terça-feira, 22 de abril de 2014

Voltando a fotografar na varanda - Muita produtividade no feriado.

As chuvas estão começando a diminuir e estou finalmente podendo fazer as primeiras capturas da varanda. Ainda estou sofrendo com alinhamento e quase sempre as sessões são interrompidas por nuvens que voltam a fechar o céu no meio da madrugada, mas estou voltando a me divertir.

Mesmo com guiagem, o alinhamento tem me permitido exposições de 6 a 8 minutos com a lente de 200mm FD, enquanto o telescópio mal consegue chegar aos 3 minutos. Sem guiagem os tempos de exposição máximos são respectivamente 2 minutos com a lente e 1 minuto com o telescópio. A HEQ5 tem se mostrado meio birrenta, mais do que a CG-5 da Celestron Tem hora que me da saudades da montagem da Celestron.

Bem, como a lente de 200mm tem sido mais generosa com os tempos de exposição e é mais rápida, inclusive podendo ter a sua abertura regulada pelo diafragma manual, ela tem sido a minha preferida. Mas eu sei que uma hora vou me cansar dela. O telescópio aproxima muito mais, mostra detalhes incríveis com a Atik 314L, que é uma câmera muito sensível. Eu preciso de apenas 5 minutos de exposição para começar a fotografar mais com ele.
 
Veja abaixo algumas capturas feitas neste enorme feriado de quatro dias que tivemos no último fim de semana.


O Luminance dessa imagem das nebulosas da Lagoa e NGC 6559 foi captada com apenas cinco frames de 6 minutos feitos com a lente de 200mm FD e incorporado a um RGB antigo, feito com a lente de 135mm.

Mais um luminace capturada com a lente de 200mm e incrementado com RGB da lente de 135mm, aqui da Nebulosa NGC 6188. Foram 20 frames de 8 minutos num dia em que o alinhamento estava muito bom.



O Luminance desta imagem da Nebulosa do Camarão testava sendo feito com frames de 3 minutos, com o telescópio, mas o mau alinhamento me fez desistir de continuar. Posteriormente eu processei os frames, arrumei um pouco as estrelas e considerei o resultado, mesmo que imperfeito, aceitável.
 
Nebulosa da Lagosta, Luminance captado com a Lente de 200mm e a Atik. O RGB é de uma imagem feita com a Canon T2i e lente de 135mm, na chácara dos meus pais, ano retrasado.

Até o momento, como vocês podem perceber, eu tenho me limitado a capturar Luminances em H-Alpha, me aproveitando de grande gama de imagens que já tenho e que podem fornecer o RGB. Prevejo que mais pra frente, principalmente quando a seca começar, devo me esforçar para captar outros RGB, principalmente com os outros filtros de banda estreita.
 
A conclusão que chego com as imagens acima e que o acompanhamento tem sido o meu grande gargalo na astrofotografia. Sem falsa modéstia, tenho dominado bem grande parte das questões em astrofotografia: enquadramento, processamento, foco. Essas coisas estão indo bem. O que tem me impedido de conseguir as fotos que eu sonho fazer com certeza é a incapacidade de conseguir tempos maiores de exposição, principalmente com o telescópio. O grande problema tem sido o alinhamento, já que não tenho visão para o Sul e não posso usar o telescópio polar da montagem para achar o pólo celestial Sul.
 
Como tive que guardar a montagem para a reforma do apartamento, perdi o melhor posicionamento para ela e pode levar algum tempo até recuperar, mas bom mesmo será quando eu tiver um teto móvel na varanda e poderei deixar o telescópio mais tempo no mesmo lugar, mas agora estou completamente sem grana e isto deve levar um tempo.


terça-feira, 15 de abril de 2014

Eclipse da Lua de 15 de abril de 2014


A Lua atrás do monumento do Memorial JK. Algumas pessoas podem me perguntar por que não coloquei a Lua na mão do JK. Eu fiz uma foto assim, mas esta, com a Lua parecendo um capacete na cabeça do JK me pareceu muito mais interessante. Faz o nosso ex-presidente parecer um astronauta apontando para o céu. O ponto brilhante à esquerda é a estrela Spica. Para esta foto foi usada a lente de 200mm 2.8  FD.

 
Ontem foi dia, ou melhor, noite de eclipse total da Lua. É um evento raro e merecia ser acompanhado de algo também raro: eu sair de meu apartamento no meio da madrugada, em pleno meio de semana para tentar fazer algumas fotos.
 
O que eu queria mesmo, se pudesse, era ficar na varanda, com o telescópio ao lado. Mas como a vista para o oeste é bloqueada pelo meu próprio prédio, o negócio foi acordar no meio da madrugada e, munido da Canon T2i e um tripé simples, procurar um bom local para os registros.
 
O pessoal do Clube de Astronomia de Brasília até se reuniu, no eixo monumental, num encontro bastante movimentado e até com presença da imprensa. Mas apenas com câmera e uma humilde lente de 200mm e outra de 50mm. Se eu quisesse uma foto realmente interessante, frente a tantas feitas com telescópios, eu tinha que ir atrás de alguns locais legais.
 
Felizmente bem perto do local onde o CASB se reuniu está o Memorial Juscelino Kubitschek. O cenário é meio clichê, por isso eu tentei uma foto mais criativa, com a Lua na cabeça do ex-presidente, como o capacete de um astronauta.
 
Depois fui para a praça dos três poderes. eu queria um registro com o Congresso Nacional, mas o ângulo não ajudou e a imagem feita com o monumento Dois Cândangos ficou muito mais interessante.




Nesta foto, tendo como cenário a Praça dos Três Poderes, fotografei o monumento Dois Candangos com a Lua perto. O astro, além de em pleno Eclipse Total, estava em conjunção com a estrela Spica, à esquerda, e o planeta Marte, abaixo. Aqui foi usado a lente de 50mm.

domingo, 13 de abril de 2014

Preparando para a Estiagem, a Nova Varanda e a Lua com a Atik 314L+



Eu não gosto de dizer que as coisas no blog estão paradas. Mas não dá pra notar que foram poucas postagens nos últimos meses.

Duas coisas impediram a minha produção astrofotográfica nos últimos dois meses: uma reforma no meu apartamento e chuvas absolutamente incessantes aqui em Brasília. Felizmente estamos chegando no meio de abril e a esperança de que as chuvas diminuam passa a aumentar.

