muito mais lenta do que nos F2.5 que costumeiramente uso na lente. Tudo isso me afastou um pouco da astrofotografia de céu profundo com telescópio nos últimos meses, tanto que no último Enoc eu nem cheguei a levar o ED.

Mas a verdade é que eu nunca desisti da astrofotografia com telescópio, pelo contrário, durante este período estive mesmo é melhorando o Setup, principalmente a auto-guiagem. A guiagem antes era feita atráves de um TravelsCope da Celestron, de 70mm colado aos anéis do ED 102mm com durepox. Agora é feita com um Miniguider de 50mm da Orion, que nada mais é do que uma buscadora de 50mm em que você pode colocar a sua câmera de Guiagem. Eu coloco ela no lugar da buscadora na hora de fotografar e deixo o setup muito mais leve do que antes. O baixo peso da Atik 314L+ e do conjunto para filtros de 1,25 também ajudam a tornar as coisas muito mais leves para a CG-5GT.

O Setup com o telescópio. Em cima, vemos a auto-guiagem com o Miniguider de 50mm e a DBK41.

O primeiro alvo escolhido para fotografar com  a CCD foi a Nebulosa da Lagoa, que se revelou um alvo fácil de achar por seu brilho, mas difícil de enquadrar devido ao grande tamanho para o sensor da Atik 314. Eu até admito que o ideal na foto acima teria sido girar a câmera 90 graus antes de começar a capturar os frames, mas tenho que dizer que estava muito difícil reconhecer o que eu estava vendo com os frames curtos que uso para fazer os ajustes de enquadramento (em média com 10 segundos de exposição).

O ponto mais importante da noite era, sem dúvida, testar a auto-guiagem com o miniguider. Eu sei que com o telescópio só vou conseguir imagens legais com exposições acima de 3 minutos, e em banda estreita (Hubble Palette) o ideal é até que seja mais do que isso. Por isso, se a auto-guiagem não corresse bem, pelo menos aqui da varanda do meu apartamento a astrofotografia com telescópio não teria futuro.

Mas para minha alegria a guiagem com o Miniguider funcionou perfeitamente. Bastou a primeira calibração no software PHD Guiding que a montagem passou a acompanhar perfeitamente a estrela de guiagem. Comecei com frames de quatro minutos, mas logo percebi que poderia aumentar para seis. Só foi uma pena que após três frames de seis minutos o céu começou a nublar, a guiagem se perdeu e achei melhor recolher as coisas, o que foi uma boa ideia, pois o céu não voltou a melhorar.

Apesar das nuvens, consegui três frames de quatro minutos e três de seis minutos, somando meia hora de exposição, o que é um tempo aceitável para um primeiro teste e considerei os resultados muito bons. Fico ansioso para novas fotos, onde a partir de agora, vou ver o universo ainda mais de perto.

Aqui juntei a imagem de ontem (Luminance) com outra capturada com a Canon T2i durante o Quinto EBA (RGB). 

terça-feira, 14 de maio de 2013

Rho Ophiuchi com a lente de 50mm. Quando o bom também é barato


Vejam a imagem acima. algumas pessoas tem dito que ela é a minha melhor  imagem. Não sei se é verdade, mas tenho que dizer que gostei muito dela. Trata-se do complexo nebular de Rho Ophiuchi, uma das regiões mais bonitas do céu.

A imagem foi feita durante o último Enoc, com a técnica simples de colocar câmera e lente sobre a montagem porcamente alinhada, tentar alguns lightframes e fazer darkframes. A câmera foi a Canon T2i modificada, mas é a lente que tenho que destacar. O "telescópio" usado para a foto acima foi uma lente Canon EF 50mm F1.8, que custa 120 dólares do exterior e no Mercado Livre pode ser encontrada nova por valores entre 300 e 400 reais. Uma pechincha em se tratando de lentes. Na verdade acho que é a lente mais barata da Canon.

Apesar de ser muito barata, a lente EF 50mm F1.8 sempre foi uma grata surpresa em praticamente todas as situações em que a utilizei. Seja filmando em locais escuros com a GH2, seja fotografando minha família ou mesmo paisagens, a qualidade desta lente sempre me impressionou. Enquanto a lente 18-55mm que vem com o kit da Canon trabalha em 50mm com uma distância focal de F5.6, a fixa EF 50mm F1.8 consegue ser até nove vezes mais rápida nesta mesma distância focal. Ou seja, o que a lente do kit faz em um décimo de segundo, a F1.8 precisa de apenas um centésimo. Isso pode significar a diferença entre precisar ou não de um tripé para fotos normais.