Eu não acho ruim ficar este período parado antes da estiagem. Assim evito um pouco o que aconteceu ano passado. Quando finalmente chegou a estiagem eu já estava um pouco cansado e não aproveitei a época sem nuvens como deveria.

Também aproveitei estes dois meses para me dedicar ao livro de astrofotografia. Depois de muito tempo parado, comecei a definitivamente engrenar esta obra. É claro que maior dedicação também tem me mostrado o tamanho do desafio. Colocar tudo de um jeito organizado não é nada fácil. A ideia é tentar terminar tudo até dezembro deste ano, revisar até março de 2015 e procurar alguém interessado em publicá-lo. Apesar das dificuldes não me preocupo tanto se não der certo a publicação. É um assunto tão legal que o trabalho de escrever tem sido uma diversão.

Quanto a varanda, é muito bom não ter mais aquela piscina que havia antes, que tornava tudo tão difícil. Ontem fiz os primeiros testes e gostei muito, a varanda está solida, a sensação de espaço estava ótima e foi possível trabalhar nela mesmo depois de um dia de chuva, pois o caimento feito no piso fez a varanda secar muito rapidamente, só tive que tomar cuidado com algumas gotas que caiam na beirada dela, vindo da calha.

Eu fiz uma foto da lua e estava indo fazer uma interessante de céu profundo. Infelizmente ainda estamos em abril e o céu, que estava tão limpo no começo da noite, fechou completamente depois de uns poucos frames.

Estou torcendo demais pelos quatro dias de feriado na próxima semana, se o céu deixar, com certeza teremos algumas fotos bem legais aqui semana que vem.

sábado, 22 de março de 2014

Hyperstar: um acessório interessante para astrofotógrafos com telescópios Cassegrain

Telescópios do tipo Schmidt-Cassegrain são celebrados pela sua qualidade óptica, mas infelizmente, para céu profundo não são tão populares. Devido a sua grande distância focal, as capturas são muito mais lentas do que em telescópios refletores, refratores apocromáticos ou lentes fotográficas.

Alguns astrofotógrafos, inclusive bastante avançados, utilizam redutores focais, que diminuem bastante a distância focal dos Cassegrains, aproximando da distância focal de um refletor ou refrator apocromático (algo entre F6 e F8). Se reduzir além disso, a qualidade óptica começa a ser prejudicada. Mas existe um acessório que consegue reduzir a distância focal dos Telescópios Cassegrain para até incríveis F2.0, tornando-os tão luminosos quanto as melhores (a caríssimas) lentes teleobjetivas de grande porte. Chama-se Hyperstar.

Trata-se de um adaptador feito para ser conectado não no porta-ocular de um telescópio Crassegrain, mas no lugar do espelho secundário, que fica preso a lente corretora deste tipo de telescópio. Neste adaptador você conecta a câmera, diminuindo muito significativamente a distância entre o sensor e a objetiva. Com um Hyperstar, um Celestron C8, por exemplo, passa a ter sua distância focal alterada de F10 para  F2, tornando-se 25 vezes mais rápido (conforme o site da fabricante).



Telescópio Cassegrain com Hyperstar no lugar do espelho secundário. Repare que a câmera, bem estreita, é um modelo já construído para ser utilizada com o acessório.

É um acessório fantástico para quem quer velocidade e principalmente, não quer usar a sempre manhosa Auto Guiagem. Imagine poder conseguir com frames de 30 segundos, o que você precisaria com frames de vários minutos de exposição. Você consegue 100 frames num tempo em que conseguiria 5. Mais frames significam menos ruídos e detalhes muito mais evidentes.

Mas vale lembrar duas coisas muito importantes, a primeira é que a redução da distância focal também reduz o aumento. Um C8 passará a ter sua distância focal reduzida de 2 metros para meros 40 centímetros, distância focal de uma teleobjetiva ou de um pequeno refrator apocromático, tornando-se um telescópio mais adequado para grandes nebulosas do que para galáxias distantes e nebulosas planetárias (para isso, um redutor focal seria mais adequado, embora com ele o telescópio não fique tão rápido).

Além disso, como a câmera vai ficar na frente do telescópio e não atrás, você deve evitar usar câmeras muito grandes, pois estas bloqueariam a entrada de luz, prejudicando a velocidade do telescópio. Pensando nisso, muitos fabricantes de câmeras astrofotográficas têm construído modelos bastante finos, como a QHYL e a Atik, feitos especialmente para serem usados com Hyperstar.

Também está longe de ser um acessório barato, o mais barato, para um Cassegrain de 6 polegadas, custa 600 dólares com o adaptador para câmera, quem quer colocá-lo num telescópio de 14 polegadas, terá que desembolsar 1400 dólares, e ainda terá que comprar o kit de conversão para telescópios mais antigos, que não é simples, mas segundo o site da empresa, acessível ao consumidor normal com um manual bem detalhado.


Essa impressionante imagem da nebulosa IC1396 foi captada pelo usuário Bradisback do Astrobin, com um Cassegrain de 11 polegadas equipado com um Hyperstar. Foram 40 grames de apenas 3 minutos. Algo impensável sem o uso do acessório.

Sem filtros de banda estreita, a fotografia de nebulosas mais brilhantes pode ser feita com frames curtíssimos. Essa imagem da Nebulosa da Lagoa foi feita com 30 frames de 30 segundos, totalizando menos de 15 minutos de exposição. Aqui, o Hyperstar equipava um Schmidt-Cassegrain de 14 polegadas. Autor: Usuário TC-Fenua, Astrobin.

 Onde Encontrar:
E em outras lojas de equipamento astronômico, além de fóruns de astronomia e sites de leilões estrangeiros

quarta-feira, 5 de março de 2014

Qual câmera para astrofotografia você pode comprar por até 1500 reais?

No post anterior eu falei sobre câmeras até 500 reais. Agora quero falar sobre a faixa de câmeras imediatamente acima, onde os modelos estão em valores que vão de 800 a 1500 reais. Para quem tem condições financeiras e vontade para gastar um pouco mais de mil reais numa câmera para astrofotografia, o mundo costuma ser bem mais feliz do que para quem só pode ou quer gastar 500 reais neste equipamento. 

Falando de forma mais séria, a experiência com astrofotografia pode começar de forma muito mais gratificante quando você tem 1500 reais na mão. Para fotos planetárias você não vai precisar mais recorrer a uma Webcam e sim usar uma câmera feita para o trabalho e, acreditem, uma câmera de primeira linha que você dificilmente trocará por outra mais cara no futuro. Para fotografia de céu profundo você não precisará recorrer a uma DSLR fabricada 20 anos atrás. Pode comprar um modelo de entrada novo ou uma um pouco melhor seminova. Só não vai poder comprar na Fnac e sim no Mercado livre ou na Feira do Paraguai mais próxima. Se estiver disposto a comprar uma DSLR mais antiga, tem chance até de conseguir uma modificada para astrofotografia, de algum astrofotógrafo que decidiu fazer um upgrade, desistiu da astrofotografia ou simplesmente morreu de velhice.

Uma câmera de vídeo planetária de ponta

Primeiramente uma explicação: Porque quando me refiro a câmera planetárias, normalmente as trato como câmeras de vídeo e não fotográficas? A resposta é simples, as boas imagens planetárias são feitas com empilhamento de centenas ou mesmo milhares de fotos, então a forma mais rápida de se conseguir muitos frames é filmar o planeta e não fotografá-lo.

O problema é que para planetas, principalmente quando o conjunto Câmera+Telescópio for capaz de pegar muitos detalhes, está filmagem não pode demorar muito, senão a rotação do planeta pode começar a borrar a imagem. Sendo assim, quanto mais rápida for a câmera, mais frames você conseguirá para empilhar antes da rotação do planeta afetar sua imagem. Para Júpiter, por exemplo, está necessidade é crítica devido à intensa atividade atmosférica do planeta.

Por isso, as câmeras capazes de fazer mais frames por segundo são as preferidas. Alguns astrofotógrafos conseguem bons resultados a 10 frames por segundo, às vezes até menos, mas isso não quer de forma alguma dizer que elas não ficariam melhores com mais frames, muito pelo contrário.

Até alguns pouquíssimos anos atrás (1 ou 2), quem quisesse uma câmera planetária de ponta tinha que adquirir uma Imaging Source. O modelo mais popular era a DMK21, com resolução de 640x480, capaz de gravar 60 frames por segundo e que custa cerca de 450 dólares no exterior. Para astrofotógrafos mais avançados, a Skynix 2.0, da Luminera, cujo modelo mais barato custava mais de mil dólares, era a escolha.
A ASI120 da ZWO

Mas no ano passado  surgiu uma nova opção: as câmeras ASI da ZWO, que chegaram ao Brasil através do Site Armazém do Telescópio. O pioneirismo do Armazém é merecedor de elogios, quando  o site passou a vender as câmeras, praticamente ninguém tinha ouvido falar delas e no começo as ASI foram vistas com muita desconfiança. Hoje são as câmeras preferidas dos astrofotógrafos planetários brasileiros, com destaque para as ASI120mm e sua equivalente colorida, a ASI120mc, que custam cerca de mil reais no Armazém e 300 dólares no exterior.

Na época do lançamento no Armazém do Telescópio, pesquisas no Google mostravam muitas poucas imagens feitas com as ASI120. Quase todas vinham acompanhadas com textos escritos em línguas orientais totalmente incompreensíveis para quem, como eu, mal consegue falar inglês. Mas a qualidade dessas imagens, aliadas a preços muito mais em conta do que as concorrentes, mais a versatilidade da câmera, que permitia filmar em resoluções variadas, enquanto as concorrentes só filmavam na resolução nativa, o que permitia as ASI120 atingirem velocidades incríveis (até 215 frames por segundo na resolução 320x240), logo fez com que as ZWO se tornassem populares.

Hoje, é fácil ver até mesmo astrofotográfos avançados, possuidores de câmeras da Luminera adquirindo as câmeras da ZWO. Inpressiona ainda mais ver alguns usuários conseguindo imagens planetárias com os modelos coloridos que não deixam nada a dever às feitas com câmeras monocromáticas.

Mas não foi somente a ZWO que chegou no Brasil. Através do site Tellescopio.com, a QHY também deu as caras com modeles muito interessantes. O modelo planetário da marca é a QHY5. A câmera tem basicamente o mesmo sensor da ASI120, o MT9M034 CMOS de resolução 1280x960pixeis e também filma mais rápido na resolução menor.

Vale lembrar que resolução menor pode parecer algo negativo, mas é irrelevante quando o planeta ocupa somente um espaço pequeno no campo de captura do sensor. A diminuição da resolução faz com que a câmera filme apenas naquele pedaço onde está o planeta e preserva a qualidade da área de captura.

A QHY5 é vendida por cerca de 1000 reais no Tellescopio.com.br. Esta câmera tem se popularizado menos do que o modelo da ZWO, mas parece ter qualidade e preços bastante equivalentes. O fato da ZWO ser vendida pelo Armazém de Telescópio, há anos o site mais popular em equipamentos de astronomia, tem pesado muito a favor das ASI.

Júpiter, fotografada pela ASI120mc do Flávio Fortunato. Esta imagem impressiona por ter sido feita com uma câmera colorida, além disso, foi captada por um telescópio de 10 polegadas em montagem dobsoniana, sem acompanhamento.

Saturno, com a QHY5 num telescópio de 12 polegadas, captura por Avani Soares.


Uma DSLR de entrada nova


Com até 1500 reais é possível também entrar no mundo da fotografia de céu profundo com uma DSLR razoável. Com esta grana você consegue comprar uma Canon T3 no Mercado Livre. Para quem está interessado em céu profundo, é uma compra que vale muito a pena, talvez a mais indicada. Com um sensor muito maior do que câmeras compactas ou superzoons, a Canon T3 consegue imagens com muito menos ruído e com tempos de exposição maiores. Possui um adaptador simples e fácil de encontrar que permite conectá-la a praticamente qualquer telescópio, mas também fotografa muito bem quando usada junto com boas lentes, além de poder ser usada numa montagem mais leve e ser mais portátil nessa condição. A fotografia com lentes é muito indicadas para nebulosas de campo aparente maior, como Ámérica do Norte, Rho-ophiuchi, entre outras.