Mas não é só isso. Com uma abertura de F1.8 mesmo uma foto feita sob a luz do Sol fica muito melhor, pois fica com mais profundidade, pois com ela conseguimos aquele belo efeito em que vemos as pessoas em foco e o fundo completamente desfocado, dando muito mais destaque para o alvo da foto enquanto com a lente 18-55 a imagem fica chapada.

Mas é claro que em Astrofotografia não basta a lente ser clara, ela também precisa ser uniforme, garantindo o foco em toda a sua extensão e não produzindo coma na imagem final. Sim, a 50mm F1.8 não produz uma imagem plana com o diafragma totalmente aberto, mas na boa distância focal de 3.2 a imagem fica perfeita. A 18-55mm do kit também não fica perfeita em F5.6 precisando fechar ainda mais a lente.

Com uma distância focal de apenas 50mm, o alinhamento não precisa estar em sua plenitude, por isso pude fazer tempos de exposição de 90 segundos para a imagem acima sem que as estrelas apresentassem arrasto.

Eu acredito que é esta lente de 50mm que deveria acompanhar as DSLRs de entrada e não a 18-55mm, que sou obrigado a dizer, é de qualidade sofrível quando comparada com esta 50mm. Na verdade todas as lentes Zoom baratas da Canon, como a 70-300mm ou a 55-200mm são sofriveis. Mas acho que a 50mm não acompanha as câmeras por que as pessoas (eu me refiro ao público leigo) estão acostumadas demais com a ideia de que boas câmeras são as que tem mais zoom e não aceitariam bem uma lente sem  nenhum zoom, mas a verdade é que me parece que muitas pessoas só veem o quanto as suas DSLRs podem ser superiores a uma câmera compacta ou mesmo uma superzoom quando adquirem esta lente. Talvez por isso a 50mm F1.8 seja tão barata, o seu preço é a melhor forma de atrair os proprietários de DSLR para o mundo das lente de grande abertura.

Abaixo segue outra imagem com a mesma lente, dessa vez destacando o centro da Via Láctea.



segunda-feira, 13 de maio de 2013

Vigésimo Primeiro ENOC, finalmente um céu escuro

O Cruzeiro do Sul, com a Canon T2i e a lente de 135mm F2.0

Cruzeiro do Sul
Luziânia - Goiás - 11 de maio de 2013
Exposição 21x90 segundos ISO 800
Canon T2i modificada
Canon 135mm F2.0 @2.5
Celestron CG-5GT

Esse fim de semana foi de Encontro Observacional do CAsB, quando o Clube de Astronomia de Brasilia organiza um evento numa fazenda ou pousada distante das luzes de Brasília para desfrutarmos de um céu sem poluição luminosa. Nesta edição o encontro foi numa fazenda, próxima de Luziânia, em Goiás. O Local não tem um céu como o da chapada dos Anões, mas é um deleite para quem está acostumado com o céu urbano de Brasília.

Eu fiz sete fotos. Quatro boas, duas mais ou menos e uma fail. Muito para uma noite apenas, já que não pude ir na sexta, devido ao trabalho. O elevado número de fotos numa única noite é principalmente pelo fato de que o Setup usado foram duas lentes, as Canons F135mm F2.0 e a 50mm F1.8, que foram usadas não com a Atik 314L, mas sim com a Canon T2i modificada, já que a Atik 314L foi distraidamente esquecida em casa.

No fim acho que ter esquecido a Atik foi algo até bom. Num céu escuro, bom mesmo é usar a Canon, que sendo colorida e tendo um grande campo acaba sendo muito mais divertida de usar do que a CCD monocromática. 

Me impressionou, principalmente, em ver como a lente 135mm F2.0 se comportou de maneira totalmente diferente da DSLR em relação à CCD. Na CCD focar é um martírio, e quando você pensa que atingiu o foco perfeito a imagem bagunça e halos surgem nas estrelas, quando os halos somem a imagem fica com um coma enorme, o que era inesperado para um sensor muito menor do que o da T2i. Nesta, mesmo em F2.0 a lente de 135mm quase não apresenta coma. A imagem acima foi feita com o diafragma aberto em F2.5 e não houve crop nem correção do coma. Mostrando que a lente valeu a grana pesada que investi nela.