Mas por que uma DSLR da Canon e não de outras marcas? Principalmente a Nikon. A resposta é que a Canon é muito mais popular entre os astrofotógrafos do que as outras marcas. Isto resulta em mais acessórios e programas compatíveis, e também mais informação sobre técnicas e modificações. Além disso, a Canon é a única entre as fabricantes que deixa explícito saber que a astrofotografia é um mercado para seus produtos, ao fabricar modelos feitos especialmente para o uso em astrofotografia, como a 60Da. Fora isso, quanto a sensibilidade e qualidade de imagem, não é possível dizer que a Canon é superior a seus concorrentes, principalmente à Nikon.

Nesta imagem, com um telescópio de 10 polegadas e uma NEQ-6, o astrofotógrafo Eduardo Bueno  tirou o máximo de sua Canon 1000D, modelo anterior à T3.


Uma DSLR um pouco mais avançada, usada.

Sim é possível comprar até uma T3i nessa faixa de preço,se for usada. Uma das diferenças da T3i em relação a T3 é o sensor de 18 megapixels, mas imagens feitas com DSLRs com sensores de APC de 12 megapixels não tem deixado nada a dever às feitas com sensores de 18 megapixels. Então acho que o sensor não é tão determinante na escolha, me fazendo preferir uma T3 nova do que uma T3i usada. Já para quem vai fotografar sem computador, o LCD móvel é de grande ajuda para o registro de objetos próximos ao zênite.

M16 fotografada com a Canon T2i (equivalente a T2i), antes da modificação, com um refrator de 4 polegadas.


UMA DSLR modificada usada de um astrofotógrafo

Já foi falado neste blog sobre a importância de se modificar sua DSLR, retirando o filtro original à frente do sensor, que bloqueia grande parte da luz vermelha emitida por nebulosas de emissão, por outro que deixe toda a luz das nebulosas passarem. Essa modificação tem sido a grande dificuldade dos novos astrofotógrafos Brasileiros. Poucos são os que julgam ter condições de realizar esta modificação (eu inclusive) sendo necessário a ajuda de um profissional em equipamentos fotográficos para a realização da alteração. Além de ser difícil achar um profissional capacitado, mais difícil ainda é encontrar o filtro, que tem de ser importado e exige pesquisa para a compra do modelo correto.

Uma boa alternativa é a compra de uma DSLR já modificada. Encontrar uma DSLR modificada por menos de 1500 reais não é algo fácil, mas às vezes acontece. Astrofotógrafos estão sempre fazendo upgrades e querendo equipamentos melhores, alguns acabam saindo da atividade por motivos particulares, outros estão simplesmente precisando de dinheiro. Então se você ficar experto, vai acabar encontrando uma.

Os melhores lugares para se encontrar uma DSLR modificada usada são em fóruns de astronomia ou astrofotografia. Há bons grupos do Facebook, como o Mercado de Astronomia, ou o Brechó de Astronomia onde há chance de uma aparecer por lá. Você também pode procurar em fóruns no exterior, como o CloudyNights ou Astromart. Mas não espere encontrar modelos mais recentes por até 1500 reais. Vai ter que ser uma DSLR antiga, provavelmente sem o útil live view e você ainda vai ter que dar um jeito de escapar dos impostos se não quiser pagar mais do que isso por sua DSLR.

Em resumo, ter uma DSLR modificada sem pagar muito não é fácil, mas é possível. Tem que pesquisar muito e aproveitar as oportunidades, mas pela qualidade das imagens que consegue, principalmente das nebulosas vermelhas, pode valer muito a pena.

Nebulosa da Lagoa, fotografada pelo Astrofotógrafo Sandro Rosa com uma Canon 450D modificada. 

Uma CCD de baixa resolução usada

Orion Starshoot G3 Deep Space

Sim, é possível comprar uma CCD refrigerada voltada para astrofotografia por menos de 1500 reais, bem pouco menos, diga-se de passagem. Esses dias havia uma a venda no mercado livre por 1450 reais e se você estiver no exterior, pode até conseguir comprar uma nova com esse montante. Uma Orion Starshoot G3 Deep Space custa 500 dólares em seu modelo monocromático e somente 400 na versão colorida. Outro modelo acessível nesta faixa de preço, é a Atik Titan, mas somente se comprada usada.

A característica mais marcante de uma CCD para céu profundo acessível por menos de 1500 reais será sua baixa resolução. O sensor típico de uma câmera encontrável nesta faixa de preço é o ICX419ALL da Sony, com uma resolução de 752 por 582 pixels. Num telescópio, este sensor produzirá um campo suficiente para a fotografia de galáxias e nebulosas planetárias. A boa notícia é que, apesar do sensor ser muito pequeno, a sua qualidade não deve nada aos sensores de câmeras mais caras, sendo possível conseguir imagens realmente muito boas com essas câmeras, se você não espera publicar um poster de seu resultado. Mas fuja dos modelos coloridos, a qualidade da imagem é muito próxima ao que se consegue com uma DSLR, com muito menos resolução.

Os lugares onde você pode encontrar uma câmera dessas por menos de 1500 reais são os mesmos onde talvez você encontre uma DSLR modificada: fóruns de astronomia e sites de leilões.

M27, fotografada com uma Orion G3 num refletor de 8 polegadas. Autor: Barry E.

Lembre-se, a qualidade das imagens mostradas neste post não representa a total capacidade das câmeras. Elas variam pelo equipamento usado, experiência e habilidade do astrofotógrafo, bem como na qualidade do céu no local e momento da captura.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Qual câmera para astrofotografia você pode comprar com até 500 reais?

Este Blog já tem um post sobre equipamentos para Astrofotografia, mas decidi começar a desmembrar alguns assuntos e ser mais específico. Até mesmo por que alguns equipamentos tiveram mudanças nos últimos anos e, é claro, eu também aprendi mais um pouco depois dos posts anteriores.

Decidi começar falando mais especificamente de câmeras para astrofotografia, principalmente por que tenho considerado este, o grande gargalo para a maioria dos astrofotógrafos brasileiros. Muitos, munidos de ótimos telescópios, não conseguem bons resultados por estarem com câmeras que são incapazes de tirar tudo o que o equipamento óptico é capaz.

Desde que fiz os posts sobre equipamentos para astrofotografia, acho que a mudança mais significativa foi o lançamento das câmeras planetárias da ZWO, que estão literalmente pulverizando a concorrência ao oferecerem modelos mais rápidos e flexíveis do que as Imaging Source e Lumineras, por um preço que chega algumas vezes a ser uma fração do que é cobrado pelos concorrentes. A QHY também tem chegado com câmeras interessantes, principalmente para céu profundo.

Como a informação mais importante para o astrofotógrafo brasileiro quase sempre é "quanto o produto custa", vou tentar separar as câmeras não por tipos, mas por faixa de preço. Então, vamos ver quais são as melhores opções de acordo com o quanto você pode gastar com uma câmera. Vou começar por aquelas que custam até 500 reais:

Qual câmera para astrofotografia você pode comprar com até 500 reais?

No Brasil, achar uma boa câmera para astrofotografia por até 500 e que seja boa, é um desafio. O problema é que 90% dos aspirantes a astrofotografia no Brasil pedem uma indicação nessa faixa de preço. Eu sempre digo para economizarem um pouco mais e adquirirem algo melhor, mas se a impaciência é muito grande, lá vão as opções:


Uma câmera Portátil de qualidade

São as famosas Cybershots e similares. Câmeras compactas normalmente do tamanho de uma caixa de cigarros, que cabem do bolso e que possuem zoom ótico entre 4x e 10x. Você pode achar bons modelos por menos de 500 reais, mesmo novos.

Prefira as que possuem mais configurações manuais, principalmente para tempo de exposição e sensibilidade (ISO). A Canon tem algumas Powershots com comandos manuais que podem render imagens razoáveis, conseguindo tempos de exposição de até 15 segundos e tendo firmwares que podem aumentar ainda mais este tempo.

Vantagens: Fáceis de encontrar, ao telescópio podem aumentar a imagem através do zoom óptico, dispensando o uso de Barlows.
Desvantagens: Sensores pequenos com resolução muito alta gerando grande ruído praticamente em qualquer nível de sensibilidade. Muito difícil de retirar as lentes para foco primário sem prejudicar o funcionamento da câmera. Normalmente usa-se o método afocal, com a lente da câmera apontado para o telescópio. As lentes precisam de adaptadores desajeitados para acoplar ao telescópio (alguns astrofotógrafos preferem até construir seus próprios adaptadores). A imensa maioria tem poucos comandos manuais, por isso pesquise muito antes de comprar.
Recomendada para: fotografia Lunar, solar (com filtros adequados) e fenômenos meteorológicos. conseguem fazer widefiel de céu profundo. (PS: Talvez "Recomendada" não seja o termo correto. O correto seria: "Menos pior")
Onde encontrar: Lojas de departamento, lojas on-line, sites de leilão, etc. 


Imagem da Via Láctea em widefield feita com uma Canon Powershot SX120 sem telescópio. Autor - Usuário marcosastro - Astrobin

A Lua fotografada por uma Sony Cybershot num refletor de 6 polegadas: Autor - Usuário Michael_Xyntaris - Astrobin



Uma câmera superzoom de entrada ou usada.

Câmeras superzoom são aquelas câmeras que estão entre as compactas e as DSLRs. Eles são mais encorpadas que as compactas, podendo ter quase o tamanho de uma DSLR, possuindo lentes bem maiores do que as câmeras compactas, mas usando praticamente os mesmos sensores. Por isso a maior vantagem que tem em relação as compactas está na possibilidade de zoons mais elevados e não numa melhor qualidade de imagem.

Na verdade para fotografia com telescópio, as superzoons são ainda menos adequadas do que as câmeras compactas, por serem muito pesadas e grandes, colocá-las num adaptador é ainda mais difícil e eles podem desalinhar apenas com o próprio peso. As lentes maiores tornam o alinhamento com a ocular ainda mais difícil. Por isso são pouco recomendas para astrofotografia com telescópio. Normalmente o que dá para fazer com uma câmera superzoom é fotografar a Lua, com o zoom no máximo e fazer imagens de céu profundo, com o zoom no mínimo, com uma qualidade próxima a que se consegue com uma câmera compacta com recursos manuais. Essa qualidade é muito inferior ao que se conseguiria com uma DSLR.

Vantagens: Fáceis de encontrar, aumentam muito a imagem através do zoom óptico.
Desvantagens: Como as compactas, possuem sensores pequenos com resolução muito alta, gerando grande ruído praticamente em qualquer nível de sensibilidade. Também é muito difícil de retirar as lentes originais sem prejudicar o funcionamento da câmera. Seu uso em adaptadores é ainda mais desajeitado do que nas câmeras compactas, devido ao maior volume e peso.
Recomendada para: fotografia Lunar, solar com filtro adequado e fenômenos meteorológicos. (aqui também o termo "menos pior" caiba melhor do que "recomendada")
Onde encontrar: Lojas de departamento, lojas on-line, sites de leilão, etc.


A esquerda, uma superzoom num adaptador para telescópio, A direita uma câmera compacta.


Uma Webcam de qualidade

- Uma boa webcam custa entre 100 a 300 reais. Existem boas webcams a venda em boas lojas de informática ou no mercado livre. Normalmente é necessário fazer uma modificação, tirando a lente original da câmera para expor o sensor diretamente a luz emitida pela objetiva. Essa adaptação é muito mais fácil do que nas câmeras portáteis, normalmente basta desparafusar a lente e encaixar a câmera de algum modo no telescópio que pode ser bem artesanal. Por serem muito leves, essa adaptação pode ser feita até com fita adesiva de qualidade. Algumas câmeras, como a Phillips SPC900, hoje muito difícil de encontrar, tem adaptadores disponíveis do mercado. As melhores possuem sensor CCD, mas já existem algumas com sensores CMOS que entregam imagens aceitáveis. A Microsoft tem algumas boas Webcams em linha que podem trazer bons resultados.

Vantagens: Mais fáceis de adaptar a telescópios do que as Cybershots. Vídeos são gravados em extensões mais compatíveis do que nas compactas. Sensores são pequenos, mas modelos com menor resolução, como o SPC900, geram mais sensibilidade e menos ruído.
Desvantagens: Necessita pesquisa para saber quais são os modelos de qualidade, a grande maioria das boas webcams são dificeis de achar, estão fora de linha ou mesmo são consideradas raridades.
Recomendada para: Fotografia Lunar, Planetária e Solar (com filtro adequado).
Onde encontrar: Lojas de departamento, lojas on-line, fóruns de astronomia e sites de leilão (Esse muita vezes pode ser a única opção).



WebCan SPC900nc com adaptador para telescópio. Normalmente basta desrosquear a lente e rosquear o adaptador.

Imagem feita com um Mak 127mm e uma Microsoft Lifecam Studio - Autor:  Usuário Ursa Maior - Astrobin


Júpiter capturado por uma SPC900NC da Phillips e um telescópio refrator de 120mm - Autor: Usuário JonM - Astrobin


Uma Câmera de vídeo astrofotográfica de entrada.

Existem câmeras de vídeo feitas por fabricantes de equipamentos astronômicos. Entre os fabricantes mais populares, Celestron, Orion e ZWO são as que possuem equipamentos que podem ser achados por menos de 500 reais. Eles são semelhantes às Webcam de qualidade. Alguns diriam que são a mesma coisa, mas existem algumas diferenças básicas:
- Compatibilidade com os principais programas de astrofotografia planetária e podem vir com softwares próprios para captação e processamento.
- Vem prontas para conectar ao telescópio em foco primário (sem uso de ocular), não precisando comprar ou fazer adaptadores.
- Algumas possuem opções de tempos de exposição maiores, podendo ser aproveitadas como câmeras de autoguiagem em setups para fotos de céu profundo.

Hoje há duas categorias, as que possuem sensores com resolução VGA (ZWO ASI030MC, Celestron Neximage, Orion StarShoot Solar System Color Imaging Camera IV) e as com sensores de 5 megapixels (Celestron Neximage 5 e Orion StarShoot 5 MP Solar System Color Camera). Foram a Orion e a Celestron que lançaram essa tendência de câmeras planetárias com sensor de maior resolução. Apesar do marketing em cima disso, as fotos dessas câmeras não tem se mostrado melhores do que as feitas com sensores de menor resolução.
O modelo da ZWO é muito interessante pela flexibilidade, você pode reduzir o tamanho da imagem e assim aumentar a taxa de frames, o que é muito bom para fotografia de planetas, conseguindo até mesmo incríveis 335FPs na resolução 320x240, quase sempre suficiente para fotografia de planetas.


Vantagens: Prontas para adaptar ao telescópio. Sensores quando não são equivalentes, são melhores do que das melhores Webcams, compatibilidade com os softwares de captura e processamento astrofotográfico mais conhecidos.
Desvantagens: muito difíceis de achar no Brasil. No caso das ZWO, até mesmo no exterior não está fácil.
Recomendada para: Fotografia Lunar, Planetária e Solar.
Onde encontrar: Lojas on-line de produtos astronômicos, fóruns de astronomia e sites de leilão.

Nota: no exterior todas custam menos de 500 reais, mas no Brasil alguns modelos podem ser encontrados por um pouco mais do que 500, mas ainda podem ser consideradas como na mesma faixa das anteriores. Até pouco tempo atrás o Armazém do Telescópio vendia a ASI030MC por menos de 500 reais e pode ser que eles voltem, com o modelo atualizado, a ASI 034MC. Você pode adquirir a 034MC direto no site da ZWO. custa 400 reais com o frete, mas pode ser que sejam incluídos impostos na hora de entrar no brasil.

Lojas on-line de produtos astronômicos no Brasil onde você pode achar câmeras para astrofotografia.

Júpiter, fotografado com uma ASI030, num telescópio de 8 polegadas. Autor - Usuário Walter Martins - Astrobin

Júpiter, fotografado por uma Neximage 5, câmera de vídeo astrofotográfica com sensor CMOS de 5Megapixels, num telescópio de 8 polegadas..

Uma boa câmera de Segurança com sensor CCD

Sim, essa pode ser uma ideia interessante. Existem algumas câmeras de segurança disponíveis que podem ser acopladas ao telescópio produzindo principalmente imagens de céu profundo interessantes. Prefira modelos da Sony, Samsung ou outras marcas consagradas, evitando produtos de marcas genéricas que custem abaixo de 100 reais. Uma boa câmera de segurança para astrofotografia vai custar entre 200 e 300 reais no Brasil. Eu não sei muito como é a adaptação, pois dos tipos de câmera acima, foi o único que nunca usei.


Vantagens: melhores para céu profundo. Tem grande sensibilidade. Algumas são até usadas para apresentar vídeos dos objetos de céu profundo mais brilhantes ao vivo.
Desvantagens: pouco material em português disponível na internet. 
Recomendada para: Fotografia de céu profundo (não sei como se sai em fotografia planetária e lunar)
Onde encontrar: Principalmente em Lojas especializadas em equipamentos de segurança, sites de leilão.

Clique AQUI para ir a um site que explica um pouco melhor sobre câmeras de segurança para astrofotografia (em inglês)

Nebulosa de Orion fotografata com uma Samsung SDC-435 e um telescópio de 8 polegadas. Autor - Ben Mclerran - Astrobin

Nebulosa da Lagoa fotografada com uma Samsung SDC-435 e um telescópio de 5 polegadas. - Autor - Steve Wainwright

Uma DSLR bem usada 


Para céu profundo a melhor opção nessa faixa é uma digital single-lens reflex, ou simplesmente DSLR. Com um sensor muito maior do que os modelos anteriores, este tipo de câmera apresenta níveis de ruído muito menores, além da possibilidade de conectar ao telescópio por adaptadores simples e totalmente estáveis. Os modelos mais populares são da fabricante Canon, seguido pela Nikon e depois pelas outras.

O problema maior é que uma DSLR nova custa bem mais do que 500 reais e um modelo nessa faixa de preço não será uma câmera usada, mas normalmente uma câmera muito usada. Algumas podem já vir com defeitos anunciados e irrelevantes para astrofotografia, como por exemplo flash estragado. Outras podem ter problemas que você só vai descobrir depois e mais sérios. Por isso a compra é bastante arriscada, podendo ser muito recompensadora ou totalmente frustrante.


Vantagens: De longe a melhor opção para céu profundo possível nessa faixa de preço. Comandos manuais de exposição e sensibilidade, fáceis de acoplar ao telescópio.
Desvantagens: por serem mais caras, uma DSLR por 500 reais não é fácil de encontrar e quando você consegue é uma bem velhinha e a compra pode ser uma loteria. Mas há boas oportunidades disponíveis, podendo ser adquiridas em sites de leilão. No Ebay há muitos exemplares na faixa de 100 a 200 dólares.
Recomendada para: Fotografia de céu profundo e Lunar
Onde encontrar: Sites de Leilão e fóruns de astronomia.


Nota: para darem o máximo de si em imagens de Nebulosas de emissão (as vermelhas), as DSLRs precisam ser modificadas, com a troca do filtro a frente do sensor, que bloqueia grande parte da faixa das nebulosas de emissão. Está modificação é difícil, sendo recomendado que seja feita por um especialista e precisa de filtros que devem ser comprados no exterior. Apesar disso, mesmo sem a modificação, para céu profundo as DSLRs apresentam resultados bem acima dos modelos anteriores.


Nebulosas da Lagoa e Trífida fotografada por uma Nikon D40 numa lente de 55-300mm. Esta DSLR pode ser encontrada por menos de 500 reais em sites de leilão. Autor - Maurizio Ventura - Astrobin


Conclusão:
Comprar uma câmera para astrofotografia abaixo de 500 reais não é nada fácil. O meu conselho seria economizar mais um pouco e tentar juntar pelo menos mil reais, para adquirir uma DSLR usada ou uma ZWO ASI120, que tem apresentados resultados bem superiores a ASI030 e permitem fotografia de céu profundo (boas nas DSLRs, aceitáveis na ASI 120). Mas na falta de grana ou paciência, a ZWO ASI 034MC, atualização da 030MC, é uma boa compra. Se você achar uma Philips SCP900 também vale, apesar de eu preferir a ZWO. 

Neximage 5 ou Orion StarShoot 5 MP Solar System Color Camera) só se você não achar as anteriores, mas vale lembrar que elas são mais caras e têm apresentados resultados mais fracos até mesmo que seus modelos antigos, a Neximage  e a Orion StarShoot Solar System Color Imaging Camera IV. Estas tem qualidade de imagem próximas a uma SPC900 da Philips.

Se decidir por câmera compacta, pode ser que consiga bons resultados conectando ela a um telescópio. A superzoom é difícil de conectar ao telescópio e com 500 reais você vai ficar limitado a modelos inferiores ou usados. Eu evitaria está opção. Uma câmera de segurança não dará os mesmos resultados que uma DSLR, mas pode ser uma opção muito interessante para quem tem pouca grana e muita curiosidade.


Nota: A qualidade das astrofotos apresentadas neste post não representa com exatidão o que se pode conseguir com as câmeras relacionadas. Além da câmera há muitas outras variáveis que influem numa astrofotografia, como a qualidade da montagem, do instrumento óptico, as condições da captura e também a habilidade do astrofotõgrafo.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Nebulosa Cabeça do Macaco, a primeira astrofoto de 2014



Finalmente o céu abriu de forma aceitável aqui em Brasília. Infelizmente eu perdi os primeiros dias de céu limpo devido às comemorações de ano novo e as duas noites que peguei começaram bastante nubladas, mas depois melhoraram. Eu não podia perder a oportunidade.

O primeiro alvo de 2014 acabou sendo a Nebulosa Cabeça do Macaco, ou NGC 2174. Trata-se de uma Nebulosa de emissão localizada na constelação de Orion, bem na ponta, ao norte da constelação. A nebulosa está associada ao aglomerado aberto NGC 2175 e sua distância da Terra é estimada em 6,4 mil anos luz.

Cabeça do Macaco provavelmente não é dos melhores alvos para se fotografar com o setup usado, Atik 314L+Lente 200mm, mas na hora que estava preparando o setup haviam nuvens no céu. Por ser fácil de localizar, perto de uma estrela visível a olho nu, e por ser razoavelmente brilhante, era o alvo que dava pra pegar.

O resultado me agradou. Só não atingiu a perfeição por que a guiagem, feita com o céu nublado, apresentou algum rastro na captação em H-alpha. no segundo dia, quando captei as outras duas bandas de cor, oxigênio e enxofre, a guiagem estava melhor.

Notem que também fotografei com o diafragma um pouco fechado. Não adianta! A 200mm FD, tal como a 135mm F2.0 EF que eu tinha, precisa estar um pouco fechada para melhores resultados. Mas o diafragma manual traz algumas vantagens, a maior delas é poder deixar a lente totalmente aberta enquanto estou enquadrando para fechar o necessário na hora da captação. Com uma lente EF isso não seria possível. Pelo resultado da imagem, pela facilidade de uso e pelo preço, já que custou menos da metade de uma 200mm F2.8 EF nova, estou muito satisfeito com essa lente. O modelo mais novo, com diafragma automático me obrigaria a ter que colocar a lente na Canon T2i cada vez que eu quisesse variar o Diafragma. E enquadrar nebulosas muito pálidas com o diafragma em F4 iria exigir tempos de exposição maiores para este trabalho, deixando as coisas menos divertidas.

Também ajudou muito na imagem acima eu ter conseguido usar o recurso de Live view na CCD. Deixa eu explicar, live view é a possibilidade de ver ao vivo o que o sensor da câmera está mostrando. Esse recurso existe nas DSLRs mais modernas e é muito útil para se conseguir um bom foco. Você aponta para uma estrela mais brilhante e ajusta o foco até ela atingir o menor tamanho possível. Como as CCDs astronômicas não tem live view, nelas você tem que ir fotografando até conseguir a imagem que mais lhe satisfaz. Como você tem que tirar uma foto, analisar, tirar outra e assim por diante, o foco é um processo demorado e chato, principalmente quando você passa o foco do ponto e tem que ficar indo e vindo. Com o live view é possível conseguir o foco perfeito em poucos segundos.

CCDs monocromáticas teoricamente não possuem live view, mas no programa Artemis, que vem com a Atik 314L+ eu consegui simular isso muito bem. Veja como fiz:

  1. Encontre uma estrela bem brilhante.
  2. Reduza a área de captura para algo como 100x100pixels. Isso vai deixar o download muito mais rápido do que se você estive fotografando com toda a área da imagem.
  3. Mova a área de captura para sobre a estrela mais brilhante.
  4. Ajuste o sequencer para tirar fotos com 1 décimo de segundo de exposição.
  5. Programe o sequencer para tirar algo em torno de 6 mil fotos, ou quantas você vai achar necessário. Eu normalmente gasto bem menos que isso. O programa vai tirar uma foto por décimo de segundo. Então em um minuto, serão só 600 imagens muito pequenas. Com live view eu gasto bem menos que isso para conseguir o foco, deixo 6 mil só para não ter pressa nenhuma.
  6. - Clique em "Run" no sequencer. Como as imagens são muito pequenas, elas aparecerão em terpo real na tela do computador. É só ajustar o foco.

Dica: Configure para salvar as imagens num diretório separado, para facilitar na hora de excluí-las

Esse roteiro acima não foi um guia de uso do programa, mas do raciocínio usado. Por isso pode ser usado para outros programas de captura que tenham as mesmas opções.

E isso aí pessoal, que 2014 nos traga muitas belas imagens!

Abraços
Rodrigo Andolfato

domingo, 22 de dezembro de 2013

Nebulosa da Roseta em Hubble Palette - Tirando tudo o que dá!

Nebulosa da Roseta, captada com 27 frames de 10 minutos e RGB inserido de uma foto feita com a lente de 135mm.

Eu não me lembro quando foi a última vez que tivemos um céu bom para astrofotografia aqui em Brasília. Deve ter sido faz quase dois meses. É realmente uma lástima visto a quantidade de objetos incríveis que estão lá em cima atrás das nuvens.

Nesse período houve uma única captação, da Nebulosa da Roseta, também conhecida como Caldwell 49, já que NGC 2244 na verdade é o aglomerado aberto localizado no centro da Nebulosa. Formado por estrelas jovens que são fruto dos gases agora ionizados por elas.

A imagem acima não está ruim. Na verdade considero uma de minhas melhores e estou muito feliz com a Lente de 200mm FD. O campo conseguido com a lente no sensor da Atik 314L realmente se parece muito com uma câmera full frame num apo de uns 700mm de distância focal, mas muito mais leve e barato, embora sem a mesma resolução.

Mas essa foto teria ficado muito melhor se eu tivesse conseguido o tempo de exposição que queria. A ideia era algo em torno de umas doze horas ou mais. Mas depois de duas noites de captação em H-Alpha, uma com as estrelas deixando rastros e outra com o foco ruim, passou-se quase um mês sem um céu ao menos aceitável. E vale lembrar que os dois dias de captação que consegui também foram repletos de nuvens, aproveitando-se alguns buracos esporádicos no céu.

A ideia era captar mais umas quatro horas de H-alpha e umas duas de Oxigênio e Enxofre para conseguir uma foto realmente legal desta nebulosa. Mas tanto demorou-se para o céu abrir que comecei a brincar com uma foto colorida da Nebulosa da Roseta da época da lente de 135mm, pior, uma foto totalmente defeituosa em que as estrelas estava com halos gigantescos por causa de uma configuração ruim dos filtros, que estava muito a frente do que deviam. A ideia era usar está foto com a lente de 135mm como fonte de cor para a imagem captada com a lente de 200mm em H-alpha.

Tirar os halos não foi fácil, mas de filtro blur em filtro blur, seguido de ajustes, eles foram enfraquecendo até chegarem a uma configuração aceitável. Assim chegou a umaponto, de impaciência com o céu e de bom processamento, que decidi publicar a imagem com as cores da imagem de 135mm e as acidentadas quatro horas e meia de exposição que tinha.em H-Alpha. Isso me dá liberdade para tentar outros objetos no dia que o céu der uma trégua e irei deixar uma nova captação de Roseta com a lente para os próximos anos.

A imagem usada para colorizar a imagem acima. Repare nos enormes Halos em volta das estrelas mais brilhantes. Tirá-los para usar as cores na imagem com a lente de 200mm foi um desafio.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Na chuva, sobram (bons) reprocessamentos em Hubble Palette

Essa é provavelmente á pior época que eu pego em Brasília, desde que comecei na astrofotografia. Já faz mais de um mês que o céu não me dá chance para uma imagem nova. E eu já conto cinco montagens de setups que não deram em nada. Faz dois dias o céu até abriu quase que totalmente, mas assim que o setup estava pronto para as primeiras imagens, apareceram umas nuvens pequenas acima de minha cabeça, que logo viraram nuvens enormes e, meia hora depois, com o meu setup já devidamente guardado, estava chovendo.

O que me deixa mais triste ainda é a profusão de objetos fantásticos lá em cima esperando para serem fotografados. E a grande maioria é adequado a fotografia com lentes, o meu estilo preferido. E essas nuvens vão ficando e esses objetos vão passando cada vez mais cedo para o outro lado do prédio e eu vou ficando só na vontade.

Mas essas épocas horríveis de céu fechado acabam tendo umas poucas vantagens. Talvez a maior delas é que eu acabo passando muito mais tempo reprocessando imagens. Reprocessamento não é uma coisa simples, na maioria das vezes a alegria acaba quando eu resolvo comparar a nova imagem com a anterior, e descubro que não melhorou nada, ou pior, a antiga estava melhor.

Felizmente recentemente tive uma boa série de bons reprocessamentos, quase todos são devido a um domínio maior não do Photoshop, mas de um programa gratuito chamado Fitswork. Aprendi alguns macetes simples que tem me ajudado muito. Basicamente são: sempre juntar um Luminance com o RGB depois de juntar os três canais para a imagem colorida e aplicar o filtro Blur no RGB antes da junção. o filtro Blur, inclusive ajuda muito a corrigir os erros de alinhamento que eram comuns em minhas imagens anteriores, já que o blur deixa estrelas coloridas com uma cor uniforme.

Nebulosa Cabeça do Cavalo - Duas horas e meia de H-Alpha com a lente de 200mm se juntaram ao RGB captado com a lente de 125mm, no começo de 2013.

A Nebulosa da Lagoa, captada em H-Alpha com apenas 6 frames de 6 minutos pelo telescópio, recebeu o RGB de uma imagem feita com a Lente de 135mm

Esta imagem da Lagoa com a lente de 135mm, acompanhada da Nebulosa da Trífida, também está muito melhor.

Até a Lagoa captada pela Canon no Quinto EBA recebeu o Hubble Palette. Uma imagem com RGB de CCD e Luminance de DSLR não é lá algo muito comum.
Eu já havia processado essa imagem de NGC6188 duas vezes, mas só agora consegui o resultado que esperava.